A velha história da “indústria da multa”

Paulo Sant’Ana se superou em sua coluna de hoje na Zero Hora. O texto, com o título “A multa espúria”, defende abertamente a impunidade no trânsito (embora não use tal palavra). Afinal, o colunista reclama da instalação de novos “pardais” em Porto Alegre, e pior ainda, de que motoristas teriam sido multados por fazerem conversões sem sinalizarem antes.

Ora, se realmente a EPTC multou os que não deram o “pisca-pisca” antes de fazerem conversões, isso deve ser comemorado, e não criticado. Pois quem anda a pé sabe o suplício que é atravessar a rua em esquinas, sem saber se aquele carro que se aproxima sem sinalizar irá ou não dobrar.

Sant’Ana diz que o motorista pode “esquecer de sinalizar”. Sim, realmente ele pode esquecer. Mas depois de ser multado por isso, certamente irá lembrar sempre do “pisca-pisca”… A lei é clara: antes de converter, é obrigatório sinalizar, para alertar tanto os pedestres como os outros motoristas.

E quanto aos “pardais”, para não ser multado por eles nem é preciso “memória”: basta prestar atenção nas placas que indicam o limite de velocidade da via, e se o camarada “esquece” delas (distraído no volante, perigo constante!) ou não as enxerga porque são “pequenas demais” (se for teu caso, procura um oculista com urgência), há aquela bem grandinha que diz FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA, sempre com a indicação da velocidade máxima permitida. Como pela lei é obrigatória a instalação das placas indicativas dos “pardais”, podemos dizer que ela é benéfica aos maus motoristas, e mesmo com isso alguns “gênios” conseguem a façanha de serem multados.

Mas, é claro, ainda assim os “cidadãos de bem” reclamam. É aquela velha história da “indústria da multa” (detonada aqui, e também pelo Vinicius Duarte), o absurdo que obriga o cidadão habilitado a dirigir carros a fazê-lo de forma correta, respeitando as leis de trânsito, sem pôr em risco a integridade física de pedestres e outros motoristas, além da dele mesmo.

E a “grande mídia” obviamente os defende (afinal, eles são seus consumidores). O que também agrada às montadoras de automóveis que anunciam em tais veículos midiáticos: quanto mais vantagens para os carros, melhor para elas. E o pedestre, claro, que se exploda.

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“Indústria da multa” é o c******!

Tem umas figurinhas que adoram criticar a fiscalização de trânsito. Dizem que os “pardais” são “arrecadadores”, e que bom mesmo é a “lombada eletrônica”, pois ela “não é feita para punir, e sim para educar” (lembro de uma vez ter ouvido um de nossos “deformadores de opinião” dizer isso na televisão!).

Sinceramente, não sei o que leva alguém a achar que quem dirige um carro “tem de ser educado” (a não ser “solidariedade”). Pois para tirar a carteira, é preciso não só fazer aulas práticas (e prova), como também teóricas (também com prova). Nestas, recebemos noções de como funciona o carro, e também… Das leis de trânsito!!! O motorista que não sabe isso e “precisa ser educado”, convenhamos, só pode ter comprado a carteira…

“Lombada eletrônica” não é feita “para educar”, e sim, para forçar os motoristas a reduzirem a velocidade em um ponto de uma via cujo limite de velocidade é superior (em avenidas onde a máxima é de 60km/h, geralmente se deve reduzir a 40km/h), como acontecia com o velho “quebra-molas”. Tanto que é sempre bem visível, para que ninguém possa reclamar de ser multado “injustamente”.

Já o “pardal” serve para fiscalizar e punir os infratores. A velocidade máxima pela qual se deve passar por um é sempre o limite da via – NUNCA é preciso reduzir (claro, quando se cumpre a lei). Tanto que acho um absurdo haver placas indicando a presença de “pardais” em determinados pontos, pois o mau motorista, que não respeita o limite de velocidade, sabe onde será multado se não cumprir a lei. (E não sei como é que tem gente que consegue ser multada por “pardais” com tanta placa indicando onde eles estão.)

A propósito, é absurdo também que se publique em jornais os locais onde se posicionam os radares móveis e os dias em que eles estão em cada ponto – é outra maneira dos maus motoristas escaparem da devida punição que merecem. (E ainda assim alguns deles conseguem a façanha de serem multados!)

Quem cumpre as leis de trânsito jamais será vítima da “indústria da multa”. E se eventualmente precisa correr para levar alguém ao hospital, pelo que sei as multas podem ser abonadas com a apresentação de um comprovante.

Já quem leva multa por correr feito louco (na maioria das vezes, podre de bêbado) e ainda reclama, é gente que acredita estar acima das leis – mas não hesita em clamar por punições severas a “ladrões de galinha”, podem reparar. Multa neles!