Os 100 anos de Vinicius de Moraes

Meu irmão, nada poético em dias de Gre-Nal (caso deste domingo), deve o nome ao poeta Vinicius de Moraes, cujo nascimento completou 100 anos ontem. Quatro anos após meu nome ter sido escolhido pelo meu pai e – literalmente – referendado em uma votação familiar realizada em Rio Grande, foi a vez da minha mãe escolher; meu pai, fã do poetinha, sequer pensou em fazer alguma ressalva.

Além de genial poeta e compositor, Vinicius de Moraes era também um boêmio inveterado – só o fato de considerar o uísque como “cachorro engarrafado” dá uma ideia do quanto apreciava a bebida. E isso resultou em histórias sensacionais, algumas delas contadas pelo meu pai no almoço de sábado.

A primeira delas, é sobre uma surreal entrevista à televisão, gravada na manhã seguinte a uma apresentação aqui em Porto Alegre. O repórter foi encontrá-lo no hotel, e Vinicius logo pediu uísque. Ao final, ambos estavam completamente bêbados, e o mais incrível: a entrevista foi ao ar!

Outra, aconteceu em uma apresentação de Vinicius em Pelotas. Boêmio que era, seu palco contava com uma mesa de bar, e sobre ela uma garrafa de uísque (óbvio…), um cinzeiro e cigarros. Num intervalo, um jovem decidiu subir no palco e pegar como lembrança do espetáculo justamente a garrafa que ainda tinha um pouco de uísque. Quando Vinicius retornou, anunciou que a apresentação não continuaria caso a garrafa não fosse devolvida. Ofereceram outra, da mesma marca, mas ele foi irredutível: queria aquela que antes estava na mesa, para terminar de bebê-la e só então abrir uma nova. O jovem que subiu no palco, temendo levar uma surra, não teve coragem de devolver a garrafa e o espetáculo foi realmente encerrado…

Meus jogos no Olímpico Monumental: 1999

No final de 1998, houve eleição presidencial no Grêmio. O oposicionista José Alberto Guerreiro, que já concorrera em 1996, venceu Saul Berdichevski, candidato da situação – Cacalo, que estava em seu primeiro mandato, não quis concorrer à reeleição.

Assim, o clube entrava em 1999 sob novo comando, mas mantendo o técnico Celso Roth, após a bela reação no Campeonato Brasileiro de 1998, quando o Grêmio saiu da lanterna para ficar entre os oito melhores. Roth resistiu até setembro, quando sucumbiu à má campanha do Tricolor no Brasileirão de 1999. Foi substituído por Cláudio Duarte, que não melhorou muito as coisas, já que o Grêmio acabou em 18º lugar entre 22 clubes, e só não esteve seriamente ameaçado de cair devido ao novo critério para determinar os rebaixados: pela média de pontos de 1998 e 1999, com a boa campanha no ano anterior aliviando a barra gremista enquanto dois clubes que ficaram à frente do Grêmio naquele campeonato, Gama e Paraná, caíram. (Se bem que em 2000 teríamos aquela sensacional virada de mesa…)

Mas nem tudo foi fracasso em 1999. Em abril, o Tricolor conquistou a primeira (e única) edição da Copa Sul, e em junho ganhou o título estadual, com Ronaldinho brilhando – e humilhando. O problema é que no segundo semestre, a cada entrevista após uma derrota, Guerreiro sempre dizia: “no primeiro semestre o Grêmio disputou três competições e ganhou duas” – um bordão semelhante às referências de Paulo Odone à Batalha dos Aflitos em 2011 e 2012. Irritava demais. Continuar lendo

Distintivo do Xavante nos órgãos públicos de Pelotas, JÁ!

Pense bem se isso não é justo.

Segundo uma imagem postada, se não me engano, pela Niara no Facebook, 80% da população de Pelotas torce pelo Brasil. Ou seja, é uma enorme proporção de xavantes na cidade.

Se a informação realmente é correta, não sei. Mas, se confirmada, é um bom argumento em favor de, por conta desta maioria esmagadora, os órgãos públicos municipais de Pelotas passarem a ter, em suas paredes, o distintivo do Xavante.

“Mas o Estado tem de ser neutro, não pode ter clube!”, dirá alguém, se achando o dono da razão. Ora, mas por que isso impede que a prefeitura de Pelotas, por exemplo, ostente o distintivo que representa a paixão de 80% da população do município?

Afinal, vários órgãos públicos têm crucifixos nas paredes mesmo que o Estado seja laico, ou seja, neutro em termos religiosos.

Como NÃO montar uma tabela de campeonato

Em novembro, comentei sobre a maluca ideia da FGF na época, de levar o Gre-Nal do primeiro turno do Gauchão para Boston, nos Estados Unidos. Felizmente a maluquice foi deixada de lado, e o clássico aconteceu no Estádio Olímpico Monumental, no último dia 5 (deixemos o resultado para lá, por favor).

Mas isso não quer dizer que a tabela do Gauchão tenha ficado uma beleza. Basta olhar para a última rodada deste primeiro turno, marcada para amanhã, para perceber a estupidez.

Primeiro pelo fato dela prever dois jogos envolvendo a dupla Gre-Nal em Forno Alegre, no mesmo horário (como manda o bom-senso em rodadas decisivas). O Inter joga contra o Pelotas no Beira-Rio, enquanto o Grêmio enfrenta o São José no Passo d’Areia. Embora a distância entre os dois estádios seja bem maior do que aquela que separa Olímpico e Beira-Rio, não deixa de ser absurdo marcar dois jogos da dupla Gre-Nal para o mesmo horário na mesma fornalha cidade. Ainda mais em um sábado de Carnaval: para que a Brigada Militar possa policiar os dois estádios onde a bola rola amanhã, mais o Sambódromo, foi necessário antecipar as partidas, originalmente previstas para as 17h.

O resultado é o horário para o qual estão marcados os jogos de amanhã: 16h20min. Pelo horário de verão… Ou seja, será 15h20min pelo sol. E está prevista temperatura máxima de 39°C para amanhã em Forno Alegre.

(Não que realizar os jogos às 17h fosse melhorar muito as coisas: foi antes de um jogo neste horário que o comentarista Batista desmaiou em 2010, quando a temperatura superou os 40°C. O ideal seria que as partidas ocorressem à noite, mas aí teríamos o problema relativo ao policiamento. Sem contar os interesses da televisão…)

Agora somem a isso o ingresso caro, o feriadão de Carnaval, e temos uma maneira perfeita de espantar o público dos estádios. E depois há quem reclame que o Gauchão “não é valorizado”; mas também, como valorizar um campeonato com esta “organização”?

572 dias

O título corresponde ao intervalo de tempo decorrido entre 13 de setembro de 2008 e 8 de abril de 2010. Por todo esse período, o Grêmio não soube o que era derrota jogando no Estádio Olímpico.

Há três fatos curiosos a serem destacados. A primeira, é que Alex Dias jogava naquele time do Goiás que bateu o Grêmio em 13 de setembro de 2008. E agora, é jogador do Pelotas.

A segunda é o placar. Em ambos os jogos, o Grêmio perdeu por 2 a 1, de virada.

A terceira, é o fato de eu não ter ido aos dois jogos. No mesmo horário da partida contra o Goiás em 2008 eu tinha a festa de aniversário da minha afilhada para ir. Já neste Grêmio x Pelotas, decidi não ir por raiva de terem marcado o jogo para as 21h50min (“horário de boate” para jogo de Gauchão, PQP).

Ao menos a minha invencibilidade continua. A última vez que deixei o Olímpico com derrota do Grêmio foi há pouco mais de dois anos: no dia 6 de abril de 2008, estive naquele jogo em que o Tricolor perdeu por 3 a 2 para o Juventude e foi eliminado do Gauchão.

Já sei de quem é a culpa da derrota então. Esqueçam o técnico ou o juiz, a culpa é minha! Podem me xingar nos comentários…