Cão Uivador… Na GRÉCIA!

Não, amigos, ainda não conheço pessoalmente a terra de Heródoto, Sócrates e Nikopolidis.

Mas considerando que este blog, de certa forma, “rema contra a maré”, o que dizer de um cão de verdade que costuma ir a protestos contra o governo na Grécia? Trata-se de um verdadeiro “Cão Uivador grego”!

Provavelmente o cão pertence ao fotógrafo (se não for dele, é de alguém que também estava em todos os protestos retratados, já que tem coleira). Mas não deixa de ser curioso, né?

Clique aqui para ver as fotos.

Protestos contra o projeto do Parque Tecnológico da UFRGS

Na manhã de ontem, estudantes da UFRGS e membros de movimentos sociais promoveram um protesto contra a votação (que acabou não acontecendo) pelo Conselho Universitário (CONSUN) do projeto de criação do Parque Tecnológico da universidade. A manifestação foi reprimida com violência pela segurança do Campus Centro.

Se há manifestação contrária, é porque há gente que não concorda com o projeto como ele foi apresentado. E o direito à expressão de quem é contra deve ser assegurado.

Desta forma, é lamentável que o DCE da UFRGS, cuja atual gestão se define como “DCE Livre”, publique uma nota oficial dizendo que “não é concebível oposição a uma proposta que traz benefícios a toda a comunidade acadêmica e à sociedade em geral”. Será? De acordo com os críticos, o projeto beneficia mais as empresas privadas do que a sociedade em geral, mesmo que a universidade seja pública.

A atual gestão do DCE critica as anteriores porque estas teriam representado mais os interesses de partidos políticos do que dos estudantes, e sem consultá-los para saber o que achavam. É uma crítica que pode ser considerada procedente, já que nas eleições a esquerda sempre se divide em duas ou três chapas, cada uma ligada a um partido político; a que vence, na prática, faz com que a gestão do DCE seja ligada ao partido apoia a chapa eleita.

Pois bem: como a atual gestão venceu a última eleição tendo como algumas de suas bandeiras a “despartidarização” e a “liberdade”, poderia  agora colocá-las em prática, promovendo uma consulta à comunidade universitária (estudantes, servidores e professores) para saber o que ela pensa sobre o projeto, ao invés de tentar empurrar goela abaixo de todo mundo a sua opinião favorável, como que dizendo “quem não concorda que cale a boca”. (E de nada adianta querer justificar a postura adotada afirmando que as antigas gestões não consultavam os estudantes: um erro não justifica outro.) Seria a oportunidade de serem realizados debates abertos ao público, com tempos iguais para favoráveis e contrários apresentarem seus argumentos.

Bovinóides, a vergonha do Rio Grande do Sul

O blog A Nova Corja refere-se ao Rio Grande do Sul como “Bovinão”, e aos gaúchos como “bovinóides”. O uso de tais termos é claramente para satirizar a apatia política de boa parte da população, e eu não me sinto nada ofendido. Como diz o ditado, “não me serve o chapéu”. Agora, para os legítimos bovinóides (cuja maioria é formada por pessoas da classe mérdia), ele serve perfeitamente – e são eles que virão me xingar, mandar eu ir embora, dentre outros impropérios.

Passeata saiu do Colégio Julio de Castilhos e foi até a frente do Palácio Piratini

Passeata saiu do Colégio Julio de Castilhos e foi até a frente do Palácio Piratini

Pode até parecer contraditório eu falar em “apatia política” no dia em que tivemos a volta dos caras-pintadas, desta vez com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, que protestaram contra o (des)governo Yeda. Mas não é, se levarmos em conta os comentários feitos na matéria publicada na página da Zero Hora.

Muitos comentaristas declaram apoio aos estudantes. Mas também há vários comentários de bovinóides, que falam idiotices do tipo “estudante tem que estudar”, “bando de alienados”, “sustentados pelos pais”, e a maior de todas: “massa de manobra dos petralhas”.

Ora, é justamente por estudarem que eles entendem que as coisas não podem continuar do jeito que estão, PORRA! Ver bovinóides – os mais legítimos alienados – chamarem assim os estudantes por protestarem contra o (des)governo Yeda chega a ser surreal. E o mais estranho, é quando eles dizem que só “quem trabalha” tem direito a protestar (típico argumento de gente de classe mérdia): pois são justamente eles, “trabalhadores”, que elegeram a Yeda e agora, por não terem argumentos para defendê-la, atacam de tudo que é jeito quem protesta contra ela.

Mas a mais surreal de todas, sem dúvida alguma, é chamarem os estudantes de “massa de manobra dos petralhas”. É uma velha tática da direita: quem se mobiliza sempre é “massa de manobra” (estranho que os bovinóides acreditem e repitam quase ipsis litteris o que diz a “grande” mídia e não se achem “massa de manobra” dela). E ainda mais tosco é falar em “petralhas”, já que o partido que deixou bem clara sua posição contra a Yeda é o PSOL, totalmente crítico ao PT e ao governo Lula. Como eu já havia escrito em novembro passado, isso é um sintoma da “burrice anti-petista”, em que o acometido vê “PT” até onde ele não está.

Ainda querem que Porto Alegre vire Dubai?

Mês passado, quando eu viajava ao litoral gaúcho, vi uma placa anunciando um condomínio fechado (que aos poucos vão tomar conta das praias) cujo nome era “Dubai”. A página do empreendimento não podia ser mais significativa: “Eu quero Dubai”.

Em outubro de 2008, a Cristina Rodrigues publicou em seu blog Interpretando um post com o título “A mentalidade Dubai”, que vale muito a pena ser lido (faça isso clicando aqui). O texto faz uma comparação entre Dubai, com obras faraônicas como um prédio com a altura absurda de mais de 800 metros (para ter uma idéia, isso é mais alto que o Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro), e Porto Alegre, onde muitas pessoas são fascinadas pelo modelo de Dubai.

O fascínio obviamente se deve à idéia de que aquilo é “progresso”. Em menos de 50 anos, Dubai deixou de ser apenas um pequeno emirado para se tornar uma metrópole, a maior dos Emirados Árabes Unidos. Pouco importa que o idioma árabe venha sendo deixado de lado e substituído pelo inglês – devido aos negócios – e que cada vez menos as pessoas se conheçam mesmo que vivam próximas (qualquer semelhança com Porto Alegre é mera coincidência?).

Pois é… Mas veio a crise, e Dubai não ficou imune à ela. O colapso econômico gera desemprego e protestos, como se vê no vídeo abaixo.

Ato em frente à Folha é a máxima liberdade de expressão

A indignação contra o editorial da Folha de São Paulo que chamou a ditadura militar brasileira de “ditabranda” também fez surgirem defensores do jornal, e mesmo da ditadura. Como a própria Folha.

O jornal xingou os professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides porque eles “não atacariam a ditadura cubana”. Porém, a questão em debate não é Cuba (país do qual a maior parte das pessoas fala sem conhecer muito – tanto por um lado quanto pelo outro): é o Brasil.

O mais incrível de tudo foi alguém achar que os cidadãos que estarão em frente à sede do jornal têm por objetivo “censurá-lo”, que “não prezam pela liberdade de expressão”. Ora, isso é uma bobagem sem tamanho: é justamente a liberdade de expressão que permite tanto à Folha expressar a opinião que quiser em seu editorial, como às pessoas discordarem, criticarem e mesmo protestarem.

E além disso, se tais “democratas” são realmente favoráveis à liberdade de expressão, não deveriam posar de senhores da moral, querendo determinar “quem pode” e “quem não pode” criticar a ditadura brasileira.

Abaixo, “copio e colo” na íntegra o artigo do Eduardo Guimarães que trata justamente sobre as comparações entre Brasil e Cuba.

Libres del paredón

Fico impressionado com a criatividade dos argumentos de alguns de meus compatriotas que tentam determinar quem pode e quem não pode criticar período ditatorial da história de um país no qual todos nascemos sem que cada um tenha antes que dar “explicações” sobre quais as ditaduras que já condenou ou não publicamente.

Ora, sou brasileiro. Cresci num país mergulhado num regime no qual certa vez, quando garotinho, perguntei em voz alta à minha mãe num restaurante o que era “comunista”, e pouco tardou para ela ser convidada a se retirar comigo do estabelecimento.

Esse é o Brasil que não quero mais. Quero o direito de criticar aquele regime no qual apenas cresci, mas no qual brasileiros de todas as idades e classes sociais tiveram dissabores muito maiores do que o de terem que sair de um restaurante por terem assustado as pessoas em volta com uma simples palavra, então proibida. Uma palavra que poderia facilmente condenar qualquer um à morte.

Minha família não tinha nenhum comunista e nem amigos partidários de tal ideologia. Jamais me envolvi com política na juventude, quando a ditadura militar já agonizava. Porém, sempre percebi os sinais da falta de liberdade de pensamento ao meu redor, e era assustador.

Não tenho que responder se critiquei o regime cubano, e isso simplesmente porque não o vivi. Muitos que estiveram em Cuba dizem que o país é uma maravilha humanista e outros que é um inferno de opressão. Os indícios que tenho me dizem que o regime cubano não é nem uma coisa, nem outra.

Quando vejo contarem horrores sobre Cuba e depois verifico seus indicadores sociais superiores, e quando vejo que em cinco décadas o povo cubano não tirou o regime do poder, penso que as críticas e elogios àquele país são produtos muito mais de convicções sobre fatores que não necessariamente o fator Cuba.

Enfim: o regime cubano não é uma unanimidade de críticas como é, por exemplo, o regime do Chile sob Pinochet. E não me venham fazer contabilidades do número de mortos, como se a ditadura que mata menos pudesse ser chamada de “ditabranda”. Tudo depende de quantos se levantaram para lutar, e aqui no Brasil foram menos e em outras partes foram mais.

Seguramente o regime chileno matou mais do que o nosso e ainda influiu em seu congênere brasileiro, pelo menos na retórica, pois a “ditablanda” de Pinochet acabou virando a “ditabranda” da Folha.

Nem por isso todos esses que andam exigindo atestados de “crítico de todas as ditaduras” ostentam críticas à ditadura chilena em suas versões desse “currículo ideológico” inventado pelo jornalão paulista.

Como se vê, trata-se de uma estratégia usada para vedar críticas a um regime que todos vivemos por meio de alusões a regimes que nem a milionésima parte dos brasileiros conhece. É uma estratégia espertalhona que visa turvar o debate sério sobre aquele período sombrio de nossa história recente.

O que me espanta é gente que elogiou e até ajudou a ditadura do país em que vive chamar de cínico e mentiroso quem não criticou a ditadura de um país em que não vive. Os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato pelo menos não emprestaram seus veículos para Fidel Castro levar prisioneiros ao “Paredón”.

Um exemplar “defensor da lei”

Quero só ver o que aqueles direitosos tapados, que chamam qualquer pessoa ou movimento de esquerda de “petralha” (mesmo que não haja nenhum vínculo com o PT, e mesmo que a maioria esmagadora dos petistas não seja corrupta), vão achar dessa.

O ídolo-mor dos reaças guascas, Coronel Paulo Roberto Mendes, teve gravada uma conversa com o Secretário de Governo de Canoas, Chico Fraga – um dos indiciados pela Operação Rodin, que investigou a quadrilha do DETRAN – em que lhe pedia apoio para assumir o comando da Brigada Militar, fato que viria a acontecer no início de junho.

Poucos dias depois de assumir, o Coronel Mendes já mostrou a que veio: comandou pessoalmente uma violenta repressão da BM a um protesto contra a alta do preço dos alimentos e a corrupção do (des)governo Yeda Crusius, no dia 11 de junho. Ele já era “famoso” por ações truculentas anteriores contra o MST e a Via Campesina, e seus argumentos eram sempre os mesmos: “defender a lei”.

E agora, o Coronel que buscou “QI” para ter seu nome indicado pela (des)governadora para o comando da BM, foi nomeado pela mesma para ocupar vaga no Tribunal de Justiça Militar do Estado. Imaginem tal figura como juiz…

Leia mais no RS Urgente.

Momento histórico para o Cão Uivador

Quando o blog se aproxima de completar 60 mil visitas desde 17 de agosto de 2007 (quando veio para o WordPress), mais um fato histórico a ser destacado. Nesta madrugada de domingo, a TV Cão, além de oferecer bons documentários, passa a contar com “produção própria”.

Os dois primeiros vídeos, que posto abaixo, foram gravados na quarta-feira, durante a manifestação de diversas entidades porto-alegrenses contra o projeto Pontal do Estaleiro, na Câmara Municipal de Porto Alegre. Quando os manifestantes ingressavam no plenário, os seguranças da casa tentaram impedir, alegadamente devido às palavras de ordem e ao porte de um megafone e um tambor por parte dos manifestantes. Infelizmente, não consegui gravar o início do tumulto.

Para saber mais sobre o assunto, visite os blogs Porto Alegre Vive e Salve o Pampa.

Quero um “presente de colombiano”

Acaba de sair o resultado absurdo do que chamam “julgamento” de Léo, Réver e Morales no STJD (ou STID*?). Afinal, se pressupõe que um julgamento deva ser justo.

Nunca vi jogador algum receber oito jogos de punição com base em imagens de TV (o que aconteceu com Morales). Isso me faz lembrar uma citação que fiz da obra “Sobre a Televisão” de Pierre Bourdieu (1997, p. 12), em que o autor comenta o trabalho de análise de uma fotografia de Joseph Kraft feito pelo cineasta Jean-Luc Godard:

E eu teria podido retomar por minha conta o programa proposto pelo cineasta: “Este trabalho consistia em começar a se interrogar politicamente [eu diria sociologicamente] sobre as imagens e os sons, e sobre suas relações. Era não dizer mais: ‘É uma imagem justa’, mas: ‘É justo uma imagem’; não dizer mais: ‘É um oficial do exército dos federais sobre um cavalo’, mas: ‘É uma imagem de um cavalo e de um oficial’.”

Já que o STJD me deu um péssimo presente de aniversário, espero receber, em compensação, um presente colombiano: vitória da seleção da Colômbia sobre o time da CBF. Há cerca de um mês, escrevi aqui que não consigo torcer pela seleção que se diz ser do Brasil, por não me identificar com aquele time formado por atletas que jogam longe do país.

Agora, vou torcer contra de raiva mesmo. E conclamo todos os gremistas a cantarem antes do jogo, como forma de protesto, a seguinte música que os jogadores da Colômbia também cantarão.

HIMNO NACIONAL DE LA REPÚBLICA DE COLOMBIA
Letra: Rafael Núñez
Música: Oreste Síndici

Coro:
¡Oh gloria inmarcesible!
¡Oh júbilo inmortal!
¡En surcos de dolores
el bien germina ya!

I
¡Cesó la horrible noche! La libertad sublime
derrama las auroras de su invencible luz.
La humanidad entera, que entre cadenas gime,
comprende las palabras del que murió en la cruz.

II
“¡Independencia!” grita el mundo americano;
se baña en sangre de héroes la tierra de Colón.
Pero este gran principio: “El rey no es soberano”,
resuena, y los que sufren bendicen su pasión.

III
Del Orinoco el cauce se colma de despojos;
de sangre y llanto un río se mira allí correr.
En Bárbula no saben las almas ni los ojos,
si admiración o espanto sentir o padecer.

IV
A orillas del Caribe hambriento un pueblo lucha,
horrores prefiriendo a pérfida salud.
¡Oh, sí! De Cartagena la abnegación es mucha,
y escombros de la muerte desprecia su virtud.

V
De Boyacá en los campos el genio de la gloria
con cada espiga un héroe invicto coronó.
Soldados sin coraza ganaron la victoria;
su varonil aliento de escudo les sirvió.

VI
Bolivar cruza el Ande que riega dos océanos;
espadas cual centellas fulguran en Junín.
Centauros indomables descienden a los Llanos,
y empieza a presentirse de la epopeya el fin.

VII
La trompa victoriosa en Ayacucho truena;
y en cada triunfo crece su formidable son.
En su expansivo empuje la libertad se estrena,
del cielo americano formando un pabellón.

VIII
La Virgen sus cabellos arranca en agonía
y de su amor viuda los cuelga del ciprés.
Lamenta su esperanza que cubre loza fría,
pero glorioso orgullo circunda su alba tez.

IX
La patria así se forma, termópilas brotando;
constelación de cíclopes su noche iluminó.
La flor estremecida, mortal el viento hallando,
debajo los laureles seguridad buscó.

X
Mas no es completa gloria vencer en la batalla,
que al brazo que combate lo anima la verdad.
La independencia sola al gran clamor no acalla;
si el sol alumbra a todos, justicia es libertad.

XI
Del hombre los derechos Nariño predicando,
el alma de la lucha profético enseñó.
Ricaurte en San Mateo en átomos volando,
“Deber antes que vida”, con llamas escribió.

E serão muito bem-vindos os colorados que quiserem se juntar ao coro. Como bom gremista, quero que o Inter se exploda, mas que isso se dê de maneira justa, não de forma vergonhosa como em 2005 e como pode vir a acontecer com o Grêmio em 2008.

———-

* STID = Superior Tribunal de Injustiça Desportiva