Em boas mãos

Confesso que pensei em escrever um post do tipo “10 motivos para torcer por Holanda ou Espanha”, só para parecer imparcial. Pois seria fingimento mesmo: minha torcida era pela Laranja Mecânica.

Mas não se pode negar que a Copa do Mundo ficou em boas mãos (dentre as disponíveis, pois a seleção que jogou melhor durante a maior parte da Copa foi a Alemanha e a que eu mais torci foi o Uruguai). Até porque, se aquelas holandesas expulsas do estádio (hey, PIFA, vai tomar no COBRE!) lá no começo da Copa eram maravilhosas, as espanholas não devem nada a elas.

E o título da Fúria, depois de muitas “amareladas” no passado (tanto que nos palpites mais furados desta Copa, eu previ que a Espanha seria desclassificada nas oitavas-de-final pela Costa do Marfim), me faz acreditar que o Grêmio será campeão brasileiro com três rodadas de antecipação, Loco Abreu será o artilheiro, Silas será unanimemente escolhido o melhor técnico, e os ETs trarão de volta a irmã de Fox Mulder.

Ah, e eu ouvi falar que o polvo Paul, após consultar o Professor Hariovaldo, preveu que Serra perderá a eleição.

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Final monárquica

Domingo, o seleto clube das seleções campeãs mundiais ganhará um novo integrante. Mas a decisão entre Holanda e Espanha também tem outro fato curioso a ser destacado: ambos os países são Estados monárquicos.

A última monarquia campeã mundial foi a Inglaterra, em 1966. E a última (e única, até agora) vez em que duas monarquias decidiram a Copa do Mundo foi em 1938: o título ficou com a Itália (campeã também em 1934), que tinha Benito Mussolini como seu primeiro-ministro, mas o Chefe de Estado era o rei Vítor Emanuel III, que reinou até 9 de maio de 1946, pouco antes da proclamação da República Italiana; já o vice-campeonato ficou com a Hungria, também monárquica na época, embora o Chefe de Estado não fosse propriamente um rei, e sim um regente eleito, Miklós Horthy, que colaborou com o nazismo e “reinou” até 1944, quando abdicou defendendo um armistício com a União Soviética.

A Hungria de 1938 não foi a única monarquia vice-campeã mundial. Também “bateram na trave” a Suécia em 1958, e a própria Holanda, em 1974 e 1978.

Como se vê, a maioria esmagadora das Copas teve como campeãs e também vices seleções representantes de países republicanos. Alguns, apenas nominalmente: duas vezes, países sob ditaduras militares ganharam a taça – o Brasil em 1970, e a Argentina em 1978 (jogando em casa).

Já os países “socialistas” (acho mais adequado o termo “burocráticos de partido único”) chegaram duas vezes ao vice-campeonato: a fantástica Hungria de Ferenc Puskás em 1954, e a Tchecoslováquia em 1962 (inclusive, se diz que a liberação de Garrincha para jogar a final mesmo tendo sido expulso na semifinal contra o Chile se deveria ao temor de que uma seleção do “bloco soviético” ganhasse a Copa).

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Outra curiosidade desta “final monárquica” é que ela também é a segunda consecutiva entre seleções europeias, o que não acontecia desde 1934 (Itália x Tchecoslováquia) e 1938 (Itália x Hungria).

Valeu, Uruguai!

Foi outro jogão, pena o resultado.

Mas também não se pode reclamar. O time da Holanda é melhor que o do Uruguai – que ainda assim, quase foi buscar o empate naquele último minuto. Perder faz parte do jogo, e não é nenhum pecado ser derrotado por um adversário mais forte.

A Celeste caiu de cabeça erguida, depois 40 anos sem chegar às semifinais de uma Copa do Mundo. Mas não faltou bravura ao Uruguai, que faz lembrar o Grêmio dos bons tempos. Aliás, o time uruguaio desta Copa de 2010 deveria servir de exemplo para os comandados (?) por Silas.

Valeu, Uruguai!

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Quanto à Holanda, criticada por jogar de forma mais “burocrática” nesta Copa, tem todas as condições para conquistar o título pela primeira vez. Já jogou bonito em 1974 e em 1998, mas não levou.

Mas, se parecia não haver beleza alguma na versão 2010 da Laranja Mecânica, agora não se pode mais reclamar: o primeiro gol holandês, marcado por Van Bronckhorst, foi uma pintura. Sem dúvidas o mais belo da Copa.

¡VAMOS URUGUAY!

Já escrevi sobre meu pouco (para não dizer “nenhum”) entusiasmo pela Seleção Brasileira, e alguns de seus motivos. Eu torço bastante pelo Brasil em outros esportes (em 2004, para terem uma ideia, eu sentia vontade de pular para dentro da televisão e encher de porrada aquele padre que empurrou Vanderlei Cordeiro de Lima para fora da maratona dos Jogos de Atenas). Se é para falar de futebol, acho que a Seleção Feminina, cujas craques não tem nenhum apoio por parte da CBF, merecem muito mais nossos aplausos do que o time que hoje perdeu para a Holanda (e mesmo que tivesse ganho).

Talvez muitos achem que eu estava torcendo “por causa do Dunga”. Na verdade, estava indiferente, torcia mesmo só para que o técnico xingasse mais aqueles caras da Globo. Ainda mais que eles merecem mesmo, e “cagão” é pouco, diante do absoluto desrespeito com que as reportagens feitas pela empresa tratam países como o nosso vizinho Paraguai e também a Coreia do Norte (uma coisa é discordar do regime político norte-coreano – inclusive eu discordo – mas isso é bem diferente de achincalhar seu povo em rede nacional). Queria ver como muitos dos que devem ter achado graça reagiriam se matérias preconceituosas como essas fossem feitas por uma emissora estadunidense sobre o Brasil.

Cerca de dois meses atrás, em uma entrevista ao programa Roda Viva, o ex-jogador e agora comentarista Paulo Roberto Falcão disse que o povo brasileiro, quando fala de futebol (masculino, claro), torna-se extremamente arrogante, e é a mais pura verdade. Nos outros esportes, se não somos propriamente humildes (como no caso do vôlei, em que somos realmente muito fortes), ao menos não nos sentimos “os tais”. Respeitamos os adversários, que têm seus méritos, suas qualidades, não ganham apenas “porque o Brasil jogou mal” ou “porque o técnico brasileiro é burro”.

Essa arrogância toda apenas me faz sentir menos entusiasmo pela Seleção. Não digo que eu seque o time, mas apenas não torço. Até grito nos gols, mais pela farra do que por convicção.

Gritar, comemorar de verdade, e com convicção, foi o que eu fiz horas após Holanda x Brasil: Uruguai nas semifinais depois de 40 anos! Tá certo que também com uma pontinha de lamento pela (má) sorte que teve Gana: se Asamoah Gyan tivesse convertido aquele pênalti e levado uma seleção africana pela primeira vez às semifinais da Copa do Mundo, eu não ficaria triste. O problema para Gyan foi o nervosismo: imaginem o estado emocional dele naquele momento em que a esperança da África inteira estava em seus pés? É muita pressão.

Mas, qualquer que fosse o resultado, teria valido a pena. Ainda mais que Uruguai x Gana foi um JOGAÇO, daqueles dignos de serem lembrados para sempre.

E agora, claro, a festa em Montevidéu…

E também na fronteira com o Brasil, Chuy/Chuí: