Encontro de stalinistas

Em maio de 1978, o ditador romeno Nicolae Ceauşescu visitou a Coreia do Norte. Seu par norte-coreano, Kim Il-sung (o “presidente eterno”, sucedido em 1994 por Kim Jong-il e agora, por Kim Jong-un), recebeu-o de maneira apoteótica, como manda a cartilha stalinista.

Não era a primeira vez que Ceauşescu ia à Coreia do Norte. A visita anterior ocorrera em 1971, e fora “inspiradora”: o ditador ficara impressionado com a “mobilização ideológica”, a megalomania e o culto à personalidade de Kim Il-sung, e decidira aplicar algo semelhante na Romênia.

Não por acaso, as celebrações do dia 23 de agosto, em lembrança à libertação da Romênia do domínio nazista (1944), não eram muito diferentes da recepção que Ceauşescu recebera em Pyongyang. Performances que, imagino, devam ter sido ensaiadas várias centenas de vezes, além de muita bajulação ao ditador.

A megalomania também foi característica dos dois ditadores. Em 1º de maio de 1989, Kim Il-sung inaugurou em Pyongyang o que é na atualidade o maior estádio do mundo, o Rungrado May Day, com capacidade para 150 mil espectadores. Além de receber jogos da seleção da Coreia do Norte, também é palco de grandes celebrações de endeusamento dos líderes políticos do país.

Já na Romênia, enquanto o povo tinha de racionar tudo (até a calefação durante o inverno) para que o país pagasse sua dívida externa, Ceauşescu decidiu construir um novo centro para a capital Bucareste (arrasando assim vários prédios históricos), com destaque para o maior palácio do mundo, projetado para abrigar todo o poder político e também servir de residência para o ditador e sua esposa.

Em dezembro de 1989, a obra ainda não estava concluída. Mas o exasperado povo romeno, cansado de tanta opulência por parte de seus líderes políticos, depôs a ditadura. E há exatos 22 anos, enquanto eu brincava com o “Pense Bem” que tinha ganho de Natal (naquela época eu gostava de Natal), Nicolae e Elena Ceauşescu foram fuzilados após um julgamento sumário que os condenou à morte. O palácio, cuja construção era muito onerosa para os cofres públicos romenos mas sairia ainda mais caro para ser derrubado, hoje abriga, incompleto, o parlamento da Romênia.

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Vinte anos atrás, e dois após o fuzilamento do casal Ceauşescu, eu continuava a gostar de Natal. Por novamente estar me divertindo com os presentes, perdi um momento histórico naquele 25 de dezembro de 1991: a renúncia de Mikhail Gorbachev à presidência da União Soviética, fato que resultou na dissolução do país. Foi apenas a antecipação do fim, pois este já estava marcado para dali a seis dias.

Pouco após a renúncia de Gorbachev, a bandeira vermelha da URSS que tremulava no mastro do Kremlin foi arriada. Em seu lugar, foi hasteado o pavilhão branco, azul e vermelho da Rússia.

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Um pedido especial

Já cansei de dizer que não gosto de Natal. Portanto, me poupem de mensagens natalinas, de desejos de “muita saúde, paz e felicidade” (não estou de aniversário) etc. Além de ser ateu, não sou dono de nenhuma loja, ou seja, não vejo sentido algum em tanta comemoração.

Sou, sim, “rabugento”. Muito melhor do que fingir ser o que não sou.

O Natal é ditatorial

Há quase três anos, escrevi sobre a “obrigação” de se estar feliz no Natal. É aquela história: experimente manifestar desagrado, e lá vem o rótulo – “rabugento”!

Porém, há a opção de se ficar de mau humor. Em 2009, por exemplo, quando a “noite de Natal” foi terrivelmente abafada em Forno Alegre, não fiz questão alguma de fingir felicidade. No dia seguinte, claro, só ficavam falando da minha “rabugice”, mas como eu sabia de antemão que teria de arcar com as consequências de optar pela autenticidade ao invés do fingimento, não me importei – e sigo não me importando.

Agora, se há a alternativa de fazer cara feia para a celebração, isso não quer dizer que o Natal seja uma festa democrática. Pois não há possibilidade de se fazer qualquer coisa que não participar da “reunião de família” ou ficar sozinho no seu canto. Mesmo para quem não é cristão, já que há muito tempo a religião celebrada em 25 de dezembro é outra.

Caso eu queira reunir amigos ateus e agnósticos para tomar uma cerveja, por exemplo, não encontro nenhum bar aberto na noite de 24 de dezembro. Nenhum! Deve haver pelo menos um bar que pertença a um ateu ou a um agnóstico, porém, ele sabe que abrir as portas na “noite de Natal” é prejuízo na certa.

Bom, na impossibilidade de ir tomar cerveja num bar, que tal reunir os amigos em casa para uma “sessão de cinema”? Também não dá. Justamente por causa da porra da “obrigação” de se “estar em família” – mesmo que não faltem oportunidades melhores para reunir os familiares durante o resto do ano, inclusive sem esse clima de imposição. Tenho certeza de que, não fosse “obrigatório” a noite de 24 de dezembro ser de reunião familiar, se registrariam muito menos brigas e “maus humores” como os meus.

Ou seja, é praticamente impossível romper a polarização “família x sozinho no canto”. Digo praticamente porque, em tese, nada é impossível. Porém, enquanto a maioria das pessoas seguir aceitando essa “obrigatoriedade”, mesmo que a contragosto, nada mudará, pois vozes isoladas contra a ditadura do Natal não a derrubarão.

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E quase dois anos depois, o texto escrito pelo Milton Ribeiro continua atual – acho que também pode servir como um “manifesto”. (Não costumo copiar na íntegra, mas esse eu “assino embaixo”, e não deixe de ir ao original dar sua opinião.)

Abaixo o Natal!!!

O Natal devia ser como a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos. O que há de bom nestes dias? Estar com a família? Sou alguém bastante sociável, gosto de minha familia e já os vejo frequentemente. Então, prefiro estar com eles sem as besteiras mesquinhas e os milagres da época. Mais do que o primado do consumo, detesto as promoções de bons sentimentos, a hipocrisia, a religião, a obrigação de felicidade. Pior, hoje serão servidas iguarias irresistíveis, vai se comer muito e não quero engordar. Por mim, dormia cedo. E amanhã todos voltarão porque haverá comida demais…

É uma festa legal quando temos crianças pequenas, mas agora, qual é o sentido? Há a necessidade de estarmos alegres após passar o dia arrumando a casa e lembrando de detalhes… Pois é, já viram, vai ser aqui em casa. Se a gente fica sério, as pessoas se preocupam. Então, o negócio é beber. Haja saco. Ainda bem que chove. Podia vir uma tempestade e faltar luz no meio da festa! Seria uma novidade!

Festa por festa prefiro a virada do ano. Ao menos é sem presentes e com menos religião. E, associada à data, há uma simbologia de renovação, de planos e mudanças quase sempre falsas, mas ao menos pensadas. Já o Natal… é pura merda. Na minha infância, era comemorado na manhã do dia 25. A gente acordava e havia presentes sob a árvore. Fim. Hoje é um happening, vão tomar no cu.

“Rabugentos”, mas autênticos

Via Facebook, descobri por esses dias um texto que falava sobre uma pesquisa feita na Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália). Segundo ela, pessoas mal-humoradas são mais atentas, menos influenciáveis e mais cuidadosas na hora de tomar decisões. Ou seja, o mau humor faz bem ao cérebro!

É verdade que costumo ficar com um pé atrás em relação a essas pesquisas. Afinal, não raro me aparecem umas dizendo que a chegada da primavera deixa as pessoas mais alegres – quando sinto exatamente o contrário, e fico feliz mesmo é quando chega o outono. E já que falei do tempo, não custa nada lembrar que o calor infernal que faz em Porto Alegre no verão me deixa de mau humor. E não faço questão nenhuma de esconder isso – o que me rende uma certa fama de “rabugento”, para a qual eu “cago e ando”.

Obviamente não é só o calorão infernal que me deixa de mau humor. O Natal, por exemplo, mesmo que fosse no inverno (aliás, como é no hemisfério norte) eu detestaria. Mas é fato que não tenho o hábito de “sorrir para a foto”*, de fingir felicidade quando na verdade estou triste ou irritado. Inclusive, já fui chamado de “ranzinza” mas também de “autêntico” pela mesma pessoa. E não acho que isso seja por acaso.

Afinal, o “chato” muitas vezes é a pessoa que não se importa em ser a única discordante em um grupo. Claro que há aqueles que discordam só para serem “do contra”, mas há também os que têm convicções e não se importam de defendê-las nem que tenham de ir na contramão de todos à volta. Não deixarão de dizer o que consideram necessário só porque isso “desarmonizaria” o grupo, justamente por não se sentirem confortáveis com uma “harmonia” que tende à homogeneização, sufoca as diferenças.

E o mesmo vale para o “humor do dia”. O dito “normal” é todos se sentirem “felizes” em épocas como NatalCarnavalverão… É só manifestar desagrado, e pronto: lá vêm os rótulos. E o pior é que não falta pessoas às quais certas épocas “felizes” (principalmente o Natal) sejam um tormento, mas que preferem o fingimento à autenticidade, só para não serem chamadas de “rabugentas”.

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* É coisa muito rara achar uma fotografia em que estou sorrindo. Ainda mais que uma vez fui sorrir para uma foto e fiquei com a cara mais ridícula de todos os tempos. Depois daquela, nunca mais forcei porra nenhuma de sorriso!

Balança, essa mentirosa

Foi em março que descobri a estratégia do Milton Ribeiro para emagrecer: procurar perder um 1kg por mês. Afinal, quando o médico diz que é preciso perder 10kg, parece uma missão impossível, devido à pressa que se tem para tudo. Mas com paciência, é só aguentar 10 meses e emagrecer “a prestação”.

Naquela época eu tinha 80kg nas balanças de farmácia, então supus que na verdade seriam 79 e alguns quebrados, devido às roupas – que eram não muitas, pois ainda estávamos no verão. Assim, poderia chegar ao final do ano com 70, fazendo com que, finalmente, meu IMC (índice de massa corporal) voltasse aos saudáveis níveis do Século XX, ou seja, abaixo de 25 – o que também colaboraria para diminuir meu colesterol “ruim”, que ainda não superou os valores de referência para uma pessoa saudável, mas não falta muito pelo que apontou meu último exame, em dezembro de 2009. (Obviamente imaginei que, realmente chegando ao final de 2011 com 70kg, no Natal eu me sentiria livre para comer feito um urso logo depois do inverno… Maldito Natal.)

Até 11 de março, eu caminhava quase todos os finais de tarde na Redenção. Só deixava de fazê-lo quando chovia, ou tinha jogo do Grêmio (mas aí eu ia a pé para o Olímpico). Então veio aquele Gre-Cruz do dia 12, e o pé direito torcido: o médico recomendou evitar caminhadas em ritmo acelerado por 30 dias. Na hora previ que ganharia quilos, ao invés de perdê-los.

Só que aconteceu o contrário. No dia 21 de março, comecei no meu atual emprego, e com pouco dinheiro, procurava almoçar num buffet a quilo próximo, barato e com suco por conta da casa. Para gastar menos, comia menos… Uma periodontite também ajudou (mentira: dor de dente é uma legítima bosta): só podendo usar um lado da boca para mastigar, um dia meu almoço saiu mais barato que uma passagem de ônibus – tudo bem que a passagem está TRI cara, mas dá uma ideia do quão pouco comi aquele dia. E logo que o pé parou de incomodar (se bem que às vezes ele resolve encher o saco novamente), passei a ir e voltar do trabalho quase sempre caminhando – levo cerca de meia hora.

Passou-se o mês de abril e visivelmente emagreci. Só que no fim daquele mês, recebi o vale-alimentação, referente tanto aos dias trabalhados no fim de março e em abril, como por maio. Resultado: me “aburguesei”, comecei a almoçar em restaurantes mais próximos, mais caros… E a quantidade de comida no prato cresceu – afinal, não eram buffet a quilo. Bem feito: recuperei aquilo que tinha perdido. Decidi voltar ao buffet a quilo, mas como ele é mais longe e tem mais fila para se servir, não é com a mesma frequência de antes.

Resultado da brincadeira: estou cada vez mais longe da meta de ter 70kg em dezembro. Na última vez que me pesei, a balança apontou 81. Isso foi lá pela metade de junho.

Só que, como o título do post indica, balanças são mentirosas. Agora explico o porquê. É porque duas amigas me disseram que emagreci. Uma delas, eu não via desde novembro do ano passado; já a outra eu vejo com um pouco mais de frequencia (uma ou duas vezes por mês), e quase sempre ela me acha mais magro – nesse ritmo, me desmaterializarei em alguns anos. Assim, fica mais fácil deixar de levar em consideração a opinião de outras mulheres como a minha mãe (que não cansa de dizer que estou cada vez mais gordo), ou a minha avó (que não me acha gordo, e sim forte). Se gente que não vejo toda hora diz que emagreci, não pode ser mentira, né?

E também lembrei de um detalhe quanto aos 81kg de junho: as roupas. Que no inverno pesam mais, logo, eu tinha menos de 80. Provavelmente os mesmos 79 e uns quebrados lá de março… Ou seja, é como se não tivesse saído do lugar – nem para o bem, nem para o mal. E é mais um motivo para preferir o inverno ao verão: sempre que nos pesarmos numa farmácia, não devemos levar muito a sério aquele número indicado pela balança, ela diz mais do que realmente temos. Viva!

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Em dezembro, estarei com 74kg. (Ou seja, a mentirosa marcará 75.)

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Atualização (13/07/2011, 20:38). Esqueci de mencionar a gripe que tive na penúltima semana de junho, depois de ter me pesado pela última vez. Vou ser otimista: não recuperei o que o camarada vírus me roubou. Logo, agora são 78kg…

A ressurreição de Nicolae Ceausescu

O Natal de 1989 foi inesquecível para mim: passei o dia inteiro brincando com meu presente preferido daquele ano, um “Pense Bem”. Aquele 25 de dezembro foi também memorável na Romênia, mas por outro motivo: foi o dia em que o ditador Nicolae Ceausescu (que estava no poder desde 1965) e sua esposa Elena acabaram executados por um pelotão de fuzilamento, três dias depois da derrubada da ditadura por uma insurreição popular.

Porém, oito anos e meio depois, Ceausescu voltou à vida por um mês. E acreditem, foi na tela da Rede Globo!

Simples: a vinheta que abria as transmissões “globais” da Copa do Mundo de 1998 terminava com o logotipo da emissora, que continha dentro algumas bandeiras de países. Reparem que falei simplesmente em “países”, e não em “países da Copa”. Pois havia a presença de bandeiras como as de Austrália, Canadá e Irlanda, cujas seleções não disputaram o Mundial da França.

Mas procurando por mais erros, reparei que a bandeira da Romênia continha o brasão “socialista”, que fora retirado do pavilhão romeno após dezembro de 1989. Por motivos óbvios: com o fim da ditadura de Ceausescu, a Romênia deixara de ser “socialista”. (Inclusive, durante os protestos contra o regime se via muitas bandeiras romenas, todas com um buraco no lugar do brasão, recortado pelos manifestantes – as bandeiras “vazias” se tornaram um símbolo da insurreição popular.)

É importante lembrar que não foi só a bandeira romena que saiu errada: a África do Sul adotou a sua atual em 1994, mas a que aparece na vinheta é a anterior, dos tempos do apartheid.

Provavelmente o leitor deve estar pensando que em 1998 a Globo cometera a façanha de ainda não ter atualizado seu “arquivo de bandeiras”. Pois é, então como explicar que, na vinheta de 1994, a bandeira da Romênia estava correta? Mas não pensem que a “plim plim” tinha deixado de fazer de fazer sua propaganda comunista: sobrou para a Bulgária, cuja bandeira desde 1990 não tinha mais brasão… (É muito rápido, e por isso difícil de perceber o brasão no pavilhão búlgaro, mas ele está lá.)

Esta época em que “não acontece nada”…

O Natal (já passou, viva!) é a data que praticamente antecipa o fim do ano. Pois ainda temos alguns dias de 2010 pela frente, mas para muitos, ele já acabou*. Inclusive já fizeram suas retrospectivas, seus balanços, desprezando o período de 26 a 31 de dezembro. Até mesmo as emissoras de televisão costumam passar especiais lembrando os fatos marcantes do ano antes dele terminar.

Pois é… Com isso, deixam de considerar como pertencentes ao ano que acaba, alguns acontecimentos nada desprezíveis que se dão de 26 a 31 de dezembro. Não é uma época “inútil”, como parece. Inclusive, por quatro anos seguidos (1991 a 1994) tive aula: no primeiro deles, fruto de uma greve dos professores das escolas estaduais (as aulas foram até a metade de janeiro); já nos outros três anos, consequência do “calendário rotativo” implantado pelo governo de Alceu Collares.

Então, vejamos o que aconteceu de importante nesta época em anos anteriores – além, é óbvio, do nascimento do meu pai, em 31 de dezembro de 1951.

  • Dia 26:
    • Nascimento do revolucionário chinês Mao Tse-tung (1893);
    • Promulgação da lei que institui o divórcio no Brasil (1977);
    • Tsunami causado por terremoto no Oceano Índico devasta o sul da Ásia (2004);
  • Dia 27:
    • Promulgação de constituição democrática na Espanha, após o fim do franquismo (1978);
    • Assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto (2007);
  • Dia 28:
    • Primeira sessão pública de cinema, em Paris (1895);
    • Adoção da primeira constituição da República da Irlanda (1937);
  • Dia 29:
    • Nascimento de Cândido Portinari (1903);
    • Renúncia de Fernando Collor à presidência, para tentar escapar do processo de impeachment – o que não consegue (1992);
    • Palmeiras conquista a primeira Copa Mercosul, ao bater o Cruzeiro no terceiro jogo da decisão – o segundo fora também após o Natal, em 26 de dezembro (1998);
    • Câmara Municipal de Porto Alegre aprova projetos da Dupla Gre-Nal, rasgando o Plano Diretor da cidade (2008);
  • Dia 30:
    • Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1922);
    • Abdicação do rei Miguel I na Romênia, que se torna república “popular”, sob domínio do Partido Comunista (1947);
    • Queda do alambrado do estádio de São Januário durante a final da Copa Jean Marie João Havelange, entre Vasco e São Caetano, deixa mais de 100 feridos e adia a decisão (2000);
    • Execução, por enforcamento, do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (2006);
  • Dia 31:
    • Ditador cubano Fulgencio Batista foge do país e da Revolução Cubana (1958);
    • Última transmissão radiofônica do Repórter Esso (1968);
    • Extinção do AI-5 (1978);
    • Naufrágio do Bateau Mouche, no Rio de Janeiro (1988);
    • Boris Yeltsin renuncia à presidência da Rússia, assumindo em seu lugar Vladimir Putin (1999).

Só para constar: tirei algumas informações da Wikipédia, outras de minha própria memória.

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* Com isso, estamos no “período de transição” entre um ano e outro – pois, como diz o ditado, os anos no Brasil começam depois do Carnaval. Ou seja, entraremos em 2011 só a partir do dia 9 de março…

Feliz Nateu!

E obrigado ao meu amigo Paulo por me apresentar a autoexplicativa expressão…

Porém, se o leitor preferir, pode adotar o Classe Média Way of Life – ou seja, “ter espírito natalino”:

Parte 1:

Não adianta tentar fugir: para ser médio-classista, é estritamente necessário gostar do Natal.

O Natal é uma festa que acontece todo final de ano, onde as pessoas louvam um deus sempre retratado de barba, que veio do céu para trazer à humanidade o que realmente importa nesta vida. Trata-se do Papai Noel, carregado com um saco bem grande de bens de consumo. O Papai Noel é uma divindade muito louvada pelos médio-classistas, um personagem criado pela indústria de refrigerantes como o símbolo da festa mais importante para a Classe Média: a época das compras de Natal.

Apesar de ser uma importante e apreciada época festiva, as origens do Natal, tal como hoje é conhecido, não são bem claras. Algumas correntes científicas defendem que a data era utilizada, em tempos remotos, para festejar o nascimento de Jesus, ícone das religiões cristãs. Esta teoria, no entanto, enfrenta forte combate quando exposta ao fato de que sua comemoração ocorre no dia 25 dezembro, contrariando a lógica pela qual o calendário ocidental moderno se utiliza do nascimento do mesmo personagem como marco zero, o que, por dedução, só estaria correto se o mesmo nascesse no dia primeiro de janeiro. A contra-argumentação dos estudiosos que ligam o Natal a Jesus apresenta duas versões para resolver o imbróglio: ou ele nasceu prematuro de 7 dias, ou ele só foi registrado no cartório 7 dias depois, porque os pais moravam na roça e naquela época era penoso e demorado chegar à cidade no lombo de um burro. Ainda não há consenso na comunidade científica sobre o assunto.

O Natal também é a época da afirmação dos verdadeiros valores da Classe Média, e isto ela faz com demasiado talento. No afã de deixar claro que ter nascido no Brasil foi apenas um acidente de locação geográfica, os médio-classistas se esforçam para compartilhar do mesmo tipo de festividades que os grandes irmãos do hemisfério norte, também conhecidos como “mundo civilizado”. Abre-se mão do mundialmente invejado clima tropical, que proporciona, por exemplo, noites de agradável temperatura, preferindo ambientar suas comemorações em uma emulação do inóspito clima de nevasca. Em pleno calor causticante de verão, nossos shoppings se cobrem de neve de espuma e isopor. Velhos gordinhos, coitados, são fantasiados de Papai Noel, enfiados em vestimentas, luvas e botas inclusive, desenvolvidas originalmente para que esquimós consigam atravessar vastíssimos desertos de gelo em busca de focas gordas. A tortura se completa com milhares de lâmpadas incandescentes, para tornar o ambiente já quente em uma verdadeira chocadeira, e claro, horas a fio de música instrumental das famigeradas harpas natalinas. Haja saco, hein Papai Noel!

Parte 2:

O Natal é uma grande celebração dos valores da Classe Média. Grandiosas e fartas festas são oferecidas em nome da santíssima trindade: a tradição, a família e a propriedade. Para celebrar estes três pilares de devoção, institui-se a figura do “Natal em família”, uma festa que acontece tradicionalmente todos os anos, com o maior número de familiares possível, normalmente na propriedade do patriarca. E não é uma festa qualquer: é uma espécie de prestação de contas coletiva e anual, algo como uma convenção para tornar pública as vidas alheias. Principalmente suas partes ruins.

Ali se reunirão pessoas que, na maioria das vezes, só se vêem durante estes eventos. Mesmo assim, a necessidade tomar e dar satisfações é legítima e inquestionável. Este tipo de evento não se constroi apenas através da fartura dos comes e bebes. A alma da coisa é a avaliação e o julgamento mútuo da vida de cada presente. Por isso, todos vão dispostos a causar a melhor impressão possível, mesmo para as pessoas que menos gostam ou que nem mantêm contato. E por que estas pessoas se submetem a isto? Por que simplesmente não faltam ao evento? Simples: os que faltam não podem desmentir os boatos que fatalmente surgirão, e portanto serão o foco das conversas a maior parte do tempo, sem direito a defesa. Aos ausentes, o maior prejuízo na imagem. Infelizmente é a lei.

Nesta festa acontecerá a batalha do ano em busca da atenção de quem quer que seja. Aditivados por álcool, cada um tentará se mostrar o mais chegado do patriarca, mesmo que não tenha falado com ele uma vez sequer durante o ano, no intuito de fazer com que a família imagine que o bajulador merece uma substancial fatia da herança que há de vir dentro de poucos natais. Nas rodas de conversa, muitos contarão suas proezas nos negócios, em viagens internacionais, na vida em sociedade, tentarão fazer comparações de salários. As crianças correrão pela casa, quebrarão coisas, perguntarão como diabos o Papai Noel entrará em suas casas, uma vez que apartamentos não possuem chaminé. Os mais ricos humilharão os mais pobres com entrelinhas venenosas, e os intermediários pagarão pau para os mais ricos.

Se você, aspirante a médio-classista, vislumbrou cenas de terror absoluto na descrição acima, não se preocupe. Apesar da hostilidade do ambiente, por incrível que pareça, ali estará todo mundo sorrindo. Tudo o que você precisa fazer, neste caso, é sorrir também, não importa quais comentários maldosos tenha ouvido a respeito do seu novo emprego ou sobre sua vida amorosa. E você também pode se distrair com a inevitável decoração, e também com a trilha sonora. Pode ser que não toque Beatles (muito provavelmente não tocará), mas pelo menos uma do John Lennon na voz da Simone sempre rola. E ainda tem o especial do Roberto Carlos na TV, uma ótima oportunidade para distrair e se livrar das tias chatas.

Realmente não é uma tarefa das mais fáceis se adaptar a este estilo de vida. Mas para fazer parte da Classe Média, é muito importante entender de espírito natalino. E infelizmente, essa disciplina só pode ser patricada uma vez por ano. Portanto, para fechar o ano bem médio-classista, vista sua melhor roupa, sua melhor máscara e boas festas!

Começa oficialmente mais um verão

E com isso, republico (com uma devida atualização) a lista dos motivos pelos quais prefiro o inverno ao verão, que postei pela primeira vez em julho.

  1. Odeio suar o tempo inteiro.
  2. O Sol não é meu inimigo no inverno – no verão nem adianta me encher de protetor, eu suo tudo.
  3. Os principais eventos esportivos (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Copa América, Eurocopa etc.) acontecem entre junho e agosto, meses mais frios do ano no hemisfério sul.
  4. O Natal é no verão.
  5. O programa mais imbecil da televisão brasileira passa sempre no verão. Claro que não o assisto, mas me dá nojo ver como “o Brasil para” por causa desse lixo.
  6. No verão, eu bebo cerveja e suo. No inverno, ela me aquece (e não venham me dizer que isso é contradição: se for por isso, quem gosta do calor não devia ligar ventilador).
  7. Vinho não combina com 35°C.
  8. Economia de energia: no inverno não preciso ligar ventilador nem ar condicionado.
  9. Assistir a um filme enrolado num cobertor é muito bom!
  10. Verão no Rio Grande do Sul + futebol = Campeonato Gaúcho.
  11. Os mosquitos (espécie animal mais mala que existe) sofrem com o frio.
  12. Baratas, idem.
  13. A babaquice de algumas propagandas de cerveja aumenta exponencialmente no verão.
  14. Até o calor do inverno é melhor: tem dias que faz mais de 30°C e eu não suo, devido à baixa umidade (o que é raro no verão).
  15. Dizer que o nosso inverno é horrível é exagero dos bons: nunca se considerou Porto Alegre o lugar mais frio do mundo num dia. Agora, mais quente, sim… Inverno frio demais, é na Antártida ou na Sibéria.
  16. Não temo pelo meu computador em dias frios.
  17. Menos gente lê o Cão Uivador no verão.
  18. Comer chocolate no verão é um problema: ele fica todo molengão.

Parou por aí, porque por enquanto não lembrei de mais nenhum motivo – que poderá vir nos comentários.

Alguém poderá citar o sofrimento das pessoas mais pobres com o frio como motivo para preferir o verão, e a minha resposta é: a culpa não é do inverno!

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Menos mal que, de acordo com as previsões, o fenômeno La Niña vai deixar o tempo menos úmido por aqui. Pois o que faz o verão ser terrível em #fornoalegre não é simplesmente o calor, e sim a umidade elevadíssima. A ponto de muitas vezes uma caminhadinha de 50 metros se traduzir num banho de suor, mesmo que a temperatura esteja abaixo de 30°C.

Uma pena que o La Niña seja também ruim para a agricultura, por provocar estiagem. Mas não podemos simplesmente culpar o clima pelos problemas da agricultura.

De qualquer jeito, seja o calor seco ou úmido, começa junto com o verão a minha contagem regressiva para o outono: faltam 89 dias!