Palmadas

Duas ótimas charges do Kayser:

Para quem não entendeu a primeira charge: uns anos atrás, a RBS lançou uma campanha institucional contra maus tratos a crianças, cuja “frase de ordem” era justamente “maltratar as criancinhas é coisa que não se faz”.

Campanhas, aliás, que só têm um propósito: enganar, e vender mais jornal. Pois elas são papo furado para boi dormir.

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Bicada de tucano é dolorida

Segunda-feira, aconteceu em São Paulo uma manifestação em frente à prefeitura da cidade, em protesto contra os alagamentos que persistem há três meses em partes da capital paulista.

Sim, três meses. Não falo dos transbordamentos do Rio Tietê, que sobe com as enxurradas e depois volta a seu nível normal. Há bairros da periferia paulistana que estão alagados desde novembro! Ou seja, antes das chuvas virarem pauta da “grande mídia” – que começou a falar do assunto apenas quando os carros passaram a ficarem presos em (ainda mais) congestionamentos gigantescos.

E o pior de tudo, é que os alagamentos na periferia não acontecem “por acaso”: para evitar que o Rio Tietê transborde e congestione as Marginais, fecham-se comportas de barragens, o que resulta em inundações nos bairros periféricos de São Paulo. Ou seja, além de não adiantar muito (já que o rio segue transbordando quando acontecem chuvaradas), trata-se de um evidente desprezo das autoridades pela população pobre.

Os manifestantes decidiram cobrar providências de seus (des)governantes, nada mais do que isso, em um protesto pacífico. Qual foi a resposta das “otoridades”? Porrada e spray de pimenta.

Qualquer semelhança com o Rio Grande do Sul, não é mera coincidência: afinal, tratam-se de dois Estados (des)governados pelo PSDB. E a prefeitura de São Paulo é do DEM, partido aliado dos tucanos.

Moral da história: dia 3 de outubro, cuidado para não votar errado.

Um dia de pancadaria

Quando eu me preparava para sair de casa, na manhã de ontem, notei um constante barulho de helicóptero. Dava a impressão de que passava um atrás do outro. Abri totalmente a persiana e olhei para cima: percebi que na verdade havia apenas um helicóptero que voava em círculos pela zona. Não tive certeza, mas imaginei: é a Brigada Militar.

Saí para a rua e vi várias viaturas estacionadas, além de muitos soldados de capacetes laranjas (ou seja, da Tropa de Choque), mas que não estavam na frente do meu prédio. Ainda não estão mandando espancar quem torce contra o time da CBF, mas não duvido que isso venha a acontecer daqui a algum tempo, com o nacionalismo exacerbado que tomará conta do país por causa da Copa de 2014. E, em tempos de Coronel Mendes, não seria de se estranhar uns 100 PMs para prender uma pessoa. Mas os brigadianos não estavam nem aí para este “traidor da pátria”, o alvo deles eram os “baderneiros” que estavam em frente a uma igreja.

Saí caminhando normalmente, e quando passava sobre o viaduto em frente à Santa Casa, ouvi sirenes. Olhei em direção à rua Dr. Flores e percebi várias viaturas dobrando à direita na Salgado Filho. Imaginei que estivessem levando “baderneiros” para a cadeia.

Pouco depois, na casa do meu pai, ouvi no rádio que tinha acontecido um confronto de bancários em greve com brigadianos. Não esperei maiores detalhes pois precisava sair para pagar uma conta.

Mais tarde, li as notícias da confusão entre brigadianos e bancários, em frente ao Banrisul da Praça da Alfândega. A justificativa da Brigada para a pancadaria era a mesma de sempre: “manter a ordem pública”. Pelo jeito, porrada deve ser sinônimo de ordem para o Coronel Mendes.

De repente, ouvi barulhos de buzinas e percebi que a rua estava trancada para manifestantes com bandeiras do MST e do MTD passarem. Os motoristas buzinavam indignados, pois incrivelmente a Brigada ao invés de bater nos “baderneiros” deixava eles passarem em detrimento do deus-automóvel.

Só à noite fiquei sabendo dos outros acontecimentos da quinta-feira, quando li na blogosfera a repercussão do confronto entre policiais civis e militares em São Paulo, e também da nova pancadaria promovida pela BM, à tarde, contra a Marcha dos Sem.

Menos mal que a indignação foi substituída pelo riso, melhor arma para resistir a governos mau-humorados como o de Yeda/Mendes. Dá-lhe Kayser, autor da charge do início do post e criador das camisetas abaixo!