Eu morro e não vejo tudo…

Pelo visto, esta última semana de campanha eleitoral (e é provável que seja a última mesmo, tanto a nível nacional como estadual aqui no Rio Grande do Sul, pois acho que dá Dilma e Tarso no 1º turno) terá um aumento exponencial da direitosquice digital no Brasil.

No começo da noite de hoje, acessei meus e-mails, e vi entre eles duas “correntes” contra o PT (óbvio, né?). A primeira, trata de uma suposta entrevista do nadador César Cielo, campeão olímpico dos 50 metros livre em 2008, ao jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o texto da mensagem, Cielo teria feito muitas reclamações quanto à falta de apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e do governo brasileiro.

Concordo que falta (e muito!) apoio ao esporte no Brasil (minha amiga Liciana Possani, que entre 2004 e 2008 ganhou quatro títulos brasileiros e um sul-americano na ginástica aeróbica esportiva, que o diga: ela deixou de disputar o campeonato mundial da modalidade por falta de patrocínio, e abandonou temporariamente as competições), mas por favor, não podemos sair repassando qualquer coisa sem verificar a fonte. No caso desta tal entrevista de César Cielo, fiz uma busca e achei uma matéria, de 2 de setembro de 2008, falando que o nadador realmente detonou os dirigentes da CBDA. Só que no texto não há nenhuma menção ao governo! A própria palavra “governo” sequer aparece…

Mas pior ainda foi o outro e-mail. O título: “500 mulheres cearenses! ! ! ! ! INACREDITÁVEL!!!” (é assim mesmo, cheio de exclamações). Na hora fiz uma busca… Nos meus e-mails! Sim: eu já tinha recebido isso, pasmem, da mesma pessoa, no dia 29 de maio! Inclusive, naquele primeiro texto sobre as “correntes” eleitorais, eu já havia citado essa… Fiz a busca pensando que tinha respondido aquela vez (aí mandaria a mesma réplica), mas sei lá por que cargas d’água, não o tinha feito. Então respondi ao meu amigo, e claro, lembrei que ele mesmo já tinha me mandado aquela merda mensagem há quatro meses.

Agora, resta ver o que ainda aparecerá na minha caixa de e-mails nos próximos dias. Certo que receberei muitos “ACORDA BRASIL” e semelhantes…

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Coisas do “país do futebol” (será mesmo?)

Li no blog sobre futebol que o Hélio Paz escreve que as craques da seleção feminina de futebol do Brasil precisaram comparecer a um compromisso na “Casa Brasil” em Pequim – desperdício de dinheiro público para tentar mais uma vez (e provavelmente não conseguir mais uma vez) trazer os Jogos Olímpicos para o país – de táxi. Enquanto isso, nossa medíocre seleção masculina tinha um ônibus à sua disposição, após o baile diante da Argentina…

Clique aqui para ler mais.

E clique aqui para ler o ótimo artigo de Idelber Avelar sobre a xenofobia anti-argentina que vigora na imprensa esportiva brasileira. Aliás, lembro que sempre associam futebol argentino à violência, mas ontem quem bateu não foi a Argentina. E lembro também que em 2003 o Corinthians enfrentou o River Plate pelas oitavas-de-final da Libertadores: os argentinos deram um banho de bola, enquanto os brasileiros só deram porrada – e perderam.

Sobre o artigo do Idelber: ele levanta uma discussão interessante de ser abordada, a respeito de alguns “dogmas patrióticos” existentes em diferentes países. No caso do Brasil, é o futebol. Em breve, escreverei mais sobre o assunto.

Pequim 2008

Quando aconteciam os Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, as guerras paravam. Largava-se as armas por um período, e a disputa passava a ser no campo esportivo.

Já nos Jogos Olímpicos da Era Moderna, as guerras não param. Podem até começar no dia da cerimônia de abertura, como a atual entre Rússia e Geórgia. É mais fácil trocar os esportes pelas armas (como aconteceu nas duas guerras mundiais) do que o contrário.

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Em apenas quatro dias de competições, a China conquistou mais medalhas de ouro do que o Brasil conquistará em todo o evento. E temos de agüentar a grande mídia pintando o Brasil como potência olímpica por causa de medalhas no Pan-Americano, do qual os principais atletas dos Estados Unidos não participam.

Poderia ser, mas infelizmente não há incentivo ao esporte nesse país. Até mesmo o futebol masculino vai mal, com nossos bons jogadores saindo do Brasil às vezes sem nem ter 18 anos – e só se reunindo vez que outra para disputar amistosos caça-níquel pela seleção cada vez menos brasileira e mais refém de interesses econômicos. E no feminino, nossas maiores craques não têm sequer uma liga nacional para disputar.

E em outros esportes, temos um grande talento vez que outra. Não que o Brasil não tenha potencial, mas o fato é que a dificuldade para se conseguir um patrocínio a esportes que não sejam prioridade na mídia faz com que poucos consigam se destacar. Aí joga-se a esperança de todo um país nas costas de uma só pessoa – como aconteceu com a Daiane dos Santos em 2004 e agora com o João Derly – e assim um eventual fracasso acaba pesando muito.

Se um nadador australiano não sobe ao pódium, há vários outros que sobem, e ainda ganham ouro. Os Estados Unidos têm Micheal Phelps – não é preciso dizer mais nada. Se uma ginasta russa falha, várias outras acertam. E da China, nem é preciso falar. Esses países sim, são potências olímpicas.

E nem é preciso ir tão longe para se ter bons exemplos. Aqui na América Latina temos um país que costuma ir muito bem nos Jogos: Cuba. Prova de que não é preciso ser “ricaço” para se desenvolver esporte de qualidade.