Vai ao Nordeste? Leve um casaco…

Navegando pelo Facebook uma noite dessas, vi muitos dos meus contatos reclamando do frio. Obviamente não compartilhei nem curti nada disso, pois não sinto nenhuma saudade do “calor de desmaiar Batista” que fez por aqui no último verão (bom mesmo seria se tivéssemos um “equilíbrio” o ano todo, pena que isso não existe em nossa “grenalizada” Porto Alegre).

Porém, o mais interessante foi uma foto de um termômetro (aliás, nada mais típico dessa época no Facebook do que as fotos de termômetros mostrando o quanto faz frio em algum lugar), marcando 7°C, e na legenda: TRIUNFO, UMA BELEZA. Um gaúcho que vê a imagem logo pensará que se trata da cidade próxima a Porto Alegre – e até estranhando que alguém destaque uma temperatura de 7°C, visto que já registros bem mais baixos neste inverno.

Porém, o estranhamento continua, mas de forma diferente, quando se vê que a Triunfo da foto não é gaúcha, e sim, pernambucana. Trata-se da cidade mais alta de Pernambuco, a mais de mil metros acima do nível do mar, o que resulta em um clima bastante ameno, e com noites até mesmo frias durante o inverno. E, por mais incrível que possa parecer, no verão se passa mais calor em Porto Alegre do que na cidade do sertão pernambucano: basta comparar as temperaturas médias das duas cidades.

Mas se o leitor acha que Triunfo é um caso isolado, está bastante enganado. Há outras cidades no Nordeste onde é perfeitamente compreensível que uma mãe peça ao filho para levar um casaco “porque pode esfriar”. A pernambucana Garanhuns, que foi oficialmente a terra natal de Lula até o desmembramento do município de Caetés, tem um clima até mais ameno do que Triunfo e igualmente um verão com menos calor que em Porto Alegre; no inverno (que pode ter madrugadas com temperaturas abaixo de 10°C), realiza há vários anos um festival que atrai muitos turistas à cidade. E no momento em que escrevo (meia-noite), o CPTEC registra 15°C na capital gaúcha e 13°C em Vitória da Conquista, no sul da Bahia.

Assim, fica a dica a quem quer desesperadamente viajar para o Nordeste para não sentir frio durante o inverno: na dúvida, é melhor levar um casaco…

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Não tem jeito

Charge do Kayser (2007). Se o Corinthians ganhar a Libertadores, a TV ganha junto...

Semana passada consegui torcer pelo Corinthians (quis ser “do contra” só por ser). Mas hoje, no jogo decisivo, não vai dar.

Não entro nessas de que “o Boca é o Brasil na final da Libertadores”. E nem na visão “global”, que dá tal papel ao Corinthians – afinal, sua torcida é uma das mais apaixonadas do país, mas não corresponde a nem metade dos brasileiros.

Aliás, essa ideia de que “o Corinthians é o Brasil” nem vale só para a Libertadores. Na decisão da Copa do Brasil de 2008, por exemplo, eu tinha a impressão de que Pernambuco era outro país, tamanha a “empolgação” com que os gols do Sport foram narrados.

Não quero nem imaginar o que será assistir televisão (coisa que já faço raramente) caso o Corinthians vença. Quando o Timão foi rebaixado em 2007, lembro que chegaram a transmitir ao vivo um treino do time antes da partida decisiva contra o Grêmio (que acabou empatada em 1 a 1). Agora, já tivemos programas especiais sobre o clube, antes mesmo da bola rolar (esquecem que o Boca adora oba-oba de adversário).

Pelo visto acham que a maioria dos brasileiros é formada por torcedores do Flamengo ou do Corinthians. Os dois clubes têm as duas maiores torcidas, é verdade, mas há um enorme contingente de brasileiros que não torce para nenhum dos dois: as cinco maiores torcidas não correspondem nem à metade da população do Brasil. (E repare que a maioria dos corintianos mora no estado de São Paulo.)

E quem não gosta de Carnaval, faz o quê?

Não sou fã de Carnaval. Mas não tenho com a data a mesma relação que tenho com o Natal.

O Carnaval, simplesmente não sou muito chegado, mas não o detesto. Diferentemente do Natal.

Pode ser fruto do meu ateísmo. Pois embora o Carnaval esteja vinculado a uma questão religiosa – termina 40 dias antes da chamada “sexta-feira santa” – ele é uma festa pagã. Não vejo nada de hipocrisia em ser ateu e “pular Carnaval”. Diferente de não ser cristão e comemorar o Natal, que é uma festa cristã.

Só que eu sou ateu e não “pulo Carnaval”. Prefiro os livros – ou os blogs. Se eu estivesse agora em Pernambuco, bom, aí não veria o menor sentido em não entrar na festa pelo menos uma vez: não conheço pessoalmente o Carnaval pernambucano, mas tem jeito de ser divertido. E mesmo que eu estivesse errado, provavelmente ainda acharia melhor do que passar uma noite inteira no sambódromo assistindo desfile de escolas de samba – jamais eu gastaria dinheiro nisso.

Mas o brabo disso tudo é a “obrigação de se divertir”. Ninguém deveria ser obrigado a estar feliz todos os dias – até porque nunca se tem só dias felizes. Mas, ouse fazer cara aborrecida uma vez sequer – se for no Natal ou no Carnaval, fica ainda melhor para o resultado final da experiência. É, meu caro amigo, serás taxado de “mal-humorado” e “anti-social”, mesmo que passes o resto do ano sempre de bom humor e com amigos à volta!

E aqueles “bem-humorados de ocasião” provavelmente sejam os mesmos que de março a novembro fazem cara feia “porque o verão não chega nunca”.

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Não vês a hora que acabe o Carnaval? Então, o negócio é ler bastante para aproveitar o feriadão. Blogs ou livros, a escolha é tua!

Burrice global

No documentário “Muito além do Cidadão Kane”, que fala sobre o poder da Rede Globo no Brasil, Armando Nogueira, que trabalhava como chefe de jornalismo lá na época da eleição presidencial de 1989, disse que a edição do resumo do último debate antes do 2º turno, excluindo bons momentos de Lula e mostrando apenas os de Collor, foi “burra”, e que ele não deixaria que fosse ao ar se a tivesse visto.

O mesmo se aplica ao que aconteceu ontem (isso na visão de Armando Nogueira, pois para mim a edição do debate de 1989 foi manipulação pura e simples). Quando eu soube que o jogo Vitória x Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, seria às 4 da tarde, pensei: “ótimo, vai passar na TV aberta” (visto que, em geral, os jogos às 6 e meia da tarde/noite nos domingos só passam no pay-per-view, que eu não tenho em casa). Quando chamei um amigo para ver o jogo aqui, ele disse que ia passar Santos x Corinthians na Globo. Achei que ele estava errado, porque Vitória x Grêmio era às 4 da tarde, logo, seria essa a partida transmitida, pelo menos para o Rio Grande do Sul. Resolvi esperar para ver: não queria ir para um bar porque, como tinha de terminar a revisão de um artigo – cujo prazo de envio via e-mail encerrava ontem -, não achava uma boa ideia beber cerveja (mesmo com frio eu tomaria, ainda mais estando num buteco) e depois terminar a revisão de um texto acadêmico.

Na hora do jogo, liguei a televisão e… Passava Santos x Corinthians na Globo!

Suprema burrice da Globo. Não por causa de “birra contra gaúcho” e o escambau (até porque nunca vi nada igual à narração do 2º gol do Sport na final da Copa do Brasil de 2008, parecia que era gol de um time estrangeiro: pelo jeito a “plim plim” esqueceu que Pernambuco é Brasil). A Globo foi burra comercialmente mesmo. Tivesse transmitido Vitória x Grêmio, pelo menos para o Rio Grande do Sul, teria tido muito mais audiência por aqui do que com Santos x Corinthians.

Falo de audiência de verdade: muita gente deve ter deixado a televisão ligada, mas sem volume, para ouvir o jogo do Grêmio no rádio. Considerando que muita gente só olharia para ela quando saísse algum gol – ou seja, os anúncios feitos ao longo da transmissão do futebol não atingiram a maioria da audiência no Rio Grande do Sul, ainda mais que o único gol (infelizmente, foi do Vitória…) saiu no apagar das luzes.

Tudo bem que a audiência no Rio Grande do Sul não é tão grande quanto em Estados mais populosos. Mas que foi burrice da Globo, foi.

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Outra coisa que me tira do sério em relação ao futebol brasileiro, é a questão dos horários dos jogos. Nesse caso, todos os envolvidos – televisão (Globo), CBF e clubes – têm sua parcela de culpa.

A rodada de ontem foi emblemática. Vitória x Grêmio, na sempre quente Salvador, foi às 4 da tarde (e sem transmissão para cá!). Inter x Avaí, na ontem gélida Porto Alegre (e o Beira-Rio, segundo o meu irmão, consegue ser ainda mais frio por causa do vento forte da beira do Guaíba), foi às 6 e meia da noite (sim, porque 6 e meia só é “da tarde” durante o verão). E o pior de tudo são os jogos às 10 da noite, no meio da semana, por causa daquela bosta de novela.

O torcedor, como sempre, que se lixe, na visão dos manda-chuvas do futebol brasileiro. Que compre o pacote do pay-per-view e assista o jogo em casa. Ou, se quiser ir ao estádio, aguente calorão, frio cortante… E chegue em casa na madrugada de quinta-feira, depois de gastar uma nota em táxi porque não tem mais ônibus.

As curtas “férias” do blog

Já houve “não-férias” da mesma duração – principalmente em épocas de correria. Desde sua criação, em 14 de maio de 2007, o blog jamais teve “férias” propriamente ditas, pois o Carnaval de 2009 fez com que parasse tanto tempo quanto no fim de maio de 2008, quando eu tinha de terminar um artigo para a faculdade.

A parada se deveu a uma curta viagem para a praia de Araçá, um pouco depois de Capão da Canoa (mas pertencente ao mesmo município), onde não tive acesso à internet (e não seriam três dias sem computador que me entediariam). Como é típico do litoral gaúcho, teve vento, areia e água gelada. Além de chuva, trânsito caótico (afinal, boa parte de Porto Alegre se muda…), cerveja e carteado. Somei também o War à lista.

E nada de Carnaval: a única folia que me atrai é a de Pernambuco – por curiosidade, pois nunca fui mas acredito que deva ser divertido. Por mais que falem maravilhas do Carnaval da Bahia, eu jamais gastaria meu dinheiro para ir ver trios elétricos e cantoras de cabelos diferentes mas de vozes iguais. E não tenho saco para passar uma noite assistindo desfile de escolas de samba: o que eu gosto mais é de acompanhar a apuração.

Mas o que mais me chamou a atenção no feriado foi a especulação imobiliária, que está a todo vapor no Litoral Norte. Já há diversos condomínios fechados prontos, e mais uma porrada em construção.

O que muitos vêem como “progresso do Litoral Norte”, me passa a impressão de um retorno no tempo; para ser mais preciso, à Idade Média. Diversas cidades cercadas por muralhas (com direito à cerca eletrificada no alto, na versão do século XXI), que servem para dar a famosa “sensação de segurança”. Mas que claramente servem para manter do lado de fora, “invisíveis”, não apenas os “bandidos”: no retorno para casa, vi de um lado da Estrada do Mar uma muralha, e do outro, uma favela. Cujos moradores provavelmente serão expulsos com a valorização da região.

As próximas “férias” do blog talvez durem apenas um fim-de-semana (menores que muitas “não-férias”). Quero ir ao litoral no inverno, não só pela curiosidade de ver a praia vazia no frio, mas também para ter uma idéia melhor de como é a vida real na região – o verão engana.