Nada de novo

Pelo contrário, tudo muito velho neste começo de 2021 – e nem dava para esperar algo diferente.

A pandemia, obviamente, não respeita calendário, seguindo firme e (ainda mais) forte. Ali pelo meio de janeiro veremos os resultados das aglomerações durante as festas de final de ano.

Em Porto Alegre, temos um novo velho governo. Sebastião Melo, vice-prefeito no segundo mandato de José Fortunati, assumiu a prefeitura na sexta-feira e hoje já decretou uma irresponsável flexibilização que também ajudará a abreviar muitas vidas. Parecia difícil imaginar que um dia eu sentiria saudades de ver Nelson Marchezan Júnior no Paço Municipal, e mais incrível que isso se dê menos de uma semana após ele transmitir o cargo.

Nada de novo também no tocante ao pouco caso de muitas pessoas sobre o que é racismo e como ele passa desapercebido. Como vemos no hino do Rio Grande do Sul, com aquele famoso trecho sobre o destino de “povos sem virtude”. Discussão que ocorre justo quando a Austrália alterou a letra de seu hino nacional por conta de um verso que desconsiderava os indígenas – que chegaram àquelas terras milhares de anos antes do primeiro europeu pôr seus pés lá.

Dizem que Francisco Pinto da Fontoura, autor da letra do Hino Rio-Grandense, não se referiu aos negros quando escreveu “acaba por ser escravo”, mas sim aos rio-grandenses em relação ao Império do Brasil. Da mesma forma que Peter Dodds McCormick (que escreveu os versos do hino nacional australiano) provavelmente nem pensou que suas palavras desconsiderariam os indígenas – até porque eles sequer eram considerados como pessoas pelos censos da Austrália antes da década de 1960. Assim como August Heinrich Hoffmann von Fallersleben nem se preocupou que seu “Alemanha acima de tudo” pudesse ser associado ao nazismo, já que ele escreveu a letra da canção que se tornaria o hino nacional alemão quase meio século antes do nascimento de Adolf Hitler. E ainda há gremista que jure de pés juntos que o uso do termo “macaco” para se referir aos colorados é porque eles “eram imitões”, e não porque nosso rival abriu antes suas portas aos negros. (Sim, reconhecer isso não me faz menos gremista.)

Só que os tempos mudam. E certas coisas não cabem mais neles.

Eram negros os escravizados nos tempos em a letra que o Hino Rio-Grandense foi escrita – e a então província foi reintegrada ao Império do Brasil, não sem antes entregar “de presente” os Lanceiros Negros, tirando-lhes as armas que precisariam para a defesa. Ao contrário do que era cantado com sentido patriótico até 31 de dezembro de 2020 na Austrália, ela não foi descoberta no Século XVIII como diz sua “história oficial”, pois já era habitada mais de 60 mil anos antes da chegada dos europeus. Depois dos horrores perpetrados pelos nazistas, tornou-se inaceitável que os alemães cantassem em coro um verso que colocasse seu país “acima de tudo” mesmo que ele tivesse sido escrito um século antes. E, sinceramente, acho que a torcida do Grêmio fica bem mais legal incentivando o time ao invés de ficar falando do Internacional de forma escrota.

Só não mudam as pessoas que preferem manter suas cabeças fechadas. Assim como as que põem o lucro acima da vida e que agora estão, infelizmente, com mais poder em Porto Alegre.

Até o SARS-CoV-2 muda. Inclusive, sua famosa variante mais transmissível já está no Brasil.


Para alterar aquele verso do Hino Rio-Grandense, vi no Facebook uma sugestão que embora mude um pouco a rima, mantém a mesma vocalização:

Povo que não tem virtude, adora o Bolsonaro.

Enfim, acabando

Capa da revista Time, 14/12/2020

Já falei muitas vezes de como ultimamente a virada do ano tem significado para mim apenas o momento de fazer um balanço do que se passou e pensar no futuro, sem acreditar que tudo mudará magicamente no momento em que o 31 de dezembro vira 1º de janeiro. Então, não me estenderei falando disso.

Nem preciso também falar muito sobre o que foi 2020 – a capa da Time resume tudo. Para alguns ele pode ter sido especial por acontecimentos particulares, mas a verdade é que, de modo geral, foi realmente péssimo. A esmagadora maioria das pessoas vivas de agora provavelmente nunca passou por um ano tão ruim.

O motivo é óbvio: a pandemia, que causou tantas mortes e trancafiou em casa as pessoas sensatas, privando-as de vida social, de abraços, de trabalho… 2020 me dá como único motivo de comemoração o fato de chegar vivo ao seu final, o que é muito pouco – por essa lógica todos os anos desde 1981 são dignos de celebração.

No Brasil ainda tivemos o agravante chamado Jair Bolsonaro, principal responsável pela tragédia que vivemos e por ainda não termos ideia de quando começará a vacinação por aqui. Mas a população também não ajuda, aglomerando em plena pandemia: mandei à merda todo mundo que veio com papo “good vibes” de “agradecer aos ensinamentos deste ano que acaba”, mas é fato que em 2020 eu aprendi que uma imensa quantidade de pessoas é simplesmente babaca e não vale a pena fazer um esforço sequer por gente assim.

Mas chega de me estender, pois o ano que é velho desde março merece ouvir uma “homenagem” vinda da Itália*. Vaffanculo 2020!

(Aqui, o vídeo com legendas em português, que foi postado com restrição de idade e só pode ser assistido diretamente no YouTube.)

Não nutro lá muitas esperanças de que o próximo ano será bom. Ainda que haja vacina, muitos milhões de pessoas empobrecerão bastante por conta do estrago na economia causado pela pandemia. Mas, se 2021 for péssimo, já será melhor que 2020 sem sombra de dúvidas.


* Em março a mesma galera que agora aglomera como se não houvesse amanhã fazia posts solidários ao sofrimento italiano… Enfim, a hipocrisia.

A volta do “ranço”

Nunca fui muito fã de “baladas”. Quando adolescente, não ia só para ser “do contra”: todos os colegas iam e na segunda-feira só falavam das “festas” do final de semana. Já eu respondia que não via sentido em ir a “festas” que não comemoravam nada – uma vez escrevi isso EM INGLÊS, em um trabalho solicitado pela professora.

Só fiz minha “estreia” na “night” aos 18 anos. Apresentando minha identidade verdadeira – ao contrário do que sei que UMA GALERA faz, falsificando RG para poder entrar em “balada”. E de cara me decepcionei: “como assim não dá para ir de bermuda?”, visto que era VERÃO e diziam que eu estava indo ME DIVERTIR. Meus amigos disseram que era a primeira vez que eu ia e não sabia que tinha de usar calça comprida, e assim consegui entrar.

Por algum tempo frequentei tais ambientes. Passando calor para “me divertir”. Até que um dia enchi o saco e passei a recusar os convites para ir. E quando entrei no Orkut e descobri que existia uma comunidade chamada “Odeio baladas”… Passei a não só odiar, como também a julgar quem gostava.

Passou um tempo e entendi que era uma atitude muito idiota ficar falando mal de quem gostava de “balada”. Afinal, as pessoas tinham direito a ser felizes com seus gostos.

Até vir a pandemia da covid-19.

Hoje não consigo deixar de julgar quem, em meio à atual tragédia que vivemos atualmente, não vê o menor problema em ir para sua “festa que não comemora nada”. Impossível não sentir NOJO de quem vai para a “balada” enquanto muitas famílias brasileiras choram a perda de pessoas queridas para a covid.

Voltei ao “ranço” quanto a “balada”. Afinal de contas, qual é o sentido dessa merda?

A semana mais digna do ano

O período do Natal ao Ano Novo é uma época que parece ser “parada”. Já ocorreram eventos importantes de 25 a 31 de dezembro, mas na prática todo mundo já está com a cabeça no que virá depois disso.

Este ano de 2020 é, desde a metade de março, uma grande “semana final” – pelo menos para pessoas responsáveis. É uma mera espera pelo que virá depois, ainda que não seja possível ter ideia de quando será realmente; certo é que a pandemia não acaba com o ano e sabe-se lá quando teremos vacina no Brasil.

No meu caso, a reta final tem um vazamento na minha área de serviço, vindo “de cima”, só não se sabe exatamente de qual apartamento. Pelo odor, esgoto.

Um saco, mais uma coisa para me estressar, mas bastante condizente com a bela bosta que foi o ano de 2020.

O pior Natal de todos

Não vou repetir por aqui meu desgosto pelo Natal – tem uma penca de textos que escrevi no passado sobre o assunto. O fato é que recentemente eu ressignificara a data: depois de minha avó passar quase três semanas no hospital em 2015, cada 25 de dezembro que eu passava com ela era digno de comemoração pois, mesmo com a saúde debilitada, completava mais um ano.

Agora, passo o primeiro Natal sem a vó, falecida em junho. Mas ao mesmo tempo não consegui ter um luto completo, por conta da pandemia maldita. O que seria aquele “banho de realidade” de não mais ver ela a cada final de semana, não existiu pois não se deve visitar idosos em casas geriátricas – o que eu não fiz após 14 de março. Mesmo que ela estivesse viva, teria de passar este 25 de dezembro longe dela, o que talvez fosse mais triste ainda.

Talvez eu acabe concluindo este luto no Natal de 2021, quando se tudo der certo já teremos sido vacinados e meu subconsciente entenderá que a ausência da vó não tem mais a ver com isolamento pandêmico. Ocasião na qual muitas famílias estarão enlutadas por conta da festa de hoje, visto que não seguirão as orientações de reunir poucas pessoas em meio à pandemia.

Não vejo clima algum para celebração agora, mas para muitas famílias o pior Natal será o de 2021, infelizmente.

Boicote aos perfis festeiros

A pandemia piora a cada dia no Brasil. Mesmo assim, incontáveis pessoas estão viajando como se nada estivesse acontecendo. No Natal, darão a covid-19 de presente a mães, pais, avós e avôs.

E seguem as festinhas de galera. Parece que, quanto piores ficam os números, mais o pessoal aglomera como se não houvesse amanhã – e assim não haverá mesmo, pena que não seja apenas para esse bando de irresponsáveis.

Muito se falou, desde o começo dessa tragédia, sobre a culpa dos chamados “influencers” do Instagram pelas festas em momento totalmente inadequado. Ao fazerem suas “junções” e publicarem, tais perfis com milhões de seguidores servem de (mau) exemplo para toda essa gente.

Eu, felizmente, nunca vi sentido algum em seguir essas “subcelebridades”. Mas tenho muitos conhecidos postando suas festinhas e me irritando profundamente: desde março abdico da minha vida social pensando no benefício da coletividade, e ganho de “recompensa” os “stories” de individualistas se achando no direito de aglomerar enquanto o Brasil chega perto da marca de 200 mil mortes por covid.

Sem contar quem fala que não tomará a vacina, com os argumentos os mais estapafúrdios possíveis… Bando de obscurantistas iguais a Bolsonaro.

Decidi que é hora de parar, de dar um basta a isso. Não tenho como impedir ninguém de fazer merda e postar, mas posso deixar de dar audiência. É só fazer aquilo que tanta gente faz por motivos quaisquer mas que nesse caso é muito válido: “cancelar”. Não sei nem porque já não tinha tomado tal decisão antes.

Quem diz que não se preocupa com audiência nas redes mente descaradamente. Mesmo que aqui eu publique meus textos sabendo que terão pouquíssimos leitores, mantenho a esperança de que alguém leia, goste e passe adiante. (E antes que perguntem: não posto no Facebook pois me recuso a produzir textos longos de graça para Mark Zuckerberg.)

Não é audiência que querem para suas festinhas e teorias da conspiração? Pois então, é hora de dar-lhes o oposto disso. Pode não adiantar nada em termos de conscientização desse pessoal, mas fará um bem danado à minha saúde mental – que eu não uso como desculpa para ser um bosta.

Cansaço

Ontem estava pensando que ainda não tinha me batido aquela tradicional melancolia de final de ano – que sinto independentemente de ter gostado ou não do que passou – e que provavelmente isso se deveria ao fato de que 2020 acabou, na prática, em março.

Então, eis que ela veio com força hoje. Melancolia, cansaço, esgotamento mesmo.

Para o fim oficial de 2020 falta pouco, só dez dias. Não que as coisas mudem magicamente com a virada do ano, já que faz tempo que não tenho essa fé cega. Essa época serve tão somente para se fazer um balanço do que passou – no caso atual, por demais negativo.

Mas não tenho a menor ideia de quando poderei voltar a viver de verdade novamente. Não sei quando tomarei a vacina – aliás, o Brasil atual faz com que me questione inclusive SE conseguirei ser vacinado. Tenho saudade imensa de poder abraçar pessoas: um gesto tão simples e corriqueiro que nos foi tirado por essa pandemia maldita.

É uma angústia enorme. Muitas vezes, chega a ser algo desesperador.

Apesar de ser verão, queria poder hibernar e acordar quando essa desgraça tivesse acabado, tendo a sensação de que tudo isso não passou de um grande pesadelo.

Quero minha vida de volta

Hoje faz nove meses que estou em “semiquarentena” por conta da pandemia maldita. Voltei a trabalhar presencialmente em setembro mas não normalmente (há um revezamento), e assim continuo passando a maior parte do tempo em casa pois, ao contrário da maioria esmagadora dos meus contatos do Instagram, não retomei minha vida social.

Já há vacinação acontecendo em alguns países, o que em tese me deixaria mais animado quanto ao fim deste inferno. Era para estar perto o início da imunização no Brasil. Só era. Pois dois anos atrás 57.797.847 pessoas DEFECARAM o “17” na urna, dando a presidência ao pior candidato que o país já teve ao seu cargo máximo em todos os tempos. Uma criatura que nega a ciência, que faz piada com a gravidade da situação, que discursa contra a vacina… Por conta disso, vai demorar até a população brasileira começar a ser imunizada.

E vai levar ainda mais tempo para eu deixar de apenas existir e voltar a, de fato, viver. Culpa do ser infame lá do Planalto, mas ele não chegou lá sozinho: recebeu 57.797.847 votos.

Há quem se arrependa e que não é só da boca para fora. Mas será que se pudessem voltar no tempo, corrigiriam o pior erro de suas vidas – o que afetou (e mesmo tirou) muitas outras?

Eu desculpo quem de fato se arrependeu – ou seja, que se pudesse voltaria ao dia 28 de outubro de 2018 e digitaria “13” ao invés de “17” na urna eletrônica. Mas infelizmente, jamais conseguirei me esquecer da merda que fizeram. Ainda mais depois de perder (pelo menos) um ano de vida por conta do voto errado de tantas gente, mesmo depois de tanto aviso.

Não tenho empatia com o vírus

O final deste ano interminável se aproxima, e previsivelmente começam a surgir os “textões” falando em “superação”, “resiliência”, e de como “ficamos mais fortes” e “aumentamos nosso autoconhecimento” em meio à tragédia que é a pandemia de covid-19. Que é só olhar o “copo meio cheio” ao invés de “meio vazio”.

Cada vez que leio algo nesse sentido meu sangue FERVE a ponto de quase passar ao ESTADO GASOSO.

Não é que seja proibido ter passado por momentos felizes em 2020 – comigo mesmo aconteceu, principalmente no começo – e até mesmo ter gostado desse ano. Tenho amigas que viraram mães (uma delas quando “coronavírus” parecia algo muito distante, lá em janeiro). Eu não pretendo ter filhos, mas para quem quer, obviamente se trata de um momento muito bacana e que torna o ano em que o fato aconteceu especial. Apesar da pandemia.

O que não dá é para alguém, com base em sua experiência individual, “cagar regra” sobre como todo mundo deve encarar um contexto geral que é por demais pesado.

Não há “lado positivo” em uma pandemia até agora que matou mais de 1,6 milhão de pessoas, sendo quase 184 mil só no Brasil – e infelizmente ainda vai morrer muita gente. Embora o desenvolvimento de vacinas em menos de um ano seja realmente algo fantástico, isso só aconteceu porque não havia escolha: ou cientistas de todo o mundo colocavam todos os seus esforços em tal propósito, ou sabe-se lá o horror que nos aguardaria logo ali em frente. (E nem com as vacinas estaremos livres de uma crise econômica e humanitária que não se vê há muitas décadas.)

Não tem problema algum achar que este foi o pior ano da sua vida (como é o meu caso), isso não faz ninguém ser “mais fraco”. Assim como também dá para dizer que, apesar dos pesares, 2020 valeu a pena (caso das já citadas amigas que viraram mães). Mas não é admissível considerar um balanço positivo ou negativo como única e exclusivamente dependente de sermos “good vibes” ou “bad vibes”: isso não nos torna “mais fortes”, e sim mais DESUMANOS.

Salvo poucos casos da espécie humana, quem tem muito a celebrar o ano de 2020 é o SARS-Cov-2, e eu não tenho a menor pretensão de “ver as coisas com o ponto de vista dele”. Não sinto empatia alguma pelo vírus. Favor não insistir.

E eu preferiria um milhão de vezes não “ficar mais forte”. Trocaria sem pestanejar o “autoconhecimento” por todos os abraços que não dou desde março.

Como foi possível?

Já se passaram dois anos da eleição, e ainda fico pasmo ao pensar que mais de 57 milhões de pessoas escolheram Jair Bolsonaro para ser o presidente do Brasil. Até mesmo gente de direita que eu considerava sensata não viu nada de errado votar em alguém como ele só para derrotar o PT.

As atitudes dele na pandemia estarrecem, mas são apenas “mais do mesmo”. Ele sempre foi essa pessoa perversa. Bastava uma rápida pesquisa no Google para saber. A única coisa que mudou é que, como presidente, Bolsonaro tem um poder que não tinha como deputado.

Já vi gente de direita me questionar se contra Bolsonaro eu votaria em um candidato de tal lado do espectro político (SPOILER: já estou pronto para votar em João Doria em um eventual segundo turno contra “a coisa” em 2022) ou anularia o voto como fiz em 2016, quando teria de escolher entre Sebastião Melo (MDB) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB) para prefeito de Porto Alegre no segundo turno, e digitei 71 ao invés do 15 ou do 45. Bom, já no primeiro ano da gestão tucana me arrependi de minha opção mesmo que meu voto sozinho não mudasse o resultado da eleição: se por um lado eu não tinha consentido com a vitória do PSDB, também não fizera nada contra ela mesmo que fosse preciso votar em outro candidato do qual não gostava.

Então, veio 2018, e eis que o segundo turno para governador do Rio Grande do Sul repetiu o duelo entre MDB e PSDB. Inicialmente hesitei, mas depois decidi pela primeira vez na minha vida digitar o 45 em uma urna eletrônica, votando em Eduardo Leite contra José Ivo Sartori. Sabia que discordaria da maioria esmagadora das decisões de Leite, mas também achava inaceitável a ideia de que um governo lamentável (para dizer o mínimo) como o de Sartori pudesse merecer mais quatro anos. E a covid-19 me deu a certeza de que não me equivoquei: acho que o governo Leite cometeu falhas – faltam testes e o Distanciamento Controlado precisava ser muito mais rigoroso do que é – mas não tenho dúvidas de que estaríamos vivendo um completo caos caso o resultado eleitoral tivesse sido outro, ainda mais que o negacionista Osmar Terra é do mesmo MDB de Sartori e não duvido que fosse nomeado para a Secretaria da Saúde, o que levaria o Rio Grande do Sul a ser um dos piores lugares do mundo para se morar durante a maior pandemia dos últimos 100 anos.

Ou seja: eu já votei em um candidato do qual discordava por não querer um pior. E isso que nem era uma diferença tão grande assim como a que se via na campanha presidencial daquele mesmo ano, que não era uma mera disputa entre dois projetos: era civilização contra barbárie. E a maioria, ou iludida com correntes no WhatsApp ou raivosa, optou pela barbárie…

Mas, será que era tanta ilusão assim? Não tinha como saber que seria um desastre?

O vídeo abaixo é de antes da eleição.

Não era uma escolha muito difícil. Não foi por falta de aviso.

Era só pesquisar no Google, porra.