Há 30 anos

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Na noite daquela quinta-feira, 28 de julho de 1983, eu era um bebê (e bem gordo), com 1 ano, 9 meses e 13 dias de idade. Mas já era campeão da Libertadores.

Em 30 de agosto de 1995, aos 13 anos, 10 meses e 16 dias, comemorei outra Libertadores. Enquanto isso, gente de idade parecida com a minha só teve essa indescritível sensação depois de adulta…

É muito bom saber que, há 30 anos, sou campeão da Libertadores.

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Meus jogos no Olímpico Monumental: 1998

Para os gremistas, 1998 começava com o sonho da Libertadores. Era o quarto ano consecutivo em que o Tricolor disputava a competição sul-americana, feito conseguido por poucos clubes brasileiros.

Porém, algo incomodava. Estava no banco de reservas e atendia pelo nome de Sebastião Lazaroni. O técnico da Seleção na Copa de 1990 (quando o Brasil caiu nas oitavas-de-final diante da Argentina) não era visto com bons olhos pelos gremistas. Em sua coluna no Correio do Povo em 29 de novembro de 1997 (poucos dias após a contratação do técnico), Hiltor Mombach dizia que “onze em cada dez gremistas” eram contrários à vinda de Lazaroni; mas ao mesmo tempo recomendava que ao menos se deixasse o técnico trabalhar, antes de detoná-lo.

Assim se fez. E Lazaroni ficou até maio, quando após a eliminação do Campeonato Gaúcho foi substituído por Edinho, que durou igualmente pouco: no início de agosto, com o Grêmio já eliminado da Libertadores, chegou Celso Roth, que tirou o time da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e o levou às quartas-de-final. O Tricolor terminou o ano sem ganhar absolutamente nada, o que não acontecia desde 1992. Continuar lendo

A ideia mais ridícula da história do Grêmio

Quase caí da cadeira quando li que o Grêmio cogita convidar o Mazembe para a inauguração da Arena. Incrível: 2011 foi o pior ano para o Tricolor depois do fatídico 2004, a torcida esperava que 2012 pudesse ser melhor, mas a direção demonstra não ter entendido nada do que aconteceu neste ano que se aproxima do fim.

Me diverti muito com o “mazembaço” de 14 de dezembro de 2010, fato. Quase me finei de tanto rir dos colorados, e não escondo que mais de uma vez sentei no chão e tentei imitar o goleiro Kidiaba. Isso é rivalidade futebolística: sem “flauta”, ela não existe.

Agora, querer convidar o Mazembe só por conta do fiasco do Inter é uma amostra do pensamento pequeno da atual direção do Grêmio. Quando poderia chamar algum dos adversários nas nossas grandes conquistas (Hamburgo, Peñarol, São Paulo, Flamengo etc.), prefere apenas “flautear” o rival.

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E sobre amistosos, espero que também haja um de despedida do Olímpico, também com a grandeza que ele merece. O Palmeiras, nosso grande adversário nos gloriosos anos 90, se despediu do antigo Palestra Itália jogando contra o Grêmio; que tal retribuir a honra, convidando o Alvi-Verde para a última partida do Olímpico Monumental?

Grande Peñarol!

O Peñarol me dá uma grande alegria nesta Libertadores. Não por ter eliminado o Inter (isso nada mais é do que OBRIGAÇÃO), mas sim por confirmar a melhora da auto-estima do futebol uruguaio, que andava tão por baixo em tempos recentes.

Pois a classificação do Peñarol para a final não é exceção. Basta dar uma conferida no que tem acontecido nos últimos dois anos.

  • 2009: Nacional chega à semifinal da Libertadores, fase que não alcançava desde 1988, e que desde 1989 nenhum clube uruguaio disputava (quando o Danúbio foi semifinalista);
  • 2010: Seleção do Uruguai faz sua melhor campanha em Copas do Mundo desde 1970, acabando em 4º lugar;
  • 2011 (fevereiro): Uruguai é vice-campeão no Sul-Americano sub-20, resultado que coloca a Celeste nos Jogos Olímpicos após 84 anos de ausência (curiosamente, a última participação fora em 1928, quando o Uruguai ganhou o ouro);

E agora, em junho, o futebol uruguaio volta a ter um representante na final da Libertadores depois de 23 anos (na última ocasião, em 1988, o Nacional foi campeão). O Peñarol, por sua vez, desde 1987 não chegava à final (naquela oportunidade, foi também campeão).

No texto em que falei sobre a classificação do Uruguai às quartas-de-final da Copa de 2010, eu comentei que, com aquela campanha, os uruguaios voltavam a acreditar que era possível fazer bonito no futebol e, até mesmo, conquistar grandes títulos. O que se reflete não só na torcida, como nos próprios jogadores da seleção e dos clubes do país, que não entram mais em campo “semiderrotados”, oprimidos por um longo jejum de títulos. Sí, se puede: se só a técnica não bastar, então é preciso que seja na garra. E o Peñarol de 2011 tem os dois, mais a experiência de alguns jogadores que passaram anos na Europa.

Mas é preciso ressaltar que a visível melhora do futebol uruguaio também se deve ao sensacional trabalho que vem sendo realizado nas categorias de base da seleção e que é coordenado pelo técnico da equipe principal, o maestro Oscar Tabárez. Além da formação de atletas, há a preocupação com o ser humano que é cada um dos jovens: como se sabe que a maioria esmagadora não terá sucesso no futebol, então, é preciso prepará-los para a vida fora dos gramados, estimulando-os a estudar. E os que dão certo, são jogadores com mais “cabeça”, mais senso crítico, coisa rara no meio.

Ou seja: o que vem acontecendo não é, de forma alguma, obra do acaso. Assim como uma festa uruguaia no dia 22 de junho, em São Paulo, também não pode ser descartada: embora o Santos tenha um time melhor, é importante lembrar que o Peñarol só passou por equipes consideradas superiores nos “mata-matas”. Se já bateu três (Inter, Universidad Católica e Vélez Sarsfield), pode muito bem vencer a quarta.

O hino nacional mais bonito de todos

Além do hino nacional do Uruguai ter sido o mais belo da última Copa do Mundo, ele também foi eleito como o mais bonito do mundo por não me lembro qual publicação. E nem interessa, pois o importante é ouvir:

Quanto ao hino do Chile, o jogo do Grêmio ainda não acabou (dane-se o meu texto de quinta passada!), e de qualquer jeito, os colorados que procurem!

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Atualização (04/05/2011, 23:43). Acabou para o Grêmio. Todo o poder ao meu texto de quinta passada!

O meu “migué” no botão

O ano era 1993. Eu cursava a 5ª série do 1º grau, no Colégio Estadual Marechal Floriano Peixoto, e como sempre, minhas notas eram muito boas.

Opa! Esqueci de um detalhe. Eu ia muito bem, mas as notas de Educação Artística destoavam do resto. Depois de começar o ano bem, ficando com 9 no 1º bimestre, a coisa começou a complicar no 2º. A professora avaliava o caderno, e descontava nota se os desenhos não fossem pintados (eu já não gostava de desenhar, colorir então…). Assim, acabei ficando com 6 no bimestre – era a primeira vez que meu boletim apresentava uma nota abaixo de 7 (média para passar) desde que eu começara o 1º grau, em 1989.

Naquela época, as escolas estaduais no Rio Grande do Sul tinham um estranho calendário de aulas (o “calendário rotativo”), implantado em 1992 pelo governo de Alceu Collares. As férias de inverno, que tradicionalmente consistiam num período de 10 a 15 dias de descanso em julho, foram ampliadas para 50 dias, cobrindo boa parte de julho e a totalidade de agosto.

Assim, o 3º bimestre letivo de 1993 no Floriano começou apenas em 1º de setembro, e poucos dias depois eu recebi o boletim, com o 6 em Educação Artística no 2º bimestre. Mas o pior não era isso.

Naquele ano, o nosso campeonato VRC de botão tinha em seu regulamento um artigo que determinava que o participante que apresentasse boletim escolar com notas abaixo de 7 perderia seu jogo seguinte por WO. Quem tirasse menos de 5 seria sumariamente eliminado. A ideia foi do meu pai, para que não deixássemos de dar atenção aos estudos, nem mesmo por conta do jogo de botão.

Só que a regra não valia apenas para o campeonato (disputado no sistema de pontos corridos, turno e returno). Era aplicada também ao Torneio Farroupilha, cujas partidas eram eliminatórias. E, quando eu recebi o boletim com aquele maldito 6, faltavam poucos dias para o Farroupilha… Que era a minha única chance de ganhar alguma coisa em 1993 (e também jogando com o Grêmio): no VRC, eu era lanterna “com folga”, não tinha mais chances; e pior de tudo, o meu irmão Vinicius, jogando com o Inter, liderava o campeonato. Aquele ano era muito duro para mim, ainda mais que em 1992 eu ganhara tudo.

No mesmo dia que eu recebi o boletim, o Vini recebeu o dele, também com nota abaixo de 7. Mas, ingenuamente, foi logo mostrando para a mãe (que depois comentou com o pai). Resultado: acabou eliminado por WO do Torneio Farroupilha. Já eu, guardei o boletim para só mostrar depois do torneio (de preferência, comemorando mais um título), e assim pus os botões na mesa para enfrentar o Leonardo, que jogava com o Palmeiras.

Levei 3 a 1 e fui eliminado… E o Leonardo acabou campeão daquele Farroupilha.

Três dias depois, mostrei o boletim, e foi determinado que eu perderia meu próximo jogo no VRC por WO. Como eu não brigava por mais nada no campeonato, “cagava e andava” para esta derrota. Só que o adversário era o meu pai, que jogava com o Peñarol, e que brigava pelo título contra o meu irmão e o Diego (São Paulo). Não interessava aos dois últimos que o pai ganhasse dois pontos assim, sem nem mesmo jogar. E acabou acontecendo uma “virada de mesa”: se decidiu que eu poderia disputar aquela partida.

De novo, não adiantou: perdi por 1 a 0. Mas no fim, isso não atrapalhou o Vini e o Diego, que foram, respectivamente, campeão e vice daquele VRC.

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Se eu já jogava “de sangue doce” minhas partidas restantes pelo campeonato de botão, no colégio a coisa estava feia. No 3º bimestre, minha nota em Educação Artística melhorou só um pouco, e fiquei com 6,5. Com isso, teria de tirar outro 6,5 para escapar do vexame que seria pegar recuperação naquela matéria (pois nas outras ou eu já estava aprovado, ou precisava de muito pouco).

Consegui um suadíssimo 7, e assim fui aprovado com média final 7,1 – a mais baixa em meus oito anos de Floriano.

E resultaram daquele ano desastroso duas resoluções não só para 1994, como para o resto da vida, e que foram cumpridas. A primeira, de nunca mais usar o Grêmio como meu time de botão, pelo bem dele (e deu certo: no campeonato seguinte quem jogou com o Tricolor foi o Diego, que acabou campeão). Já a segunda, foi de não me descuidar mais em Educação Artística, para não passar novamente aquele sufoco.

Duas classificações suadas

A quarta-feira teve bastante futebol.

Ontem, em Montevidéu, o Nacional podia empatar em 0 a 0 com o Palmeiras, para se classificar para a semifinal da Libertadores. Um jogo histórico. Afinal, a última vez que um clube uruguaio alcançara tal fase na Libertadores fora em 1989, com o Danúbio. O Nacional, por sua vez, não ia tão longe desde 1988, quando foi campeão.

Mais que uma vaga, valia também a melhora da auto-estima de um país com um passado tão vitorioso no futebol: a taça que o Nacional levantou em 1988 foi a sua terceira (ganhou também em 1971 e 1980) e a oitava do futebol do Uruguai (o Peñarol ganhou La Copa cinco vezes: 1960, 1961, 1966, 1982 e 1987). E para minha satisfação, aconteceu o resultado que o Nacional precisava: 0 a 0, classificação no saldo qualificado, já que a partida de ida, em São Paulo, acabara em 1 a 1.

Ainda resta uma vaga em disputa para o Uruguai, mas é tarefa muito complicada. O Defensor, que perdeu a primeira em casa para o Estudiantes por 1 a 0, precisa vencer por pelo menos 2 a 1 (1 a 0 leva para os pênaltis) em La Plata, para fazer a semifinal contra o… Nacional! Mas não custa nada torcer por uma final Brasil x Uruguai, o que não acontece desde 1983 – quando o campeão foi o Grêmio!

Aliás, o Grêmio… A situação era idêntica à do Nacional: podia empatar em 0 a 0 com o Caracas e se classificaria pelo saldo qualificado. E o resultado foi idêntico ao do time uruguaio. Embora o futebol da Venezuela tenha melhorado nos últimos tempos, e o Caracas seja o time menos pior enfrentado pelo Grêmio nessa Libertadores, não dá para ficar feliz com uma classificação vinda da forma que veio.

Pois se o Tricolor levou sufoco no final, isso se deve à enorme quantidade de gols perdidos por seu ataque – terminasse o primeiro tempo metendo uns 3 a 0 (o que não seria nada estranho), poderia só administrar o resultado no segundo tempo. São oportunidades que, se desperdiçadas contra um São Paulo ou um Cruzeiro (acho que vai dar Raposa), poderão tirar a vaga na final.

E chamam a atenção também as atuações ruins de Tcheco e Souza, como comprovam as médias dos dois jogadores no Almômetro do jogo de ontem e também no de domingo passado, contra o Fluminense. De positivo em Grêmio x Caracas, Adílson, que parece ter se encaixado bem no 4-4-2 de Autuori, assim como Túlio.

Ranking de pontos da Libertadores

A Conmebol divulgou a tabela histórica atualizada da Taça Libertadores da América, em que são somados todos os pontos conquistados por todos os clubes que dela participaram – semelhante ao ranking de pontos do Campeonato Brasileiro. O River Plate, da Argentina, é o líder, com 495 pontos, quatro a mais que o uruguaio Peñarol.

O São Paulo (melhor brasileiro no ranking) aparece apenas em 12º lugar, com 231 pontos – atrás de clubes como o Bolívar (Bolívia), que nunca chegou sequer à decisão mas disputou 25 edições da Libertadores, enquanto o São Paulo participou 13 vezes.

O segundo melhor brasileiro é o Palmeiras, 15º colocado com 225 pontos, e o terceiro é o Grêmio, 18º com 184. Já o “mais internacional dos clubes brasileiros” é o sétimo melhor do Brasil na história da Libertadores: ocupa a 36ª posição, com 111 pontos.

Vem aí mais um espetáculo de botão!

O Cão Uivador dá importância ao futebol de botão. Quem vos escreve cresceu “batendo um botãozinho” e inclusive ganhando alguns títulos, no já, de certa forma, distante¹ ano de 1992.

Entre as taças que levantei, está a do Torneio Farroupilha. Fui o vencedor da primeira edição, jogando com o Cascavel (PR), e recentemente ando mal das pernas – digo, das mãos -, só tenho feito fiasco, amargando lanternas e vice-lanternas.

Meu time para a edição 2007 do Torneio Farroupilha é o mesmo desde 1996: o glorioso Sport Club Rio Grande, o vovô do futebol brasileiro. Meu irmão Vinicius (que tem três títulos²) é meu maior rival, e jogará com o odioso Football Club Rio-Grandense, de Rio Grande.

Outro ilustre participante é o Diego (do Pensamentos do Mal), que também conquistou três títulos (1994, 1996 e 2001) com o Grêmio. Depois de dois anos jogando com o Aimoré, ele volta a disputar o Torneio com o Tricolor em 2007.

A 12ª edição³ do Torneio Farroupilha será disputada nos dias 20, 22 e 23 de setembro. E a melhor cobertura, é aqui no Cão Uivador!

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¹ Quando penso que meu título aconteceu há 15 anos atrás, não tenho como não lembrar desta postagem do Cataclisma 14. Porra, 1992 foi ontem!

² O primeiro título do Vinicius foi em 1997, com o Peñarol. Em 2005 e 2006 ele foi campeão com o odioso Rio-Grandense.

³ O torneio não foi disputado em 1998, 1999, 2000 e 2002.