Feliz 2014?

Peço desculpas aos que estão naquele clima de euforia pelo ano novo, mas eu não embarco junto. Ainda mais que, definitivamente, não tenho mais saco para festas de final de ano. Muito embora se possa dizer que 2013 é daqueles anos que, da mesma forma que 1968, não terminam com o 31 de dezembro.

A maior parte das pessoas deve pensar em 2014 e lembrar da Copa do Mundo. “Imagina na Copa”, eis o bordão preferido de muitos – e que, convenhamos, faz bastante sentido. Será uma época em que teremos muito futebol, mas também o estado de exceção. Foram-se os tempos em que o início de um ano de Copa me empolgava.

O ano que se inicia também terá eleição presidencial. Lembram do nojo que foi 2010? Foi uma campanha marcada mais por “denuncismo” e ataques do que por discussão de propostas. E em 2014 tende a ser pior: o PT completará 12 anos no governo – o que não quer dizer 12 anos sem a direita lá, dadas as alianças pela “governabilidade” (Renan Calheiros e Marco Feliciano estão aí para provar); a oposição de direita (PSDB/DEM/PPS), que não tem projeto, fará de tudo em termos de baixaria (que será igualmente respondida), pois é o que lhe resta. Então, nos preparemos para os panfletos apócrifos, discussões vazias… Nada surpreendente, dada a atual “padronização” das campanhas eleitorais – como mostra o vídeo abaixo, uma genial sátira que reflete muito bem o que se viu nas eleições municipais de 2012.

“Tem também eleições para outros cargos”, alguém lembrará. Sim, também elegeremos governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Então lembro de várias análises que li e que me preocupam: a bancada evangélica no Congresso, que tem pavor do Estado laico, deve crescer na próxima eleição.

Fica a dúvida: torcer para 2014 passar correndo? Pedir para ficar em 2013?

Bom, acho que só resta mesmo tentar fazer alguma coisa para salvar o ano que se inicia, e quem sabe as piores previsões não se confirmem. Dessa forma, será possível que tenhamos, realmente, um feliz 2014.

Santiago resume a campanha eleitoral

Pelo menos, dos principais candidatos à prefeitura de Porto Alegre… Conforme já tinha dito, Fortunati não enfrentou uma oposição de verdade, a não ser se falarmos de candidatos pouco votados. Ficou fácil demais para o atual prefeito.

A prova de que estupidez é o que não falta

Ontem pela manhã, foi noticiada pela imprensa a descoberta de um tumor na laringe de Lula. O ex-presidente fará tratamento com quimioterapia.

Logo que a notícia foi divulgada, diversos líderes políticos de situação e oposição manifestaram solidariedade a Lula e à família dele. Bem diferente de pessoas que comemoraram e anunciaram a torcida pela morte do ex-presidente.

Pois uma coisa é não ter gostado dos 8 anos de governo Lula, assim como eu não gostei dos 8 anos de Fernando Henrique Cardoso na presidência. Mas torcer para que ele morra (mesmo sendo a morte a única coisa certa da vida), é algo totalmente diferente.

Desejar a morte de um adversário político (desta forma vendo-o como um inimigo) é uma atitude das mais estúpidas que alguém pode ter. Demonstra uma total falta de civilidade – e podem ter certeza que estes “torcedores” pela morte de Lula se acham os “superiores”, os “civilizados”.

Pois digo que quem deseja a morte de um adversário político não é superior a ninguém, seja de esquerda ou de direita. Se fosse FHC que estivesse doente, um petista que comemorasse a notícia seria tão estúpido quanto os que celebram o câncer de Lula.

Quem vê o oponente como um inimigo, precisa rever urgentemente o seu conceito de política. Até porque a vida inteira deparamos com pessoas que pensam diferente (ninguém é 100% igual a nós) e, se as rejeitássemos de cara, deixaríamos de descobrir o que temos em comum, que poderia até mesmo se transformar numa grande amizade.

Brasil, Cuba, liberdade e falta dela

Ontem, o presidente Lula cometeu um ato extremamente infeliz. Questionado sobre o recurso à greve de fome utilizado por presos por motivos políticos em Cuba para obterem liberdade, Lula comparou-os a presos comuns para criticar a medida.

A declaração do presidente foi infeliz por dois motivos. Primeiro, porque no passado muitos presos políticos no Brasil se utilizaram da greve de fome para denunciarem suas detenções arbitrárias pela ditadura militar. Segundo, porque não dá para comparar um preso por assassinato com um que simplesmente declarou ser contra o governo e por isso foi para trás das grades: assassinato é crime sempre, já ser contra o governo só é considerado crime se o governo for ditatorial.

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Claro que não dá para igualar o regime do Partido Comunista Cubano com a ditadura militar brasileira de 1964-1985. Pois se os dois reprimiram discordantes em relação ao governo, Cuba hoje é melhor do que era antes da Revolução (e vale lembrar que não era nem um pouco democrática): basta verificar seus indicadores sociais, superiores aos nossos. Já o Brasil de 1985 tinha a economia em frangalhos, pior distribuição de renda do mundo, aumento da favelização e do domínio do tráfico nas favelas (já que por 21 anos o Estado esteve mais preocupado em “combater o comunismo” do que em dar assistência aos pobres), dentre outras mazelas. Diz o ditado que “a melhor das ditaduras não é melhor que a pior das democracias”, mas na comparação entre ditaduras, não resta dúvidas sobre qual delas foi melhor (ou pior) para seu povo.

Quanto à liberdade (ou a falta dela), Cuba pode ser criticada. Mas é preciso ter cuidado, porque para os cubanos, “liberdade” pode ser muito mais do que o simples direito a contestar seus governantes – provavelmente eles não se sentissem muito livres em um país no qual se pode falar mal do governo mas, caso não se tenha dinheiro para o tratamento de uma doença, a morte fica mais próxima.

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Ao mesmo tempo, uma coisa é certa. Muitos direitosos virão com o papo de que “em Cuba se violam os direitos humanos!” e blá blá blá para criticarem a esquerda.

Porém, ao mesmo tempo defendem a ditadura militar no Brasil, pena de morte e ainda dizem que “o pessoal dos direitos humanos só defende bandidos”. Trata-se de pura hipocrisia, pois criticam os atos de um outro país mas defendem os mesmos ou semelhantes para o seu.