Grenalização e generalização

Um dito popular do futebol gaúcho é “Gre-Nal arruma ou desarruma a casa”. Impressionante como, de fato, ele acaba fazendo sentido, devido ao enorme e desproporcional peso que tem tal partida para os dois principais clubes do Rio Grande do Sul.

Poderia citar como exemplo o Grêmio em 2014: o “divisor de águas” do time na temporada foi o Gre-Nal decisivo do Campeonato Gaúcho, perdido por 4 a 1 porque o Internacional “tirou o pé”, poupando o Tricolor de uma goleada histórica. Antes o Grêmio vinha relativamente bem, com boas atuações na Libertadores; depois, nada mais deu certo e o time foi eliminado nas oitavas-de-final do certame continental. Mas nada demonstra de forma mais clara a exagerada importância dada ao clássico do que o acontecido em 2009: após derrota por 2 a 1 e eliminação no Gauchão daquele ano, a direção gremista demitiu Celso Roth – que pode não ser o técnico dos sonhos de ninguém, mas é preciso ressaltar que o Grêmio não só estava invicto na Libertadores como também fazia a melhor campanha da fase de grupos. Todo um discurso de priorizar a competição continental foi por água abaixo devido a um jogo válido pelo menos importante certame daquele momento, só porque era Gre-Nal. O resto da história, todo gremista lembra: 40 dias de espera por Paulo Autuori e eliminação na semifinal contra o Cruzeiro, primeiro adversário realmente forte enfrentado – não digo que Roth levaria o Grêmio à final, mas ao menos daria mais trabalho ao time mineiro (com uma boa retranca o Tricolor não teria levado 3 a 1 no Mineirão).

Mas, para além do clássico propriamente dito, há a exagerada rivalidade que ultrapassa os limites daquela chamada “sadia” (que foi o motor do crescimento da dupla Gre-Nal, ultrapassando o âmbito regional). Muitas vezes, se dá tamanha importância ao rival que isso acaba por mascarar defeitos ou virtudes. Em 2003, por exemplo, o Grêmio fez um Campeonato Brasileiro horrível e passou um turno inteiro na zona do rebaixamento, enquanto o Internacional chegou a liderar o certame e quase se classificou para a Libertadores pela primeira vez em 11 anos. Só que na última rodada fomos nós gremistas que festejamos e ainda tocamos flauta: o Grêmio escapou da queda enquanto o Inter levou 5 a 0 do São Caetano quando um empate bastava para ir à Libertadores. Aquela rodada tão “anos 90” me deu a errônea impressão de que 2003 era um “ponto fora da reta”: não percebia que outra linha já estava sendo traçada, como os anos seguintes demonstrariam de maneira tão dolorosa.

Costuma-se dizer que o Rio Grande do Sul é terra de extremos, sem meio-termo. É um fenômeno apelidado de “grenalização”, em óbvia referência à rivalidade que faz parecer que tudo gira em torno de Grêmio e Internacional no tocante ao futebol, como se não houvesse mais nenhum clube no Estado (não por acaso torcidas como a do Brasil de Pelotas costumam levar aos estádios faixas onde se lê “anti-grenal”). Mas o clima de “8 ou 80” não se resume ao futebol. A política, que já teve guerras civis entre chimangos e maragatos no final do Século XIX e no início do XX, hoje se divide aparentemente entre o PT e o “anti-PT”, sendo que o último nem sempre é o mesmo partido: na maioria das vezes o(a) candidato(a) que encarnava o “anti-petismo” era do PMDB, mas já foi do PSDB (como acontece a nível nacional) e atualmente é do PP (que a nível nacional, ironicamente, apoia o governo do PT). Inúmeras questões no Rio Grande do Sul, para além da disputa partidária, geram debates acirrados entre “dois lados”, como se apenas duas opções fossem possíveis.

Quem dera tal prática ser “privilégio gaúcho”. Mas a grenalização está muito presente no debate de ideias em toda parte. Por exemplo, agora estamos em campanha eleitoral no Brasil, e para muitas pessoas isso se resume a uma insana disputa “entre o bem e o mal”, na qual literalmente “vale tudo”. Por anos os setores mais raivosos da direita apelaram para a baixaria contra os candidatos da esquerda (“Lula bêbado”, “Dilma terrorista” etc.) de modo a pintá-los como “a encarnação do mal”; atualmente é utilizado o “terrorismo econômico” devido à possibilidade de Dilma Rousseff ser reeleita no primeiro turno. Mas agora vemos, infelizmente, parte da esquerda também aderindo a esse modelo de disputa “entre o bem e o mal”: nada mais decepcionante (para dizer o mínimo) do que militantes petistas apelarem para a velha “moral de cuecas” conservadora para atacar Aécio Neves, aplicando exatamente os mesmos métodos tão criticados quando usados pelo “lado de lá”; entre setores da esquerda críticos ao governo Dilma (e razões à esquerda para criticar o governo não faltam) o clima de “Gre-Nal” também é forte, com um impressionante e assustador sectarismo. Sem contar a direita mais delirante, que considera até o PSDB “esquerdista”.

Vamos para a política internacional, e é a mesma coisa. Na questão da Palestina, então, a discussão chega às raias do absurdo. Sou favorável à causa palestina e condeno os ataques israelenses, mas por conta disso os mais cegos defensores de Israel dirão que eu defendo o Hamas e sou “antissemita”, como se criticar o Estado de Israel fosse o mesmo que pregar ódio aos judeus e defender o Hamas (aliás, como se todos os palestinos fossem apoiadores de tal organização). Ao mesmo tempo, em caixas de comentários por aí já vi críticos a Israel emitindo opiniões pavorosas, essas sim pregando ódio aos judeus (com direito a um mentecapto inclusive insinuar que o Holocausto não teria acontecido, o que ofende a inteligência de qualquer pessoa com o mínimo conhecimento de História); sem contar que inúmeros judeus condenam os ataques contra o povo palestino, e que muitos jovens israelenses se recusam a prestar serviço militar pelo mesmo motivo. Ou seja, uma questão que é muito mais complexa do que parece acaba reduzida a este estúpido “8 ou 80” – o que, vamos combinar, jamais trará a paz.

O maniqueísmo, a divisão de tudo em “dois lados” (sendo o nosso obviamente correspondente ao “bem”), só serve para perpetuar a ignorância e o ódio. Além de mascarar nossos próprios defeitos – e as virtudes dos outros. A grenalização generaliza, nos leva a esquecer a pluralidade e a acreditar numa falsa dualidade, além de, consequentemente, empobrecer a discussão de ideias. Afinal, é mais fácil acusar o adversário de ser isto, isso e aquilo (afinal, ele é “mau”) do que realmente debater.

Sobre a eleição de Renan Calheiros à presidência do Senado

Ontem, Renan Calheiros foi eleito para presidir o Senado pelos próximos dois anos, o que gerou uma justa indignação: ele já foi presidente do Senado de 2005 a 2007, tendo renunciado devido a denúncias de corrupção. E algumas coisas me chamaram a atenção.

A primeira delas foi o tom dos comentários da direita (aquela turma para a qual a corrupção surgiu em 2003). Vários deles falavam de “gente que troca o voto por um prato de comida”: resumindo, acham que a culpa “é do povo que não sabe votar”, e que a isso se deve a eleição de várias “figurinhas carimbadas” da política brasileira como Renan Calheiros e José Sarney (que, vale lembrar, não eram tão odiados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, ao qual apoiavam). Porém, por que eles não questionam o motivo de existir “gente que troca o voto por um prato de comida”? Afinal, quem faz isso obviamente come pouco ou nada – então, o combate à fome já ajudaria a diminuir esse problema. (Só que aí os mesmos que reclamam das pessoas que vendem o voto diriam que é “populismo”.)

Por outro lado, também foi decepcionante a atitude acrítica de muitos petistas (inclusive Paulo Paim), justificando o apoio do partido à eleição de Renan e dizendo que os contrários são “tucanos”. Seus argumentos podem ser resumidos em poucas palavras: “temos de garantir a governabilidade, porque o PT não tem maioria no Congresso”. Sim, é verdade, mas então por que o partido não se mobiliza nas eleições para aumentar sua bancada, de modo a não depender mais de PMDB e afins? Depois de 10 anos no governo, parece que boa parte do PT ingressou numa “zona de conforto”, achando que “em time que está ganhando não se mexe”: o problema de pensar dessa forma é só perceber os erros após uma derrota.

Coragem de mudar

O título deste texto foi o lema da vitoriosa campanha de Olívio Dutra à Prefeitura de Porto Alegre na eleição de 1988. Contrariando as pesquisas, que apontavam Antônio Britto (então no PMDB) como favorito, Olívio foi eleito em 15 de novembro, e Britto acabou em 3º lugar, sendo superado por Carlos Araújo (PDT). Foi o marco inaugural dos 16 anos de gestões petistas em Porto Alegre, uma experiência que deu muitos exemplos ao mundo.

Uma das maiores dificuldades que as pessoas têm na vida se chama “mudança”. Manter tudo como está, em todos os aspectos, é mais cômodo do que tentar fazer diferente. Não por acaso, muita gente tem verdadeiro pavor a qualquer tentativa de mudar as coisas – como a própria palavra explica, são os conservadores.

E não é apenas a sociedade que é difícil de ser mudada. Pois muitas vezes nós mesmos adiamos necessárias mudanças em nossas vidas, pelo simples fato de não aceitarmos que isso se deve a uma opção errada que tomamos anteriormente. Afinal, uma mudança de rumos significa admitir tal erro.

Penso nisso justamente por olhar o calendário. Estarmos em março de 2012 significa que se passaram 10 anos daquele março de 2002, quando começou uma grande reviravolta na minha vida: comecei a admitir que tinha errado (e feio!) na escolha de que faculdade cursar: quando eu cursava o último ano do Ensino Médio, em 1999, não tinha a menor ideia de que curso escolher para o vestibular – quando fazia testes vocacionais, indicavam que “minhas áreas” eram tanto Ciências Exatas como Humanas. E como minhas melhores notas no colégio eram em Física… Bom, não preciso dizer mais nada.

Passei muito bem no vestibular, e comecei a frequentar o curso de Física da UFRGS em março de 2000. Levei dois anos até admitir que estava no lugar errado, embora já houvesse indícios disso que só muito depois fui perceber – e bem além de minhas notas serem lastimáveis (quando eu não rodava nas cadeiras, ficava com o medíocre conceito “C”).

Se era difícil tirar uma boa nota em uma cadeira como Equações Diferenciais, onde o professor muitas vezes ocupava uma aula inteira para explicar a resolução de um (!!!) problema cheio de números imaginários e letras gregas, mais ainda era admitir que havia errado na escolha do curso e que não tinha mais jeito de continuar naquela situação: era preciso recomeçar. Ou seja, enquanto os amigos “seguiam em frente”, construindo seus futuros, eu voltava à estaca zero.

Foi uma das decisões mais difíceis que já tive, mas também foi a mais sábia de todas. Em março de 2004, quando alguns amigos já estavam se formando, comecei o curso de História da UFRGS, que concluí no final de 2009. No momento atual, apesar de não exercer a profissão de historiador (leia-se “ganhar a vida” desta maneira), vejo os seis anos de faculdade como importantíssimos em relação à minha maneira de pensar atual, graças ao que aprendi dentro e fora das salas de aula.

Assim, se tem um conselho que eu posso dar a qualquer pessoa, este é: não ter medo de mudanças. Elas podem até não dar certo, mas ao menos não causam aquela sensação de arrependimento por não se ter tentado.

O primeiro debate presidencial da televisão brasileira

No dia 15 de novembro de 1989, o povo brasileiro foi às urnas eleger o Presidente da República pela primeira vez após o longo interregno imposto pela ditadura militar. A última eleição direta ocorrera em 1960, logo, 29 anos antes.

Conforme a nova Constituição promulgada no ano anterior, como nenhum candidato obteve mais de 50% dos votos válidos, em 17 de dezembro foi realizado um 2º turno entre os dois mais votados, Fernando Collor de Melo (PRN) e Lula (PT). Collor venceu, após uma campanha muito suja (mas que acabaria superada pela de 2010).

Antes disso, foram realizados vários debates. O do dia 17 de julho, na Bandeirantes, foi histórico não só por ser o primeiro daquela campanha eleitoral, como também por ser a primeira vez que candidatos à presidência do Brasil debatiam na televisão.

Dos vinte e dois candidatos, nove participaram: Aureliano Chaves (PFL), Paulo Maluf (PDS), Lula (PT), Leonel Brizola (PDT), Afonso Camargo (PTB), Ronaldo Caiado (PSD), Afif Domingos (PL), Mário Covas (PSDB) e Roberto Freire (PCB). Fernando Collor (PRN) e Ulysses Guimarães (PMDB) foram convidados, mas não compareceram.

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É para isto que Dilma foi eleita?

Segunda-feira, aconteceu a festa de 90 anos do jornal Folha de São Paulo. A comemoração contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, que em discurso chegou a elogiar o jornal!

Sim, parece piada. Ainda mais depois de tudo o que já se viu nas páginas da Folha: “ditabranda”, ficha falsa, campanha pró-Serra disfarçada de “imparcialidade”, censura… Dilma perdeu uma excelente oportunidade de ficar em Brasília.

Por que motivos Dilma foi bajular o jornal? Esperança de que ele não lhe faça oposição, como fez ao governo Lula? Pfff…

Dilma Rousseff, que tem domicílio eleitoral em Porto Alegre, deveria aprender com o exemplo do Rio Grande do Sul. Em 2007, durante homenagem aos 50 anos da RBS na Câmara de Deputados, vários parlamentares bajularam a empresa, dentre eles Maria do Rosário (PT), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Luciana Genro (PSOL) – que no ano seguinte foram candidatas à prefeitura de Porto Alegre.

Adiantou alguma coisa? Não! O então prefeito José Fogaça (PMDB), ex-funcionário da RBS, foi reeleito mesmo sem ter feito nada que prestasse. Não bastasse isso, Luciana Genro – que em 2003 teve a dignidade de se recusar a prestar um minuto de silêncio pela morte de Roberto Marinho – não conseguiu se reeleger, mesmo tendo recebido cerca de 129 mil votos (foi a deputada não eleita mais votada do Brasil), pois o PSOL não alcançou o quociente eleitoral no Rio Grande do Sul. E Luciana ainda tornou-se inelegível no Estado, já que seu pai Tarso Genro é o governador.

Finalmente, o fim

Chegou ao fim na manhã de sábado o (des)governo Yeda Crusius. Quadriênio que já tinha começado muito bem: após receber o cargo de Germano Rigotto, Yeda foi à sacada do Palácio Piratini e pendurou a bandeira do Rio Grande do Sul de cabeça para baixo. Profética imagem…

Posse de Yeda Crusius, 1° de janeiro de 2007

Mas antes mesmo de assumir, Yeda já sofrera sua primeira derrota. Em 29 de dezembro de 2006, um pacote que previa aumento de impostos e era apoiado por ela, foi derrotado na Assembleia Legislativa. Foi quando vi algumas cenas bizarras, como deputados do PT e do PFL (ainda não era DEM) comemorando juntos – o vice Paulo Afonso Feijó, que já estava afastado de Yeda desde a campanha eleitoral (pois ela não queria que ele defendesse abertamente as privatizações), se distanciou ainda mais do (des)governo que nem começara.

Àquela altura, Yeda já motivava muitas charges*. E elas já começavam a ir muito além de sua inabilidade política, chegando até mesmo a seu legítimo “pé-gelado”: em 6 de abril de 2008, o Grêmio precisava empatar com o Juventude no Olímpico para ir à semifinal do Gauchão. Yeda foi ao estádio, e o Ju venceu por 3 a 2, após uma inexplicável escalação de Celso Roth… Opa, inexplicável uma ova!

Yeda não foi “pé-frio” apenas no futebol. Em fevereiro de 2009, visitou a Paraíba, governada por seu colega de partido Cássio Cunha Lima; dias depois, o tucano teve seu mandato cassado. Em maio do mesmo ano, ao inaugurar uma estrada, o palco cedeu.

Três semanas atrás, previ que Yeda faria por merecer mais sátiras em seus últimos dias no Piratini. Dito e feito. Vimos o “videoclipe”, o momento Forrest Gump, a inauguração de um tronco petrificado… E no fim, uma aulinha de história do Palácio Piratini: em seu discurso de despedida, Yeda falou que o primeiro morador do prédio foi Bento Gonçalves, em 1921. A ex-(des)governadora está certa quanto ao ano de inauguração do Palácio, mas é preciso avisá-la de que Bento Gonçalves faleceu em 1847.

Após o discurso, a “Joana D’Arc dos Pampas” (usando as palavras do genial Professor Hariovaldo) deixou o Piratini pela porta dos fundos.

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* Um aviso aos leitores: não desisti da ideia de fazer uma “retrospectiva chargística” destes quatro bizarros anos – é que originalmente eu pensava em publicá-la hoje, mas são tantas charges, que é impossível publicar tudo de uma vez, e sem passar pelo menos alguns meses selecionando as melhores. Como não sei se eu sobreviveria a tanta risada – assim como os infelizes que foram vitimados pela piada mais engraçada do mundo – acho que talvez seja uma boa dividir os trabalhos…

Direita é derrotada no RS, e ganha “sobrevida” nacionalmente

No Rio Grande do Sul, deu Tarso governador no primeiro turno. Uma vitória histórica, por dois motivos.

O primeiro, porque Tarso Genro tornou-se o primeiro governador no Estado a ser eleito no primeiro turno desde que se passou a exigir mais de 50% dos votos válidos para o candidato ser eleito, conforme a Constituição Federal de 1988. A partir de então todas as eleições para o governo do Rio Grande passaram a ser decididas em dois turnos. Até chegar esta de 2010… Tarso teve 54,35% dos votos – superando o percentual que Olívio Dutra teve ao ser eleito no segundo turno de 1998, de 50,78%.

O outro motivo, é a derrota do tradicional discurso de que “o PT mandou a Ford embora” (que, apesar de já ter sido provado que era baseado em uma mentira, ainda chegou a ser usado na campanha), assim como de outras tosquices muito usadas pelos direitosos para justificarem seu antipetismo. Nas últimas duas eleições, foi justamente o antipetismo que fez Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) “caírem de paraquedas” no Palácio Piratini, já que quando ambos foram eleitos os favoritos eram outros: em 2002 tudo indicava que Tarso enfrentaria Antônio Britto (PPS) no segundo turno, mas a alta rejeição de Britto fez os direitosos passarem a votar em Rigotto, que acabou sendo eleito; já em 2006, Rigotto concorria à reeleição e era favorito, mas o próprio PMDB passou a pedir que seus apoiadores votassem Yeda para evitar um segundo turno entre Rigotto e Olívio, e com isso quem ficou de fora foi Rigotto e no segundo turno, é óbvio, os direitosos elegeram a tucana.

A propósito, sobre o (des)governo Yeda, só tenho uma coisa a dizer: adeus, e até nunca mais!

Mas numa coisa, não se pode discordar da futura ex-(des)governadora. Yeda disse que a eleição foi “despolitizada”. De fato, foi, como provam as eleições de Ana Amélia Lemos (PP) ao Senado (votaram nela só porque era da RBS!!!), assim como do ex-goleiro do Grêmio, Danrlei (PTB), para a Câmara Federal. Resta torcer para que eles me provem que estou errado e sejam ótimos parlamentares (embora eu não acredite muito), mas acho que está na hora de parar com a balela de que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”.

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Já para presidente, haverá segundo turno, como o Hélio já alertara semana passada. Provavelmente vai dar Dilma (que contará com o meu voto), já que Serra precisa conquistar para si mais de 80% dos votos que foram para Marina no primeiro turno, e acho isso muito difícil. Ainda assim, acredito que Dilma não conseguirá repetir as votações de Lula em 2002 e 2006.

Até 31 de outubro, ainda veremos muita baixaria, muitas “correntes” nas nossas caixas de e-mail… Haja paciência.

Em quem não votar

O Milton Ribeiro escreveu um excelente texto sobre o que seria sua hipotética candidatura a deputado federal, no qual também nos apresenta uma lista sobre as características que deve ter um candidato para garantir que não receberá o voto dele – aliás, o meu também. (Só discordo de quando ele fala do Grêmio, por motivos óbvios.)

Ou seja, “subscrevo” a lista e recomendo que não votemos em:

  • quem mistura religião com política;
  • quem parece ou é pastor;
  • quem é conservador ou de direita (não me digam que direita e esquerda não existem mais, por favor);
  • quem criminaliza sistematicamente os movimentos sociais (MST, povos indígenas, etc.);
  • quem é criacionista;
  • quem é homofóbico;
  • quem é sexista;
  • quem, gratuitamente, fala mal da América Latina;
  • quem usa a frase “meu antecessor ou quem está lá não fez nada”, pois certamente fez e pode ter sido péssimo.

Em comentário, sugeri um item a mais na lista (não é “misturar futebol e política”, porque os que fazem isso veem futebol como religião, já citada). Trata-se de não votar em quem está (mesmo que indiretamente – no que sinceramente eu não acredito) sufocando um jornal independente por conta de uma reportagem publicada em 2001 e que não dizia nada que não tenha sido comprovado.

O jornal ao qual me refiro é daqui de Porto Alegre, o Jornal Já (que inclusive foi premiado por conta da reportagem citada, sobre uma fraude milionária na CEEE). O político se chama Germano Rigotto (PMDB), candidato ao Senado. E o processo é movido por Julieta Rigotto, mãe do ex-governador, por conta das referências feitas pela reportagem a seu outro filho, Lindomar, falecido em 1999. Germano Rigotto chegou a dizer ao jornalista Luiz Cláudio Cunha que nem sabia da existência do (detalhe: ele disse isso em novembro de 2009, oito anos após o início da ação judicial).

Como sou de esquerda, obviamente eu não votaria em Rigotto mesmo que não existisse o processo, cujo mais recente capítulo resultou no bloqueio das contas dos jornalistas Elmar Bones (editor do ) e Kenny Braga (sócio minoritário de Bones). Mas como sei que, de vez em quando, alguns conservadores (favor distinguir de direitosos) aparecem por aqui, peço a eles que reflitam sobre isso, e pensem bem antes de digitarem seu voto para Rigotto (caso o tenham como seu candidato), sob pena de favorecerem a continuação de uma grande injustiça.

Afinal, Bones já havia sido absolvido na ação penal por injúria, calúnia e difamação; mas inexplicavelmente, acabou condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil por “danos morais”, valor que hoje já supera os R$ 55 mil – valor “tranquilo” para uma Zero Hora ou um Correio do Povo, mas impagável para o , que sobrevive com dificuldades.

Já que Rigotto continua a usar um coração como sua marca de campanha (igual a 2002 e 2006), deveria fazer jus a ele e pedir a sua mãe que retire o processo.

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Claro que se Rigotto perder votos, há o risco maior de Ana Amélia Lemos (PP) ser eleita (óbvio que não será com meu voto). O ideal seria não votar em nenhum deles – afinal, Ana Amélia se enquadra no item “quem é conservador ou de direita”, lá da lista. O problema é que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”

Arruda cassado

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi cassado. Em consequência do escândalo de corrupção em Brasília, o “mensalão do DEM”, Arruda já está preso há mais de um mês – o que é realmente admirável, se tratando de um país como o que vivemos.

Porém, é uma pena que o motivo da cassação dele tenha sido por infidelidade partidária (ele saiu do DEM na época que veio a público o escândalo), e não por toda a roubalheira…

Aliás, se usarmos o mesmo critério aplicado no caso de Arruda, não deveria ter sido cassado o mandato do prefeito de Porto Alegre? José Fogaça saiu do PPS em 2007, para concorrer à reeleição em 2008 pelo PMDB. E continua prefeito até o próximo dia 30, quando renunciará para ser candidato a governador do Rio Grande do Sul.

O Rio Grande merece isso sim!

Concordo totalmente com o post escrito pelo Marco Aurélio Weissheimer ontem no RS Urgente. O Rio Grande do Sul merece tudo o que está acontecendo. Merece essa podridão que pode ser chamada de qualquer coisa, menos de governo.

Um Estado cuja maioria da população vota em qualquer candidato desde que não seja do PT (que chega a ter status de “satanás” para certas pessoas) não merece um governo decente. Só é uma pena que muitas pessoas que não caem na lenga-lenga da anti-esquerda (nesse caso nem é só o PT, já vejo direitoso com ódio do PSOL e toscamente chamando os membros do partido de “petralhas” – pode???) acabem tendo que pagar pela maioria bovina.

Os direitosos chamam de “petralhas”, “vagabundos”, “desordeiros” quem protesta contra esse (des)governo: como não há argumentos para defender esse desastre – pois o tal de “déficit zero” é uma ficção, o Estado “equilibrou as contas” mas em compensação estão um lixo os serviços públicos como educação e segurança (exceto quando é para matar a saudade da ditadura e reprimir manifestantes) – só resta a eles o caminho do xingamento.

Porém, os mesmos espumavam de ódio durante o governo Olívio, e não hesitavam em atacá-lo por causa da Ford, que se viesse da maneira como estava prevista pelo contrato assinado no (des)governo Britto, com tanto incentivo fiscal (coitadinha da Ford, é pobre, não pode pagar imposto…), teria nefastas consequencias para a economia do Estado – e ainda tem gente que com a maior cara de pau diz que foi o Olívio que quebrou o Estado! Quando o que ele fez foi evitar que a situação ficasse ainda pior.

Por isso, o Rio Grande do Sul “merece isso” sim! E continuará merecendo enquanto existir com força esse sentimento do “anti”. Afinal, Germano Rigotto (PMDB) foi uma mediocridade no Piratini, mas não pior do que Yeda Crusius: muitos eleitores em potencial de Rigotto decidiram votar Yeda no 1º turno de 2006 para tirar o Olívio do 2º turno, e acabaram desclassificando seu próprio candidato; para manterem a coerência raivosa obviamente mantiveram o voto no 2º turno, “contra o Olívio”. E o interessante é que são os mesmos que têm a cara de pau de chamarem ambientalistas de “contra tudo” porque se opõem a descalabros como o Pontal do Estaleiro – esquecendo que os ambientalistas são contra por serem favoráveis a outra proposta, a da preservação da orla do Guaíba.

E já falam em José Fogaça para 2010, um prefeito nulo, que nada fez de importante para a cidade, exceto um camelódromo “nas coxas”, para “mostrar serviço” em ano eleitoral. Ah, mas ele “pacificou” Porto Alegre, “libertou” a cidade da “ditadura” do PT… Tinha me esquecido desse detalhe tão importante.