O Pan sumiu (da Globo)

Em 2007, os Jogos Pan-Americanos foram realizados no Rio de Janeiro. Durante praticamente os dias inteiros, a Rede Globo transmitia as competições e exibia boletins sobre o evento. Foi uma cobertura digna de Olimpíada, que a emissora não fizera no Pan de 2003, realizado em Santo Domingo (República Dominicana).

Quatro anos depois, uma nova edição dos Jogos Pan-Americanos acontece, desta vez em Guadalajara, no México. Nos primeiros dias de competições os atletas brasileiros já haviam obtido vários bons resultados. Mas não apareceram na Rede Globo. E não é porque o Pan é realizado fora do Brasil: como já foi dito, em edições anteriores à do Rio a emissora não deixava de falar sobre o evento, mesmo sem fazer uma cobertura como a de 2007.

Clique aqui e leia na íntegra a colaboração deste blogueiro para o Jornalismo B.

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Um sopro de pensamento crítico

Não costumo assistir ao “Fantástico”. Considero tal programa um verdadeiro convite à depressão.

Domingo passado, imaginava que o assunto principal seria o décimo aniversário dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Nem precisaria assistir para comprovar que estava certo: era mais óbvio do que chover para baixo.

Mas via Facebook, descobri que foi pior do que esperava: o “Fantástico” praticamente ignorou as enchentes em Santa Catarina, que podem não ter matado 3 mil pessoas como os atentados nos EUA, mas afetaram muitos milhares de pessoas. Exato: o programa deu mais importância a um acontecimento de dez anos atrás em outro país, do que a algo que acontecia na atualidade aqui no Brasil.

E eis que durante o almoço de hoje, tive uma grande (e positiva) surpresa.

Ouvia o “Sala de Domingo”, programa esportivo dominical da Rádio Gaúcha, quando o apresentador Nando Gross avisou que antes do jogo de hoje à tarde no Beira-Rio haveria arrecadação de donativos para os flagelados de Santa Catarina. Até aí tudo normal.

Só que então, Nando Gross comentou sobre o “Fantástico” do domingo passado, criticando o fato de se ter dedicado tanto espaço ao 11 de setembro de 2001, e tão pouco tempo ao que acontecia em Santa Catarina: segundo ele, foram apenas doze segundos. Exato: doze segundos, não minutos.

Cheguei a me beliscar para me certificar que não era sonho: um jornalista da RBS – que retransmite o sinal da Rede Globo para Rio Grande do Sul e Santa Catarina – criticando ao vivo o principal programa “global” de domingo à noite. O beliscão doeu uma barbaridade, então percebi que era real.

Bom, agora é esperar que a RBS, que se diz ardorosa defensora da liberdade de imprensa, mantenha na internet o áudio do “Sala de Domingo” de hoje, para que eu não passe por mentiroso. O trecho em que Nando Gross faz a crítica está aos 30 minutos de programa.

Ué? O Complexo do Alemão não tinha sido “pacificado”?

Charge de Carlos Latuff

Lembram de todo o “auê” midiático quando da ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas, em novembro do ano passado? Diziam que era o início de uma “era de paz” para as comunidades da região, uma das mais violentas do Rio de Janeiro.

Eis que, no último domingo, chegaram via Twitter informações sobre um confronto entre moradores e integrantes da “força de pacificação”. E desde ontem, os tiroteios entre traficantes (é, eles voltaram…) e militares ocupam bastante espaço na “grande mídia”.

Obviamente lá estão os repórteres da Globo usando coletes a prova de balas. Achei estranha tal cena: afinal, se há paz, para que usar colete a prova de balas?

E na televisão assisti também a cenas de pessoas, provavelmente moradoras da região, sendo agredidas com spray de pimenta, por motivos que não entendi muito bem. Tudo isso, claro, super “na paz”.

Algo que dificilmente veremos no Brasil

Em 1988, a TV pública da Espanha (TVE) promoveu uma campanha chamada Aprenda a ver televisão, para mostrar que ficar o dia inteiro grudado na telinha não é lá muito bom… Não acredita? Então é só assistir ao vídeo abaixo.

Alguém acredita que um dia veremos algo assim na Globo? Nem é preciso responder… Pois o objetivo da Globo (assim como da Record, Bandeirantes, SBT etc.) é o lucro – afinal, trata-se de uma empresa privada. Uma campanha dessas só é possível numa TV pública. Caso da TVE na Espanha, assim como da BBC no Reino Unido – emissoras que são, inclusive, referência internacional.

Já no Brasil, infelizmente, as principais emissoras continuam a ser as privadas. Fica difícil que se possa ver na televisão uma campanha recomendando que ela seja desligada.

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Como este blog não tem como objetivo o lucro (mesmo porque nunca ganhei sequer um centavo com isso), recomendo que não se fique o tempo todo na frente do computador – eu, agora vou para a frente da televisão (!!!), assistir à final da Copa do Brasil.

A ressurreição de Nicolae Ceausescu

O Natal de 1989 foi inesquecível para mim: passei o dia inteiro brincando com meu presente preferido daquele ano, um “Pense Bem”. Aquele 25 de dezembro foi também memorável na Romênia, mas por outro motivo: foi o dia em que o ditador Nicolae Ceausescu (que estava no poder desde 1965) e sua esposa Elena acabaram executados por um pelotão de fuzilamento, três dias depois da derrubada da ditadura por uma insurreição popular.

Porém, oito anos e meio depois, Ceausescu voltou à vida por um mês. E acreditem, foi na tela da Rede Globo!

Simples: a vinheta que abria as transmissões “globais” da Copa do Mundo de 1998 terminava com o logotipo da emissora, que continha dentro algumas bandeiras de países. Reparem que falei simplesmente em “países”, e não em “países da Copa”. Pois havia a presença de bandeiras como as de Austrália, Canadá e Irlanda, cujas seleções não disputaram o Mundial da França.

Mas procurando por mais erros, reparei que a bandeira da Romênia continha o brasão “socialista”, que fora retirado do pavilhão romeno após dezembro de 1989. Por motivos óbvios: com o fim da ditadura de Ceausescu, a Romênia deixara de ser “socialista”. (Inclusive, durante os protestos contra o regime se via muitas bandeiras romenas, todas com um buraco no lugar do brasão, recortado pelos manifestantes – as bandeiras “vazias” se tornaram um símbolo da insurreição popular.)

É importante lembrar que não foi só a bandeira romena que saiu errada: a África do Sul adotou a sua atual em 1994, mas a que aparece na vinheta é a anterior, dos tempos do apartheid.

Provavelmente o leitor deve estar pensando que em 1998 a Globo cometera a façanha de ainda não ter atualizado seu “arquivo de bandeiras”. Pois é, então como explicar que, na vinheta de 1994, a bandeira da Romênia estava correta? Mas não pensem que a “plim plim” tinha deixado de fazer de fazer sua propaganda comunista: sobrou para a Bulgária, cuja bandeira desde 1990 não tinha mais brasão… (É muito rápido, e por isso difícil de perceber o brasão no pavilhão búlgaro, mas ele está lá.)

A maior tradição do futebol brasileiro

Engana-se quem pensa que vou falar de “futebol-arte” e coisa parecida. Pois isso nem é exclusividade do Brasil: se o que Maradona jogava (e agora Messi joga) não se encaixa nesse conceito de “arte” do qual falam tantos opinistas, não sei mais o que é “futebol bonito”.

A maior tradição do futebol brasileiro chama-se politicagem. Nisso sim, somos inigualáveis. Tanto que, depois de relativa calma nos últimos anos, os clubes trataram de lembrar “os velhos tempos”, com o racha no Clube dos 13 e a possibilidade de acertos em separado com duas emissoras de televisão para a transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012 (fim do mundo?) em diante. (E o Grêmio vai negociar diretamente com a Globo, ou seja, provavelmente ainda teremos por um bom tempo os jogos no maldito horário das 21h50min, sem contar que se manterá o monopólio “global”; e além de tudo, isso poderá ser muito prejudicial ao Tricolor, com clubes do eixo Rio-São Paulo recebendo mais que o Grêmio numa proporção muito superior à da atualidade.)

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O futebol na Globo

Dos dez estaduais transmitidos, oito são apenas para os Estados aos quais correspondem (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco e Ceará). Os outros dois campeonatos (Campeonatos Paulista e Carioca) são transmitidos não só para São Paulo e Rio de Janeiro, como para vários outros Estados. Ou seja, o torcedor do Paysandu – que costuma lotar o Mangueirão em Belém – não pode ver seu time na Globo, pois tem jogo do Flamengo…

Para ler na íntegra, clique aqui e confira minha colaboração para o Jornalismo B.

Que chegue logo o outono!

No momento que escrevo, milhões estão grudados na televisão para assistirem à maior idiotice da TV brasileira – tanto que é um dos motivos pelos quais odeio o verão.

Uma pergunta muito pertinente: qual a percentagem de fanáticos que sabe o motivo do programa ter o nome que tem? Triste ironia: o negócio é inspirado em um personagem de um livro (o “Grande Irmão”, de 1984, clássico de George Orwell), mas seu objetivo ao confinar pessoas numa casa não é que elas discutam literatura (ou o crescente vigilantismo dos dias atuais).

Aliás, mais um motivo para ter nojo da Globo: na Argentina, eles assistem ao Gran Hermano – ou seja, tradução ao espanhol do original em inglês. Já a “vênus platinada”, como defensora do Brasil que é (né, Galvão Bueno?), prefere que falemos Big Brother

A única coisa boa nessa bosta é que, quando terminar, já estaremos no outono. Que chegue logo!

É, nós incomodamos… (parte 2)

O jornal O Globo atacou hoje a entrevista concedida ontem pelo presidente Lula aos “blogs progressistas” (sinceramente, prefiro a expressão “blogs sujos” – única boa ideia de Serra na campanha!), como mostra a imagem abaixo, “roubada” do Relatividade. Sinal de desespero do jornalão que perde credibilidade (assim como seus “companheiros” de mídia “imparcialmente” direitosa). Os resultados das últimas eleições são a prova maior disso.

Perdendo poder com o debate democrático que se dá na blogosfera, só resta à mídia tradicional atacar. Não é por acaso que temos visto tantas matérias falando sobre “os perigos da internet”, como se fosse um ambiente “infestado” de pedófilos, prejudicial à saúde etc.

E isso mesmo que a internet ainda seja muito pautada pela televisão. Como se vê quando o “Big Bosta” vira o principal assunto do Twitter (óbvio que eu não contribuo para isso), ou quando se acessa o WordPress para logar no blog e geralmente as “postagens mais populares” são relacionadas a “celebridades”, novelas… E sempre ele, o “Big Bosta”. (Que é um bom motivo para eu detestar o verão – aliás, um monte de gente falando dessa porcaria de programa chega a ser pior do que o calorão infernal, que ao menos pode gerar brincadeiras bem-humoradas como a hashtag #fornoalegre.)

O samba da bolinha de papel

Simplesmente sensacional. “Partido Alto Bolinha de Papel”, por Tantinho da Mangueira e Serginho Procopio.