Libertadores só no rádio?

Em 2012, diferentemente de outros anos, quem quiser assistir à Libertadores não deve sintonizar sua televisão no Sportv. Os direitos de transmissão por TV fechada para o Brasil pertencem à Fox Sports. Na televisão aberta, a Globo transmitirá os jogos de quarta-feira à noite.

A Fox Sports estreou há poucos dias a sua programação brasileira, já de olho na audiência da Libertadores. Porém, até agora, o canal não está disponível nas principais operadoras de televisão por assinatura, Net e Sky. As negociações para que o novo canal seja exibido parecem longe do fim (há quem ache que é vingança da Globo, o que não é de se duvidar), e por conta disso, ao torcedor do Fluminense que não foi ao Engenhão só resta uma alternativa para acompanhar a estreia de seu time contra o Arsenal de Sarandí (Argentina): o rádio. A não ser que haja bares que assinam operadoras menores que têm a Fox Sports em sua programação.

Certamente os torcedores do Fluminense não são os únicos que torcem para que haja logo um acordo de modo a disponibilizar a Fox Sports nas principais operadoras de televisão por assinatura. Afinal, se depender da Globo, dificilmente se poderá assistir a algum jogo da Libertadores que não envolva Corinthians ou Flamengo (que por terem as maiores torcidas, são prioridade da emissora por “darem mais audiência”). Ruim para quem gosta de futebol e por conta disso adora assistir a jogos de Libertadores, pior ainda para os torcedores dos demais clubes brasileiros na disputa.

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Tudo isso me fez, imediatamente, lembrar da Libertadores de 2002, competição na qual o Grêmio era um dos favoritos ao título. Os direitos de transmissão pertenciam ao canal PSN (Panamerican Sports Networks); nem a televisão aberta (leia-se Globo) passava as partidas, mesmo com o Flamengo jogando aquela Libertadores. Porém, o PSN fechou as portas no começo daquele ano, deixando os torcedores brasileiros na mão: restava apenas o rádio para acompanhar os jogos, devido à confusão quanto aos direitos de transmissão para o Brasil. Foi quando tive a experiência extremamente agonizante de acompanhar uma partida de volta de quartas-de-final pelo rádio: o Grêmio tinha vencido o primeiro jogo contra o Nacional de Montevidéu por 1 a 0, e assim, podia empatar no Centenário para seguir adiante; derrota por um gol de diferença levaria aos pênaltis, e por dois gols significaria adeus. O Nacional fez 1 a 0, mas o Grêmio empatou e se classificou para enfrentar o Olímpia na semifinal.

Quando o Tricolor entrou em campo no Defensores del Chaco, já tinham se passado quase dois meses daquele jogo contra o Nacional. A Copa do Mundo de 2002 também já era passado. E, enfim, a televisão mostrava o jogo… Deu azar: o Grêmio perdeu por 3 a 2; e na partida de volta, disputada no Olímpico, venceu por 1 a 0 mas acabou eliminado nos pênaltis.