Ser pedestre em Porto Alegre é um teste de paciência

Isso não é nenhuma novidade, vamos combinar. Basta caminhar pelas “maravilhosas” calçadas porto-alegrenses para perceber: quem administra a cidade está se lixando para os pedestres.

Os semáforos são concebidos, em sua maioria, para os carros. São poucos os que também têm sinalização para quem não se desloca sobre rodas – ou seja, não obrigam o pedestre a cuidar o sinal para os veículos para saber se é a sua vez de atravessar.

Por conta disso, os tempos também são ajustados de acordo com o fluxo de veículos motorizados. A “esquina da agonia” é um bom exemplo: pedestres têm pouquíssimo tempo para atravessar, pois o “sinal verde” para eles corresponde ao mesmo para os ônibus que vêm pelo corredor da Osvaldo Aranha e dobram à esquerda. Em compensação, o grande número de veículos na Sarmento Leite faz com que o semáforo lhes dê um verdadeiro latifúndio de tempo – e mesmo assim, alguns motoristas imbecis ainda passam no sinal vermelho, dificultando ainda mais a vida de quem anda a pé.

Pior ainda, é naqueles semáforos com botoeira. O ideal seria o sinal abrir para o pedestre imediatamente (ou pouco tempo) após o botão ser pressionado; porém, é preciso esperar. E muito. Justamente porque a sinaleira está sincronizada com outras que têm seus tempos ajustados de acordo com o fluxo de veículos. Tanto que é natural o pedestre não ter paciência e atravessar quando vê uma brecha, pouco se importando se o sinal está aberto ou fechado, o que aumenta os riscos de atropelamentos.

Solução para o problema? Só tem uma: aumentar o tempo para as pessoas atravessarem e reduzir o de espera (inclusive há em Porto Alegre um projeto de lei nesse sentido, de autoria do vereador Marcelo Sgarbossa, do PT). Vai “trancar o trânsito”? Bom, não esqueçamos que pedestres também são trânsito, e já estão “trancados” por perderem tanto tempo enquanto os carros passam (cada vez mais lentamente, devido ao crescente número de automóveis entupindo as ruas). Aliás, o caos diário nas grandes cidades evidencia o quão urgente é deixar de dar prioridade aos veículos automotores.

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Burrocracia

Neste semestre, curso na faculdade uma disciplina chamada “Estágio Preliminar”. Só esta disciplina já mereceria um bom artigo a respeito, visto que meu curso é noturno, mas havia uma orientação de juntar a turma da manhã e a da noite em uma única, à tarde. Chega até a parecer coisa do governo Yeda… Sem contar que os alunos teriam obrigatoriamente de ter uma tarde disponível na semana para realizar as atividades práticas: é difícil de entender que se pense algo assim para um curso noturno, onde se pressupõe (ou pelo menos se deveria pressupor) que os alunos trabalham o dia inteiro.

Mas o mais inacreditável é quanto às atividades que realizaremos no Arquivo Municipal Moysés Vellinho. Mesmo que sejam apenas cinco dias de atividades – que se darão em quartas-feiras à noite, finalmente o curso voltou a ser noturno! – os alunos precisam assinar um contrato de estágio não-remunerado. A professora que orienta o estágio nos deu as indicações: tínhamos de levar documentos (cópia de identidade, CPF e comprovante de matrícula) à Secretaria Municipal de Cultura, à qual está vinculada o Arquivo. Fui muito bem atendido na SMC quando lá estive para entregar a papelada (dia 8 de maio), e fui informado que cerca de uma semana depois eu seria contatado por telefone para a assinatura do contrato. Até aí, tudo ótimo.

Ontem à tarde, recebi uma ligação, avisando que o contrato estava pronto, e que eu deveria passar na Secretaria Municipal de Administração, para a assinatura.

Foi o que fiz na tarde desta sexta-feira. Porém, havia muita gente lá. Quando fui atendido, me foi solicitado o documento de identidade, e fui informado de que deveria aguardar a chamada pelo nome. Perguntei quanto tempo levaria, e a resposta que recebi foi: “não sei”.

Olhe bem: era aproximadamente duas e meia da tarde. Às quatro, eu teria de estar no Museu Júlio de Castilhos, em um seminário sobre os museus históricos no mundo contemporâneo. Quando disse à mulher que me atendia que eu teria de ir embora antes das quatro – obviamente com o sentido de receber dela uma informação, se seria ou não atendido antes das quatro – ela simplesmente me devolveu a carteira de identidade e disse: “então o senhor volte quando puder esperar”. Ou seja: eu não ficaria menos de uma hora naquele lugar. Obviamente, fui embora.

A pergunta que faço é: por que raio de motivo devemos entregar os documentos à Secretaria Municipal de Cultura e assinar o contrato na Secretaria Municipal de Administração? Mais: por que porra de motivo centralizar tudo em um só lugar? Como o Arquivo Moysés Vellinho é vinculado à SMC, o contrato poderia muito bem ser enviado à SMC para a assinatura.

Voltarei à SMA na segunda-feira de manhã. O mais cedo possível. Pois paciência não é minha principal virtude. Ainda mais para assinar um contrato para estagiar cinco dias, sem receber um centavo por isso.