O fim do Orkut

No início de 2009 fiquei sabendo que o Esquilo Travesso, escolinha onde fiz o Jardim de Infância, iria fechar as portas pois sua sede (uma antiga casa na Rua Dona Laura) havia sido vendida para, posteriormente, ser posta abaixo.

A notícia me despertou nostalgia por aqueles dias em que eu frequentava a escolinha, de meados de 1986 ao final de 1988. E também me fez decidir pela volta ao Orkut após quase três anos de ausência – cometi meu primeiro orkutcídio no início de 2006 – na esperança de quem sabe reencontrar os coleguinhas daquela época. (Acabei não reencontrando ninguém, lembro que abri um tópico na comunidade perguntando por alguém da turma que concluiu o Jardim em 1988 e não houve resposta…)

No fim, terça-feira foi a vez do próprio Orkut cometer seu orkutcídio. O meu segundo – e definitivo – aconteceu em algum dia em 2012 ou 2013, o que demonstra a decadência da rede que até quatro anos atrás era a mais acessada pelos brasileiros: minha última saída do Orkut não marcou como a primeira, em 2006. No início de 2014, quando a rede completou 10 anos, a Google não tinha pretensões de acabar com ela; mudou de ideia em junho, quando anunciou o fim para 30 de setembro.

Confesso que o fim do Orkut, em si, não me causou maior nostalgia. Afinal, eu já desfizera minha conta e, quando tentei voltar, deu erro. Parecia que o próprio não me queria mais lá.

Por mais cruel que possa parecer minha avaliação, o Orkut não chegou ao fim “por nada”. É preciso avaliar todos os motivos pelos quais uma imensa quantidade de pessoas decidiu trocá-lo pelo Facebook, mas alguns são facilmente identificáveis: excesso de spam (do qual, inclusive, não estamos livres no FB), falta de dinâmica (em 2010, antes do Facebook “bombar”, a rede na qual se compartilhava links e notícias era o Twitter, não o Orkut), sem contar os “benditos” gifs animados que chegavam a dar dor de cabeça.

O ruim mesmo é que no Facebook não tem comunidades e não há sinal de que Mark Zuckerberg pretenda adotar tal funcionalidade “orkutiana” em sua rede. E se nem no Orkut, onde havia uma comunidade do Esquilo Travesso, eu consegui encontrar aquela menininha simpática de quem eu tanto gostava, no Facebook certamente não vou achá-la. Pode parecer bobagem, mas eu adoraria reencontrar alguém que não vejo há quase 26 anos.

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Os 10 anos do Orkut

Em meados de 2004, recebi um e-mail de minha amiga Ísis. Achei estranho: a mensagem era em inglês, e tinha um link; confiei no meu antivírus e cliquei. Apareceu a tela abaixo:

orkut2004

Pouco depois, desconectei da internet (sim, naquela época se fazia isso, pois a conexão era discada, não era só ligar o computador e abrir o navegador), peguei o telefone e liguei para a minha amiga. Então ela me explicou o que era aquilo: uma página em que nos conectávamos aos amigos, descobríamos quantas amizades em comum tínhamos etc. Quando consegui entrar novamente na internet (pois é, às vezes a conexão não vinha…), fiz meu cadastro naquele tal de Orkut – que deve seu nome ao engenheiro do Google que o desenvolveu, o turco Orkut Büyükkökten. E, ainda sem entender bem para que serviria aquilo (afinal, não era um bate-papo como o ICQ e o MSN), comecei a adicionar comunidades.

Amizades, não: por cerca de um mês, tinha apenas a Ísis na minha lista, e não sabia de mais ninguém que usava o Orkut. Era uma novidade para muita gente, ainda mais que não era qualquer um que podia entrar: era preciso ser convidado. Cheguei a enviar alguns convites, mas demorou até a lista de amizades aumentar. Mas, quando isso começou a acontecer, não parou mais.

Logo, descobri o que considero uma das melhores coisas dessas chamadas “páginas de redes sociais”: a possibilidade de reencontrar pessoas com as quais não falamos há muito tempo. Amigos de infância com os quais se perdeu o contato, ex-colegas de escola etc. O que a vida tinha separado pelos mais diversos motivos (mudanças de endereço, de escola, pouco tempo para reencontros etc.), o Orkut oferecia a possibilidade de reunir.

A frequência de visitas ao Orkut aumentou bastante, já que havia mais pessoas com quem interagir, além das comunidades – várias eram inúteis, é verdade, mas outras eram um excelente espaço de discussão. Muitas vezes, chegava a passar horas na rede. Não ininterruptas, é claro.

orkut-nodonut

Mas não só por causa dessa “agradável” tela aí de cima. Como falei, em tempos de conexão discada, existia hora para entrar na internet – ou seja, quando as ligações eram mais baratas. Isso mudou a partir do momento em que passei a ter banda larga: bastava ligar o computador e abrir o navegador. E assim, as interrupções do Orkut passaram a ser, basicamente, a telinha acima. Tinha também algo chamado “estudar”, por causa da faculdade, o que me obrigava a ficar longe do Orkut mas com vontade de acessá-lo.

No início de 2006, tinha a perspectiva de disciplinas bastante difíceis. Temia “não dar conta”. Assim, o Orkut “pagou o pato” e desativei minha conta.

Foram quase três anos longe da rede. O retorno se deu no início de 2009, ao mesmo tempo em que criava meus perfis no Twitter e no Facebook. A princípio, não pensava em voltar ao Orkut: a entrada no Twitter era por curiosidade, por perceber que aumentava o número de blogueiros o utilizando; já no Facebook, aceitei um convite do meu amigo Hélio – que da mesma forma que a Ísis nos meus primeiros tempos no Orkut, por bastante tempo foi meu único contato na rede.

A volta ao Orkut se deu por “nostalgia”. Não da rede, e sim de minha antiga escolinha, o Esquilo Travesso, onde fiz o Jardim de Infância. No final de janeiro de 2009, li uma notícia sobre o fechamento do Esquilo, o que me motivou a escrever sobre ele. Assim, o retorno se deveu à vontade de tentar reencontrar os colegas daquela época: entrei na comunidade, mas não achei ninguém que tenha terminado o Jardim de Infância em 1988. Porém, também vi o retorno ao Orkut como uma maneira de divulgar mais o Cão Uivador – que não existia em 2006, quando cometi meu primeiro “orkutcídio”.

Pois é, o primeiro. Pois houve um segundo – e, por enquanto, definitivo. Em 2010 o Facebook começou a crescer rapidamente e “roubar” a hegemonia do Orkut – que até o final de 2011 se manteve como a rede mais usada pelos brasileiros (e o Brasil era o único país onde o Orkut era tão popular, visto que seu uso decaíra na Índia, onde também era a principal rede). Foram vários os motivos de tamanha mudança, mas o fato é que, com o Facebook crescendo muito e virando moda, o Orkut começou a minguar, com os amigos pouco acessando e/ou simplesmente apagando seus perfis. A relevância que tinha o Orkut até 2010 passou a ser do Facebook.

Assim, em algum dia ali por 2012 ou 2013, decidi desativar minha conta. Antes de “apagar a luz”, decidi conferir o número de amigos que ainda tinha: era bem menos da metade em comparação com o que já tivera.

Porém, 10 anos após o surgimento do Orkut (que foram completados ontem, dia 24), engana-se quem pensa que o Google pensa em acabar com ele. Ainda há um considerável número de pessoas que o utilizam – especialmente no Brasil, claro. Principalmente pelo que ele tem e o Facebook não: as comunidades, que não só dizem do que gostamos, como também funcionam como um interessante espaço para debates. É até mesmo algo que faz pensar em reativar a conta no Orkut – além, é claro, da sensação de “viagem no tempo” que isso proporcionaria. Quem sabe não seja uma boa ideia?

Por que trocar o Facebook pelo Twitter

Não, isso não quer dizer que a página do Cão no Facebook deixará de existir, nem que abandonarei totalmente a rede de Mark Zuckerberg. O que acontecerá, na verdade, é uma “inversão de prioridades”: até 2010, usava mais o Twitter que o Facebook (que também “dividia espaço” com o Orkut). A partir de 2011 é que o Facebook começou a ser “hegemônico”: comecei a reduzir o uso do Twitter e o Orkut “minguou” (inclusive acabei encerrando minha conta por lá, visto que a maioria dos amigos tinha feito o mesmo).

Três anos depois, penso que é hora de fazer o movimento inverso (exceto em relação ao Orkut). Voltar ao Twitter e reduzir o Facebook, usando-o mais por conta do bate-papo. Não por querer voltar no tempo, mas sim por conta de uma série de motivos, que explico abaixo.

  • Maior liberdade para ignorar. Quantas vezes você não postou algo no Facebook e um chato veio encher o saco? No Twitter isso também acontece, é claro, mas temos uma vantagem: podemos ignorar o “mala”. No Facebook, não: lá está o comentário, e nos sentimos na obrigação de responder, pois se não o fizermos fica parecendo que o chato “venceu”, quando o que mais gostaríamos é de não perder tempo discutindo com o “mala”.
  • Os “caga-regras”. Tem a ver com o item anterior, mas também é algo que se deve muito à característica do Facebook como uma rede mais “pessoal”, na qual postamos fotos de nossas viagens, de nossa infância… E, muitas vezes, usamos para desabafar. Porém, nem sempre os comentários que recebemos são aqueles que realmente esperamos, ou seja, manifestações de solidariedade e de incentivo. A maioria das pessoas acha que tem a solução para nossos problemas, e então começa a “cagar regras”, a dizer o que “é bom” para nós. Sem contar aqueles que, com base em seus gostos pessoais, acham que todos, sem exceção, devem gostar das mesmas coisas. No Twitter, é mais fácil ignorá-los, deixá-los falando sozinhos.
  • O Twitter não é uma rede de amigos. Pode parecer estranho, visto que no Twitter geralmente seguimos perfis com os quais nos identificamos. Mas nele, ao menos no meu caso, vale mais a informação relevante do que a mera amizade. Não sigo reaças, por exemplo. Já no Facebook, acontece algo semelhante ao que ocorria no Orkut: serve para nos manter conectados a pessoas que geralmente já conhecemos da vida real, com as quais já tínhamos relações de amizade. Obviamente isso tem um lado muito positivo (foi graças ao Facebook que voltei a encontrar a turma do 1º Grau, por exemplo), mas por outro lado, há velhos amigos que são reaças… E enchem o saco. Se os deletamos, podem se sentir ofendidos; por outro lado, sentimos a obrigação de responder aos comentários deles (voltando, assim, ao primeiro item, relativo à “liberdade para ignorar”).
  • O Twitter não tem convite para jogos e aplicativos. E de nada adianta bloquear, todos os dias criam novas porcarias dessas.
  • Não ficar sabendo de tudo da vida dos outros (nem os outros da nossa). O Facebook realmente é uma ameaça à nossa privacidade, mas o fato é que abrimos mão dela voluntariamente. Adoramos falar de nossas vidas, para que todos saibam o quão “felizes” somos – mesmo que seja apenas uma felicidade de fachada. Sabemos demais da vida dos outros e eles sabem demais da nossa: será que realmente precisamos disso?
  • Blogar mais. “Ué, mas a ideia não era trocar o Facebook pelo Twitter?”, me perguntará o leitor incrédulo. Pois é isso mesmo. Porém, mais de uma vez percebi que estava fazendo, no Facebook, algo que poderia muito bem ter feito aqui no Cão: escrever comentários mais longos, bem maiores que um tweet. Muitas vezes, os 140 caracteres do Twitter são pouco espaço para dizer o que realmente se pensa. O Facebook pareceria ser o espaço ideal para isso, porém, não é aberto a todos (muito embora pouca gente não tenha conta no Facebook hoje em dia). Em blogs, todo mundo pode ler e comentar. Sem contar que é possível o blogueiro estabelecer limites e evitar que alguém “baixe o nível” da discussão, enquanto no Facebook não existe moderação de comentários e então vira aquela “coisa”.

Algo que canso de dizer: é bom checar a informação

Várias vezes, detonei boatos que circulam na internet. São idiotices que as pessoas repassam por serem ingênuas, e principalmente por “confirmarem” aquilo no que elas acreditam cegamente.

É muito fácil fazer a (des)informação circular: basta criar uma história qualquer e divulgar. Até uns tempos atrás isso se dava principalmente por e-mail (as malditas correntes), e agora é feito via Facebook. Mas, ao mesmo tempo a internet oferece a solução: uma pesquisa básica ajuda a desmentir essas bobagens.

Mas o que mais me surpreende não é nem que haja tanta gente que acredite em boatos e os compartilhe. Pior é ver jornalistas (ou seja, pessoas cuja profissão faz com que seja obrigatório verificar se a informação é verídica antes de sair divulgando) caírem em certas pegadinhas.

Foi o que aconteceu nesta semana aqui no Rio Grande do Sul, numa histórica “barrigada” (jargão jornalístico para notícias erradas) da imprensa esportiva. Dois amigos, torcedores gremistas, fizeram uma brincadeira e disseram no Twitter que o Grêmio estava se acertando com um jogador chamado Enrico Cabrito. A história acabou ganhando repercussão quando jornalistas repassaram a “informação” sem se darem ao trabalho de fazer uma pesquisa no Google, que os faria perceber que o tal Cabrito não existia. E assim o uruguaio (ou era argentino?) chegou a ter sua “provável contratação” divulgada até na televisão… O que seria um furo, informação em primeira mão, acabou se revelando uma furada.

O pior de tudo é que o caso, genialmente apelidado de “Cabritogate”, não é algo inédito. No final de 2011, a Rádio Gaúcha chegou a divulgar que o Grêmio estava por contratar um “craque” chamado Bruno Camargo – que assim como Cabrito, não existia. A brincadeira começou no Orkut, com a divulgação de um vídeo do suposto jogador do time B do Chelsea viria para o Olímpico, e torcedores chegaram a produzir, de gozação, um artigo na Wikipédia sobre o “goleador” e uma mensagem de boas vindas ao “Camargol”.

Cabrito e “Camargol” mostram o que a ânsia pelo furo pode fazer com o jornalismo: a valorização da velocidade em detrimento da qualidade da informação acaba por expor profissionais ao ridículo. Afeta suas credibilidades, da mesma forma que acontece com alguém que me repassa alguma coisa “bombástica” que é uma grande bobagem.

Mas a credibilidade pode ser recuperada: basta reconhecer o erro e aprender a lição. Seja para noticiar ou simplesmente para embasar sua opinião, é preciso checar a informação antes de usá-la como “verdade”. Do contrário, corre-se o risco de ser cada vez menos levado a sério.

Mais Cão, menos Facebook

Como gremista, sou daqueles que dizem “o jogo só termina quando o juiz apita”. O mesmo vale para o ano: me recuso a fazer qualquer retrospectiva antes de 1º de janeiro.

Ainda assim, uma coisa posso afirmar sem medo de errar, infelizmente: fiquei devendo muito a vocês, leitores do Cão Uivador, neste ano que se aproxima do término (que pode ser tanto o “normal”, dia 31, como o “fim do mundo” na próxima sexta…). Postei bem menos do que desejava, e mesmo do que poderia.

Posso citar diversos motivos. Um deles é o fato de agora estar cursando uma especialização, o que me toma tempo: além de ter aulas duas vezes por semana, também tem ocasiões em que não posso sentar na frente do computador e escrever aqui, por ter algum texto para ler ou um trabalho para entregar. Enfim, nada com que eu não tenha me acostumado em seis anos de faculdade. A diferença é que naquela época eu era (um pouco) menos estressado do que hoje.

Então parei para pensar e reparei no fundamental: fico tempo demais no Facebook. É incrível: chego em casa, ligo o computador, e lá me vou acessar a cria de Mark Zuckerberg. “Quero me manter informado”, penso.

Mas nem toda a informação que obtenho pelo Facebook é realmente interessante. Ou será que preciso realmente saber que fulano de tal esteve no buteco X na hora Y com um certo número de pessoas? No fundo, a tal de “privacidade”, que tantos diziam ser ameaçada pelo Facebook, realmente vai para o espaço. E pior: abrimos mão dela voluntariamente. As pessoas se expõem a um ponto que aquela genial crônica de Luis Fernando Verissimo pode ser atualizada, pois o cara não precisa mais se esconder atrás de um poste à meia-noite, “sob o olhar curioso de cachorros e porteiros”, para ver se a Gesileide chega em casa com alguém: basta “espiar” o perfil dela.

Um fato que pode parecer irônico: há uma grande possibilidade do leitor ter chegado aqui graças a um link no Facebook. Mas não acho contraditório: lembro que saí do Orkut em 2006 e voltei no início de 2009 (ao mesmo tempo em que entrei no Facebook) com o objetivo de aumentar as visitas ao Cão. Até perto do final de 2010 o que eu fazia no Facebook era basicamente divulgar as atualizações do blog (ou seja, o mesmo que no Orkut), só comecei a usá-lo mais durante a campanha eleitoral (em conjunto com o Twitter, que anda meio “abandonado” mas pretendo retomar).

Ou seja, no fundo minha ideia inicial com o Facebook (e a de retomar o Orkut) em 2009 era a de usá-lo como ferramenta de divulgação, da mesma forma que o Twitter. E nesse sentido, ele é ótimo. O problema, como falei, é o “vício” de estar “por dentro” de coisas que não são exatamente as mais importantes do dia.

Sendo assim, tomei uma decisão: ficar menos tempo no Facebook e mais escrevendo aqui no Cão, ou lendo. Não é “resolução de ano novo” pois pretendo pôr em prática já, sem contar que fazer “resoluções de ano novo” é o primeiro passo para não cumpri-las.

E por fim, lembro que lá no começo do texto falei em “retrospectiva”. Pois é, o Facebook ofereceu uma (com fatos escolhidos por ele próprio) para postarmos em nossos perfis.

Pois eu não postarei. Favor não insistir.

SIM à campanha eleitoral no Facebook. Viva a democracia!

Começou na última sexta-feira a campanha eleitoral de 2012. Será a primeira em que o Facebook é a rede mais utilizada pelos brasileiros: dois anos atrás, tal papel ainda pertencia ao Orkut; e o Twitter foi muito mais importante na briga por votos.

Ao mesmo tempo em que era aberta a “temporada de caça ao voto”, uma imagem começou a ser compartilhada por vários de meus contatos. Com uma mãozinha com o polegar para baixo (figura inversa à que simboliza o “curtir”), dizia “não à propaganda política no Facebook”. Não compartilhei, e uma das primeiras coisas que pensei foi em como responder àquilo.

Me pergunto: qual é o problema de alguém pedir voto pelo Facebook? “Propaganda indesejada”? Ora, até parece que ninguém nunca recebeu uma ligação de telemarketing, nem um spam via e-mail…

Aliás, reparem que o telefone não nos dá a opção de escolher quem nos liga: apesar de ser possível bloquear a chateação do telemarketing, sempre haverá o risco de alguém se enganar de número, ou mesmo de estar ocupado e ter de atender o maldito telefone porque aquela campainha já está dando nos nervos.

O e-mail, por sua vez, nos permite decidir se respondemos ou não. Mas também não escolhemos quem enviará mensagem: apesar do spam poder ser marcado como tal, sempre surgem novos – assim como os vírus.

Já o Facebook, assim como o Twitter (e mesmo o Orkut), nos dá a opção de escolher com quem iremos interagir. Adicionamos quem nos interessa, e se a pessoa é muito chata, podemos excluí-la de nossa lista para que não recebamos mais suas atualizações.

Assim, se o leitor está “de saco cheio de tanta propaganda eleitoral no Facebook”, acho melhor (e bem mais eficaz) fazer uma “faxina” em seus contatos ao invés de ficar “cagando regra”, dizendo o que os outros podem ou não postar. Essa atitude de querer mandar os outros pararem de falar sobre certo assunto é extremamente antipática, chegando mesmo a ser autoritária.

E sinceramente, o cara do qual se reclama por usar o Facebook para fazer campanha eleitoral (para si mesmo ou para um candidato no qual deseja votar), pode muito bem achar um pé no saco as mensagens religiosas ou piadas sobre futebol que muita gente compartilha. Talvez ele nunca tenha se metido a querer determinar o que os outros irão ou não postar, mas se o fizer, é recomendável que também dê uma “reciclada” na sua lista de contatos.

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Em tempo: não bloquearei quem postar a imagem da qual falei. Aliás, nunca excluí ninguém de minha lista de amigos (a única pessoa que foi “banida” sequer estava dentre meus contatos); em compensação, já fui “deletado” por pessoas que não suportaram algumas de minhas opiniões. Mas, por ser mais tolerante do que eu mesmo achava que era, muita gente acabou me surpreendendo positivamente.

Quando 15 anos se tornam um detalhe

As páginas de redes sociais (Orkut, Facebook etc.) têm muitos defeitos, como a exposição exagerada (privacidade vai virando “peça de museu”, mas tomando cuidado, é possível não tornar pública toda sua vida). Mas uma de suas qualidades inegáveis é a possibilidade de aproximar muitas pessoas que têm algo em comum. Gostos, preferências políticas, times de futebol, religiões (ou não ter religião), mesmo ambiente de estudo, de trabalho etc.

Muitas vezes, estas estas pessoas têm também em comum um passado. Anos de vivência no colégio, na faculdade, no trabalho, nos mais diversos espaços. Porém, o tempo passa, e se a vivência deixa de ser compartilhada, os laços podem acabar se desfazendo. Mais uma função para as redes: não deixar que as pessoas se afastem (se não fisicamente, “virtualmente”).

Mas o mais legal é a possibilidade de reaproximar as pessoas que as redes proporcionam. O fato de perder o contato com um velho amigo não quer dizer que ele não fosse importante para nós: à medida que vamos conhecendo pessoas novas, muitas vezes elas acabam meio que “tomando o lugar” das mais “antigas”. Mas, aí reencontramos um amigo que não víamos há vários anos, e parece que fazia pouco tempo que tínhamos nos falado pela última vez.

Foi o que aconteceu este ano, quando reencontrei parte da minha turma do 1º Grau (“Ensino Fundamental” é denominação posterior, portanto, anacrônica se aplicada ao período de 1989 a 1996), que cursei na Escola Estadual de 1º e 2º Graus Marechal Floriano Peixoto. Fora alguns colegas que vi mais seguido, a maioria eu tinha visto poucas vezes nos últimos 15 anos. (Naquela época, a internet engatinhava, Orkut e Facebook não existiam…)

Quando nos reencontramos, foi como se não tivesse passado tanto tempo. Lembramos, “como se fosse ontem”, de como nos divertíamos naquela época, das mais variadas maneiras possíveis. Passeios, festas, futebol (sempre ele…), professores, e mesmo as paixões frustradas (ou não) daquela época. O meu desempenho “a la Barcelona de 2011” nas provas também foi lembrado, mas interessante que do meu quase fiasco de 1993, ninguém lembra.

O bacana é que um mero reencontro presencial que reuniu apenas cinco pessoas em junho, acabou resultando num grupo no Facebook que já conta com mais de 20 integrantes. E agora, ninguém fala mais em “reencontro”: toda hora, a ideia que surge lá é a de “vamos tomar um chopp?” (e já tomamos mais de um). Ou seja, é como se 15 anos de distância tivessem se tornado apenas um detalhe.

Foi, sem dúvida, uma das melhores coisas que aconteceram neste ano que, infelizmente, se encaminha para o final. Aliás, algo em comum com 1995 e 1996, os dois anos mais marcantes daquela época em que estudei no Floriano: eu gostaria que durassem um pouco mais.

Será que nasci no país errado?

Sou graduado em História, título conquistado em 14 de dezembro de 2009, quando minha monografia de conclusão recebeu conceito “A” da banca. (Oficialmente foi em 18 de fevereiro de 2010, dia da formatura em gabinete, mas para mim a data marcante foi 14 de dezembro de 2009.)

Se minha formação é em História, obviamente sou um cara que valoriza o passado. O que não quer dizer que ache bom tudo que é antigo, nem ruim tudo que é novo. Num exemplo, eu não trocaria o Brasil de hoje pelo de 30 anos atrás.

Brasil, 30 anos atrás… Era 1981: além de ser o ano que nasci, nosso país era também uma ditadura militar. Decadente, mas ainda ditadura, que chegava a apelar para o terrorismo para tentar evitar a volta da democracia, como se viu naquele atentado no Riocentro.

Em 1981, a ditadura na Argentina também estava em decadência – mas, para tentar esconder isso, no ano seguinte os militares argentinos apelaram para o orgulho nacional que envolvia a centenária disputa pelas Ilhas Malvinas, enviando soldados para uma guerra suicida contra a Inglaterra.

O povo argentino voltou a votar para presidente em 1983. Já aqui no Brasil, isso só se deu em 1989, ou seja, seis anos mais tarde.

Com o fim da ditadura na Argentina, iniciou-se uma luta por justiça. Militares envolvidos com a repressão foram julgados e condenados. Houve um retrocesso (a “Lei do Ponto Final” e a “Lei da Obediência Devida”, visando ao esquecimento), mas com o passar do tempo, tornou-se imperioso passar a limpo o tenebroso período que, apesar de ter durado apenas sete anos (1976-1983), resultou na morte e/ou no desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas. Resultado: se voltou a julgar criminosos de lesa-humanidade, e os arquivos da repressão foram abertos.

Já no Brasil, 26 anos após o poder voltar às mãos dos civis, ninguém foi punido por atrocidades cometidas durante os 21 anos (1964-1985) de ditadura militar. Enquanto na Argentina até mesmo os ditadores (como Jorge Rafael Videla) foram parar na cadeia, aqui todos eles já morreram, sem pagarem por seus crimes. O acesso aos arquivos da repressão é negado. E não bastasse isso, Jair Bolsonaro consegue ser eleito deputado federal (quem vota nele, defensor da democracia não é).

E agora, mais uma notícia que me fez sentir muita inveja dos argentinos: um padre que abençoava os “voos da morte” (em que prisioneiros ainda vivos eram jogados de aviões ao mar) foi denunciado enquanto rezava uma missa.

A Argentina tem memória, se recusa a deixar que o período mais tenebroso de sua história caia no esquecimento, enquanto no Brasil não vemos nenhum esforço no sentido de se esclarecer aqueles tristes anos (e quem procura lembrar, para que não se repita, ainda é chamado de “revanchista”). Diante disso, começo a achar que nasci no país errado. Mas, ainda tenho esperança de que se comprove que minha nacionalidade brasileira não é um erro geográfico.

31 de março e 1º de abril, amanhã e sexta, são dois dias para se lembrar, nas redes sociais, que há 47 anos houve um golpe que instaurou uma ditadura militar no Brasil, e que não queremos isso NUNCA MAIS.

Lembrando os dois dias em memória das vítimas da ditadura

É daqui a duas semanas… Dias 31 de março e 1º de abril: ou seja, tanto o dia em que a direita celebra a “revolução”, como o que o golpe se consolidou. Retiremos as imagens de perfil nas redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter etc.), e as substituamos por um “nunca mais”, e também uma explicação no perfil, de que estamos lembrando os 47 anos do golpe de 1964.

E para quem acha que isso é bobagem, que o golpe aconteceu há quase meio século e a ditadura acabou há 26 anos, Eduardo Guimarães lembra que ela ainda não morreu.

Dois dias em memória das vítimas da ditadura

Ano passado, propus que nos dias 31 de março e 1º de abril, retirássemos nossas imagens de perfil nas redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter etc.) e as substituíssemos por um “nunca mais”, em lembrança ao aniversário do golpe militar de 1964. A ideia surgiu a partir de uma notícia que li na página do jornal argentino Página 12, sobre a mobilização para lembrar o motivo do dia 24 de março, aniversário do golpe de 1976 na Argentina, ser feriado nacional com o nome de Dia Nacional de la Memoria por la Verdad y la Justicia:

Para que quem ainda pergunta por que este dia é feriado, veja como seria se muitas pessoas queridas se ausentassem todas juntas, como aconteceu durante a ditadura.

Já cheguei a ler comentários de argentinos falando que seu país “tem a memória fraca”, por incrível que pareça – por lá ao menos os responsáveis pela carnificina estão sendo julgados e condenados.

Se a Argentina é um país “de memória fraca”, o que dizer do Brasil então? Nosso país é o único do Cone Sul que nada fez em busca de reparação aos familiares das vítimas da ditadura. Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai estão “passando a limpo” o seu passado ditatorial. Já aqui, continua tudo na mesma, em nome de “evitar o mal-estar com os militares”. Aliás, me pergunto se não seria melhor para a imagem das Forças Armadas colaborar para a elucidação dos crimes da ditadura, e deixar de tecer loas a militares que violaram a lei máxima do Brasil (ou seja, a Constituição) em 1964.

Por parte do governo não podemos esperar nada nesse sentido (que decepção, Dilma!), mas nós mesmos podemos fazer algo. Assim como no ano passado, vamos retirar nossas imagens de perfil das redes sociais nos dias 31 de março e 1º de abril, e substituí-las por um “nunca mais”. Mas, claro, não basta isso: é bom colocar na descrição do perfil o motivo – ou seja, explicar que é pelos 47 anos do golpe – para que as pessoas entendam com mais facilidade o nosso objetivo, que é induzi-las a pensar, lembrar que houve uma ditadura em nosso país e isso não deve ser esquecido, e também para dizer: DITADURA NUNCA MAIS!

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Atualização (13/03/2011, 22:53): Vamos também usar uma hashtag no Twitter e tentar levá-la aos TTs nos dois dias. Proponho #DitaduraNuncaMais, quem tiver outra ideia, fique a vontade para sugerir nos comentários.