Vem aí mais um assalto ao bolso do porto-alegrense

A passagem de ônibus em Porto Alegre, que já é cara, pode ficar ainda mais cara: pelo que fiquei sabendo via  Twitter, a tarifa pode subir a R$ 2,75! Como sempre, o aumento vem no meio do verão, para dificultar a mobilização dos cidadãos.

Já se paga muito por um serviço que não melhora, muito pelo contrário. Se ao menos toda a frota tivesse ar condicionado (em verões rigorosos como este, faz muita falta), os horários fossem cumpridos e os veículos andassem menos cheios, seria menos injusto gastar R$ 2,45 (tarifa atual) por viagem.

Com tantos aumentos, a diminuição no número de passageiros que se verificou muito nos últimos anos é uma consequência óbvia. Eu próprio sirvo de exemplo: antigamente valia a pena pegar ônibus para deslocamentos relativamente curtos, pois o gasto não era tão grande – e com ar condicionado num dia de calorão, então, podia-se dizer que era quase “de graça”, dado o conforto; agora, só pego ônibus se o lugar para onde vou é realmente longe, ou se corro risco de chegar atrasado. Se bem que de ônibus também se corre tal risco, dados os atrasos e o trânsito cada vez mais caótico – que é estimulado por tantos aumentos, pois com um transporte público ruim, quem tem carro dificilmente irá deixá-lo na garagem, e a maioria de quem não tem quer logo ter.

Até para ir aos jogos do Grêmio, tenho levado o hino ao pé da letra, indo a pé ao Olímpico (e às vezes voltando também). E não é um deslocamento relativamente curto: são aproximadamente quatro quilômetros de caminhada.

Ah, e tudo isso sem contar o péssimo estado de conservação das paradas de ônibus em Porto Alegre… Lembrando que em abril passado um jovem morreu eletrocutado em uma delas.

————

O aumento de R$ 0,30 na tarifa pode parecer pouco, mas pense em quem usa ônibus todos os dias. São R$ 0,60 a mais por dia, isso se a pessoa só precisa de uma linha para os deslocamentos. Agora, multiplique isso por todos os dias úteis de cada mês, e perceba que faz diferença, sim, no orçamento – principalmente dos mais pobres.

Como maquiar um problema sério

Hoje à noite, o estádio de outro clube na cidade do Grêmio sediará a decisão da Taça Libertadores da América. Não vou falar do jogo em si, nem sequer perderei meu tempo assistindo à partida (vou ler Bourdieu que eu ganho mais).

O que me chamou a atenção foi a medida adotada pela prefeitura para diminuir o caos no trânsito de Porto Alegre: antecipar o fim do expediente do funcionalismo público para as quatro da tarde – ideia que foi seguida por órgãos estaduais e federais na cidade. Assim, se reduz o número de carros nas ruas nas horas mais próximas ao jogo.

Ótima ideia, né? Assim, os jornalistas de outros países que estão em Porto Alegre para cobrir o jogo não ficam com uma impressão tão ruim da cidade… Não perceberão que ela está quase parando, devido a tantos carros nas ruas.

E a prefeitura tem participação nisso, sim, mesmo que também haja um problema de mentalidade (individualismo): muitas pessoas compram carros porque “dá status”, mas também para fugir do transporte coletivo, que já foi melhor por aqui. Mesmo que tenham de ficar horas paradas no trânsito ao volante de seus carros, preferem-no do que passar o mesmo tempo dentro de um ônibus lotado e sem ar condicionado. Bicicleta, então, para eles é “atraso”, mesmo que estejam se tornando cada vez mais populares em países da Europa (que para eles é “civilizada”).

Se o transporte coletivo fosse melhor (e nem falo só de ônibus: Porto Alegre já tinha de ter um metrô mais extenso, assim como linhas de barco aproveitando o Guaíba) e houvesse ciclovias de verdade, seria mais fácil convencer as pessoas a deixarem seus carros em casa ou a nem os comprarem. Tudo bem que se mais gente deixasse de usar o automóvel sem esperar tais melhoras, isso significaria mais cidadãos (e eleitores – que é o que importa para boa parte dos políticos) a reclamarem do caos nas ruas. Mas isso não exime a prefeitura de sua responsabilidade, de forma alguma.

Como melhorar uma cidade

Não é preciso buscar inspiração em cidades europeias. Basta seguir o exemplo de Bogotá, como mostra a ótima matéria de Renata Falzoni com o ex-prefeito da capital colombiana, Enrique Peñalosa. Lá, a prefeitura melhorou o trânsito enchendo a cidade de ciclovias e corredores de ônibus. E a criminalidade… Baixou um monte!

Já aqui em Porto Alegre, ontem foi mais um dia de caos, só para variar… Um acidente num ponto localizado trancou a cidade inteira. Que aliás, nem tem mais hora para congestionar: a expressão “horário de pico” atualmente só serve para designar o momento em que há 100% de chances de ficar preso no engarrafamento. Pois durante todo o dia há possibilidade de se pegar uma tranqueira em algum ponto de Porto Alegre.

A solução? Já tem alguns “iluminados” defendendo que táxis com passageiros circulem por corredores de ônibus… Aí mais gente vai sair sozinha em seu carro, achando que “vai estar melhor”, e o trânsito ficará mais caótico. O que atinge também os ônibus (além dos táxis, mesmo com a permissão para andarem nos corredores), nas ruas onde não há a faixa exclusiva para eles. E mesmo onde há, visto que terão de dividir o espaço com os táxis.

De quem é a responsabilidade

Começou um jogo de empurra entre as autoridades no caso do jovem Valtair de Oliveira, morto por um choque elétrico em parada de ônibus na Avenida João Pessoa. A EPTC empurra a “batata quente” para a CEEE, que por sua vez diz que a parada é responsabilidade municipal – o que é a mais pura verdade.

A estrutura da parada é da EPTC, já o poste de iluminação pública que seria a origem do problema é da Divisão de Iluminação Pública da SMOV. Ou seja, a competência é toda do Município. O máximo que se poderia exigir da CEEE seria cortar a energia do local.

E mesmo que a EPTC tenha contatado a CEEE três vezes antes da tragédia – o que é negado pela segunda – a responsabilidade continua a ser municipal. Pois por que raio de motivos aquela parada não foi interditada até que o problema fosse resolvido? E por favor, fita de isolamento não é interdição: era preciso que os ônibus fossem desviados para fora do corredor naquele ponto, sendo aguardados pelos passageiros na calçada em frente à Faculdade de Direito da UFRGS.

Ia “congestionar o trânsito”? PQP, o fluxo de carros é mais importante que a vida das pessoas?

————

E o pior é que o trágico episódio nem é fato isolado. Há relatos de choques elétricos em outras paradas de ônibus. É mais uma mostra do descaso com que as autoridades vêm tratando a cidade nos últimos anos.

Já tivemos ônibus infestado de baratas e também perdendo as rodas, a limpeza de ruas e parques têm deixado a desejar, a saúde pública está ruim (mas não para outros interesses)… E outro problema que, embora não seja novo, parece ter piorado muito, é a conservação das calçadas (quem fiscaliza isso?). Foi graças a um passeio mal-conservado que minha avó, de 88 anos de idade, caiu um tombo no início de fevereiro e precisou passar mais de um mês com o braço direito engessado.

Era só o que faltava

Impossível ler uma notícia assim e não pensar: “poderia ter sido comigo ou com qualquer amigo ou conhecido que ande de ônibus”. Um jovem, que retornaria da escola para casa, morreu eletrocutado após encostar em uma grade da parada de ônibus na Avenida João Pessoa, em frente ao Campus Central da UFRGS.

E o pior de tudo é que o problema já era conhecido: moradores da região dizem que a parada está energizada há cerca de um mês, e um segurança da UFRGS diz que alertou a EPTC após uma menina levar um choque no dia 28 de março. E o local sequer foi interditado – diz o prefeito José Fortunati que uma equipe verificou a estação e “não encontrou problemas”.

E José Fogaça, prefeito até o último dia 30, quer ser governador do Rio Grande do Sul. Que beleza.

De terno e gravata

Essa aconteceu em 22 de dezembro de 2005.

Eu iria a uma formatura de Direito na PUCRS – dois amigos meus, Guilherme e Leonardo, se graduavam. A cerimônia começaria às 16h. E fazia um calorão, bem típico do verão porto-alegrense que começava.

Combinei com o Marcel (o mesmo amigo do hilário episódio do Heinhô Batista!) de irmos juntos. Conforme o combinado, passei na casa da avó dele, que fica bem perto de onde moro. Cheguei lá e ele ainda não havia terminado de se arrumar.

Quando vi ele descendo a escada, não acreditei. Terno e gravata! Com aquele calor! Avisei a ele sobre a alta temperatura, mas ele queria ir daquele jeito. Então… Azar o dele.

Saímos e nos dirigimos à Avenida Osvaldo Aranha. E o Marcel falou: “vamos pegar um táxi”.

“Táxi?”, respondi. “Vamos de ônibus, ora!”.

“Mas tá muito quente!”, ele respondeu.

“Sim, tá quente, mas não estou vestindo uma roupa totalmente incompatível com esse calor (eu vestia calça jeans e camisa social – de manga curta, é claro). Tu tá de terno e gravata porque quer. E eu quero ir de ônibus ao invés de gastar dinheiro em táxi às três da tarde”.

E pegamos um ônibus. E sem ar condicionado – reconheço que exagerei na dose com o coitado do Marcel! Se bem que estávamos preocupados em não nos atrasarmos, então pegamos o primeiro ônibus que passou com destino à PUCRS – poderíamos esperar mais e pegar um com ar condicionado, mas aí haveria o risco do atraso.

Só que, convenhamos, a culpa foi dele. Terno e gravata, um traje europeu, não é roupa para ser usada no Brasil, um país tropical (e o Rio Grande do Sul tem clima subtropical, ou seja, não deixa de ser também tropical, como provam os dias de calor que se registram no inverno). Nós não somos europeus, mesmo tendo inverno com temperaturas negativas e (às vezes) neve: até parece que isso é exclusividade da Europa! Inclusive os invernos mais frios, excetuando a Antártida, são os da Sibéria, que fica na Ásia.

Inclusive, foi um mês depois desse episódio que tomou posse como presidente da Bolívia um homem que não veste terno e gravata, chamado Juan Evo Morales Ayma. O primeiro indígena a governar um país cuja maior parte da população é como ele, prefere não usar as roupas dos colonizadores.

Quanto à formatura: a cerimônia, é claro, foi uma chatice. Depois que acabou, tive de optar por uma das duas recepções: acabei indo à do Guilherme. Poupei o Marcel de passar mais calor, e pegamos um lotação, com ar-condicionado…

Baderna é ônibus a R$ 2,35 em Porto Alegre

Ontem à tarde, a Brigada Militar reprimiu violentamente uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre. A tarifa atualmente é de R$ 2,10 e poderá ir a R$ 2,35!

Houve um tempo em que valia a pena pegar ônibus em Porto Alegre. Logo que implantaram os primeiros veículos com ar-condicionado, especulava-se que teria que se pagar mais caro para embarcar neles, mas o valor da tarifa era o mesmo dos ônibus normais – se não me engano, 70 centavos. Lembro que uma vez fui visitar um amigo que não morava muito longe da minha casa, mas o calor era tão insuportável que voltei de ônibus: peguei um T5, com ar-condicionado.

Hoje, por incrível que pareça, é mais fácil suportar o calor horroroso de Porto Alegre. Pois a tarifa aumenta, mas a qualidade dos ônibus só piora. A Carris, que já foi eleita por duas vezes a melhor empresa de ônibus urbanos do Brasil, agora tem até baratas em seus veículos e praticamente deixou de adquirir veículos com ar-condicionado – com exceção dos mini-ônibus das linhas circulares do Centro, há quatro meses da eleição, e que andam quase sempre cheios. E o TRI RUIM só serviu para deixar as coisas ainda piores.

Atualmente, só não vou a pé para o Campus do Vale porque 14 quilômetros é uma distância considerável. Tem valido muito mais a pena caminhar, mesmo com calorão, do que andar de ônibus. Até porque, considerando a relação custo-benefício, para aliviar o calor é mais negócio comprar uma garrafinha de água mineral do que pegar um ônibus.

————

Atualização: ouvi notícia de que a passagem subirá um pouco menos, irá a R$ 2,30 se o Fogaça sancionar. Mas ainda é um absurdo.

Grêmio: não à “arena”!

Em junho de 2007, o Kayser postou um ótimo texto e uma charge hilária a respeito da proposta de se construir uma “arena PIFA” para o Grêmio:

arena_fifa

Afinal, de uma hora para outra, parecia que o “sonho dos gremistas” passara a ser a tal “arena”. Mais do que ter um time forte, capaz de vencer a Libertadores: perdemos para o Boca em 2007 devido à nossa fragilidade, pois eles só tinham o Riquelme – tanto que no Mundial, sem o craque, tomaram um tufo do Milan. Aliás, nas entrevistas após a derrota na final, o presidente Paulo Odone preferiu falar da falta que fazia a “arena PIFA” do que sobre a qualidade do time.

Duas semanas depois, uma bomba. Acordei e ouvi a notícia que apavorou a Nação Tricolor: Paulo Odone renunciaria à presidência para assumir a “Grêmio Empreendimentos”, empresa que seria (ou será) responsável por gerir a construção da “arena”. No lugar de Odone assumiria… Antonio Britto! Ele não era nada – repito: NADA – no Grêmio. Não ocupava cargo algum. E como conselheiro não era muito assíduo. Assumiria assim, sem sequer passar por eleição: em um país sério isso é chamado “golpe de Estado” (no caso, “de clube”). Uma clara manobra para que o ex-governador, companheiro de partido de Odone (PPS) reaparecesse na política. Porém, eles não contavam com a reação negativa da torcida, e assim o golpe foi abortado, com Odone ficando na presidência do Grêmio.

Em 9 de setembro de 2007, eu já havia postado a respeito do assunto “arena”. Em comentário no Alma da Geral, o leitor Jorge Vieira (que também costuma visitar o Cão) lembrou: o Grêmio é um clube falido, que deve para todo mundo, inclusive para jogadores que foram embora há 10 anos. Logo, não tem condições de ele próprio bancar a construção de um novo estádio. A obra só sai se for financiada por alguma empresa – que vai querer retorno de qualquer jeito, ninguém investe dinheiro para perdê-lo.

Houve uma proposta de se construir a “arena” no mesmo local do Olímpico, porém dois fatores a inviabilizaram: o Grêmio precisaria jogar em outro estádio durante a obra; e também havia o medo de que a construção não fosse concluída por questões financeiras (idéia que faz sentido em um momento como o atual), o que deixaria o Tricolor sem estádio. A opção pelo Humaitá assim tornou-se “natural”.

Porém, a proposta de contrato entre o Grêmio e a construtura OAS prestes a ser aprovada é apavorante. A “arena” terá seu uso “concedido” ao Grêmio. Sim, é isso mesmo: o novo estádio não será do Grêmio, e sim, da empresa, que irá explorar comercialmente a “arena” e o complexo de prédios comerciais que será construído no terreno. E os sócios gremistas não terão total direito ao usufruto das dependências da “nova casa” que, como já disse, não será realmente gremista.

Além disso, o que seria de um clube sem patrimônio? Pois é isto que irá acontecer com o Grêmio caso o contrato proposto seja aprovado. Em um ótimo artigo no blog do Hélio Paz, o Jorge Vieira deixou um comentário perturbador:

Hélio, se entendi bem o Imortal vira um tipo de marca, como o Nike. No Brasil o estádio identifica o clube é um espaço de interação dos torcedores. Tirar o estádio é acabar com essa troca entre os torcedores, surge então uma nova situação como marca, um produto. Não seria um passo para vender a marca? Pode ser uma loucura, mas o caminho fica aberto. Afinal quem é o dono da marca?

Ou seja: na prática, o Grêmio acabaria como clube de futebol (cuja razão de existir é a torcida), passaria a existir apenas como “marca”, comercial. A razão de existir seria apenas o lucro. Nos Estados Unidos, é o que acontece com os times da NBA, como mostra outro esclarecedor post do Hélio: as pessoas não torcem por clubes, e sim por “marcas”, que mudam de cidade de acordo com as “necessidades financeiras” dos proprietários.

Vale lembrar também que o clube de futebol ajuda a criar raízes para muitas pessoas. Não é simplesmente esporte: é o pertencimento a um grupo. Tanto que eu mesmo muitas vezes, ao falar do Grêmio, simplesmente uso o pronome “nós”: ganhamos, empatamos, perdemos, fomos campeões etc. O que faz do Grêmio grande é justamente a torcida, que está ao seu lado tanto na vitória quanto na derrota. Não fosse ela, o Tricolor seria apenas mais um clube social, que abre o departamento de futebol por poucos meses para disputar o Gauchão.

O impacto da “arena” será enorme sobre o torcedor comum. Pois o ingresso no novo estádio não será barato: certamente custará, no mínimo, 50 reais. Para os sócios, haverá uma cota de ingressos “gratuitos”, de aproximadamente 1.250 lugares – sendo que o Grêmio tem mais de 4 mil sócios apenas na modalidade patrimonial que, como diz a própria palavra, têm direito a usufruir do patrimônio do clube. Há ainda os milhares de associados em outras modalidades.

Será também mais caro ir aos jogos devido à distância. O Olímpico, situado dentro da cidade, é servido por um bom número de linhas de ônibus e lotação. A “arena”, no Humaitá, será voltada para quem tem carro – aliás, uma das queixas em relação ao Olímpico é sobre a falta de espaço para se estacionar. Ou seja, será o fim do “até a pé nós iremos” – o que faço muitas vezes – e passará a ser para a maioria das pessoas, o “só de carro iremos”.

Tudo isso por causa da Copa de 2014. Vale lembrar que o último Mundial, em 2006 na Alemanha, teve sua decisão no Estádio Olímpico de Berlim, construído na década de 1930 e reformado para a Copa do Mundo.

Sensação de caos

No final de tarde desta quinta-feira, eu me dirigia de ônibus ao Campus do Vale da UFRGS, já atrasado para a aula, quando próximo ao final da Ipiranga, parou tudo. Congestionamento total.

Quando o ônibus entrou na Antônio de Carvalho – ou seja, após uns 20 minutos de marcha lenta – percebi que a Brigada Militar fazia uma blitz na Bento Gonçalves. Claro que isso ocorre porque tem um monte de gente que anda sozinha de carro – a maioria deles no engarrafamento tinha só o motorista dentro -, mas me parece também que falta um mínimo de bom-senso à BM: por que diabos de motivos fazer blitz num horário que já é complicado?

Dizem que é para termos “sensação de segurança”, mas o que sinto é uma sensação de que as autoridades querem nos fazer de bobo. E o pior é que tem toda uma bovinada que adora o Coronel Mendes…