14 de dezembro

Faixa levada por torcedores ao jogo Seleção "Gaúcha" x Seleção Brasileira, realizado no Beira-Rio em 17/06/1972

Dia mais do que especial.

Há exatos dois anos, defendi minha monografia de conclusão do curso de História da UFRGS, trabalho que recebeu conceito “A” da banca. Um dia glorioso: embora oficialmente eu só tenha me tornado bacharel em História após o ato burocrático acontecido em 18 de fevereiro de 2010, a data que festejo é o 14 de dezembro de 2009.

Já um ano atrás… O 14 de dezembro foi o dia não só do primeiro aniversário da defesa do TCC, mas também de risada. De muita risada! Foi o melhor presente que eu poderia ter ganho.

Em boas mãos

Confesso que pensei em escrever um post do tipo “10 motivos para torcer por Holanda ou Espanha”, só para parecer imparcial. Pois seria fingimento mesmo: minha torcida era pela Laranja Mecânica.

Mas não se pode negar que a Copa do Mundo ficou em boas mãos (dentre as disponíveis, pois a seleção que jogou melhor durante a maior parte da Copa foi a Alemanha e a que eu mais torci foi o Uruguai). Até porque, se aquelas holandesas expulsas do estádio (hey, PIFA, vai tomar no COBRE!) lá no começo da Copa eram maravilhosas, as espanholas não devem nada a elas.

E o título da Fúria, depois de muitas “amareladas” no passado (tanto que nos palpites mais furados desta Copa, eu previ que a Espanha seria desclassificada nas oitavas-de-final pela Costa do Marfim), me faz acreditar que o Grêmio será campeão brasileiro com três rodadas de antecipação, Loco Abreu será o artilheiro, Silas será unanimemente escolhido o melhor técnico, e os ETs trarão de volta a irmã de Fox Mulder.

Ah, e eu ouvi falar que o polvo Paul, após consultar o Professor Hariovaldo, preveu que Serra perderá a eleição.

A Copa de 2014 é nossa?

Todo o esforço para as melhorias olímpicas causou, no entanto, grande transtorno aos moradores atenienses e muitas reclamações dos gregos. “Atenas não precisa ser uma cidade olímpica”, queixa-se um morador de Tessalônica. “A Grécia é que precisa ser um país olímpico. Por que todo o investimento está concentrado na capital?”

O projeto das Olimpíadas concentrou os recursos em Atenas. A quantidade de obras fez com que os preparativos ganhassem uma dimensão olímpica por si só. Na lista de pendências da cidade e da região, não apareciam apenas os ginásios e instalações esportivas, mas também 140 quilômetros de novas estradas, duas novas linhas de metrô e 24 quilômetros de linhas de bonde para movimentar 1 milhão de pessoas por dia. A partir do dia em que Atenas foi escolhida como sede, os atenienses passaram a viver dentro de um imenso canteiro de obras. Entrar para a modernidade é um grande negócio se você for capaz de agüentar a poeira, o barulho e os atrasos.

Isso sem falar no custo. Quando as obras para os Jogos Olímpicos terminarem e vencer a fatura de quase 8 bilhões de dólares, a curva ascendente que referenda o crescimento da economia pode despencar. “Acho as Olimpíadas o máximo”, diz Angeliki Kiriakopoulou, 28 anos, secretária de uma escola de artes em Atenas, “mas acho que não temos condições de ser a sede do evento. Ainda não tenho filhos, mas com certeza eles terão de arcar com essa conta.” É claro que as opiniões são controversas. “Temos orgulho de sediar as Olimpíadas”, diz o padre Apostolos, de Komotini, “e pagaremos essa fatura mesmo que leve anos.” Em 2006, quando terminar o atual lote de fundos destinado à Grécia, ela não preencherá mais os requisitos para receber tão generosas contribuições da União Européia. Ao contrário, será a sua vez de fazer doações em prol do desenvolvimento de novas nações-membro da UE, agora mais pobres do que ela.

(Retirado de: National Geographic Brasil, agosto de 2004, p. 48.)

Uma das causas da quebra da Grécia foi o gasto excessivo para os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas. Foram erguidas modernas instalações esportivas que, após o evento, ficaram às moscas.

E o perigo, é que o Brasil está querendo trilhar o mesmo caminho…

Na última quarta-feira, a CBF deu o anúncio oficial: o Morumbi não receberá os jogos da Copa do Mundo de 2014. O motivo? O São Paulo não estava disposto a torrar 630 milhões de reais para deixar seu estádio no chamado “padrão FIFA” – apostava em um projeto mais modesto, de aproximadamente 265 milhões. A grana a mais que teria de gastar faria com que o clube contasse com menos recursos para contratar jogadores (o torcedor quer um time vencedor, né?), para sediar alguns jogos de Copa.

Com o Morumbi fora, pareceria natural que o estádio de São Paulo para a Copa de 2014 passaria a ser a Arena Palestra Itália, que o Palmeiras deverá concluir até o final de 2012 e terá capacidade para 45 mil torcedores. Só pareceria mesmo… Pois agora o que estão falando é em um novo estádio, o “Piritubão”, de capacidade semelhante, e que além disso seria construído com dinheiro público – para mais adiante ser arrendado ao Corinthians, tal qual o Engenhão no Rio (administrado pelo Botafogo). E ainda transformaria o Pacaembu (que é tombado como patrimônio histórico, logo, não pode ser derrubado) em um legítimo “elefante branco”.

E não pensem que tal absurdo é exclusividade paulista.

Aqui em Porto Alegre, o Internacional até agora não começou as obras no Beira-Rio, estádio da Copa na cidade. Tudo porque queria ter isenção de impostos (claro que os benefícios foram concedidos). E a “arena” do Grêmio, que não receberá jogos da Copa, também entrou na parada…

(A propósito, só se começou a falar em construir essa maldita “arena”, cujo contrato prevê que a maior parte dos lucros do Grêmio com venda de ingressos e produtos licenciados será repassado à construtora que erguerá o estádio, depois que o Brasil apresentou sua candidatura para sediar a Copa do Mundo e se disse que os jogos em Porto Alegre seriam no Beira-Rio, já que o Olímpico Monumental é “velho, ultrapassado”. Concordo que uma reforma cairia bem, mas o Olímpico atende muito bem às minhas necessidades como torcedor do Grêmio, assim como o Morumbi satisfaz ao são-paulino Vinicius Duarte – e certamente ele não é o único que tem tal opinião. Se eu quisesse assistir ao jogo sentado em “cadeiras estofadas”, ficaria em casa, oras! E estou cagando e andando para a Copa ser jogada ou não no estádio do Grêmio.)

Satisfeitos? Calma, que tem mais… Como as novas “arenas” que serão construídos em cidades como Cuiabá e Manaus – que têm tudo para também se tornarem “elefantes brancos”, visto que se tratam de cidades cujos clubes têm pouca tradição no futebol nacional. Há também um novo estádio a ser erguido em Brasília, como se a capital federal já não tivesse o Bezerrão (onde em 2008 a Seleção disputou um de seus raros amistosos no Brasil, 6 a 2 sobre Portugal) que precisaria apenas ser ampliado – e nada demais, para que não se tornasse outro “elefante branco”.

É bom ninguém se iludir achando que poderá ganhar muito dinheiro aproveitando-se da Copa do Mundo no Brasil. Que o digam muitas pequenas e médias empresas sul-africanas, alvo de processos por terem se utilizado de temas ligados à Copa para fazer publicidade: afinal, tudo o que é referente ao torneio só pode ser explorado comercialmente pelas empresas que têm contrato com a FIFA (ela é que ganhará muito, sem pagar um centavo sequer de imposto, tanto na África do Sul como no Brasil).

E os torcedores que se cuidem também. Como vimos nesta semana, em que um grupo de torcedoras holandesas foi expulso do estádio onde jogavam Holanda e Dinamarca por trajarem vestidos laranjas que no entendimento da FIFA teria por objetivo fazer publicidade de uma cerveja que não é a “oficial da Copa”. (Interessante essa tal “liberdade” defendida pelos liberaizinhos de plantão.)

Enfim… A Copa de 2014 “é nossa”? Os benefícios, serão de bem poucos, mas a conta, essa sim, será nossa. Uma conta monstruosa, e que não se resumirá à Copa, pois dois anos depois dela tem a Olimpíada no Rio (e não pensem que a fatura não será paga por todos os brasileiros: lembrem-se do Pan!). Em 2020, o Brasil poderá ser uma versão mais caótica da Grécia de 2010.

As Copas que eu vi: Itália 1990

A Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, é a primeira da qual eu tenho lembranças. Mesmo assim, não chegou a ser marcante para mim, visto que na época, mesmo que já com 8 anos de idade, eu não gostava muito de futebol – talvez por sempre ser o último escolhido na hora de montar os times nas aulas de Educação Física. Eu preferia ser “craque” em outras coisas, como em Matemática e Ciências (matéria na qual fui aprovado com média final 10 na 2ª série do 1º grau, que eu cursava naquele ano). Assim, acabei por não dar muita bola para a Copa.

Posso dizer que não perdi muita coisa em matéria de futebol. O Mundial da Itália foi o de menor média de gols por partida até hoje: 2,2 (115 em 52 jogos). O artilheiro foi “da casa”: o italiano Salvatore “Toto” Schillaci, com 6 gols.

Como eu disse, poucas coisas me marcaram desta Copa. Mas, vamos a elas.

Primeiro, a vinheta da RAI que sempre abria as transmissões dos jogos da Copa. Provavelmente a mais bacana dos Mundiais recentes.

Também foi marcante o “Amarelinho”. Aquele bonequinho redondo, de cor amarela, que me fazia sempre querer ver os jogos do Brasil no SBT. Ele reagia de diversas formas aos lances do jogo: vibrava e berrava a cada gol do Brasil, roía as unhas nas horas de sufoco, e chorava quando a Seleção perdia.

No dia 24 de junho de 1990, eu não vi o choro do Amarelinho, pois assistia o jogo pela Bandeirantes. Melhor, quase todo o jogo. Justo na hora do gol da Argentina que eliminou o Brasil nas oitavas-de-final, eu estava fazendo cocô… Então, 20 anos depois, aí está o vídeo (mas claro que eu já vi antes, meu pai gravou aquele jogo) – e reparem que na hora que Luciano do Valle narra o gol, ao fundo o comentarista (cujo nome esqueci) Juarez Soares diz um “puta que pariu”…

O Brasil, de qualquer jeito, não enchia os olhos de ninguém. Numa Copa marcada pelo defensivismo, quem chamou a atenção foi Camarões, que logo de cara surpreendeu a Argentina, campeã de 1986, na partida de abertura.

Com um futebol ofensivo e mais “brasileiro” do que o próprio Brasil, e ainda por cima contando com o veterano craque Roger Milla (jogando muito aos 38 anos), os Leões Indomáveis seguiram surpreendendo, chegando até as quartas-de-final, feito até então inédito para uma seleção da África (que seria igualado por Senegal em 2002). Camarões caiu diante da Inglaterra, mas só na prorrogação – e no tempo normal esteve a 10 minutos da semifinal.

A Copa de 1990 teve a participação do Uruguai, que foi eliminado pela anfitriã Itália nas oitavas-de-final, em partida que assisti com a minha avó, filha de uruguaios. Desde então, a Celeste só jogou uma Copa em 2002, e sem passar da primeira fase.

A taça ficou com a Alemanha Ocidental, que bateu a Argentina (que teve dois jogadores expulsos) na final por 1 a 0, gol marcado por Andreas Brehme em um pênalti que foi, no mínimo, duvidoso.

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Agora, algumas curiosidades sobre a Copa do Mundo de 1990 (não necessariamente ligadas à minha memória):

  • Três seleções fizeram sua estreia em Copas na Itália: Costa Rica, Emirados Árabes e Irlanda;
  • Três também se despediram. A Tchecoslováquia, que se dissolveu em 1º de janeiro de 1993, ainda disputou as eliminatórias para a Copa de 1994 (iniciadas em 1992), mas sem obter classificação. A União Soviética deixou de existir em dezembro de 1991, quando a tabela das eliminatórias para a Copa de 1994 já estava pronta, e foi substituída pela Rússia, considerada “herdeira” da URSS pela FIFA – às outras ex-repúblicas soviéticas não foi dado o mesmo direito. A outra despedida, mas em tom bem mais feliz, foi da Alemanha Ocidental, que durante a Copa “unificou” a torcida em um país que legalmente ainda era dividido; no dia 3 de outubro de 1990 a Alemanha voltou a ser uma só, e a seleção também;
  • O goleiro italiano Walter Zenga estabeleceu um recorde de invencibilidade em Copas, passando 517 minutos sem levar gol. O primeiro foi na semifinal contra a Argentina – justamente o do empate que levou a decisão aos pênaltis, na qual a Itália foi eliminada;
  • A estreante Irlanda conseguiu uma façanha: foi até as quartas-de-final sem vencer nenhum jogo e marcando apenas 2 gols;
  • O grupo F da Copa, formado por Inglaterra, Irlanda, Holanda e Egito, foi um dos piores da história dos Mundiais: em 6 partidas, foram marcados apenas 7 gols. O único jogo que não acabou empatado foi Inglaterra x Egito, vencido pelos ingleses por 1 a 0;
  • Em sua segunda participação em Copas, a Colômbia foi às oitavas-de-final, classificação obtida em um empate no último minuto contra a Alemanha Ocidental. O goleiro colombiano era o folclórico René Higuita, que tinha o hábito de ficar adiantado e, às vezes, sair driblando os atacantes adversários. Mas, foi inventar de fazer isso com o camaronês Roger Milla, na prorrogação… Resultado: Colômbia eliminada, Camarões nas quartas;

  • Na final, o gênio argentino Maradona foi hostilizado pelos torcedores italianos presentes ao Estádio Olímpico de Roma. Além do remorso pela eliminação da Itália diante da Argentina, havia também outro motivo: Maradona era o grande ídolo do Napoli, e também representava o anseio dos italianos do sul de serem ouvidos, depois de tanto tempo sendo desprezados pelos do norte – que, pelo visto, mantinham a mesma atitude. Quando o hino nacional argentino foi executado, os italianos vaiaram, apupos que nitidamente aumentam quando Maradona aparece na tela, e o craque não deixou barato, soltando um perceptível “hijos de puta”.

Novela Tricolor

Nenhum jogador no futebol brasileiro merece ganhar R$ 200 mil de salário. Claro que Maxi López não é exceção.

Atacante rápido e raçudo, Maxi López fez seus gols pelo Grêmio, e também deu bastante trabalho às defesas adversárias em 2009. Mas sua mulher quer ir morar em Roma.

E o próprio Maxi López nunca escondeu que seu objetivo no Grêmio era valorizar-se novamente para jogar em um grande clube europeu (estava esquecido no FC Moscou) – embora eu não veja a Lazio como um clube tão grande assim, diferente de Juventus, Milan, Real Madrid, Liverpool… Embora tenha virado “queridinho da torcida” (nas palavras de Tcheco), Maxi não tem nenhum grande vínculo com o Grêmio. Sem contar que não é nenhum Jardel, que mais do que incomodar, causava PÂNICO nas defesas adversárias, e ainda tem um grande carinho pelo Tricolor.

Sinceramente, essa questão já era para estar sendo tratada pela direção há mais tempo, não deveriam ter deixado para dezembro. E o depósito de € 1,5 milhão só deveria ter sido feito se houvesse a certeza de que, com isso, Maxi López ficaria no Grêmio. Pois sabemos que apelar para a PIFA em caso de provável descumprimento do acordo pelo atacante dificilmente resultará em alguma coisa.

Adivinhem de quem me lembrei?

trogloditas_midia

No fim do ano passado, um troglodita de codinome quase igual a um dos que estão na charge do Eugênio Neves, literalmente infestava o meu blog. Foi a partir de um post do próprio Eugênio no Dialógico que decidi cortar as asinhas de gente como o tal “Jubão”: afinal, não é o Cão Uivador – ou os outros blogs de esquerda – que devem ser “democráticos”, e sim, a internet, para que mesmo os direitosos e os colorados “pifados” (que eu também dou uns cortes) possam criar seus blogs. E lá, que escrevam as bobagens que lhes vierem à cabeça.

Tais trogloditas têm um objetivo muito claro: tumultuar a discussão. O debate sobre um assunto importante, acaba sendo esquecido devido à “necessidade” de se responder a uma provocação barata. E ainda por cima, nós, blogueiros de esquerda, acabamos dando espaço para fascistas – justamente o que deveríamos combater!

Portanto, fica o aviso: aqui, esse papo de “pacificação” não cola. Não sei quanto ao Rio Grande do Sul, mas o Cão Uivador não será “pacificado”!

Nova “política de comentários”

O Eugênio Neves escreveu excelente artigo no Dialógico a respeito do genocídio em Gaza e do tratamento que a direita raivosa vem dando ao assunto em seus “pitacos” nos blogs de esquerda – sempre repetindo as mesmas idiotices. Tem um trecho que acho fundamental:

Em nome do que temos que aturar isso??? Da democracia? Tenho uma opinião muito precisa a esse respeito: não são os nossos blogs que tem de ser democráticos. É a democracia e o acesso universal a Internet que precisam ser garantidos! Ali, todos, inclusive os fascistas que nos brindam com suas asquerosas presenças, podem construir os seus blogs e defender as barbaridades que bem entendem.

Sim, porque eles estão reivindicando, raivosamente, o direito de expressar a sua “opinião”, quando essa “opinião” significa, nada mais, nada menos, que defender a “idéia” de que um povo tem o direito de massacrar outro povo!!! Iremos debater ou pactuar com isso? A que ponto chegamos!!!

Nós, que reconhecemos o genocídio na Palestina, temos deixado clara a nossa posição. Mas também precisamos repensar o acesso de determinados indivíduos aos espaços que mantemos na Internet, a custa do nosso esforço pessoal. Ainda mais, se considerarmos que alguns deles são profissionais remunerados para cobrir a rede de blogs de esquerda com suas interferências, a fim de tumultuar os debates relevantes. Quem duvida disso, é só verificar a quantidade de comentários que alguns deles colocam na rede de blogs.

Esse momento é muito sério, pois além da guerra genocida, também se trava uma batalha de informação. Não podemos ficar tergiversando e aguentando essa verdadeira campanha fascista dentro de nossos espaços, só para parecer que somos tolerantes.

Alguém poderá dizer: mas precisamos saber o que essa gente pensa! E eu pergunto: mas ainda não sabemos??? E se precisarmos saber, é só ir nas suas fontes, sem precisar da intermediação desses garotos de recados.

Claro que ler só o que citei não basta: clique aqui para ler o texto na íntegra.

Em novembro, tomado de indignação pela aprovação na Câmara do projeto Pontal do Estaleiro, decidi censurar um direitoso que se identificava como “Jubão”. Claro que o sujeito achava que se eu não queria o Pontal, devia ir embora para Cuba, que Porto Alegre tinha pego “nojo do PT”, entre outras idiotices. Só voltei atrás devido a um pedido do leitor Jorge Nogueira: ele propôs que, cada vez que o “Jubão” aparecesse, detonássemos ele com suas respostas.

Porém, ao contrário do que parece, permitir a expressão de fascistóides não é bom para a democracia. Justamente porque eles não têm o menor apreço por ela. E não é bom para o debate, visto que por mais que respondamos, jamais a discussão com eles terminará.

E tem mais: como gremista, percebo o mesmo em relação a comentários “pifados” de colorados. Não aqueles de bom senso, mas sim, os que procuram desmerecer o título mundial do Grêmio e acham mais importante disputar a Copa Suruba Suruga do que a Libertadores no ano do centenário.

Assim, a partir de agora passarei a me utilizar mais de meu poder “ditatorial”: a moderação de comentários. Serão permitidos comentários discordantes, mas desde que baseados em argumentação racional – ou seja, que ajudem a qualificar o debate. O mesmo vale em relação aos colorados.

Ofensas, besteiras e “pifações” terão como destino a “lata do lixo”, ou seja, o SPAM.

Peço também que usem endereços de e-mail verdadeiros para seus comentários (os fascistas costumam se esconder sob e-mails falsos), já que eu não os divulgarei jamais. Pois, ao contrário dos vikings do vídeo acima, eu não gosto de SPAM, logo não contribuiria com os que espalham esta praga.

Se o leitor acha que as mudanças no Cão são “ataques à liberdade de expressão” e não tem blog, aproveite para criar o seu então. Nada mais democrático do que ele ter o direito a expressar-se em um blog, e a participar de um debate de bom nível em outros blogs.

E para não dizerem que “não avisei”, deixarei o texto com as novas regras para comentários no menu superior do blog, sempre visível.

Câmara vota projetos da dupla Gre-Nal

copa_nossa(charge do Kayser)

Hoje à tarde, serão votados na Câmara Municipal de Porto Alegre os projetos da “arena PIFA” do Grêmio e da modernização do estádio colorado, o Beira-Rio.

Muito mais do que isso, pretende-se mudar índices construtivos na cidade, que ajudarão a acabar com o pouco de qualidade de vida que resta nela: seriam permitidos prédios de 72m de altura na área atualmente ocupada pelo Olímpico e junto à “arena PIFA”, e 52m no Menino Deus – incluído o Estádio dos Eucaliptos, que o Inter pretende vender, e também a área do Beira-Rio.

O colunista do jornal LANCE! Marcelo Damato, citou em seu blog Além do Jogo uma postagem do Hélio Paz, e intitulou seu post de “Madrid em dose dupla”, lembrando que o Real Madrid, ao construir sua “Ciudad Deportiva”, teve de respeitar as leis da cidade, enquanto aqui em Porto Alegre se quer mudá-las com a desculpa de viabilizar a Copa de 2014.

E extremamente pertinente é o comentário, no blog do Marcelo Damato, do leitor Eduardo, do Rio de Janeiro. Ele lembra que há 10 anos atrás o Flamengo queria fazer um shopping em seu terreno, e a Câmara Municipal do Rio não permitiu: a área fora doada ao clube pelo poder público para a prática desportiva, não para atividades comerciais. Caso igual ao do Beira-Rio, mas aqui na “capital mais politizada do Brasil” querem que seja diferente.

Pontal fica para 2009

A Câmara Municipal de Porto Alegre decidiu deixar a decisão sobre o projeto Pontal do Estaleiro para a próxima legislatura, que assume em janeiro. A votação será após o recesso parlamentar.

Na próxima segunda-feira, dia 29, serão votados apenas os projetos da dupla Gre-Nal (“arena PIFA” e espigões do Beira-Rio).

Pontal e Gre-Nal: dia 29 na Câmara

Para evitar que haja grande mobilização dos movimentos comunitários e sociais contra os descalabros Pontal do Estaleiro, torres do Beira-Rio e “arena PIFA” do Grêmio, os vereadores decidiram votar tudo de uma vez só, no dia 29 de dezembro. É uma segunda-feira, entre Natal e Ano-Novo, época em que a cidade tradicionalmente esvazia.

Tudo “em nome da Copa de 2014”. O projeto Pontal do Estaleiro, vetado pelo prefeito José Fogaça, poderá ser sancionado pelos vereadores caso derrubem o veto. Interessante que foram os próprios que sugeriram ao prefeito que, se fosse vetar, enviasse nova proposta à Câmara, prevendo um referendo para 2010. O prefeito aceitou a sugestão, enviou novo projeto, que agora os vereadores pretendem ignorar.

Será que a Copa do Mundo é mais importante do que o meio ambiente e a qualidade de vida? É uma dúvida não só minha e de integrantes dos principais movimentos ambientalistas, mas também de apaixonados por futebol como o Daniel Cassol do Impedimento.