Feliz aniversário!

Rua Gonçalo de Carvalho, Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de Porto Alegre (decreto de 05/06/2006)

Rua Gonçalo de Carvalho, Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de Porto Alegre (decreto de 05/06/2006)

Hoje, 5 de junho, é Dia Mundial do Meio Ambiente. Mas não só.

A data marca também o 3º aniversário do tombamento da Rua Gonçalo de Carvalho como Patrimônio Cultural, Histórico e Ambiental de Porto Alegre. O decreto municipal, assinado em 5 de junho de 2006, sacramentou uma vitória da cidadania sobre o poder econômico.

Em 2005, os moradores da Rua Gonçalo de Carvalho foram informados do projeto de construção de um novo teatro para a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) no terreno onde se localiza o Shopping Total, localizado entre a Avenida Cristóvão Colombo e a Gonçalo. Notícia que agradava a muitos, visto que a OSPA, além de música de qualidade, significa um orgulho para o Rio Grande do Sul.

Porém, o que souberam a seguir fez as opiniões mudarem. Junto ao teatro, seria construído um enorme edifício-garagem, com pavimentos subterrâneos – que para serem escavados demandariam dinamite, o que poderia abalar as estruturas, e até mesmo derrubar prédios mais antigos. Os moradores dos apartamentos de fundo teriam de manter suas janelas fechadas, visto que elas dariam para o fundo da garagem, com toda a poluição proporcionada pelo escapamento dos automóveis. Não bastasse isso, ainda havia o plano de se dar saída aos carros pela Gonçalo de Carvalho, asfaltar a rua e, pasmem, derrubar metade das árvores para realizar o alargamento da via!

Os moradores e amigos da Rua Gonçalo de Carvalho se mobilizaram contra parte da obra: queriam o teatro, como apreciadores da boa música, mas também queriam a preservação da Gonçalo, como apreciadores do meio ambiente. Era uma luta imensamente desigual: grande parte dos porto-alegrenses desconhecia o que aconteceria ali. Só saberiam quando já estivesse feito. A “grande mídia”, com seus interesses, silenciava. Os concretoscos (que de vez em quando se fingem de defensores da cultura, para mascararem sua paixão pelo concreto) chamavam os contrários à obra de “inimigos da cultura e do progresso”.

Como se não fossem suficientes todas as adversidades, no dia 9 de janeiro de 2006 faleceu Haeni Ficht, líder do movimento e primeiro presidente da AMABI (Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência). E  pouco tempo depois o então vice-prefeito de Porto Alegre, Eliseu Santos, chamou os Amigos da Gonçalo de “dois cornos”: ficava muito claro de que lado estava o poder político.

Porém, os cidadãos de várias partes da cidade, do país e do mundo estavam do nosso lado. E a vitória veio em junho.

A Rua Gonçalo de Carvalho tornou-se no Dia Mundial do Meio Ambiente em 2006, pelo que se tem conhecimento, a primeira rua no Brasil e na América Latina a ser tombada como Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de uma cidade. E o melhor de tudo, foi apenas a primeira. A partir de então, várias outras ruas de Porto Alegre que são túneis verdes passaram a pleitear decretos semelhantes por parte do município, muitas delas sendo comtempladas.

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Uma das ruas que merece ser tombada, sem dúvida alguma, é a Rua Pelotas, no bairro Floresta. Reconheço que sou suspeito para falar, visto que morei na rua até agosto de 1992, mas clique aqui e veja as fotos obtidas em 1º de novembro de 2008. Infelizmente já era de tarde, e o espetacular tapete formado pelas flores que caem dos jacarandás havia sido varrido.

Considerando que há árvores doentes, que precisam de cuidados por parte do poder público (nem é só questão de preservação ambiental, também se trata de dar mais segurança a moradores e transeuntes, acabando com os riscos de queda de árvores em dias de muito vento), o tombamento se faz extremamente necessário e urgente.

Onde fica a rua mais bonita do mundo?

goncalo

Segundo o blog A sombra verde, de Portugal, ela fica aqui em Porto Alegre, pertinho do Centro. É a Gonçalo de Carvalho, no bairro Independência, tombada como Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental de Porto Alegre no dia 5 de junho de 2006. Foi o primeiro caso deste tipo em todo o Brasil.

Em 2005, os moradores da rua iniciaram um movimento contra a construção do edifício-garagem da nova sede da OSPA, que seria ao lado do Shopping Total. Não eram contra a OSPA, como acusavam os favoráveis à obra. O que os moradores da rua não queriam era a garagem, cuja saída de carros se daria pela Gonçalo de Carvalho, o que aumentaria a poluição atmosférica e sonora na área. Sem contar que o fato do edifício-garagem ter dois andares subterrâneos tornaria necessário o uso de dinamite na obra, que poderia abalar ou mesmo derrubar os prédios vizinhos.

A luta parecia fadada à derrota. Em janeiro de 2006, faleceu o líder do movimento, Haeni Ficht. E poucos dias depois, o vice-prefeito Eliseu Santos referiu-se aos contrários à garagem como “dois cornos”.

Mas os moradores não desistiram, e venceram. Em junho de 2006 a OSPA desistiu de construir o teatro no Shopping Total, já que ali não poderia ser erguido o edifício-garagem – que poderia ser usado não só quando houvessem espetáculos, numa clara manobra do Shopping Total de ampliar seu estacionamento. Ainda hoje não foi definido o local onde será erguida a nova sede da OSPA – aliás, por que não retomar o projeto de construir o teatro no Cais do Porto, para assim reaproximar Porto Alegre do Guaíba?

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O movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho foi citado também pelo blog Amics Arbres – Arbres Amics, da Catalunha, que postou uma mensagem de repúdio à repressão policial acontecida durante a ocupação por mulheres ligadas à Via Campesina da fazenda de propriedade da Stora Enso, usada para plantar eucaliptos e transformar o pampa em deserto.