Sobre a vontade de deixar o Facebook

Ano passado, culpei o Facebook pela diminuição no número de postagens aqui no blog. Mais do que a especialização, para a qual preciso ler artigos e, consequentemente, me toma tempo para escrever aqui.

Pois já penso além do próprio blog. Algo que notei: desde que uso o Facebook com frequência (algo em torno de três anos), diminuiu não simplesmente a frequência de atualizações do Cão. Passei a ler menos do que antes, e isso não acontece só comigo: meu irmão me mostrou um livro que adquiriu há um bom tempo e, pasmem, não chegou sequer à metade. Tudo bem que é um livro acadêmico e não de literatura, mas trata-se de um assunto do qual ele gosta. O motivo, ele explicou na hora: chega em casa, liga o computador e vai ver “o que tem de novo no Facebook”. E quando percebe, passou um tempão. Ou seja, exatamente o mesmo que acontece comigo e, certamente, com muitas pessoas.

Relembro novamente parte daquele texto de 18 de dezembro de 2012:

Mas nem toda a informação que obtenho pelo Facebook é realmente interessante. Ou será que preciso realmente saber que fulano de tal esteve no buteco X na hora Y com um certo número de pessoas? No fundo, a tal de “privacidade”, que tantos diziam ser ameaçada pelo Facebook, realmente vai para o espaço. E pior: abrimos mão dela voluntariamente.

A exposição exagerada pode gerar problemas? Certamente que sim. No âmbito profissional é fato: há empresas que, antes de contratar algum funcionário, vasculham seus perfis em redes sociais, e assim uma foto em que a pessoa aparece visivelmente bêbada pode acabar comprometendo suas chances – mesmo que trate-se de um fato excepcional, a imagem que fica é de um “pinguço” e não de alguém sério e comprometido. Mas mesmo no âmbito pessoal pode ser ruim: há pessoas com as quais nos damos bem presencialmente, mas que no Facebook postam tanta porcaria que acabam irritando e sabemos que, caso as apaguemos da lista de “amigos”, acabarão se magoando. E não basta cancelar a assinatura para não ver as atualizações, pois isso não as impede de comentar no que publicamos (GERALMENTE ASSIM TUDO EM CAIXA ALTA SEM VÍRGULAS RECLAMANDO E EXCLAMANDO!!!!!111).

Pois bem: ainda não pretendo deixar o Facebook – quero ver é se consigo diminuir bastante seu uso. Mas a ideia de abandoná-lo começa a amadurecer.

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Perdendo tempo

Um dos grandes males da atualidade, dizem, é a falta de tempo (que, na visão capitalista, “é dinheiro”). Estamos sempre atrasados, correndo contra o relógio. E em meio a tal maluquice, não há pecado pior do que perder tempo.

E o que é “perder tempo”? É fazer qualquer coisa que “não seja produtiva”. Dentre elas, sentar e pensar: lembro de muitas vezes ter feito isso e ouvir a pergunta “por que está aí pensando na morte da bezerra?”, o que me irritava demais, pois pensava em coisas muito mais importantes do que na bezerra falecida.

Será que ninguém nunca pensou no quanto a humanidade já perdeu por conta da “falta de tempo” ou por se achar que era “perda de tempo”? Quantas ideias geniais deixaram de ser postas em prática? Quantos contos e poemas não puderam ser escritos? Quantas músicas não foram compostas por conta disso?

Me acontece muito de ficar sem tempo para vir aqui escrever no blog. E isso é uma das coisas que me irrita, às vezes até me estressa. Pois detesto não ter tempo de fazer o que gosto.

Aliás, nem deveria ter escrito este breve texto, pois tinha mais coisas a fazer.