Olá, marcianos

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Revista Galileu, abril de 1999

Achei a revista acima fazendo uma “limpa” nas minhas coisas, por conta da pintura aqui em casa (como os móveis terão de ser afastados, deixá-los mais leves retirando o que tinham dentro foi necessário). Na hora me chamou a atenção, não só pela capa, como também pelo fato de que eu guardava essa revista havia 15 anos e provavelmente não a tinha lido mais desde que a recebera. Tanto que ela estava guardada junto com várias outras numa pilha abaixo de um gaveteiro no guarda-roupa, praticamente esquecida.

Tento imaginar como reagi à matéria de capa quando recebi a revista. Será que acreditei que em 15 anos o homem estaria chegando a Marte? Terei achado exagerada? É difícil, justamente porque tinha esquecido da existência de tal revista. Mas é certo que, como naquela época ainda faltava muito para 2014, certamente muitas pessoas acreditaram que hoje estaríamos começando a colonização de Marte.

Entender e explicar o passado é algo complicado: em geral, tendemos a enxergar os acontecimentos pretéritos de maneira “contaminada” pela visão de mundo que temos no presente; daí a necessidade de especialistas no assunto – leia-se “historiadores”. Em 14 de julho de 1789, por exemplo, a massa que tomou a Bastilha não tinha ideia de que tal fato marcaria o início do que chamamos “Idade Contemporânea”: tal definição foi dada a posteriori, por historiadores mais distanciados do fato; agora, acreditar que quem ajudou a tomar a Bastilha sabia que aquilo seria tão significativo em termos históricos consiste no pior erro que pode cometer um historiador, o chamado anacronismo (analisar os acontecimentos de uma época por meio de valores pertencentes a outra época).

Se explicar o que já aconteceu é difícil, o que dizer daquilo que jamais ocorreu? O futuro, tempo que virá, é terreno fértil para especulações. Eis, aliás, uma das únicas certezas sobre ele: sempre procuraremos prevê-lo, com base em dados cientificos, vontades ou mero misticismo. Quanto mais tempo faltar para a época que queremos imaginar, maior será o leque de possibilidades. E a maioria esmagadora delas, claro, não se realiza.

O que leva tantas previsões a não se concretizarem é uma espécie de “anacronismo”, só que diferente daquele cometido quanto aos fatos do passado. É que também enxergamos o futuro com nossa visão “contaminada” pelos valores que temos na época que fazemos a previsão.

No final dos anos 80 e início dos 90 eu ainda acreditava que os carros voariam no ano 2000 (obrigado, Jetsons), assim como em 1999 havia quem acreditasse que em 2014 estaríamos mandando foguetes tripulados a Marte. Em 1999 também procurava traçar o “roteiro” de minha vida nos anos que viriam: em 2000 ingressaria na faculdade (que ainda nem sabia qual seria), me formaria ali por 2003 ou 2004; acreditava que por volta de 2006 casaria, e logo depois teria filhos…

Nada disso aconteceu: por enquanto, só usamos o verbo “voar” nos referindo a carros quando seus motoristas correm desesperadamente; e a chegada de seres humanos a Marte atualmente está prevista para 2025 (mas não nos surpreendamos se chegarmos a 2029 – 30 anos após aquela capa da Galileu – sem termos pessoas em Marte). Quanto ao “roteiro” de minha vida que traçava naquela época, um dos raros acertos foi quanto ao ingresso na faculdade em 2000 (num curso que largaria em 2002). E hoje em dia não penso em casar, tampouco em ter filhos.

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Por um 2012 de mais questionamentos

No segundo semestre de 2005, cursei na faculdade a cadeira de História da América Pré-Colombiana. Quando estudamos os Maias e li que segundo a previsão deles o mundo terminaria em 2012, na hora imaginei (previ?) que logo toda aquela paranoia de fim do mundo voltaria…

Não acredito em previsões para o futuro que não tenham algum embasamento científico. Se mesmo com tecnologia cada vez mais avançada a meteorologia às vezes erra a previsão do tempo para o dia seguinte, o que dizer de uma conclusão baseada em evidência alguma? Tipo, o mundo “vai acabar” em 2012, mas… Por quê?

Logo acima dei um exemplo do que desejo a todos para o próximo ano: questionamentos. Ou melhor, mais questionamentos. Pois se em 2011 tantas pessoas foram às ruas protestar, a ponto de até derrubarem ditadores, isso se deveu justamente ao fato delas terem questionado o status quo.

Se tanto desejamos que o próximo ano seja melhor, devemos fazer algo por isso. E para mudar, é necessário sair da inércia, da comodidade de manter as coisas “como sempre foram”. Logo, é preciso questionar. Sem isso, não há mudanças.

E, já que a ideia é questionar, mostrem que estou errado por não acreditar em previsões sem embasamento científico… Façamos que a profecia dos Maias se cumpra – mas não como um apocalipse, e sim, como o início de um novo mundo, mais solidário e menos individualista, em que o poder do amor vença o amor pelo poder, para que o mundo finalmente conheça paz. Aliás, conforme a “previsão” de Jimi Hendrix, que certamente não é embasada em ciência, mas sim, em sonhos.

E por fim, lembro o grande Mario Quintana:

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

Grande abraço, e um feliz (e cheio de questionamentos) 2012!

Agora, eles vêm com uma “profecia”…

Trata-se de mais um dos tantos “e-mails eleitorais” deste ano de 2010. Meu pai recebeu e me repassou, fazendo o comentário: “não desistem nunca…”, em referência aos direitoscos que continuam mandando essas coisas.

Como sempre, as “previsões” da tal mulher que “nunca se engana”, são catastróficas e relacionadas à eleição de Dilma Rousseff para a presidência.

Diante de tal enxurrada de e-mails, lembro daquelas mensagens que pintavam Dilma como uma “perigosa terrorista” e pergunto: não seria mais correto classificar como “terroristas” os que criam tais porcarias? Pois quem repassa, geralmente já o faz “apavorado” – e o objetivo do terrorismo é justamente esse.