A possível volta de Ronaldinho ao Grêmio

Em 21 de dezembro de 2009, escrevi sobre uma ideia que era meramente especulação – o retorno de Ronaldinho ao Grêmio em 2011. E não é que isso pode se confirmar? (E, se realmente for confirmado, vou pedir meu registro profissional como VIDENTE, já que além dessa eu também acertei, domingo passado, que os últimos dias de Yeda no Piratini nos reservariam bizarrices.)

Também lembrei naquele texto do ano passado a maneira como se deu a saída de Ronaldinho, no início de 2001. Muitos torcedores não perdoam o craque por ter deixado o Grêmio “pela porta dos fundos”. Também achei “sacanagem” da parte dele (e de seu irmão e empresário, Assis). Mas não podemos esquecer que o maior culpado por aquilo se chama José Alberto Guerreiro, o presidente que mandou colocar uma faixa na entrada do Olímpico com os dizeres “Não vendemos craques”: ele praticamente deu Ronaldinho “de presente” ao Paris Saint-Germain, ao recusar propostas excelentes para “fazer média” com a torcida, e assim permitir que o jogador saísse praticamente de graça devido ao término de seu contrato.

Assim, não vou escrever muito sobre o assunto, considerando que já o fiz com um ano de antecipação. Apenas exprimirei minha opinião: se Ronaldinho estiver a fim de jogar (e terá de jogar mesmo, para reconquistar os corações mais resistentes a seu eventual retorno), e também se adequar à realidade brasileira (não podemos pagar salários astronômicos; sem contar que, se é para ele se reconciliar com o Grêmio, o ideal é que ele não se traduza em um rombo nos cofres tricolores), será muito bem-vindo. Não precisa ser o mesmo Ronaldinho que comia a bola no Barcelona: aquele de 1999 já me satisfaz.

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Ano passado eu já postei junto com o texto a enquete abaixo (assim, ninguém estranhe o fato dela não começar do zero):

Volta de Ronaldinho ao Grêmio?

Já se falou na mídia esportiva, faz algum tempo, sobre um possível retorno de Ronaldinho ao Grêmio – ideia defendida pelo Guga Türck em outubro de 2007. Tal fato se concretizaria em 2011.

Essa ideia, é óbvio, não é e jamais será unanimidade entre os gremistas, dada a maneira como se deu a saída de Ronaldinho, no início de 2001. O craque, que tantas vezes jurara “amor eterno” ao Grêmio, havia assinado em segredo um pré-contrato com o Paris Saint-Germain, para que pudesse deixar o Tricolor sem a necessidade dos franceses pagarem a multa rescisória do contrato, que estava por expirar. Poucos dias depois, entrava em vigor a Lei Pelé, que acabava com o “passe”, ou seja, Ronaldinho poderia acabar saindo de graça! No fim, o Grêmio recebeu uma merreca estipulada pela PIFA, a entidade que defende o dinheiro (principalmente dos europeus), não o futebol.

Em sua última partida disputada no Olímpico, Grêmio x Figueirense pela Copa Sul-Minas de 2001, Ronaldinho foi muito vaiado, marcou um golaço de falta mas mesmo assim as vaias continuaram, e ao deixar o gramado, levou uma chuva de moedas. Lembro que não o vaiei, apesar de estar furioso com o que estava acontecendo: ele vestia a camisa do Grêmio, e não iria vaiar um jogador do Grêmio.

Diferente do que aconteceu no último dia 12 de dezembro, no jogo de despedida do Danrlei: um dos que jogou foi Assis, irmão de Ronaldinho e seu empresário, que esteve por trás da negociação do craque com os franceses. Aí eu vaiei pra valer, assim como o Hélio Paz e mais milhares de gremistas presentes ao Olímpico.

Mas em conversa alguns dias depois, antes da gravação do Boteco Tricolor, o Guga Türck lembrou algo importante: e o ex-presidente José Alberto Guerreiro, não merece uma vaia também? Afinal, o dirigente foi extremamente incompetente para manter o craque – ou para fazer com que ele rendesse grana para o Grêmio. Quando Ronaldinho começou a chamar a atenção do mundo, em 1999, Guerreiro mandou colocar uma faixa na entrada do Olímpico com os dizeres “não vendemos craques”.

Promessa feita, promessa cumprida: deu Ronaldinho de presente aos franceses… O craque carregara nas costas não só o time horrível de 1999, como o “supertime” (uma bela piada!) da ISL de 2000, sem ganhar metade do salário astronômico que recebiam “medalhões” como Paulo Nunes (nem sombra do grande jogador que fora no Grêmio de 1995-1997), Astrada e Amato. Óbvio que Ronaldinho se sentiu desvalorizado: era o principal jogador do time, e ganhava pouco em comparação a “reservas de luxo”.

Isso não diminui o caráter de “sacanagem” do que ele fez. Ronaldinho poderia ter dito abertamente que tinha uma proposta para sair do Grêmio, e que pretendia fazê-lo por se sentir desvalorizado no clube mesmo sendo o principal jogador. Mas ainda assim, considero Guerreiro como o principal culpado pela forma como o craque deixou o Olímpico. Inclusive, para “fazer média” com a torcida, o então presidente recusou propostas excelentes: Ronaldinho poderia ter rendido uma bela grana ao Grêmio se saísse antes.

Se Ronaldinho voltar ao Grêmio e for o mesmo jogador que deitou e rolou no Barcelona até 2006, será um reforço e tanto para o Tricolor – só precisará vencer a resistência de muitos gremistas. Agora, se for para jogar sem a menor vontade, que nem venha.

Mas, e o que o torcedor gremista acha de um possível retorno de Ronaldinho, dez anos depois?

Ronaldinho e Flávio Obino: o que eles têm em comum?

Resposta: são vilões para os gremistas, mas nem tanto.

Ronaldinho deixou o Grêmio no início de 2001. Sua saída foi extremamente controversa: após inúmeras juras de amor ao clube, o craque acertara-se em segredo com o Paris Saint-Germain, acordo intermediado por seu irmão e empresário, Roberto Assis. Em sua última partida disputada no Olímpico (Grêmio x Figueirense, pela Copa Sul-Minas), Ronaldinho marcou um belo gol de falta, mas ainda assim foi vaiado, e deixou o campo sob uma chuva de moedas.

Já Flávio Obino presidiu o Grêmio no “biênio da desgraça”, que foram os anos de 2003 e 2004. Foi indicado para a presidência e eleito por aclamação, sem ninguém para lhe fazer oposição, com exceção do ex-presidente Hélio Dourado – que em 2004 aceitaria a convocação de Obino para tentar salvar o futebol gremista. Após o Grêmio escapar do rebaixamento em 2003, Paulo Sant’ana chegou a recomendar “um pé atrás” aos gremistas, pois o Obino não deixaria escapar em 2004 a nova chance de rebaixar o Grêmio à Série B. Dito e feito. E ainda bem que foi só em 2004, quando o Obino saía. Pois se o Grêmio caísse para a Série B em 2003, em 2004 teria despencado para a C. Obino é conhecido por ser muito azarado: já fora presidente do Grêmio no início da década de 1970, quando o Inter começou a empilhar títulos.

Mas eu disse que tanto o Ronaldinho como o Obino são vilões, mas nem tanto. Pois o vilão maior da história foi absolvido pelo Conselho Deliberativo do Grêmio ontem à noite: o ex-presidente José Alberto Guerreiro (1999-2002).

No final de 1999, Guerreiro anunciou o acordo entre o Grêmio e a multinacional suíça ISL. Com o dinheiro dos suíços, o Tricolor deveria contratar grandes jogadores e montar um timaço. Vieram os argentinos Amato e Astrada, retornou o atacante Paulo Nunes, e para comandar o time, chegou o experiente Zinho, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1994. Todos com salários altíssimos. Destes, o único que foi bem (e continuou no Grêmio até 2002) foi Zinho. Os outros, em 2001 já se encontravam em outras bandas, após esquentarem o banco de reservas. E vale lembrar que em 2000 o Grêmio não ganhou absolutamente nada, inclusive perdeu o Campeonato Gaúcho para o Caxias.

Enquanto isso, Ronaldinho levava o time nas costas e não ganhava nem metade do salário de Paulo Nunes, Amato e Astrada. Enquanto jurava amor ao Grêmio, Ronaldinho pensava no lado profissional: era o maior “especialista” na equipe e recebia um salário mais baixo do que os “medalhões”. Com tantas propostas para ir jogar na Europa, mais cedo ou mais tarde ele acabaria cedendo, ainda mais que seu contrato com o Grêmio encerraria em fevereiro de 2001 e dali em diante ele estaria liberado para procurar outro clube, caso não renovasse – o que aconteceu. Após quase um ano de batalha jurídica, Ronaldinho foi jogar no Paris Saint-Germain, e o Grêmio recebeu uma mixaria, valor determinado pela FIFA. Tudo porque em 1999 Guerreiro colocou uma faixa no portão do Olímpico dizendo “não vendemos craques” mas nada fez para que Ronaldinho quisesse ficar no Grêmio, assim como não aceitou nenhuma boa proposta pelo jogador – lembro que houve um clube que ofereceu não sei quantos milhões mais o mexicano Luiz Hernandez (aquele cabeludo que adorava fazer gol na Seleção Brasileira) e Guerreiro recusou!

Quanto ao Obino, ele é um dos principais responsáveis pelo rebaixamento do Grêmio à Série B, em 2004. Mostrou-se extremamente incompetente para salvar o clube, e quando a coisa ficava feia, esquivava-se com besteiras do tipo “o Grêmio tem o melhor site do Brasil”. Mas é preciso lembrar que assumiu o Grêmio em uma situação financeira terrível, devendo para todo mundo. Graças às dívidas deixadas por Guerreiro: o acordo com a ISL melou com a falência da empresa no início de 2001 (junto com a saída do Ronaldinho, que coincidência!), mas Guerreiro manteve alguns jogadores com vencimentos astronômicos, caso de Zinho: ele foi bem pelo Grêmio, mas seu salário estava fora da realidade do futebol brasileiro. Não tinha como o Obino fazer muito com os cofres vazios. Contratou muita bosta, é claro: jogadores como Fábio Bilica, Capone, Luciano Ratinho, Tavarelli e Rico jamais deveriam ter vestido a camisa do Grêmio – muitos deles fazem parte da “seleção dos pesadelos” gremista. Mas com o dinheiro que tinha, era difícil conseguir algo melhor.

Ainda tem o esquema do sumiço dos cheques da ISL enviados para cobrir despesas do Grêmio. O dinheiro jamais chegou aos cofres tricolores. Onde será que foi parar?

E absolveram o Guerreiro. Mesmo com toda a sujeira que ele fez no Grêmio. Arquivaram o relatório do Conselho de Ética que pedia a expulsão do ex-presidente do Quadro Social. Uma vergonha com anuência de Fábio Koff.