O pior jogador da história do Grêmio?

Em março de 2007, o Kayser publicou no blog dele uma lista pra lá de tenebrosa. Tratava-se da “seleção dos pesadelos” do Grêmio, contando apenas com as perebas e as decepções que já vestiram a camisa tricolor. Fosse feita hoje, a “seleção” certamente contaria com os “reforços” de “craques” da estirpe de Marcel (o “nariz entupido” do Olímpico), Morales, dentre outros.

Folha da Tarde Esportiva, 28/08/1968

Folha da Tarde Esportiva, 28/08/1968

O último citado (Morales) é uruguaio. E foi um compatriota seu que, na década de 1960, entrou para a história do Grêmio. Não por qualidade, mas sim por ruindade. Trata-se de Jorge Luís Oyarbide.

Meu pai – que é colorado – me contou a história desse cara pela primeira vez há uns dez anos, quando eu estava indignado com a grana que o Tricolor havia jogado fora com Sebástian “El Loco” Abreu, que ficou seis meses no Grêmio, ganhava salário mensal de 70 mil dólares (e numa época de crise, em que o dólar disparava) e fez apenas um gol que até eu faria – e olha que sou o pior jogador de futebol de todos os tempos (vou seguir o exemplo do Íbis, e usar minha ruindade no futebol como marketing pessoal). Eu não acreditava que pudesse haver, de jogadores profissionais, algo pior que “El Loco” Abreu, a ponto de entender com facilidade a pífia campanha da Seleção Uruguaia na Copa do Mundo de 2002: “El Loco” era titular…

Aí meu pai disse que eu achava “El Loco” Abreu um horror porque não tinha visto Oyarbide em campo. Contou que o cara era tão ruim, mas tão ruim, que por certo tempo virou sinônimo de perna-de-pau: “Esse aí… É um Oyarbide!” – aliás, sinto que esse rótulo colaria em mim com extrema facilidade, tamanha a minha “categoria”. Segundo meu pai, Oyarbide não conseguia sequer dominar uma bola – chegava ao ponto de tentar matar no peito, e a bola ir para o lado. Era absurdamente podre.

E não foi apenas isso. O Grêmio havia gasto uma quantia considerável de dinheiro para contratar o uruguaio. Dinheiro posto fora, é claro… Tanto que o meu pai conta que era a única maneira de se conseguir tocar alguma flauta em gremista naquela época, visto que o Grêmio, além de heptacampeão gaúcho (1962-1968) tinha conquistado doze dos últimos treze campeonatos (entre 1956 e 1968 o Tricolor só não levou o caneco em 1961). A simples menção ao nome de Oyarbide era capaz de deixar um gremista furioso em tempos tão vitoriosos (naquela época Gauchão era um dos títulos mais almejados, pelo simples fato de torneios a nível nacional como Taça Brasil e “Robertão” serem bastante recentes).

Imag000-1Pois bem, era difícil para mim acreditar que pudesse existir jogador profissional tão ruim. E eis que ontem, ao verificar fontes para a minha monografia que será escrita ao longo do segundo semestre de 2009 (mas não se iludam, não é sobre o Oyarbide!), acabei encontrando uma matéria sobre o “craque”, na edição do dia 28 de agosto de 1968 do jornal “Folha da Tarde Esportiva”, que apenas ajuda a confirmar o que meu pai tanto dizia… Tirei fotos, de pouca qualidade porque batidas com câmera de celular (pois fui ao museu Hipólito da Costa apenas verificar fontes, não fotografá-las). Um trecho do texto do jornal diz:

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Tanto por parte da crônica como de torcedores (neste caso alguns milhares), Oyarbide foi criticado, gozado. Quase virou adjetivo negativo na terminologia do futebol.

Vou ter de corrigir o jornal: na memória coletiva dos torcedores – gremistas e colorados – daquela época, Oyarbide virou sim adjetivo negativo na terminologia do futebol, a ponto de chegar a ser considerado o pior jogador da história do Grêmio.

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Copa dos Pesadelos 2

Ano passado, Juca Kfouri promoveu em seu blog a “Copa dos Sonhos”. Os internautas escolhiam o esquadrão dos sonhos de seus clubes, que se enfrentavam. Em “contraponto”, José Roberto Torero promoveu a “Copa dos Pesadelos”, que reuniu a nata da ruindade do futebol brasileiro.

Pois bem: este ano Juca Kfouri decidiu realizar uma nova “Copa dos Sonhos”, mas desta vez os confrontos eram entre as melhores Seleções Brasileiras das Copas do Mundo. E, obviamente, há também a segunda edição da “Copa dos Pesadelos” no blog do Torero, reunindo as quatro piores seleções das Copas do Mundo, escolhidas pelos internautas.

Em outubro, postei meu “esquadrão dos pesadelos” gremista. Espero que o Grêmio melhore seu desempenho este ano, pois temo que o “time dos pesadelos” sofra alterações em 2008…

E o Grêmio?

Os leitores assíduos deste blog já devem ter notado que ultimamente eu tenho falado muito pouco sobre futebol e o Grêmio. Até porque geralmente, quando escrevo sobre futebol, o post é também sobre o Imortal Tricolor. Para se ter uma idéia: este é o segundo texto sobre o Grêmio em 2008 – e hoje é dia 3 de fevereiro, o Tricolor já disputou quatro partidas oficiais no ano.

O problema é que até agora, o que vi não é animador. Confesso que só assisti aos jogos que passaram na televisão, pois no dia 19 de janeiro (3 a 0 sobre o 15 de Novembro) eu tinha compromisso e se fosse ao jogo ficaria muito complicado, e no dia 26 (1 a 0 contra o Santa Cruz) eu estava fora de Porto Alegre na hora da partida. Me restaram o bisonho empate em 1 a 1 contra o Sapucaiense e a entregada de ontem, 2 a 2 com o Caxias depois de estar vencendo por 2 a 0. Nestes dois jogos, vi um Grêmio ruim de doer.

Eu pretendia viajar no próximo fim-de-semana, mas a viagem ficará só para o dia 15 (ou depois). Assim, estarei no Olímpico dia 9, contra o Novo Hamburgo, mesmo que chovam canivetes. Bom, pelo menos o Grêmio já terá Perea e Roger. Espero que estes dois, se não forem a solução – Roger já disse que não é “salvador da pátria” – pelo menos sirvam para diminuir a ruindade do time.

Você conhece o Disco?

Mais uma da série “times dos pesadelos”.

O blog do Torero promoveu, no início de 2007, a “Copa dos Pesadelos”. Era um contraponto à “Copa dos Sonhos” promovida pelo Juca Kfouri. Foram 16 times, formados pela nata da ruindade. O sistema era o “morre-morre”: quem vencesse, caía fora – afinal, era para escolher o pior, e não o melhor…

Foi uma chance de lembrar lendas da perebice, como Tavarelli (titular também do meu Grêmio dos pesadelos), Maizena (titular de Inter e Cruzeiro – o regulamento permitia), Cocito (“o capitão da queda” do Grêmio em 2004), dentre muitos.

Também chamaram a atenção alguns jogadores que eu não conhecia mas cujas alcunhas eram de rolar de rir. Caso de Advaldo NBA, zagueiraço do Bahia que tinha 2 metros de altura e não sabia jogar futebol – provavelmente fora contratado para o time de basquete mas acabara no campo…

Mas ninguém conseguiu façanha maior do que um lateral-esquerdo do Sport, conhecido como… DISCO!!! Isso mesmo: DISCO!!!

O craque, que (literalmente) joga por música, entrou em campo na partida Sport x Bahia, pela primeira rodada da Copa dos Pesadelos, dia 21 de fevereiro. O Sport venceu, e por isso, foi eliminado. Mas, o destaque foi a atuação de Disco:

6´: Disco é arranhado por Darinta.
13´: Disco é novamente arranhado por Darinta. Desta vez, no lado B.
22’: Disco é lançado, mas no caminho é quebrado por Darinta!

Ao final do jogo, Disco foi premiado com um Motoradio. Não aceitou: o negócio dele é vitrola

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Caso eu tivesse jogado em qualquer um dos 16 clubes participantes da Copa dos Pesadelos, seria titularíssimo!

A “desseleção” do Grêmio

Depois de indicar os piores, é hora de montar um time em condições de “vencer”. Alguns jogadores que não estavam na lista anterior (por falta de lugar) agora aparecem, por necessidade. Assim, o Grêmio dos pesadelos fica assim escalado:

Tavarelli
Walmir
Baloy
Rodrigo Costa
Marciano
Douglas Silva
Djair
Beto
Rico
Adriano Chuva
Loco Abreu

Técnico: Cuca
Presidente: Flávio Obino
Transmissão: imagens da extinta TV Guaíba, com narração de Paulo Brito e comentários de “hein ôôô” Batista.

Os três piores

No Diário Gauche, tem um post interessante: a proposta é escolher os três piores brasileiros de todos os tempos. Minha lista é a seguinte:

  1. Filinto Müller, chefe de polícia da ditadura getulista (e bem pior que o próprio Getúlio) que entregou Olga Benario grávida à Alemanha nazista apenas para se vingar de Luiz Carlos Prestes, que o havia expulsado da Coluna em 1925. Motivo? Filinto era covarde;
  2. Roberto Marinho, nem preciso explicar por quê;
  3. FHC, que não terminou de vender o Brasil por falta de tempo.

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O Guga Türck, do Alma da Geral, aproveitou para expandir a idéia ao Grêmio, e eleger os piores da história tricolor. Foram três nomes por posição. Surgiu um problema: nasci em 1981 e não vi muitas “estrelas” do passado (meu pai fala muito de um argentino, o nome do “craque” era Oyarbide). Então, decidi listar apenas os que eu lembro de ter visto jogar (ou treinar, ou presidir), o que não tornou minha tarefa mais fácil. Eis minhas listas (entre parênteses, os anos em que as desgraças aconteceram):

Três piores treinadores

  1. Cuca (2004)
  2. Sebastião Lazaroni (1998)
  3. Hélio dos Anjos (1997)

Três piores goleiros

  1. Tavarelli (2004)
  2. Eduardo (2005)
  3. Sidmar (1991)

Três piores zagueiros e/ou defensores

  1. Baloy (2003-2004)
  2. Rodrigo Costa (1998-1999)
  3. Walmir (1998)

Três piores meias

  1. Djair (1998)
  2. Beto (1997-1998)
  3. Rico (2004)

Três piores atacantes

  1. Adriano Chuva (2002)
  2. Loco Abreu (1998)
  3. “El Pistolero” Garcez (2004)

Três piores presidentes

  1. Flávio Obino (1969-1971 e 2003-2004)
  2. Rafael Bandeira dos Santos (1991-1992)
  3. José Alberto Guerreiro (1999-2002)

Coloquei o Cuca como 1º dos treinadores porque em 2004 ele mal chegou e queria ir embora (diferente de hoje, quando mal saiu do Botafogo e já voltou), reclamou da qualidade do plantel (aí ele tinha toda a razão), mas esqueceu de treinar o time, que só perdeu.

Claro que acabei deixando “grandes” nomes fora da lista. Dentre os piores presidentes, o Cacalo ficou de fora, assim como não teve espaço para estrelas como Luizão, Amoroso e Jacaré (atacantes); para o zagueiro Schiavi (que foi bem naquele Gre-Nal, quando tinha que ter ido bem três dias antes, e não ter feito pênalti); falta lugar também para “gênios” da estratégia como Adílson Batista (que depois de uma vitória – de goleada! – mudou totalmente a escalação do Grêmio, que aí levou uma goleada), Darío Pereyra e Sérgio Cosme.

Por isso, indico a leitura das listas do Guga Türck, e também do Kayser, que escreveu uma hilária postagem sobre o assunto em março.

Fica também uma proposta aos blogueiros que torcem para outros times, para que também montem suas “seleções dos pesadelos”.

E para breve, prometo uma postagem sobre os melhores – do Brasil e do Grêmio.