A “hospitalidade” brasileira

A Copa do Mundo no Brasil se aproxima do final, e os estrangeiros elogiam muito a “hospitalidade” do povo brasileiro. O que não é novidade: nosso país sempre teve fama de ser “hospitaleiro”, de receber bem os visitantes.

Porém, a própria Copa mostra que não é bem assim. Basta ver o que se sucedeu ao jogo Brasil x Colômbia, no qual a Seleção garantiu presença na semifinal ao vencer por 2 a 1, mas também marcado pela lesão que tirou Neymar do Mundial.

O lateral Juán Camilo Zúñiga, autor da joelhada nas costas de Neymar que fraturou uma vértebra do jogador, já disse que o lance não foi intencional. E a meu ver, realmente não foi: houve, sim, muita imprudência por parte do colombiano. Já que a FIFA suspendeu o atacante uruguaio Luis Suárez por nove jogos internacionais e inclusive o proibiu de treinar por quatro meses devido à mordida no zagueiro italiano Giorgio Chiellini durante a partida entre Uruguai e Itália (pena considerada excessiva até mesmo pelo “mordido”), espero que Zúñiga sofra uma punição mais severa, para que não se fique com a impressão de que morder uma adversário é pior do que acertá-lo com uma joelhada que pode ter consequências graves.

Instantes depois do apito final, o zagueiro brasileiro David Luiz teve uma bela atitude: consolou o meia James Rodriguez, destaque da Colômbia, e pediu ao público que aplaudisse o jogador adversário. Um exemplo que infelizmente a maioria das pessoas não segue.

Após a partida os jogadores colombianos decidiram ir a um restaurante. Reconhecidos, foram hostilizados por torcedores brasileiros, com o ônibus que transportava os atletas da Colômbia sendo alvo de latas.

Nas redes sociais, Zúñiga sofre um verdadeiro linchamento virtual (o que, vamos combinar, não é muito surpreendente, dado o apoio de tantos brasileiros à “justiça com as próprias mãos”). No Instagram, o perfil do jogador foi “invadido” por brasileiros, que lhe dirigiram todo o tipo de impropérios. No Twitter, o lateral foi alvo de insultos racistas.

Enfim: é esta a “hospitalidade” que temos a oferecer?

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Um dilema que me afligia…

Torcer ou não pelo Santos amanhã, na decisão do Mundial Interclubes?

O adversário é o melhor time que já vi jogar: o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e o lesionado Villa. Joga tão bonito, que não consigo deixar de pensar que será uma injustiça ele perder. O Mundial Interclubes seria o fecho com “chave de ouro” para um ano histórico dos blaugranas.

Porém, torço sempre contra os clubes europeus (não apenas pela América do Sul), exceto quando o adversário deles é o Inter. Em 2009, quando o Barcelona também tinha um timaço (embora não melhor que este de 2011), torci pelo Estudiantes na decisão. Ano passado, fui “Mazembe desde criancinha” contra o Inter e a Inter. Na final de 2005, torci pelo São Paulo contra o Liverpool – e a vitória são-paulina, se por um lado parece ter sido injusta (afinal, o Liverpool amassou o São Paulo no segundo tempo), por outro foi consagradora para Rogério Ceni, que naquele 18 de dezembro teve uma das maiores atuações de um goleiro que já pude assistir.

Não bastasse minha tradição de secar os europeus, o meu irmão disse que vai torcer pelo Barcelona para que o Inter siga como último clube sul-americano campeão mundial. Depois dessa, simplesmente não dá para não torcer pelo Santos…

Então, torço para que amanhã tenhamos um grande jogo em Yokohama, e que o Barcelona jogue tudo o que sabe. Mas quero que Neymar faça chover (ou nevar, já que no Japão o inverno está começando), e traga a taça para a América do Sul. Pra cima deles, Santos!

Era esse cara que a “grande mídia” tanto queria na Copa?

No final de abril, quando aproximava-se a data da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, defendi que Dunga não deveria levar Neymar. Falei do “grupo formado”, que o jogador nunca tinha sido chamado etc. Isso porque eu não tinha bola de cristal para prever o que aconteceria em setembro.

Neymar tinha propostas para deixar o Santos, mas foi mantido no clube, assinando um contrato milionário. Que também lhe deu o direito de fazer o que bem entender, e de escolher quem treinará o time. Isso obviamente não está escrito no documento, mas é o que se verifica na prática, com a demissão de Dorival Júnior por ter cometido o gravíssimo erro de barrar Neymar por mais um jogo, por conta dos impropérios ditos por ele na semana passada. O troço é tão bizarro, que o “indisciplinado” passou a ser Dorival, e não o mimado jogador.

É de se fazer a pergunta: é esse o jogador que faria o Brasil ganhar a Copa na África do Sul?

Só imagino se Dunga tivesse levado Neymar, e ele fizesse cara feia por ser reserva. Certamente a “grande mídia” teria mais um motivo para malhar Dunga: a grande “injustiça” do “gaúcho grosso” contra o “futebol-arte”…

Todos ao Olímpico quarta!

O time está mal. O empate de ontem com o Atlético-PR não foi um bom resultado, como já andaram dizendo: ouvi o jogo pelo rádio e percebia que o Grêmio dominava. Só faltou algo: o gol da vitória. Quando a fase é ruim, parece que não tem jeito, a bola não entra mesmo.

Mas há, sim, uma maneira de sair dessa situação: com a torcida transformando o Olímpico num caldeirão. E a primeira oportunidade é nesta quarta, contra o Guarani: o jogo será cedo, às 19h30min (talvez até cedo demais, se levarmos em conta que muitos não conseguem sair do trabalho a tempo de chegarem ao estádio), mas ao menos não será no estúpido “horário da televisão” (22h); haverá promoção de ingressos (“paga um, leva dois”, como em 2003 – a única diferença é o preço, pois naquele ano cada dupla de gremistas entrava pagando apenas R$ 5); e com todo o respeito ao Guarani, não podemos negar que é um adversário bem mais fácil que o Santos de Neymar e Ganso (agora machucado, o que é uma pena para o futebol brasileiro), ou seja, é jogo para ganhar!

Como peguei um resfriado por conta da maldita umidade excessiva que se seguiu à secura do começo da semana passada, e há previsão de chuva para a quarta, já trato de ir tomando meus remédios e uns bons copos de suco de laranja (ou seja, vitamina C) para poder me somar aos milhares de gremistas que estarão no Olímpico para empurrar o Tricolor rumo à vitória!

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Como “recordar é viver”, e também para servir de motivação, não custa nada lembrar que hoje faz 15 anos que o Grêmio ganhou sua segunda Libertadores.

Não foi um jogo qualquer, foi O JOGO!

Ontem fui ao Olímpico assistir ao Grêmio pela 198ª vez. Provavelmente, o jogo contra o Avaí, dia 26, será o meu 200º no Monumental.

Mas se o jogo 200 terá uma “marca histórica”, será só para mim. Já o de ontem, o de número 198, é histórico por si próprio: QUE JOGAÇO! Tanto Grêmio como Santos poderiam ter vencido, assim o placar de 4 a 3 para o Tricolor não foi injusto.

O Grêmio jogou bem. Mas o Santos… Como joga aquele time! Chega à área adversária com uma facilidade impressionante, e isso não se deve a adversários frágeis (como eu pensava ser nas goleadas que tiveram grande destaque na “grande mídia”). Mesmo com o gramado mais pesado devido à chuva de ontem (que ora caía, ora parava) em Porto Alegre, o Peixe não tinha problemas para tocar a bola e ir ao ataque com rapidez.

E esta aí um dos grandes diferenciais deles em relação aos outros times brasileiros da atualidade: são raríssimos os passes errados. Mesmo os “passes futuros”: o time é tão bem organizado, que um jogador toca a bola para onde não há ninguém, mas já prevendo que quando a bola chegar lá, haverá um companheiro – e realmente, ele está lá na hora certa. Méritos do técnico Dorival Júnior, que não é tão falado na “grande mídia”.

Ou seja, sem “firulas”, sem individualismo exagerado, o Santos joga o verdadeiro futebol bonito. Muito toque de bola, e sempre para a frente. O que faz suas partidas ganharem muito em termos de emoção.

Para compensar, conforme eu dizia semana passada, o Santos é fortíssimo do meio para a frente, mas a defesa “faz água”. O que não tira os méritos do Grêmio ontem, é claro: era preciso atacar, aproveitar-se da fragilidade do setor defensivo do Peixe. E o Tricolor fez isso. Melhor no segundo tempo, é verdade, mas fez.

Borges ou Jonas, qual foi o melhor ontem? O primeiro marcou três gols, demonstrando cada vez mais que o Grêmio acertou em cheio na sua contratação, e que Maxi López não faz falta nenhuma. Mas Jonas… Fez um gol (aliás, um golaço) e participou dos lances dos outros três – o pênalti perdido só serviu para confirmar sua “zica”, de perder os gols fáceis e fazer os difíceis.

Depois da derrota parcial por 2 a 0, os 4 a 2 eram um resultado monumental para o Grêmio. Acabou 4 a 3, graças a um golaço de Robinho. Aí foi o Santos que melhorou sua situação: antes precisava de 2 a 0 na Vila Belmiro (onde contará com Neymar, que cumpriu suspensão ontem), agora só precisa do 1 a 0 para ir à final da Copa do Brasil. Mas ainda é também bom para o Tricolor, que se não vencesse estaria praticamente fora da final (a última vitória gremista na Vila foi em 1999, e antes disso não sei de outra).

Enfim, ambas as torcidas, de certa forma, têm o que comemorar. Foi uma grande partida de futebol, e fica a expectativa de outro jogaço na próxima quarta-feira em Santos. Só que ao final deste, apenas uma torcida ficará feliz. Espero que seja a do Grêmio, claro.

Mas se for para o Tricolor perder, que seja por 5 a 4, ou 6 a 5, ou 7 a 6…

Neymar não deve ir à Copa

O time do Santos é a maior sensação do futebol brasileiro neste início de ano, fato. Neymar está jogando muito, outro fato – assim como Paulo Henrique Ganso. Robinho, companheiro dos dois e que já é nome certo na lista de Dunga para a Copa do Mundo, é craque quando decide simplesmente jogar bola, e não ficar dando uma de “triatleta” (corre, pedala e NADA).

Os fundamentalistas do “futebol-arte”, os mesmos que em 1995 desejavam ardentemente que o Grêmio perdesse porque “não jogava bonito” (dentre eles Armando Nogueira), fazem a festa com o Santos: “dá show” e mete goleada em todo mundo. Porém, se o Peixe apenas praticasse o tal de “futebol-arte”, com seus craques jogando “cada um por si”, querendo driblar todo mundo e pouco se lixando se há um companheiro melhor posicionado (o que raramente não resulta na perda da posse de bola), não haveria goleadas nem manchetes.

A força do Santos reside justamente em sua coletividade, em que os talentos jogam a favor dela, e não apenas buscando o brilho individual. Vários dos gols do Peixe não são “obra de arte” de apenas um jogador, e sim, resultados de grandes jogadas coletivas. Mas na TV, só se fala dos craques – principalmente de Neymar, até porque Robinho, o queridinho da “grande mídia”, já está na Copa. É capaz de muita gente não saber que o Santos é treinado por Dorival Júnior.

Agora, claro, há uma campanha pela convocação de Neymar para disputar a Copa (até cerca de um mês atrás, era pelo Ronaldinho). Pouco importa que Dunga já tenha um grupo formado (o que é diferente de “lista de convocação” – o “grupo” é resultado de quatro anos de trabalho), o time titular praticamente definido… Neymar (que nunca foi convocado por Dunga) tem de estar na África do Sul e ponto final.

Mas, por quê? Como expliquei acima, futebol é esporte coletivo. Não basta talentos, é preciso um grupo unido em torno do objetivo que é trazer a taça. Quando há muito estrelismo, muita vaidade, e pouca coletividade, a barca afunda – como vimos em 2006.

Portanto, Dunga não tem de chamar Neymar para a Copa. Assim como Felipão não levou Romário em 2002 (contra toda a campanha promovida pela “grande mídia”, principalmente no Rio). E em 1994, Parreira até convocou Ronaldo (já o vinha chamando alguns meses antes da convocação para a Copa), mas deixou ele no banco, contrariando a maioria da torcida que desejava vê-lo jogando por achar que repetiria o Pelé de 1958 (17 anos, a mesma idade de Ronaldo em 1994).

Se Neymar continuar jogando um bolão, bom, aí que o convoquem para a Copa de 2014. Até lá, ele confirmará se é craque mesmo, ou se não passa de mais uma promessa.