¡VAMOS URUGUAY!

Já escrevi sobre meu pouco (para não dizer “nenhum”) entusiasmo pela Seleção Brasileira, e alguns de seus motivos. Eu torço bastante pelo Brasil em outros esportes (em 2004, para terem uma ideia, eu sentia vontade de pular para dentro da televisão e encher de porrada aquele padre que empurrou Vanderlei Cordeiro de Lima para fora da maratona dos Jogos de Atenas). Se é para falar de futebol, acho que a Seleção Feminina, cujas craques não tem nenhum apoio por parte da CBF, merecem muito mais nossos aplausos do que o time que hoje perdeu para a Holanda (e mesmo que tivesse ganho).

Talvez muitos achem que eu estava torcendo “por causa do Dunga”. Na verdade, estava indiferente, torcia mesmo só para que o técnico xingasse mais aqueles caras da Globo. Ainda mais que eles merecem mesmo, e “cagão” é pouco, diante do absoluto desrespeito com que as reportagens feitas pela empresa tratam países como o nosso vizinho Paraguai e também a Coreia do Norte (uma coisa é discordar do regime político norte-coreano – inclusive eu discordo – mas isso é bem diferente de achincalhar seu povo em rede nacional). Queria ver como muitos dos que devem ter achado graça reagiriam se matérias preconceituosas como essas fossem feitas por uma emissora estadunidense sobre o Brasil.

Cerca de dois meses atrás, em uma entrevista ao programa Roda Viva, o ex-jogador e agora comentarista Paulo Roberto Falcão disse que o povo brasileiro, quando fala de futebol (masculino, claro), torna-se extremamente arrogante, e é a mais pura verdade. Nos outros esportes, se não somos propriamente humildes (como no caso do vôlei, em que somos realmente muito fortes), ao menos não nos sentimos “os tais”. Respeitamos os adversários, que têm seus méritos, suas qualidades, não ganham apenas “porque o Brasil jogou mal” ou “porque o técnico brasileiro é burro”.

Essa arrogância toda apenas me faz sentir menos entusiasmo pela Seleção. Não digo que eu seque o time, mas apenas não torço. Até grito nos gols, mais pela farra do que por convicção.

Gritar, comemorar de verdade, e com convicção, foi o que eu fiz horas após Holanda x Brasil: Uruguai nas semifinais depois de 40 anos! Tá certo que também com uma pontinha de lamento pela (má) sorte que teve Gana: se Asamoah Gyan tivesse convertido aquele pênalti e levado uma seleção africana pela primeira vez às semifinais da Copa do Mundo, eu não ficaria triste. O problema para Gyan foi o nervosismo: imaginem o estado emocional dele naquele momento em que a esperança da África inteira estava em seus pés? É muita pressão.

Mas, qualquer que fosse o resultado, teria valido a pena. Ainda mais que Uruguai x Gana foi um JOGAÇO, daqueles dignos de serem lembrados para sempre.

E agora, claro, a festa em Montevidéu…

E também na fronteira com o Brasil, Chuy/Chuí:

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Interessantíssima Copa

Terminada a primeira fase da Copa do Mundo, percebi alguns fatos interessantes com base na lista das 16 seleções classificadas para as oitavas-de-final.

Como a decepção da África. Afinal, com a Copa sendo realizada pela primeira vez no continente, esperava mais das seleções africanas. Mas quase que nenhuma delas passa: a única a se classificar foi Gana, e foi por pouco, visto que a Sérvia quase buscou o empate em 2 a 2 contra a Austrália, resultado que eliminaria os ganeses e levaria os sérvios às oitavas-de-final. Sem contar a África do Sul, que mesmo tendo um time muito fraco, jogava em casa e foi eliminada: nunca um anfitrião de Copa havia parado na primeira fase. Até mesmo os Estados Unidos, em 1994, chegaram às oitavas.

Aliás, que evolução tiveram os Estados Unidos! Já falei de 1994. Em 2002, eles foram “zebra”, indo até as quartas. Já em 2010, ficaram com justiça em 1º lugar num grupo que tinha a Inglaterra como favorita. E acredito que chegam pelo menos até as quartas.

Se a África decepcionou, a Ásia tem um ótimo desempenho, com duas seleções (Coreia do Sul e Japão) nas oitavas-de-final, repetindo o feito de 2002 (quando ambas as seleções jogavam em casa – e a Coreia foi até as semifinais). A propósito, a classificação japonesa foi merecidíssima: pensar que em meu primeiro prognóstico para a Copa, feito logo que saíram os grupos, apontei que no grupo E a única certeza seria a eliminação do Japão…

Também vai muito bem a América Latina. O México mais uma vez vai às oitavas – mas para, provável e infelizmente, já cair fora. Tudo porque terá pela frente a Argentina, que vem jogando o melhor futebol da Copa. Os demais sul-americanos também estão nas oitavas, com o continente tendo seu melhor desempenho desde quando passou a ter direito a cinco representantes (na verdade são “quatro e meio”, já que uma das vagas é disputada em repescagem contra outra confederação): todas as seleções da América do Sul passaram da primeira fase. Nas quartas, teremos no máximo quatro, já que Brasil e Chile se enfrentam nas oitavas, mas é certo que um sul-americano já está lá.

Em compensação, a Europa tem um de seus piores desempenhos, com apenas seis seleções nas oitavas-de-final (para se ter uma ideia, em 2006 tal número correspondia aos europeus nas quartas-de-final; em 1994, sete europeus estavam entre os oito melhores). E eles já vão “se matar”, restando apenas três para as quartas. Assim, já é certo que não teremos uma “Eurocopa” nas semifinais, como aconteceu em 2006.

E não nos surpreendamos se, pela primeira vez na história das Copas, não tivermos nenhuma seleção europeia entre as quatro melhores, e também se as semifinais forem uma “Copa América”.

As Copas que eu vi – Alemanha 2006

No final da tarde do dia 4 de setembro de 2005, me reuni com o meu amigo Diego Rodrigues para tomar cerveja e comer uns pastéis na pastelaria “República do Pastel”. O local, propriedade de um uruguaio, era ponto de encontro de orientales que vivem em Porto Alegre em dias de jogos da Celeste Olímpica. Caso daquele domingo, em que Uruguai e Colômbia se enfrentavam no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, que se disputaria na Alemanha.

Naquele momento, eu nem imaginava que, em menos de seis meses, estaria no local que via pela televisão. Conversávamos sobre desilusões amorosas, e foi quando eu disse que “o amor é regido pela Lei de Murphy”. O Diego gostou tanto do que falei, que parou um garçom, pediu uma caneta emprestada e anotou a frase em um guardanapo que guardou consigo até o início de 2010, quando me repassou o que é um verdadeiro documento histórico.

Outra coisa que eu não imaginava, era que o Uruguai acabaria ficando fora da Copa. A vitória por 3 a 2 naquele jogo contra a Colômbia foi fundamental para a Celeste chegar à repescagem contra a Austrália, treinada por Guus Hiddink. Na primeira partida, em Montevidéu, 1 a 0 para o Uruguai. Quatro dias depois, em Sydney, 1 a 0 para os australianos nos 90 minutos. Na prorrogação, não foram marcados gols, e assim a decisão foi para os pênaltis. E a vitória foi dos Socceroos por 4 a 2: a Austrália voltava à Copa do Mundo depois de 32 anos – a última (e única) participação fora em 1974, ironicamente também na Alemanha (embora fosse apenas a Ocidental). Continuar lendo

A força do Grêmio é brasileira

Esses dias, li no Grêmio Pegador uma interessante opinião acerca do comportamento de parte da torcida do Grêmio durante a execução do Hino Nacional, antes do jogo contra o Avaí no Olímpico, no último dia 14.

Algumas coisas são mais difíceis de entender no comportamento dos gremistas mais jovens. Além das injustas famas de nazistas, elitistas, racistas e marginais que já temos, parece que agora queremos também a fama de separatistas. Qual a razão de cantar o Hino Riograndense durante a execução do Hino Nacional? Mais absurdo ainda isso fica quando durante a execução do ‘nosso Hino’, a torcida canta qualquer outra coisa. Por quê? Não consegui entender ainda. A faixa onde se lê a inscrição ‘República Riograndense’ também é algo que vem me preocupando. Qualquer gaúcho tem o direito de querer ser o que quiser, até mesmo de querer ser independente do Brasil, mas a colocação daquela faixa ali naquele lugar, dentro da casa do Grêmio, com as cores do Grêmio, deixa muito clara a imagem de que esse não é apenas um pensamento dos torcedores, mas também do clube. E eu sei que o Grêmio não pensa assim.

Isso é algo que também vem me preocupando. E vai muito além da questão política e mesmo constitucional (o Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 veta qualquer possibilidade de secessão ao estabelecer a República Federativa do Brasil como “formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”). Falta é mais conhecimento para o pessoal, até mesmo da própria história do Grêmio (e do time atual mesmo: quantos titulares nasceram no Rio Grande do Sul?).

Engana-se quem pensa que somos “muito diferentes do Brasil”. Basta uma rápida examinada no mapa: como poderia um país tão grande ter, em toda a parte, as mesmas características? Ou alguém acha que, por exemplo, catarinenses e amapaenses são exatamente iguais?

Aliás, mesmo dentro do Rio Grande do Sul, são todos tão “iguais” assim? A famosa divisão entre sul e norte, por acaso é ficção? Acredito que não, visto que não raro aparece alguém propondo a realização de plebiscito para transformar o sul do Rio Grande em um novo Estado.

O que o Brasil tem de melhor é justamente a sua grande diversidade. A possibilidade de interação entre pessoas diferentes, de culturas e lugares tão variados, sem nenhuma fronteira para atrapalhar. Não são muitos os países onde isso é possível. (E pergunto aos que pregam a separação, se gostariam de precisar passar por uma aduana sempre que quisessem ir a Santa Catarina ou ao Nordeste no verão. Pois parece que achariam bom…)

E mesmo com tantas diferenças, temos muitas coisas em comum – que vão além da língua portuguesa e do gosto pelo futebol (que nem é exclusividade brasileira). Dizem que o símbolo maior de nacionalidade no Brasil é a Seleção, mas eu discordo totalmente: em agosto de 1998, passei uma semana no Uruguai (era a primeira vez que viajava para o exterior) e na volta, estava sedento por feijão, prato que não comi nem vi no país vizinho – e tive então verdadeira consciência de minha brasilidade. Afinal, há alguma comida mais brasileira do que feijão? E uma boa feijoada então?

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Quanto ao que falei sobre o Grêmio e sua força: lembremos aquele timaço de 1995, campeão da Libertadores. Dos onze titulares, apenas quatro eram do Rio Grande do Sul: Danrlei, Roger, Arílson e Carlos Miguel.

Além dos paraguaios Arce e Rivarola, havia cinco brasileiros de fora do Rio Grande do Sul em campo: Adílson (paranaense), Dinho (sergipano), Luís Carlos Goiano (preciso dizer de onde ele é?), Paulo Nunes (goiano) e Jardel (cearense). Como só se pode escalar três estrangeiros, dos sete que são de “outros países”, quais os três que os “separatistas” escolheriam?

As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo

Pato ou Nilmar???

Tá, não precisam me avisar que o jogo já passou!

Mas foi impressionante ver o quanto se falou na “grande mídia”, nos últimos dias, sobre o ataque da Seleção. Pato ou Nilmar??? Até parecia que não havia mais nada de importante.

Literalmente, caiu do céu para a “grande mídia” a expulsão do Luís Fabiano contra o Uruguai. Afinal, a lógica dizia que o Brasil não venceria, já que há muitos anos não ganhava do Uruguai no Centenário: assim, haveria vários motivos para malhar o Dunga.

Aí vieram aqueles 4 a 0, autêntico Centenariazo (acredito que o Uruguai ficará fora da Copa – o que lamento muito, visto que torço bastante pela Celeste Olímpica – e que a desclassificação começou para valer no último sábado). Mas os jornalistas esportivos não podiam ficar sem assunto para comentar. Como ficaria estranho atacar o Dunga após uma goleada da Seleção, e que ainda por cima havia quebrado um tabu, acharam o que falar: como o Luís Fabiano não poderia jogar contra o Paraguai, que se debatesse “Pato ou Nilmar”.

E podem ter certeza: se o Nilmar, titular na partida, não fosse bem… Aí as críticas ao Dunga voltariam: “POR QUE NÃO ESCALOU O PATO???”.

Seminário sobre Operação Condor

Começam nesta segunda-feira as inscrições para o curso de extensão Operação Condor: a conexão repressiva no Cone Sul, promovido em conjunto pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS) e pelo Grupo de Trabalho “Fronteiras Americanas” do Departamento de História da UFRGS. As inscrições, a um custo de R$ 10, serão feitas no APERS (Rua Riachuelo, 1031 – Centro – Porto Alegre). São oferecidas 60 vagas.

Para obtenção de certificado de participação (20 horas), é preciso ter no mínimo 75% de freqüência às palestras, que serão realizadas nos dias 7, 14, 21 e 28 de junho (sábados), das 9 às 13 horas, no APERS.