Do “correio eletrônico” à blogosfera

Reportagem exibida pela Record em 1990 sobre a grande novidade na área da informática: o correio eletrônico!

O meu pai descobriu o vídeo acima, e logo começamos a falar do quanto a informática evoluiu nos últimos tempos, e também a lembrar de quando compramos o primeiro computador, em 16 de março de 1995. Era um 486, com 8MB de memória RAM, disco rígido de 400MB (um latifúndio!), que usava o Windows 3.11 como sistema operacional, enfim, uma baita aquisição! Melhor que isso, só se comprássemos o último lançamento, o moderníssimo Pentium! Só que aí era caro demais…

A ideia do meu pai era comprar o computador para trabalhar, já que mais cedo ou mais tarde ele precisaria se “informatizar” para se manter no mercado. Internet, ele ainda nem cogitava. Já meu irmão e eu, claro, víamos a máquina como um videogame em potencial. E logo compramos os primeiros jogos: os sensacionais FIFA International Soccer e World Circuit. Como não tínhamos joystick, fazíamos revezamento: no FIFA, cada um jogava um tempo; já no de Fórmula-1, não era raro estar esperando a vez quando aparecia a mensagem de que eu estava fora da corrida porque tinha batido, ou o carro tinha dado problema…

Eram partidas sempre silenciosas: o computador não tinha placa de som! Tanto que muitas vezes eu me ferrava no Doom porque era atacado pelas costas e demorava a perceber. Mas acabamos descobrindo como ligar um som do próprio computador para os jogos – aqueles ruídos bem “eletrônicos”, mas que eram melhor que nada.

Mas além dos jogos, os programas também podiam ser interessantes. Como os editores de texto. Olhando para aquela época, chega a parecer estranho que cinco anos depois eu iria estar cursando Física: eu já gostava de escrever. Tanto que também conseguia ver o computador como “uma máquina de escrever mais moderna”, além da função básica (videogame). Aliás, não por acaso o divertidíssimo livro “Detesto PCs” fazia uma escrachada comparação entre o computador e a máquina de escrever, explicando os motivos pelos quais o leitor não deveria trocar sua velha máquina por um computador (desta forma, com muito bom humor, ajudava o iniciante a perder o medo).

No início de 1996, acabamos com o silêncio do computador, adquirindo uma placa de som. Finalmente podíamos jogar FIFA com o barulho da torcida, ouvir os rugidos dos monstros no Doom, os barulhos dos carros de Fórmula-1… E aí vieram também jogos melhores como o FIFA 96, com os nomes verdadeiros dos jogadores (apesar de ter vibrado com muitos gols de Janco Tianno pelo Brasil no FIFA “antigo”) e até narração das partidas (em inglês, claro). Era possível montar o próprio time, embora sem poder jogar os campeonatos que o jogo oferecia; lembro que o meu tinha craques como Preud’homme, Hagi, Stoichkov, e o destaque maior, o francês Loko – cada vez que o narrador se referia ao jogador, sempre pronunciando seu nome incorretamente (dizia “loucou” ao invés de “locô”), era garantia de risada.

Os anos passaram, e computadores mais potentes vieram. Assim como jogos com gráficos mais perfeitos, como o FIFA 98 – com direito à disputa das Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998, permitindo algumas façanhas históricas como a classificação de Cuba para o Mundial, sob meu comando.

Começamos a acessar a internet – conexão discada, com velocidade de 14,4 kbps, uma beleza! (E na minha casa foi assim até o início de 2005.) Eram tempos em que era preciso esperar a meia-noite para entrar na rede, horário a partir do qual as companhias telefônicas passavam a cobrar pulso único por ligação. Conectávamos e encontrávamos os amigos no ICQ – isso quando conseguíamos nos conectar.

Aliás, coisa bem interessante o que aconteceu nos últimos tempos. Lembro que no ICQ (aliás, alguém ainda usa???) eu falava principalmente com gente que eu conhecia pessoalmente. O mesmo se dava no MSN, assim como no Orkut. Alguns anos se passaram, e comecei a conhecer “na vida real” pessoas com as quais estabeleci os primeiros contatos no espaço virtual – e que, não fosse a internet, dificilmente eu as conheceria. Num exemplo bem simples, provavelmente eu passaria pelo Guga e pelo Hélio na social do Olímpico e os veria apenas como mais vozes a apoiarem o Grêmio, se eu não tivesse um blog e não conhecesse os deles.

E o incrível é pensar que tudo isso aconteceu em tão pouco tempo. Afinal, há menos de 10 anos, eu ainda precisava esperar a meia-noite para me conectar na internet e pôr o papo em dia com os amigos via ICQ… Enquanto a hora não chegava, jogava um FIFA e tentava levar as seleções mais fracas para a Copa do Mundo.

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É amanhã e quinta!

Semana passada, propus que trocássemos nossas imagens de perfil no Facebook e no Orkut por um NUNCA MAIS amanhã (31 de março) e quinta (1º de abril). É uma maneira de homenagear as vítimas da ditadura militar, iniciada com o golpe militar de 1964, que está completando 46 anos. Assim como de dar uma ideia do que aconteceria se muitas pessoas queridas desaparecessem – tal como aconteceu na ditadura.

Bom, esta postagem tem como objetivo apenas fazer com que não nos esqueçamos de fazer a troca das imagens de perfil. É amanhã e quinta!

E uma sugestão extra que faço é colocarmos o NUNCA MAIS também no Twitter.

Difunda esta ideia

Ontem, a Argentina lembrou o aniversário do golpe militar de 1976, que derrubou o governo de Isabelita Perón e deu início a uma ditadura militar no país. Desde 2006 o dia 24 de março é feriado na Argentina, sendo chamado Dia Nacional de la Memoria por la Verdad y la Justicia.

Na rede social Facebook, uma interessante ideia surgiu entre os argentinos: uma convocação aos usuários para retirarem suas imagens de perfil no dia 24 de março, deixando no lugar apenas a silhueta que aparece quando não se escolhe nenhuma foto. Eis o motivo (que tomei a liberdade de traduzir ao português):

Para que quem ainda pergunta por que este dia é feriado, veja como seria se muitas pessoas queridas se ausentassem todas juntas, como aconteceu durante a ditadura.

Logo que tomei conhecimento da mobilização argentina (aliás, à qual eu aderi), pensei: que tal fazermos algo semelhante no Brasil? Seja em 31 de março ou 1º de abril, o golpe militar que derrubou João Goulart completará 46 anos. E por aqui não temos feriado, muito menos lembranças – o que facilita a vida dos que dizem não ter havido ditadura no Brasil (negar algo contra todas as evidências históricas, isso lembra algo, né?) ou, que até teve, mas ela foi branda, “ditabranda”.

Pensando melhor, não basta tirarmos imagens de perfil no Facebook (e também no Orkut, onde há muito mais brasileiros). Façamos mais: é necessário que as pessoas entendam que há um motivo importante para a mudança da imagem e assim seja atiçada a sua curiosidade: “o que ele(a) quer dizer?” – do contrário, poderá parecer apenas uma falha do Facebook ou do Orkut.

Assim, nos dias 31 de março e 1º de abril, substituamos nossas imagens de perfil no Facebook e no Orkut por um NUNCA MAIS. Pode ser apenas as duas palavras em um fundo branco, ou a silhueta de quando não se escolhe nenhuma foto – também com o NUNCA MAIS, é claro. Induzamos as pessoas a pensarem, a lembrarem que houve uma ditadura militar em nosso país, e que isto não deve ser esquecido.

Claro que poderá acontecer de muitos não entenderem o motivo do NUNCA MAIS, daí a importância de se colocar no perfil uma explicação – pode ser lembrando que 31 de março/1º de abril é aniversário do golpe de 1964, e que nosso objetivo é dizer DITADURA NUNCA MAIS.

Procure difundir esta ideia, seja em blogs ou por e-mail, para que tenhamos a maior adesão possível – no Brasil e mesmo fora do país!

O Google é o Grande Irmão?

bigbrother

Em cada artigo na Desciclopédia (a hilária sátira da Wikipédia), aparecem frases (em geral fictícias, mas engraçadas) sobre o tema. Em todos, aparece a expressão “Você quis dizer: …”, e abaixo “Google sobre [tema do artigo]”.

Pois bem: no artigo sobre o Grande Irmão, a frase do Google era “Você quis dizer: Google“. Não bastasse isso, o artigo ainda era vigiado! Pelo próprio Grande Irmão (Google?), claro.

Ontem, ao acessar as estatísticas do Cão, vi que o blog havia sido citado em algum fórum do Orkut. Algo que já havia acontecido outras diversas vezes. Fora do Orkut desde março de 2006, me era vedada a possibilidade de ver onde havia sido citado o blog.

Como tenho um e-mail no Google (Gmail), isso quer dizer que tenho conta no Google. Logo, poderia me recadastrar no Orkut. Decidi então fazê-lo, mas não chamar ninguém. Apenas veria onde o Cão havia sido citado, e depois sairia. Não me passava pela cabeça voltar a cuidar de perfil, mensagens e outros inconvenientes.

Logo que completei o processo de cadastro, apareceu uma lista de “sugestões de amigos”. E logo no começo da lista, uma guria que eu mandaria para o inferno se eu acreditasse na existência dele.

Apavorado, fiz o que eu pretendia fazer: vi de onde no Orkut haviam clicado no meu blog. Era uma comunidade sobre futebol…

Logo, desfiz meu cadastro novamente. O Orkut é do Google, e ele sabia quais seriam meus “amigos”. Havia gente legal na lista (e faltava muita também), mas a presença dessa guria é a prova: o Google é o Grande Irmão! E assim como na obra de George Orwell, ele é do mal, mas quer que o amemos!

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Como o post é de humor, não posso deixar de recomendar essa, apesar de não ser relacionado ao fato acima.

E não custa nada dizer a verdade para não apavorar os mais impressionáveis: as “sugestões de amigos” do Orkut eram baseadas em quem tem meu endereço do Gmail. Sim, o Google sabe muito, mas só porque tem o meu e-mail.

Sinal dos tempos

Do Blog do Kayser:

Uma menina de 15 anos passa vários dias sob a mira do revólver do namorado da amiga. É liberada pelo seqüestrador e depois mandada de volta ao cativeiro pela polícia (!?!). Leva um tiro na cara. Vai parar no hospital, enquanto sua amiga é morta pelo seqüestrador. Tudo isso transformado em um show televisivo macabro e repugnante.

Depois de toda essa experiência traumática, o que ela sente a respeito? Vontade de ser visitada pelo Alexandre Pato, naturalmente…

E no portal G1, leio que o rapaz que matou a ex-namorada teria ficado com ciúmes por ela ter adicionado um amigo da escola no Orkut.

Isso mesmo, exponha todos os detalhes de sua vida na internet, para qualquer um saber…

Vírus burro

Sempre que confiro meus e-mails, verifico a pasta de spam. Às vezes recebo ali mensagens que não são indesejadas. Do mesmo modo que muitas vezes o spam vai parar na caixa de entrada.

Eis que, agora há pouco, verifico a pasta de spam e vejo lá um e-mail com remetente “Orkut” e título “Você recebeu um VideoScrap”. Obviamente que era vírus, nem abri, mandei pro espaço.

Nem me interessava saber de quem era o negócio, pois saí do Orkut há quase dois anos…