A “homenagem” ao Galvão

Em maio, a torcida do Grêmio “homenageou” Galvão durante o jogo contra o São Paulo, pela Libertadores. Não cantei junto: por estar com um forte resfriado, fiquei em casa aquela noite, e só depois soube da homenagem.

Mas o caso mais recente aconteceu durante Brasil x Equador, no Maracanã. Eu notara que estranhamente a torcida estava em silêncio, apesar da vitória parcial do Brasil. Não estava: os cânticos debochavam da Globo e de Galvão, e por isso o som da torcida fora cortado da transmissão.

Bom, já que a Globo cortou isso, podia ter cortado as vaias ao Lula na abertura do Pan. Mas como aí não interessava a eles…

E como disse o Luiz Carlos Azenha, a Globo saiu no lucro, pois o público limitou-se ao deboche: a torcida podia ter gritado “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”… Aliás, isso é algo que sonho em ver e ouvir no Olímpico.

Estatísticas do “Cão no Olímpico”

Fui ao Olímpico ver o Tricolor pela primeira vez muito tarde: só em 16 de setembro de 1995, quando o Grêmio perdeu por 3 a 2 para o Botafogo, no Campeonato Brasileiro que viria a ser conquistado pelo time carioca. Naquela ocasião, eu tinha 13 anos, e estava a 29 dias de completar 14.

O mau começo parecia indicar que eu seria um “pé-frio”. Mas não. O Grêmio venceu a maioria absoluta dos jogos em que estive presente ao Olímpico. Foram 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas, em 147 partidas. Foram marcados 401 gols: 263 do Grêmio, e 138 dos adversários.

As 147 partidas foram contra 60 times diferentes. Os mais enfrentados são os rivais regionais, Inter e Juventude (8 jogos contra cada um). O primeiro Gre-Nal foi em 20 de junho de 1999, aquele do Ronaldinho. De fora do Rio Grande, os mais enfrentados são Corinthians e São Paulo (6 jogos contra cada um).

Curiosamente, dentre os 27 clubes que “enfrentei” apenas uma vez, está ninguém menos que o Cruzeiro: derrota de 3 a 2, no dia 17 de outubro de 1999.

Os anos em que menos fui a jogos foram 1995 e 2004: apenas quatro partidas em cada um. Em 1995, fui ao primeiro jogo só em setembro (que foi o primeiro de todos). Já em 2004 aconteceu uma soma de fatores: estresse elevadíssimo por estar no primeiro ano da faculdade e por isso desacostumado com a grande quantidade de leituras + segundo ano seguido em que o Grêmio se limitava a lutar para não cair (o que me desanimou). Em 2003, quando o Grêmio também só lutou para não ser rebaixado, fui a 17 jogos (mesmo número de 2001). O recorde positivo de presenças ao Monumental se deu em 2000: 19.

Os únicos anos em que não presenciei derrota do Grêmio foram 1997 (quando fui a 6 jogos) e 2005 (10 jogos). A maior “invencibilidade” foi de 21 partidas, e o maior “jejum”, de 4 jogos.

A maior vitória foi de 6 a 0 sobre o Inter de Santa Maria (tinha que ser um Inter!) em 18 de abril de 1998, pelo Campeonato Gaúcho. A pior derrota foi 5 a 1 para o Atlético-PR em 20 de abril de 2002, jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Minas.

Em 2007, fui a 13 jogos até agora, dos quais o Grêmio venceu 9, empatou 2 e perdeu 2. Foram anotados 34 gols: 25 do Grêmio e 9 dos adversários. Considerando que restam mais 3 jogos no Olímpico este ano, provavelmente terminarei 2007 com 16 partidas. Será o quarto ano com mais presenças, atrás apenas de 2000 (19 jogos), 2001 (17) e 2003 (17).

Um jogo “histórico”

Eu mantenho atualizada uma lista de todos os jogos do Grêmio que fui. Além disso, também tenho as estatísticas, de quantos jogos por ano, quantas vitórias, quantos gols o Grêmio fez etc.

Porém, tinha esquecido de atualizar as tabelas após Grêmio x Goiás, jogo que aconteceu no sábado passado, 13 de outubro. Só agora que lembrei e percebi o quão importante foi aquela partida – pelo menos para mim.

Primeiro fato “histórico”: foi a primeira vez que fui a uma vitória do Grêmio sobre o Goiás, esta touca desgraçada! Ano passado o Grêmio ganhou no Olímpico, mas o jogo era numa quinta-feira de noite e eu tinha aula, assim não pude ir.

Segundo fato “histórico”: a testada de Pereira que empatou o jogo foi simplesmente o 400º gol dos jogos do Grêmio em que estive presente. No total, foram marcados 401 gols nas partidas que assisti no Olímpico: 263 do Grêmio, e 138 dos adversários.

Em 147 jogos que eu fui, o Grêmio venceu 84, empatou 36 e perdeu 27.

O primeiro foi em 16 de setembro de 1995, derrota de 3 a 2 para o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro. Dos cinco gols daquele jogo, três foram de artilheiraços: Túlio fez dois para o alvinegro carioca, e Jardel descontou para o Grêmio.

Gol de Sanfilippo

Querido Eduardo:

Te conto que dia desses estive no supermercado “Carrefour”, onde antigamente era o campo do San Lorenzo. Fui com José Sanfilippo, o herói da minha infância, que foi goleador do San Lorenzo quatro temporadas seguidas. Caminhamos entre as prateleiras, rodeados de caçarolas, queijos e résteas de lingüiça. De repente, quando nos aproximamos das caixas, Sanfilippo abre os braços e me diz: “E pensar que bem daqui meti um gol de bate-pronto no Roma, naquela partida contra o Boca…”. Passa diante de uma gorda que arrasta um carrinho cheio de latas, bifes e verduras, e diz: “Foi o gol mais rápido da história”.

Concentrado, como esperando um córner, ele me conta: “Eu disse ao número cinco, que estreava: assim que começar a partida, manda a bola para a área. Não se preocupe, que não vou te deixar mal. Eu era mais velho e o rapaz, que se chamava Capdevilla, se assustou, pensou: se eu não obedecer, estou frito”. E aí, de repente, Sanfilippo me mostra a pilha de vidros de maionese e grita: “Ele colocou a bola bem aqui!”. As pessoas nos olham, assustadas. “A bola caiu atrás dos zagueiros centrais, atropelei mas ela foi um pouco para lá, onde está o arroz, viu só?” – e me mostra a estante de baixo, de repente corre como um coelho apesar do terno azul e dos sapatos lustrosos – : “Deixei-a quicar, e plum!”. Dispara com a esquerda. Nos viramos, todos, para olhar na direção da caixa, onde há trinta e tantos anos estava o gol, e parece a todos nós que a bola entra por cima, justamente onde estão as pilhas para rádio e as lâminas de barbear. Sanfilippo levanta os braços para festejar. Os fregueses e as caixas quase arrebentam as mãos de tanto aplaudir. Quase comecei a chorar. O Nene Sanfilippo tinha feito de novo aquele gol de 1962, só para que eu pudesse vê-lo.

Osvaldo Soriano

O texto acima está publicado no livro Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano.

Caso saia do papel a Arena Pifa do Odone, no lugar do Estádio Olímpico será construído um centro comercial.

Para relembramos gols inesquecíveis, como o do Cesar na Libertadores de 1983, ou o do Aílton no Brasileirão de 1996, teremos de andar entre um monte de consumistas vorazes.

CANSEI da TV decidir os horários do futebol!

Hoje o Grêmio joga contra o Paraná, às 18:10, no Olímpico. Com frio e chuva.

O horário absurdo é conseqüência da televisão, ela (e não a CBF) é quem decide que horas seu time joga.

É ruim para a torcida? Ela que se exploda, pensam os empresários da mídia e os próprios dirigentes de clubes que aceitam jogar em horários inconvenientes.

Assim, vemos jogos aos sábados e domingos às 18:10 na Região Sul durante o inverno, assim como partidas às 15:00 nos Estados do Nordeste que não adotam o horário de verão quando este está em vigor no sul do país. Ou seja, por causa da TV, joga-se com mais frio e também com mais calor.

Mas o pior são os jogos às 21:45 durante a semana, por causa da novela, que a Globo não aceita mudar o horário. E para isso faz com que o torcedor, que em sua maioria absoluta precisa levantar cedo no dia seguinte para trabalhar, tenha de escolher entre dormir menos (por chegar em casa de madrugada) ou ouvir o jogo pelo rádio (a não ser que ele tenha comprado o pacote do pay-per-view). Sem contar que à meia-noite circulam os últimos ônibus (algumas linhas terminam mais cedo) e conseguir um táxi após um jogo de grande público é uma tarefa das mais difíceis.

Por isso, cheguei à conclusão de que é preciso dar um basta! As torcidas de todos os clubes devem se unir para pregar um boicote aos jogos de futebol às 21:45! Não basta deixar de ir ao estádio: é preciso também não assistir pela TV. Pois se o estádio ficar vazio e a TV tiver audiência, as coisas continuarão do mesmo jeito.

Ir ao jogo “em horário de boate” (como costumam dizer alguns repórteres de rádio) cansa. De verdade.

Aos gremistas favoráveis à construção da "Arena FIFA"…

Recomendo a leitura deste texto do Kayser. A charge ao final é sensacional!

Kayser, assim como eu, é gremista e crítico em relação ao projeto de construção de um novo estádio. O Olímpico pode ser desconfortável, mas o torcedor comum, com menos dinheiro, ainda tem possibilidade de ir aos jogos. À “Arena FIFA” (esse negócio de só valorizar o que diz a FIFA é coisa de colorado!) só terá acesso o torcedor de alto poder aquisitivo: além do ingresso ser mais caro (pois o que se paga hoje em dia para sentar no cimento já é caro, imagina num estádio que só tem cadeira!), ficará longe do Centro, impedindo que muitas pessoas possam ir ao jogo, devido à distância e ao alto preço das passagens de ônibus.

Eu prefiro o “cimentão” do Olímpico, com a Geral incendiando o jogo!