A vida é uma soma de insignificâncias

O avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Mas ao mesmo tempo é também o mais apavorante para muitas pessoas. Afinal de contas, por mais que as estatísticas nos mostrem que morrer em um acidente de carro a caminho do aeroporto é mais fácil do que na aeronave, também sabemos que um erro do piloto pode ser fatal – ou seja, sentimos que nossas vidas está nas mãos de outra pessoa. Quando viajamos de carro, temos a ilusão de que está tudo sob controle: sim, uma ilusão, pois mesmo tomando todos os cuidados necessários quando se dirige, um outro motorista pode estar bêbado ao volante e na próxima curva nos acertar em cheio, de frente, sem que tenhamos tempo suficiente para desviar.

Acredito que tenha sido mais ou menos assim que o papo com o Alexandre Haubrich, do Jornalismo B, tenha tomado a direção que tomou quinta-feira passada, no Parangolé. Resumindo: somos resultados de escolhas que nós mesmos e outras pessoas fazemos. E que, por mais insignificantes que sejam aparentemente, definem o que será de nossas vidas a curto, médio, ou longo prazo. Continuar lendo

As Copas que eu vi – Alemanha 2006

No final da tarde do dia 4 de setembro de 2005, me reuni com o meu amigo Diego Rodrigues para tomar cerveja e comer uns pastéis na pastelaria “República do Pastel”. O local, propriedade de um uruguaio, era ponto de encontro de orientales que vivem em Porto Alegre em dias de jogos da Celeste Olímpica. Caso daquele domingo, em que Uruguai e Colômbia se enfrentavam no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, que se disputaria na Alemanha.

Naquele momento, eu nem imaginava que, em menos de seis meses, estaria no local que via pela televisão. Conversávamos sobre desilusões amorosas, e foi quando eu disse que “o amor é regido pela Lei de Murphy”. O Diego gostou tanto do que falei, que parou um garçom, pediu uma caneta emprestada e anotou a frase em um guardanapo que guardou consigo até o início de 2010, quando me repassou o que é um verdadeiro documento histórico.

Outra coisa que eu não imaginava, era que o Uruguai acabaria ficando fora da Copa. A vitória por 3 a 2 naquele jogo contra a Colômbia foi fundamental para a Celeste chegar à repescagem contra a Austrália, treinada por Guus Hiddink. Na primeira partida, em Montevidéu, 1 a 0 para o Uruguai. Quatro dias depois, em Sydney, 1 a 0 para os australianos nos 90 minutos. Na prorrogação, não foram marcados gols, e assim a decisão foi para os pênaltis. E a vitória foi dos Socceroos por 4 a 2: a Austrália voltava à Copa do Mundo depois de 32 anos – a última (e única) participação fora em 1974, ironicamente também na Alemanha (embora fosse apenas a Ocidental). Continuar lendo