A ideia mais ridícula da história do Grêmio

Quase caí da cadeira quando li que o Grêmio cogita convidar o Mazembe para a inauguração da Arena. Incrível: 2011 foi o pior ano para o Tricolor depois do fatídico 2004, a torcida esperava que 2012 pudesse ser melhor, mas a direção demonstra não ter entendido nada do que aconteceu neste ano que se aproxima do fim.

Me diverti muito com o “mazembaço” de 14 de dezembro de 2010, fato. Quase me finei de tanto rir dos colorados, e não escondo que mais de uma vez sentei no chão e tentei imitar o goleiro Kidiaba. Isso é rivalidade futebolística: sem “flauta”, ela não existe.

Agora, querer convidar o Mazembe só por conta do fiasco do Inter é uma amostra do pensamento pequeno da atual direção do Grêmio. Quando poderia chamar algum dos adversários nas nossas grandes conquistas (Hamburgo, Peñarol, São Paulo, Flamengo etc.), prefere apenas “flautear” o rival.

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E sobre amistosos, espero que também haja um de despedida do Olímpico, também com a grandeza que ele merece. O Palmeiras, nosso grande adversário nos gloriosos anos 90, se despediu do antigo Palestra Itália jogando contra o Grêmio; que tal retribuir a honra, convidando o Alvi-Verde para a última partida do Olímpico Monumental?

Bons e velhos tempos

Via Alma da Geral, tomei conhecimento do ótimo texto escrito por um palmeirense que veio ao último Grêmio x Palmeiras, no Olímpico Monumental, domingo passado. Além de falar sobre o jogo em si, o autor dedica seis parágrafos ao estádio gremista, em tom de homenagem ao palco de inesquecíveis partidas entre Grêmio e Palmeiras na década de 1990, principalmente nos anos de 1995 e 1996.

Foi quando reparei que infelizmente não pude conhecer o antigo Palestra Itália, demolido para dar lugar a uma nova “arena” (que ao menos ficará no mesmo lugar do estádio anterior, enquanto o Grêmio vai se mudar para longe de onde é o Olímpico).

Depois, também reparei que o grande antagonismo entre Grêmio e Palmeiras na década de 1990 se devia ao que eles tinham em comum: grandes times, que eram inegavelmente os melhores do Brasil. Eram os clubes que dominavam o cenário nacional (apesar de, ironicamente, não terem se enfrentado em nenhuma final). Para se ter uma ideia, de 1991 a 1999 não houve semifinal de Copa do Brasil sem Grêmio nem Palmeiras. E no mesmo período, quatro finais de Campeonato Brasileiro (1993, 1994, 1996 e 1997) também tiveram a presença de um dos dois clubes.

Mas os jogos mais marcantes foram, sem dúvida, pela Libertadores de 1995. Mais especificamente, pelas quartas-de-final (os dois clubes se enfrentaram também na fase de grupos).

A primeira partida foi na noite de 26 de julho, no Olímpico. Em um jogo marcado pela briga entre Dinho e Valber (que acabou se tornando generalizada), goleada histórica de 5 a 0 para o Grêmio, que dava a entender que a fatura estava liquidada. Eu já pensava na festa pela conquista da Libertadores…

Então veio aquele 2 de agosto. O Grêmio podia perder por quatro gols de diferença para se classificar. E ainda por cima fez um gol no começo do jogo, ampliando a vantagem. Parecia que o Palmeiras estava morto, mas reagiu de forma impressionante, e chegou aos 5 a 1. Insuficientes para a ir à semifinal, mas merecedores dos aplausos da torcida que lotou o Palestra Itália e quase presenciou o que seria considerado milagre. Além de nossa incredulidade: como quase conseguimos perder a classificação?

No fim, o sufoco serviu de lição: nunca, em hipótese nenhuma, se deve cantar vitória antes da hora. E assim o Grêmio ganhou a Libertadores.

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Hoje em dia Grêmio e Palmeiras têm mais uma característica em comum: vivem um jejum que parece não ter fim. Ambos não ganham nada de importante há anos: o Grêmio desde a Copa do Brasil de 2001 e o Palmeiras, ironicamente, desde a Libertadores de 1999. As conquistas se resumiram a títulos estaduais e da Série B (vencida pelo Palmeiras em 2003 e pelo Grêmio em 2005). E nesta reta final de 2011 ambos os times se arrastam em campo, contando os dias para o fim de uma temporada pífia.

Resta torcer para que o último ano do Olímpico Monumental pelo menos nos ofereça um mata-mata entre Grêmio e Palmeiras, como nos bons e velhos tempos (a última vez que os dois clubes se enfrentaram em mata-mata foi no Campeonato Brasileiro de 1996). De preferência, na decisão da Copa do Brasil, corrigindo assim a injustiça de ambos nunca terem se enfrentado em uma final. Só é uma pena que não haja mais o antigo Palestra Itália.