Em defesa dos direitos políticos de Luciana Genro

Acontece hoje às 18h30, no Auditório da Faculdade de Direito da UFRGS, um ato em defesa dos direitos políticos da deputada federal Luciana Genro (PSOL). Por conta da Lei das Inelegibilidades, que impede parentes até o segundo grau de ocupantes de cargos executivos de concorrerem na mesma jurisdição do titular do cargo (a não ser que disputem a reeleição – o que prejudica Luciana, que não foi reeleita), ela não poderá concorrer a nenhum cargo a não ser o de Presidente da República, enquanto seu pai, Tarso Genro, for governador do Rio Grande do Sul.

Não se pode criticar o motivo pelo qual a lei existe: o objetivo é evitar a formação de oligarquias familiares. Mas fica claro que é um remédio amargo. E nem muito eficaz. Num exemplo bem simples, Roseana Sarney é governadora do Maranhão, e seu pai, José Sarney, é senador – mas pelo Amapá. Logo, dribla-se a lei e mantem-se o poder da família.

Já o caso de Luciana Genro é bem diferente. Ela é de um partido que faz oposição (pela esquerda) ao de seu pai. E mesmo quando estava no mesmo partido de Tarso, Luciana tinha muitas discordâncias com ele. Ou seja, politicamente ela sempre foi independente do pai, não representa a formação de uma oligarquia.

Não votei em Luciana na última eleição, mas dei uma ajudinha, ao votar em um candidato do PSOL, Antônio Ruas, para deputado federal – pena que não tenha sido suficiente para o partido alcançar o quociente eleitoral, que reelegeria Luciana. É inegável que ela fará muita falta não simplesmente à Câmara Federal, como à própria política brasileira.

É preciso, então, que haja uma reavaliação dessa lei. Pois é injusto Luciana Genro ser impedida de se candidatar mesmo fazendo oposição ao pai, enquanto o mesmo não acontece com os Sarney, que concorrem por Estados diferentes mas defendem os mesmos interesses.

Anúncios

É rir para não chorar

Lançada de última hora como candidata ao governo do Distrito Federal para substituir seu marido Joaquim Roriz (que renunciou por temer a cassação de sua candidatura por conta da lei da “ficha limpa”), Weslian Roriz (PSC) teve uma participação, no mínimo, constrangedora no debate de terça-feira. Foi daquelas situações em que se chega a sentir “vergonha alheia”.

Weslian se atrapalhou várias vezes, precisando recorrer quase que constantemente às anotações da assessoria (chegando a trocá-las); quando questionada sobre transporte público por Agnelo Queiroz (PT), respondeu perguntando-lhe se era favorável ao aborto… E chegou a dirigir ao candidato Toninho (PSOL) uma pergunta de cunho totalmente pessoal, de nenhuma importância para a política.

Assisti aos vídeos no YouTube e nem consegui rir da situação vivida por Weslian, que à primeira vista pode parecer engraçada: achei aquilo deprimente. Senti muita pena dela. Me enoja ver uma senhora ser humilhada publicamente (afinal, ela já está virando piada nacional) apenas para que seu marido possa se manter em uma disputa eleitoral: ficou muito claro o despreparo dela – mais do que para governar (até porque sabemos quem de fato irá governar Brasília caso Weslian seja eleita), como para participar de um debate, já que quem concorre a um cargo político geralmente se prepara para isso.

Pelo bem não da “política” (que ela não é) Weslian Roriz, mas da pessoa, torço para que sua candidatura seja cassada, poupando-a de maior constrangimento. E, caso isso não aconteça, espero que o povo de Brasília não acabe elegendo-a por sentir pena: é justamente por compaixão que não se deve votar nela, como forma de punir Joaquim Roriz por fazer a esposa passar por uma situação dessas.

Mudei o voto – e explico por quê

Lá se vão quase cinco meses do dia em que declarei não votar em Dilma Rousseff no 1º turno. Expus minhas razões num texto que não cansei de citar, inclusive como resposta a “correntes” com direitosquices contra a candidata petista (aliás, vários desses lixos são desmascarados aqui) – lembrando os trolls amigos de meu voto para presidente, Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL.

O fato de eu ter optado por Plínio não me tornou um “opositor” ao governo Lula (do qual Dilma representa a continuidade), postura adotada por muitos militantes de partidos à esquerda dele, como o PSOL. Concordo com muitas das críticas feitas pelo PSOL ao governo, mas dizer – como muitos de seus partidários costumam – que é um governo “de direita”, convenhamos, é forçar demais a barra. Eu o considero como de centro-esquerda, mais para “centro” do que para “esquerda” – o que não pode ser considerado negativo, dado que antes o Brasil sofrera muitos anos nas mãos da verdadeira direita, e desde 2003 houve, sim, melhorias na vida de muitos e muitos brasileiros. Considero uma atitude extremamente infeliz (para não dizer “burra”) a de taxar como “direita” pessoas, partidos e governos com os quais eu, que me declaro de esquerda, tenho algumas discordâncias. Do contrário, eu teria de considerar como “de direita” o governo de Hugo Chávez na Venezuela, por discordar de algumas de suas medidas!

Com o decorrer da campanha, as pesquisas começaram a indicar uma disparada das intenções de voto em Dilma. (Sim, as pesquisas, tão criticadas antigamente… Não digo que elas sejam manipuladas sempre – do contrário, perderiam tanto a credibilidade que acabariam por não existirem mais – mas, convenhamos, é muito fácil só criticá-las quando os números são favoráveis ao adversário.) A impressão era de uma vitória arrasadora, já no 1º turno.

Só que aí surgiram os recentes escândalos (que coincidentemente só “estouraram” perto da eleição, por que será?), e aparentemente Dilma “parou”. E eu já estava pensando em como seria bom que ela vencesse já no 1º turno, mesmo não votando nela: afinal, assim se garantiria mais 4 anos de PSDB longe do Palácio do Planalto. Então li um ótimo texto do Hélio Paz, comentei fazendo um elogio, e ele respondeu (os grifos são meus):

Valeu, Rodrigo! O momento exigia uma postura assim – ainda mais depois daquela ressaca da eleição no Grêmio que demorou pra curar.

Aliás, infelizmente, eu tenho o cutuque de que haverá 2º turno p/presidente: o #pig vai fazer de tudo nesta semana. E – quero estar enganado – acho que vai conseguir…

Esperemos…

[]’s,
Hélio

Charge do Santiago (clique para ampliar)

Eu já tinha pensado se não seria uma boa dar meu voto para Dilma já no dia 3 de outubro, em nome de evitar a realização de um 2º turno. Não sou contra a realização de 2º turno em eleições majoritárias: a exigência de mais de 50% dos votos válidos confere maior legitimidade ao eleito. Mas no atual contexto político brasileiro, se houver 2º turno, haverá mais tempo para a direita – a “grande mídia” incluída, seja a que declara sua posição (Estadão), seja a que insiste no papo furado da “imparcialidade” – jogar ainda mais sujo para tentar eleger José Serra. E é preciso derrotá-la para evitar que o Brasil sofra o grande retrocesso que será uma eventual volta do PSDB e do DEM ao governo. Quanto antes, melhor!

Por conta disso, então, tomei a decisão de votar em Dilma Rousseff no domingo. Mantenho todas as críticas que tenho ao governo Lula, mas voto em Dilma por entender que não podemos dar mais tempo para a direita reacionária seguir com sua campanha de baixíssimo nível. Pois sempre há o risco de que sua estratégia asquerosa dê certo.

O risco da “grande mídia”

Como já disse várias vezes aqui, voto em Plínio de Arruda Sampaio para presidente. O que não quer dizer que não preste atenção em como a “grande mídia” faz campanha contra a candidata petista, Dilma Rousseff. Pintam-na como se fosse “uma ameaça à democracia” – quando vejo justamente a “grande mídia” como o maior perigo às instituições democráticas. E não é paranoia minha: Bourdieu disse isso sobre a televisão (até acho que podemos estender à “grande mídia” em geral).

De fato, penso que a televisão, através dos diferentes mecanismos que me esforço por descrever de maneira rápida – uma análise aprofundada e sistemática teria exigido muito mais tempo -, expõe a um grande perigo as diferentes esferas da produção cultural, arte, literatura, ciência, filosofia, direito; creio mesmo que, ao contrário do que pensam e dizem, sem dúvida com toda a boa-fé, os jornalistas mais conscientes de suas responsabilidades, ela expõe a um perigo não menor a vida política e a democracia. (BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 9-10.)

Na sequência, Bourdieu lembra um episódio acontecido em 1995-1996, quando Grécia e Turquia quase entraram em guerra por duas pequenas ilhas, com rádios e televisões privadas de ambos os países “pondo mais lenha na fogueira” com suas incitações nacionalistas.

No caso do Brasil, a “grande mídia”, embora se diga “imparcial” (e obviamente eu acredito, assim como em Papai Noel, Coelho da Páscoa etc.), tenta de tudo que é jeito dar uma levantada em seu candidato, José Serra (PSDB), que anda por baixo nas pesquisas. Claro que pesquisa não é igual ao voto na urna, mas é difícil imaginar que, com Lula explicitamente apoiando Dilma, a popularidade do presidente não resulte na vitória da petista – no Chile, a ex-presidente Michelle Bachelet praticamente não participou da campanha de Eduardo Frei, e assim o oposicionista Sebastián Piñera venceu.

Assim, agora vemos a “grande mídia” martelando o caso da violação de sigilo bancário da filha de Serra; aqui no Rio Grande do Sul aconteceu algo parecido, mas nem a Zero Hora fala muito – afinal, aqui a acusação recai sobre um tucano, e não sobre um petista. E também batendo em Dilma, nas entrelinhas ou abertamente.

Isso vai dar certo? Só as urnas dirão. Mas é certo que a “grande mídia” sofrerá uma das maiores humilhações de sua história se Dilma vencer no primeiro turno, como indicam as pesquisas.

O primeiro debate de 2010

Ontem à noite, a Rede Bandeirantes realizou o primeiro debate entre os candidatos à presidência da República. Enfim, a “grande mídia” teve de abrir espaço para Plínio de Arruda Sampaio, que vinha sendo solenemente ignorado – só se falava de Dilma, Serra e Marina.

A propósito, foi justamente Plínio que salvou o debate da pasmaceira. Já tinha lido que ele se preocupava em atacar mais o PT do que a outros partidos, mas não foi o que vi ontem: o candidato do PSOL bateu forte nos três adversários, fez críticas pertinentes. E, o melhor de tudo, com toques de bom humor, diferente da postura adotada por Heloísa Helena em 2006. Afinal, qual foi a melhor: ele chamando José Serra de “hipocondríaco” por “só falar de saúde”, ou dizendo que Marina Silva é uma “ecocapitalista”?

Sem dúvida alguma, quem ganhou com este debate foi Plínio. Como falei, não se preocupou apenas em “bater no PT”, prática adotada muitas vezes pelo PSOL que considero muito equivocada, por fazer o partido se mostrar como “oposição” – que no Brasil, hoje, é de direita – e não como alternativa de esquerda, que é o que ele precisa ser. Na última eleição para a prefeitura de Porto Alegre (2008), para vocês terem uma ideia, nos debates Luciana Genro batia forte na petista Maria do Rosário enquanto debatia propostas com Onyx Lorenzoni, do DEM. Pode???

Bom, agora resta torcer para que a “grande mídia” deixe de falar em apenas três candidatos à presidência. Pois eles não são três, e nem quatro: além de Plínio, concorrem outros cinco – Rui Costa Pimenta (PCO), Zé Maria (PSTU), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC) – que não participaram porque a lei só obriga as emissoras a convidarem os candidatos de partidos representados no Congresso.

Quem quer o progresso da pesquisa científica no Brasil NÃO VOTA EM JOSÉ SERRA!

Já faz tempo que declarei voto em Plínio de Arruda Sampaio para presidente. O que não quer dizer que eu rejeite a candidatura de Dilma Rousseff: tem muita coisa feita pelo governo Lula (do qual Dilma representa a continuidade) que eu concordo; mas também tem outras que discordo totalmente (leia mais).

Agora, em quem eu não voto nem que a vaca tussa é José Serra (do PSDB, partido de Yeda Crusius). Afinal, sua candidatura representa o que existe de mais atrasado na política nacional: como considerar um governo integrado pelo DEM como “avanço”? Sem contar que não quero, de jeito nenhum, a volta dos tempos em que qualquer denúncia de corrupção no governo sequer era investigada: as CPIs eram barradas pela maioria parlamentar governista, a “grande mídia” não “testava hipóteses” à exaustão como hoje, e se as denúncias eram enviadas ao Procurador-Geral da República, eram majoritariamente arquivadas (o que rendeu ao PGR o apelido de “engavetador geral da República”).

Eu também não quero um Brasil que não dê incentivo à pesquisa científica, em todas as áreas do conhecimento. Pois é algo que está acontecendo em São Paulo, Estado governado por Serra até o final de março: enquanto sobram bolsas de mestrado na Computação, elas são limitadas para os que desejam fazer pesquisas na área de Ciências Humanas – o que deixou a Mari Moscou sem financiamento para seu mestrado em Sociologia da Educação, mesmo que o projeto dela tenha sido considerado merecedor de uma bolsa.

A visão de mundo que a candidatura Serra representa é aquela de que “Ciências Humanas não servem para nada”, e que por isso o incentivo deve ser dado ao que interessa ao tal do “mercado”. Os motivos são óbvios: com mais incentivo à produção de conhecimento em História, Sociologia, Antropologia, Educação etc., aumentaria muito a chance desse pessoal não ganhar mais nem eleição para síndico dos condomínios fechados em que moram.

Financiar o mestrado ou o doutorado de alguém não é “pagar para vagabundo não trabalhar”: só tendo uma mentalidade muito tacanha para se pensar assim, visto que a pesquisa acadêmica é, sim, muito trabalhosa, e se o mestrando ou o doutorando puder se dedicar a ela integralmente, sem precisar trabalhar com outra coisa para se sustentar, os resultados virão muito mais rápido (a propósito, não é isso, a rapidez, que o capitalismo tanto valoriza?). E tem prazo: o mestrando tem dois anos para defender sua dissertação, e o doutorando quatro para sua tese – quem não cumpre o prazo, é obrigado a devolver o dinheiro investido em sua formação.

Sou favorável, inclusive, a que todo aluno de mestrado ou doutorado tenha direito a uma bolsa. Com exceção, claro, ao que tiver emprego fixo, por motivos óbvios: este não poderá se dedicar integralmente à pesquisa. Algum direitoso dirá que “muita gente irá deixar de trabalhar por causa disso, que nem acontece com o Bolsa Família”, e isso certamente acontecerá, por um motivo muito óbvio: salário baixo demais, inferior ao que receberia se dedicando apenas ao mestrado ou ao doutorado; ou até nem tão baixo, mas que não compensa o cansaço de precisar trabalhar e ainda pesquisar para seu curso (se for na área de História, então, a coisa complica muito, já que a maioria dos arquivos não abre nem à noite, nem aos finais de semana).

Com mais incentivo à educação e à pesquisa científica em todas as áreas, ganhará (e muito) o Brasil, que terá mais gente produzindo conhecimento, que estará a disposição de uma sociedade mais preparada para ter acesso a ele (afinal, não pensem que é tão simples ler e entender um texto acadêmico – falo por experiência própria). É isso – e não o número de carros vendidos – que faz um país ser mais desenvolvido.

Só perderá quem paga baixos salários, e claro, os políticos defensores do atraso, que para eles é bom por ser sinônimo de “poder”.

Plínio de Arruda Sampaio

Ontem o pré-candidato do PSOL à presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, esteve em Porto Alegre, onde participou de eventos e deu entrevistas a rádios e televisão.

Duas delas, à Rádio Gaúcha e à Rádio Bandeirantes de Porto Alegre, são as que indico (há também uma à TVCOM que infelizmente não assisti). Simplesmente sensacionais, principalmente a segunda, mais longa, na qual Plínio fala sobre o MST, o Irã e a necessidade urgente de se investir em educação no Brasil – e não apenas em nível superior, como principalmente na instrução básica.

Se eu já havia declarado que não votaria em Dilma no 1º turno e Plínio crescia no meu “votômetro”, agora digo que meu voto para presidente está praticamente definido. Cliquem e ouçam:

Por que não votarei em Dilma no 1º turno

Em 2006, no 1º turno da eleição presidencial, votei em Cristóvam Buarque. Estava decepcionado com muita coisa no governo Lula: mensalão, liberação dos transgênicos, alianças espúrias… Tudo bem que por não ter a maioria no Congresso, o PT tivesse de ampliar seu leque de alianças para poder governar. Mas buscar apoio dos Sarney, com tudo o que eles fazem no Maranhão, convenhamos, é fisiologismo demais.

Decidi votar em Cristóvam por sua proposta de dar ampla prioridade à educação, que é o problema mais sério do Brasil – e dele decorrem outros. Instruir à população é resolver, numa tacada só, várias mazelas que afligem o país, como a violência e até mesmo os problemas de saúde pública (quem tem mais conhecimento fica menos doente por saber como se prevenir – o que ajuda a diminuir as filas para consultas médicas).

Mas, como todos se lembram, Cristóvam não foi para o 2º turno – o que era previsto. Sobraram Lula e Alckmin, e não tive a menor dúvida em votar no primeiro. Pois, se estava decepcionado com Lula, também não queria o PSDB de volta ao Palácio do Planalto, para quebrar o Brasil de novo como no governo FHC.

Quatro anos depois, novamente não pretendo dar meu voto ao PT no 1º turno. Além das alianças espúrias, que continuam a acontecer (Renan Calheiros, Sarneys, Collor…), há outros fatores que me levaram a tomar essa decisão.

O primeiro deles, é o modelo de desenvolvimento defendido pelo atual governo: apenas crescimento econômico, sem maciços investimentos em educação nem preocupação com o meio ambiente. Recentemente, Lula deu uma declaração de matar: “só não me peçam para vender menos carros”. Pois é, o país quase parando com tantos automóveis entupindo as ruas, e o presidente quer mais? Deveríamos é incentivar a produção de bicicletas, e não de carros.

E agora, temos o caso de Belo Monte – que está mais para “baita monstro”. A construção da usina hidrelétrica foi decidida sem ouvir quem será diretamente atingido por ela, ou seja, todas as pessoas que terão seus lares inundados e precisarão se mudar para outros lugares – o que nunca é algo simples como muitos pensam. E se há tanta demanda por energia elétrica, por que não investir em fontes alternativas e menos agressivas ao ambiente, como a solar (porra, a maioria esmagadora do território brasileiro fica na zona tropical!) e mesmo a eólica – pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, o que não falta é vento, principalmente no litoral.

Outro motivo que me leva a não votar em Dilma Rousseff no 1º turno é a lamentável opinião dela (e do próprio governo Lula) sobre a tentativa de revisão da lei de anistia de 1979. Dilma acha que a anistia, do jeito que foi concedida, evita o “revanchismo”. Acreditem se quiser: ela foi barbaramente torturada durante a ditadura militar, e agora vem dizer que “justiça” é igual a “revanchismo”? Por favor…

“Revanchismo” seria torturar um torturador – ou seja, fazer ele sentir na pele o que é ser torturado – e o autor deste crime contra a humanidade não ser punido.

Sinceramente, acho que o fundamental nisso tudo nem é mais simplesmente colocar os torturadores atrás das grades – uma coisa é tirar a anistia deles, outra coisa é conseguir com que sejam condenados. O que eu quero é ter o direito de, caso faça uma pesquisa histórica e descubra que “fulano de tal” foi torturador, publicar o trabalho citando o nome do cara – e as fontes utilizadas – sem que ele possa me processar. Mas eu nem tenho como fazer algo assim e dizer “foda-se” para o risco de processo, pois o acesso aos arquivos da ditadura é simplesmente negado – Lula não manda abrir porque não quer.

Charge de 2004 do Kayser

Assim sendo, como votar na Dilma no 1º turno? Simplesmente não dá!

Ainda não estou bem decidido sobre quem receberá meu voto para presidente, mas já antecipo que não será José Serra, de jeito nenhum. Marina Silva, além de também concordar com a decisão do STF de manter a anistia aos torturadores (igual a Dilma e Serra), tem se manifestado contra o aborto e as pesquisas com células-tronco (como alguém que se define como “esquerda” pode defender ideias assim?) e seu partido, o PV, não tem coerência nenhuma. Até agora, só Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, se manifestou contrariamente à manutenção da anistia aos torturadores. Aguardo a publicação do programa de governo (e espero que o PSOL faça uma autocrítica quanto ao acontecido em 2008, quando aceitaram doações de grandes corporações para suas campanhas), mas cresce a pontuação de Plínio no meu “votômetro”.

Ele não tem chances? Azar. Cristóvam também não tinha em 2006.

Votar em Dilma, só no 2º turno, para evitar a volta do PSDB ao governo.

Além disso, a política brasileira não se resume a apenas estes dois partidos. E também é falaciosa a postura adotada por muitos militantes de ambos, de identificar o seu como “o bem absoluto” e o adversário como “o mal absoluto”. Embora haja diferenças entre os dois projetos, eles são muito mais parecidos do que os fanáticos pensam – o de Dilma é menos pior.

Aliás, para os que vêem o Brasil como só tendo duas opções, pouco me importando o lado, mando meu aviso: não me encham o saco.

O Rio Grande merece isso sim!

Concordo totalmente com o post escrito pelo Marco Aurélio Weissheimer ontem no RS Urgente. O Rio Grande do Sul merece tudo o que está acontecendo. Merece essa podridão que pode ser chamada de qualquer coisa, menos de governo.

Um Estado cuja maioria da população vota em qualquer candidato desde que não seja do PT (que chega a ter status de “satanás” para certas pessoas) não merece um governo decente. Só é uma pena que muitas pessoas que não caem na lenga-lenga da anti-esquerda (nesse caso nem é só o PT, já vejo direitoso com ódio do PSOL e toscamente chamando os membros do partido de “petralhas” – pode???) acabem tendo que pagar pela maioria bovina.

Os direitosos chamam de “petralhas”, “vagabundos”, “desordeiros” quem protesta contra esse (des)governo: como não há argumentos para defender esse desastre – pois o tal de “déficit zero” é uma ficção, o Estado “equilibrou as contas” mas em compensação estão um lixo os serviços públicos como educação e segurança (exceto quando é para matar a saudade da ditadura e reprimir manifestantes) – só resta a eles o caminho do xingamento.

Porém, os mesmos espumavam de ódio durante o governo Olívio, e não hesitavam em atacá-lo por causa da Ford, que se viesse da maneira como estava prevista pelo contrato assinado no (des)governo Britto, com tanto incentivo fiscal (coitadinha da Ford, é pobre, não pode pagar imposto…), teria nefastas consequencias para a economia do Estado – e ainda tem gente que com a maior cara de pau diz que foi o Olívio que quebrou o Estado! Quando o que ele fez foi evitar que a situação ficasse ainda pior.

Por isso, o Rio Grande do Sul “merece isso” sim! E continuará merecendo enquanto existir com força esse sentimento do “anti”. Afinal, Germano Rigotto (PMDB) foi uma mediocridade no Piratini, mas não pior do que Yeda Crusius: muitos eleitores em potencial de Rigotto decidiram votar Yeda no 1º turno de 2006 para tirar o Olívio do 2º turno, e acabaram desclassificando seu próprio candidato; para manterem a coerência raivosa obviamente mantiveram o voto no 2º turno, “contra o Olívio”. E o interessante é que são os mesmos que têm a cara de pau de chamarem ambientalistas de “contra tudo” porque se opõem a descalabros como o Pontal do Estaleiro – esquecendo que os ambientalistas são contra por serem favoráveis a outra proposta, a da preservação da orla do Guaíba.

E já falam em José Fogaça para 2010, um prefeito nulo, que nada fez de importante para a cidade, exceto um camelódromo “nas coxas”, para “mostrar serviço” em ano eleitoral. Ah, mas ele “pacificou” Porto Alegre, “libertou” a cidade da “ditadura” do PT… Tinha me esquecido desse detalhe tão importante.

Bovinóides, a vergonha do Rio Grande do Sul

O blog A Nova Corja refere-se ao Rio Grande do Sul como “Bovinão”, e aos gaúchos como “bovinóides”. O uso de tais termos é claramente para satirizar a apatia política de boa parte da população, e eu não me sinto nada ofendido. Como diz o ditado, “não me serve o chapéu”. Agora, para os legítimos bovinóides (cuja maioria é formada por pessoas da classe mérdia), ele serve perfeitamente – e são eles que virão me xingar, mandar eu ir embora, dentre outros impropérios.

Passeata saiu do Colégio Julio de Castilhos e foi até a frente do Palácio Piratini

Passeata saiu do Colégio Julio de Castilhos e foi até a frente do Palácio Piratini

Pode até parecer contraditório eu falar em “apatia política” no dia em que tivemos a volta dos caras-pintadas, desta vez com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, que protestaram contra o (des)governo Yeda. Mas não é, se levarmos em conta os comentários feitos na matéria publicada na página da Zero Hora.

Muitos comentaristas declaram apoio aos estudantes. Mas também há vários comentários de bovinóides, que falam idiotices do tipo “estudante tem que estudar”, “bando de alienados”, “sustentados pelos pais”, e a maior de todas: “massa de manobra dos petralhas”.

Ora, é justamente por estudarem que eles entendem que as coisas não podem continuar do jeito que estão, PORRA! Ver bovinóides – os mais legítimos alienados – chamarem assim os estudantes por protestarem contra o (des)governo Yeda chega a ser surreal. E o mais estranho, é quando eles dizem que só “quem trabalha” tem direito a protestar (típico argumento de gente de classe mérdia): pois são justamente eles, “trabalhadores”, que elegeram a Yeda e agora, por não terem argumentos para defendê-la, atacam de tudo que é jeito quem protesta contra ela.

Mas a mais surreal de todas, sem dúvida alguma, é chamarem os estudantes de “massa de manobra dos petralhas”. É uma velha tática da direita: quem se mobiliza sempre é “massa de manobra” (estranho que os bovinóides acreditem e repitam quase ipsis litteris o que diz a “grande” mídia e não se achem “massa de manobra” dela). E ainda mais tosco é falar em “petralhas”, já que o partido que deixou bem clara sua posição contra a Yeda é o PSOL, totalmente crítico ao PT e ao governo Lula. Como eu já havia escrito em novembro passado, isso é um sintoma da “burrice anti-petista”, em que o acometido vê “PT” até onde ele não está.