Para onde foi toda esta papelada?

Fui votar por volta do meio-dia, por acreditar que teria menos gente em horário de almoço. Mero engano… Minha seção tinha uma fila que lembrava muito o trânsito de Porto Alegre: não andava. E assim, além de esperar muito, também passei bastante calor, pois não corria sequer um ventinho.

Quando me dirigia à seção eleitoral, reparei na grande quantidade de santinhos atirados na rua. E assim como fiz em 2010, decidi fotografar.

O calorão que fazia na hora que fui votar só podia indicar uma coisa: chuva. Pois bem: já choveu à tarde em Porto Alegre, e ainda deve vir mais água. E essa papelada toda, que poderia muito bem ser reciclada, já está na rede de esgoto pluvial ou entupindo bueiros (leia-se “contribuindo para alagar a cidade”).

Mas também é bom não esquecer de uma coisa: cuidado para não culpar só os candidatos. De nada adianta o eleitor pegar um santinho e jogar no chão, contribuindo com a sujeirada (sim, isso acontece muito).

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O Brasil não precisa disso

Depois da bolinha de papel, agora há um rolo de fita adesiva. O vídeo que um jornalista da Folha de São Paulo gravou com seu celular, exibido pela Globo e analisado por um perito (cuja especialidade é áudio), deixa bem claro: José Serra foi agredido duas vezes. (Sim, seja bolinha de papel, fita adesiva ou simples palavrões, agressão é agressão e isso deve ser repudiado.)

Não mudo minhas afirmações de ontem: a atitude dos militantes petistas de protestarem contra Serra foi extremamente burra, por ser óbvio que isso resultaria em confusão, já que o tucano estava acompanhado de muitos apoiadores. Assim como continuo a considerar a própria campanha de Serra como responsável pelo clima de intolerância no atual processo eleitoral. Foram eles que começaram toda a baixaria com as correntes, as fichas falsas de Dilma, os trolls (muitas vezes, pagos para tumultuar os debates na blogosfera de esquerda) etc.

Resta torcer para que, sendo derrotado, o PSDB reveja sua maneira de fazer campanha. Pois o Brasil não precisa de ódio na política, como aconteceu em tempos tão sombrios (e nem tão distantes) de sua História.

Sujeirada eleitoral

Próximo à minha seção eleitoral, muitos e muitos “santinhos” emporcalhavam a rua. E o pior é que nem adianta instituir punição aos candidatos dos quais a papelada faz propaganda: aí seria capaz dos adversários espalharem a sujeirada…

Deserto verde

Ontem, 21 de setembro, foi o Dia Internacional de Combate às Monoculturas de Árvores. Aqui no Rio Grande do Sul, o plantio de vastas áreas com eucaliptos é alardeado pela mídia como a salvação da economia do Estado.

O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália. Consegue sobreviver com pouca água, devido ao clima seco predominante naquele país. Por isso, em regiões mais úmidas, como o sul do Brasil e a região do Prata, tal árvore cresce muito rapidamente (o que faz da monocultura do eucalipto uma atividade extremamente lucrativa em pouco tempo e com pouca mão-de-obra), devido à água em abundância no solo. Porém, ela cobra um preço: consome toda a água do solo, fazendo nascentes secarem, o que já acontece no Uruguai.

Tudo isso para que tenhamos papel. A indústria papeleira é uma das mais agressivas ao meio ambiente. Não é a toa que a instalação de fábricas de celulose na margem uruguaia do Rio Uruguai, fronteira com a Argentina, provocou fortes reações até mesmo do governo argentino.

Sem contar toda a destruição de matas nativas para o plantio de eucaliptos. Troca-se uma árvore adaptada ao meio por uma que suga toda a água do solo.

O que podemos fazer diante disso? O mínimo, é consumir menos papel. Imprimir textos apenas se necessário. Se possível, usar papel reciclado, apesar dele ser caro – o papel comum, produzido em escala industrial, é muito mais barato.

Veja os vídeos abaixo. Os dois primeiros, são um documentário (em espanhol) do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (que lembra: boa parte do papel consumido no mundo é usado como folderes comerciais, ou seja, muito rapidamente vira lixo). E o terceiro, é uma campanha muito bem bolada da organização sul-africana Food & Trees for Africa.