A importância do futebol

Um vazio assombroso: a história oficial ignora o futebol. Os textos de história contemporânea não o mencionam, nem de passagem, em países onde o futebol foi e continua sendo um símbolo primordial de identidade coletiva. Jogo, logo sou: o estilo de jogar é uma maneira de ser, que revela o perfil próprio de cada comunidade e reafirma seu direito à diferença. (Eduardo Galeano, Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 243-244.)

As imagens da tentativa de suicídio de um vascaíno após o rebaixamento do time do coração são chocantes. Por sorte, a tragédia maior foi impedida. Porém, as palavras do torcedor – “a minha vida não faz mais sentido” – mostram o quão importante é o futebol na vida de muitas pessoas.

Assim como há gente que morre (ou mata) “pela pátria”, muitos são capazes de matar ou morrer por um time de futebol. Para essas pessoas, o clube talvez seja uma das únicas fontes de alegria. A compensação, no fim-de-semana, de uma vida sofrida de segunda a sexta. A glória ou a desgraça não são apenas do time, afetam cada torcedor, cada um à sua maneira.

Certa vez li que, após o Maracanazo de 1950, morreram dois torcedores. Um brasileiro se jogou da marquise do Maracanã, e um uruguaio enfartou em Montevidéu após ouvir pelo rádio o segundo gol do Uruguai.

Definitivamente, futebol é algo muito mais importante do que parece para muitos intelectuais que insistem em ignorá-lo como fenômeno de massas, ainda mais no Brasil.

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Palpites e esperanças

Faltando menos de 24 horas para a última e decisiva rodada do Brasileirão 2008, publico o que é meu palpite e também esperança de classificação final do campeonato.

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Claro que acredito no Grêmio. É difícil: precisa vencer e torcer por derrota do São Paulo. Ou seja: há nove possibilidades distintas de combinação de resultados dos jogos Grêmio x Atlético-MG e Goiás x São Paulo, e somente uma interessa ao Tricolor gaúcho.

As vagas na Libertadores acredito que já são dos times que estão no G-4 antes mesmo da rodada começar: além de Grêmio e São Paulo, se classificam Palmeiras e Cruzeiro. Afinal, o Flamengo terá de jogar na Baixada contra o Atlético-PR, que briga contra o rebaixamento.

Acho que dá empate nesse jogo, resultado bom para o Vasco. Só que o Náutico e o Figueirense ganham de Santos e Inter respectivamente, condenando o clube de São Januário à Série B, infelizmente. Digo isso porque, embora muitos estejam torcendo pela queda do Vasco, o clube carioca não é mais presidido por Eurico Miranda: se cair com Roberto Dinamite na presidência, de nada adiantará dizer que foi “herança maldita” dos tempos do Eurico, já que a torcida, em geral, tem memória curta. E aí, “Euricão” voltará…

Mas, se o Vasco cair, o problema é dele. Eu quero é ver o Grêmio campeão!

Uma pérola do Corinthians

O rebaixamento do Corinthians para a Série B do Campeonato Brasileiro tem semelhanças com a desgraça acontecida com o Grêmio. Parcerias desastrosas que resultaram numa dívida astronômica (ISL no Tricolor, MSI no Timão), e muita bagunça fora de campo. Além, é claro, de times muito ruins.

Mas, com o Grêmio não aconteceu algo tão ridículo quanto o acontecido no início de 2008 no Corinthians… Clique aqui e leia sobre a visita do “jornalista” da Finlândia ao Parque São Jorge.

Por que o Corinthians é tão detestado?

Não foram só colorados, são-paulinos, palmeirenses e santistas que ficaram felizes da vida com o rebaixamento do Corinthians à Série B do Campeonato Brasileiro. A impressão que dá, é que quase o Brasil todo comemorou. No final do jogo de domingo, o Olímpico era uma festa, apesar da partida “mole” que o Grêmio havia jogado, sem a mínima raça.

E isso não é devido à roubalheira de 2005 (para os colorados) nem à derrota na final da Copa do Brasil de 1995 (para os gremistas). Há tempos a Placar divulgou uma pesquisa que apontava o Corinthians como o clube mais odiado do Brasil. Pensei comigo mesmo: por que tanto ódio ao “Timão”?

O Corinthians, há muitos e muitos anos, é um dos clubes com mais exposição na mídia nacional. Tanto que com a derrota para o Vasco – que deixou o time à beira da Série B – a alta chance de rebaixamento tornou-se assunto no país inteiro. E a queda também.

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(charge do Kayser)

A televisão, por ser privada, segue uma lógica comercial: passa o que dá mais audiência. Flamengo e Corinthians têm, supostamente, as duas maiores torcidas do Brasil. Assim, entende-se porque seus jogos passam em rede nacional muito mais vezes do que os da dupla Gre-Nal: mais gente “se interessa” por Flamengo e Corinthians.

Em termos de conquistas, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional e Cruzeiro são maiores que o Corinthians, mas o que vale é a “quantidade”, ou seja, o número de torcedores telespectadores. Assim, fica muito claro que tudo o que falam do Corinthians na mídia não se deve a feitos históricos ou times memoráveis: é pura questão de “mercado”.

Com outros grandes clubes também não houve a mesma exploração midiática do rebaixamento. Nem vou falar do Grêmio para evitar ser muito passional: lembro do Atlético Mineiro. Em 2005, quando o Galo caiu, não houve documentário especial no Esporte Espetacular, nem grandes debates em rede nacional.

Porém, acho que só a exposição na mídia não explica tudo. Pois o Flamengo também é superexposto (por motivos que já citei), e não é tão detestado como o Corinthians – pelo menos aparentemente.

Talvez seja a arrogância. Nisso, tenho um exemplo daqui de Porto Alegre: o Inter. Eles ganharam o Mundial contra o Barcelona e passaram a se achar “os tais”. É fato: esse negócio deles acharem que o título deles vale mais por ser “FIFA” tornou o clube antipático para muitas pessoas que não tinham nada contra o Inter. Uma amiga minha, que nasceu em Minas Gerais mas mora em Porto Alegre desde 2003, torce pelo Cruzeiro e adotou o Grêmio como segundo time. Mas ela não detestava o Inter: isso passou a acontecer em 2007, quando muitos colorados se tornaram extremamente arrogantes.

Pois bem: o “Timão” sempre teve uma imagem arrogante (o próprio apelido já ajuda bastante). Meu pai, que é colorado, diz que sempre achou o Corinthians e sua torcida muito antipáticos, e depois de 2005 passou a detestar ainda mais o clube paulista. Some-se a isso que, como disse o Thiago Silverolli lá no Cataclisma 14, “tudo que o Corinthians faz é grandioso” – parcerias milionárias, comemorações desproporcionais, enquanto título que é bom…

Porém, ainda não tenho uma conclusão sobre as causas desta antipatia em geral que as pessoas não-corintianas sentem pelo Corinthians.

Passo a palavra ao leitor que não gosta do Corinthians para que diga, nos comentários, os motivos de sua antipatia pelo “Timão”.