A arrancada do Brasil em Londres

Por um certo tempo, no sábado, aconteceu algo que não lembro de ter visto alguma vez nos Jogos Olímpicos. Enquanto acompanhava o tênis de mesa masculino, veio a informação de que o nadador Thiago Pereira conquistara a medalha de prata nos 400 metros medley. Com esta prata, o Brasil passava a ocupar, naquele momento, o segundo lugar no quadro de medalhas dos Jogos de Londres, com um ouro, uma prata e um bronze. Estávamos à frente dos Estados Unidos, e atrás somente da China.

Além da medalha de Thiago Pereira na natação, mais duas vieram do judô: Sarah Menezes, na categoria até 48kg, ganhou o primeiro ouro para as mulheres brasileiras no esporte; já no masculino, Felipe Kitadai foi bronze na categoria até 60kg.

Claro que depois o Brasil caiu algumas posições, visto que não ganhou mais medalhas desde então – no momento que escrevo, ocupa o oitavo lugar, empatado com Austrália e Hungria. Porém, essas três medalhas dão uma amostra do que é necessário para um país estar “nas cabeças” em Jogos Olímpicos: incentivar a prática esportiva em geral, não apenas as modalidades coletivas como futebol, vôlei e basquete, que possibilitam apenas duas medalhas para o país – uma no masculino e outra no feminino.

Nos dois esportes que deram medalhas ao Brasil até agora, há várias possibilidades de se subir ao pódio. Inclusive com mais de uma medalha por categoria, como na natação – nos 400 metros medley feminino, o ouro e o bronze ficaram com nadadoras chinesas.

O mais importante, porém, não é ganhar medalhas, e sim, oferecer perspectivas de futuro à juventude através da prática esportiva (que também beneficia a saúde, tanto física quanto mental). Quando há o fomento à formação de novos atletas, a tendência é que os bons resultados apareçam – com ou sem medalhas. Diferentemente de quando o talento em uma modalidade surge esporadicamente: ele acaba carregando sobre os ombros a responsabilidade de “ser o Brasil”, e não “mais um brasileiro”; aí, quando não vence (o que é a coisa mais normal no esporte), acaba sendo visto como “fracassado” – quando deveria mesmo é ser exaltado, servir de exemplo, por ir longe representando as cores de um país que pouco o incentivou.

E quando falo de incentivo, não me refiro apenas a torcer. É fundamental que já na escola as crianças pratiquem diversos esportes, e não só futebol, vôlei e basquete. E é também necessário aporte financeiro aos atletas, por meio de patrocínios da iniciativa privada, e mesmo apoio estatal (Sarah Menezes, por exemplo, é beneficiária do programa federal Bolsa Atleta), para que eles possam se dedicar integralmente aos treinamentos, se mantendo sem a necessidade de trabalhar com outras atividades* (o que resulta em menos tempo para treinar).

“Governo dar dinheiro pra vagabundo treinar ao invés de trabalhar? Nem pensar!”, dirão os de mentalidade tacanha. Quem pensa assim, não tem o direito de reclamar que o Brasil ganhe poucas medalhas.

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* Atualização em 30/07/2012, 19:07. O Hélio fez um comentário me dando um necessário “puxão de orelhas”: o trabalho de um atleta profissional é… Ser atleta! Assim como o do pesquisador acadêmico é ser pesquisador. Para ver só: de tão acostumado a conviver com pessoas que não veem certas atividades como trabalho, acabei “pisando em casca de banana”.

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Eu morro e não vejo tudo…

Pelo visto, esta última semana de campanha eleitoral (e é provável que seja a última mesmo, tanto a nível nacional como estadual aqui no Rio Grande do Sul, pois acho que dá Dilma e Tarso no 1º turno) terá um aumento exponencial da direitosquice digital no Brasil.

No começo da noite de hoje, acessei meus e-mails, e vi entre eles duas “correntes” contra o PT (óbvio, né?). A primeira, trata de uma suposta entrevista do nadador César Cielo, campeão olímpico dos 50 metros livre em 2008, ao jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o texto da mensagem, Cielo teria feito muitas reclamações quanto à falta de apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e do governo brasileiro.

Concordo que falta (e muito!) apoio ao esporte no Brasil (minha amiga Liciana Possani, que entre 2004 e 2008 ganhou quatro títulos brasileiros e um sul-americano na ginástica aeróbica esportiva, que o diga: ela deixou de disputar o campeonato mundial da modalidade por falta de patrocínio, e abandonou temporariamente as competições), mas por favor, não podemos sair repassando qualquer coisa sem verificar a fonte. No caso desta tal entrevista de César Cielo, fiz uma busca e achei uma matéria, de 2 de setembro de 2008, falando que o nadador realmente detonou os dirigentes da CBDA. Só que no texto não há nenhuma menção ao governo! A própria palavra “governo” sequer aparece…

Mas pior ainda foi o outro e-mail. O título: “500 mulheres cearenses! ! ! ! ! INACREDITÁVEL!!!” (é assim mesmo, cheio de exclamações). Na hora fiz uma busca… Nos meus e-mails! Sim: eu já tinha recebido isso, pasmem, da mesma pessoa, no dia 29 de maio! Inclusive, naquele primeiro texto sobre as “correntes” eleitorais, eu já havia citado essa… Fiz a busca pensando que tinha respondido aquela vez (aí mandaria a mesma réplica), mas sei lá por que cargas d’água, não o tinha feito. Então respondi ao meu amigo, e claro, lembrei que ele mesmo já tinha me mandado aquela merda mensagem há quatro meses.

Agora, resta ver o que ainda aparecerá na minha caixa de e-mails nos próximos dias. Certo que receberei muitos “ACORDA BRASIL” e semelhantes…