Cão Uivador descobre segredo da ótima geração belga

A Bélgica chegou à Copa do Mundo bem cotada, credenciada por uma ótima campanha nas eliminatórias. Os belgas terminaram a fase de classificação invictos e vários comentaristas diziam que os “Diabos Vermelhos” poderiam ir longe no Brasil, talvez repetindo a campanha de 1986, quando alcançaram as semifinais.

Há 28 anos a campanha belga terminou contra a Argentina, fato repetido em 2014, só faltou ser na mesma fase – desta vez foi nas quartas-de-final. Não apresentou um futebol de encher os olhos: a única partida realmente boa foi contra os Estados Unidos (oitavas-de-final), de resto a Bélgica foi apenas eficiente (exceto contra a Argentina, claro). Mas trata-se realmente de uma ótima geração, a melhor dos últimos anos (a última Copa disputada pelos “Diabos Vermelhos” fora a de 2002, para se ter uma ideia), e que por ser ainda jovem poderá render mais bons resultados nos próximos anos. E, só para variar, conta com um ótimo goleiro: Thibaut Courtois ocupa o posto que na Copa de 1994 pertenceu a Michel Preud’homme, a quem eu gostava de me comparar sempre que defendia um chute (mesmo que deixando passar outros mil).

Mas, se a Bélgica já foi embora da Copa dando a sensação de que rendeu menos do que o esperado, o mesmo não se pode dizer de sua comida: essa não decepcionou. No outro final de semana, foi minha vez de cozinhar o tradicional almoço de sábado (que excepcionalmente aconteceu no domingo) na casa da minha avó, e o prato da vez era belga. Pesquisei e dentre as opções achei uma receita chamada Carne Belga – que é uma espécie de carne de panela, simples de preparar, mas diferente das que costumamos comer por aqui. O segredo é um ingrediente comum a várias receitas belgas que encontrei: cerveja. Fiz o prato duas vezes: a primeira no outro final de semana, a segunda ontem – e por conta disso, após passar a receita e o modo de preparo falarei de algumas adaptações que tomei a liberdade de fazer, em especial na segunda vez.

A receita original é a seguinte:

  • Duas colheres de sopa de farinha de trigo;
  • Três colheres de sopa de banha;
  • Duas xícaras de chá de cerveja;
  • 200 gramas de cebolas cortadas;
  • Tempero a gosto;
  • Um quilo de lagarto (tatu).

Modo de preparo:

  • Fritar a cebola até dourar;
  • Fritar a carne (cortada em fatias) até dourar bem dos dois lados;
  • Juntar a farinha de trigo e misturar a cerveja aos poucos, para não engrossar;
  • Cozinhar em panela tampada por pelo menos duas horas.

Como já tinha falado mais acima, fiz algumas adaptações na receita. A primeira disse respeito à banha: decidi usar óleo normal.

Quanto aos temperos, como a própria receita dizia, era “a gosto”. Assim, antes de fritar temperei a carne com aceto balsâmico e cerveja (depois de fritar juntei a farinha com mais cerveja), misturando também um pouco de pimenta – mas só um pouco, para não repetir o “calorão” que passaram todos (inclusive eu, claro) que comeram o prato chileno que cozinhei no início de junho.

A maior adaptação foi quanto à carne utilizada. Na primeira vez, se deu apenas na quantidade: achei que um quilo era demais, então comprei algo em torno de 500 gramas. Usei a mesma quantidade na segunda vez, mas de outro tipo de carne: ao invés de lagarto, optei por entrecot, mais macio – e que, assim, não precisa cozinhar tanto tempo (a receita original fala em duas horas).

Quanto ao tempo, é um problema ter de cozinhar a carne por duas horas – ainda mais que a cerveja dá ao molho um cheiro irresistível. Por isso, vale mais a pena optar por cortes mais macios. Ainda mais que justamente no dia em que preparei a receita com lagarto o gás acabou quando eu mal começara a fritar as cebolas: o que já seria demorado tornou-se ainda mais demorado, e dada a fome de todos, a carne não cozinhou o tempo necessário, ficando um pouco “dura”.


Para beber, a sugestão é óbvia, né? Mesmo que inverno combine com vinho, essa receita “pede” para ser acompanhada por uma boa cerveja – de preferência a deliciosa Stella Artois, uma das mais famosas da Bélgica.

O prato principal do almoço de domingo. Pena que não deu para anexar o cheiro junto...

Pena que não deu para anexar o cheiro junto…

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Uma receita do Chile: Tomatican

Meu pai, meu irmão e eu tivemos, no início de 2014, uma ideia diferente para nossos almoços de sábado: fazer uma comida típica de cada país participante da Copa do Mundo. A “Copa da Culinária”, como chamamos o “campeonato”, começou ainda em janeiro e se estenderá além do próprio Mundial – deve terminar no começo de outubro, se não houver mais nenhum contratempo.

O cozinheiro do sábado era este que vos escreve, com o dever de fazer uma receita do Chile. Pesquisei e achei um ensopado chamado Tomatican, apropriado para dias invernais – só uma pena que tenha esquentado bastante. Ainda mais devido ao problema que vou contar depois de passar a receita.


Ingredientes:

  • 400 gramas de alcatra em cubos;
  • 6 tomates médios sem pele;
  • 200 gramas de milho verde;
  • 2 cebolas médias em rodelas;
  • 2 colheres (sopa) de páprica picante;
  • 3 dentes de alho espremido;
  • 3 colheres (sopa) de azeite;
  • Sal, pimenta-do-reino e pimenta malagueta a gosto.

Modo de preparo:

Esquente o óleo em uma panela, acrescente carne, cebolas, alho, páprica, e deixe até dourar. Acrescente água, tomates, milho, sal e pimentas a gosto, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 30 minutos. O caldo deve ficar bem espesso.

Para acompanhar o prato, batatas cozidas. E para beber, claro, algum dos ótimos vinhos tintos chilenos – que estão dentre os melhores do mundo.


Como avisei, tive problemas com a receita. E curiosamente, foi pelo fato de segui-la quase à risca (a única “invenção” foi pôr um pouco de vinho na mistura).

Como a panela que usei não era muito grande, os ingredientes foram cozidos com menos água do que deveria. Porém, pus as duas colheres de sopa de páprica picante… E com isso o sábado quente ficou ainda mais quente. Como a receita dizia que pimenta-do-reino e pimenta malagueta eram “a gosto”, optei por deixá-las de fora. Mas não foi suficiente para “esfriar” muito as coisas.

Resumindo: fiquei com vontade de fazer novamente, só para pôr menos páprica (ou mais água) e conseguir sentir melhor o sabor desse prato.

tomatican

O Tomatican sendo preparado. Pode – e deve – ser melhorado, de preferência ficando bem “vermelho”, como a camisa da Seleção Chilena.

Ungaretti volta a postar

O blog Ponto de Vista, do professor Wladimir Ungaretti, voltou hoje às postagens diárias. Sem poder tecer comentários a respeito do trabalho de um fotógrafo da RBS, pelo qual está sendo processado.

Aliás, hoje é dia 1º de abril. Uma semana atrás, propus que fosse feita uma “homenagem” à “grande mídia”, que se diz democrática mas na verdade é mentirosa (combina com o dia de hoje!), já que esconde seu posicionamento. Além disso, há exatos 45 anos (1º de abril de 1964) o movimento golpista iniciado um dia antes vencia a democracia – o que levou muitos jornais, que inclusive apoiaram o golpe, a serem censurados.

Assim, a “homenagem” que eu faço consiste, é claro, em uma receita culinária. Afinal, era assim que os jornais ocupavam o espaço que seria preenchido por matérias censuradas pela ditadura (“ditabranda” uma ova!).

Pudim de amêndoas

Ingredientes: 500g de açúcar, 500g de amêndoas moídas; 2 colheres de manteiga; 2 colheres de farinha de trigo; uma pitada de sal; 10 ovos.

Modo de fazer: Faça a calda em ponto de pasta, acrescente-lhe os outros ingredientes e misture bem. Ponha em fôrma untada com açúcar queimado. Cozinhe em banho-maria.