E o fundo do poço está longe…

Ao escrever sobre a barbárie do linchamento de um morador de rua em Porto Alegre resolvi fazer um questionamento no título do texto. Afinal, ter como “senso comum” aqueles discursos extremistas de “bandido bom é bandido morto” ou “tem de dar pau nesses vagabundos” me parece um sinal de que as coisas vão muito mal.

Mas, como diz o ditado, “nada está tão ruim que não possa piorar”. Basta ver as definições do comando de algumas comissões do Congresso Nacional.

Uma delas é a de Meio Ambiente, no Senado. O titular já foi escolhido: o ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), maior plantador de soja do Brasil e representante do agronegócio, não de quem luta pela ecologia. Tanto que Maggi foi um dos apoiadores das mudanças do Código Florestal que favorecem desmatadores, e já ganhou o “Prêmio Motosserra de Ouro”, atribuído pelo Greenpeace como protesto contra quem contribui para a devastação ambiental.

Só que tem mais. Como no caso da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Geralmente presidida pelo PT, desta vez ficará nas mãos do PSC, aliado do governo (igual ao PR). E o partido já indicou um nome: o pastor Marco Feliciano, de discurso homofóbico e que já chegou a dizer que os africanos e seus descendentes seriam “amaldiçoados”.

Como se chegou ao ponto de duas comissões serem comandadas por quem representa exatamente o oposto de seus propósitos? Os motivos são os mesmos da eleição de Renan Calheiros à presidência do Senado: acordos para “garantir a governabilidade”…

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É rir para não chorar

Lançada de última hora como candidata ao governo do Distrito Federal para substituir seu marido Joaquim Roriz (que renunciou por temer a cassação de sua candidatura por conta da lei da “ficha limpa”), Weslian Roriz (PSC) teve uma participação, no mínimo, constrangedora no debate de terça-feira. Foi daquelas situações em que se chega a sentir “vergonha alheia”.

Weslian se atrapalhou várias vezes, precisando recorrer quase que constantemente às anotações da assessoria (chegando a trocá-las); quando questionada sobre transporte público por Agnelo Queiroz (PT), respondeu perguntando-lhe se era favorável ao aborto… E chegou a dirigir ao candidato Toninho (PSOL) uma pergunta de cunho totalmente pessoal, de nenhuma importância para a política.

Assisti aos vídeos no YouTube e nem consegui rir da situação vivida por Weslian, que à primeira vista pode parecer engraçada: achei aquilo deprimente. Senti muita pena dela. Me enoja ver uma senhora ser humilhada publicamente (afinal, ela já está virando piada nacional) apenas para que seu marido possa se manter em uma disputa eleitoral: ficou muito claro o despreparo dela – mais do que para governar (até porque sabemos quem de fato irá governar Brasília caso Weslian seja eleita), como para participar de um debate, já que quem concorre a um cargo político geralmente se prepara para isso.

Pelo bem não da “política” (que ela não é) Weslian Roriz, mas da pessoa, torço para que sua candidatura seja cassada, poupando-a de maior constrangimento. E, caso isso não aconteça, espero que o povo de Brasília não acabe elegendo-a por sentir pena: é justamente por compaixão que não se deve votar nela, como forma de punir Joaquim Roriz por fazer a esposa passar por uma situação dessas.