Chororô concretosco

Interessante a postura dos concretoscos após a acachapante vitória do NÃO na consulta pública sobre o Pontal…

Reclamam do “baixo quórum” da votação! De fato, apenas 2% do eleitorado de uma cidade (e que é capital do considerado “Estado mais politizado do Brasil”) comparecer às urnas é muito pouco. A grande maioria dos porto-alegrenses optou pela omissão.

Mas sabem o que penso disso? Quem não votou, “azar o seu”. Deixou que os outros decidissem no seu lugar – mesmo os que votariam NÃO, pois deixar de participar significava correr o risco do “sim” ganhar sem fazer nada contra isso.

Sou favorável ao voto facultativo (como foi ontem), mas ainda mais à participação popular: democracia não é só eleger “representantes” e deixar que eles decidam por nós. A omissão é sempre um péssimo negócio: no primeiro turno da eleição presidencial francesa de 2002, boa parte do eleitorado se omitiu; essa patetice, somada à divisão da esquerda, levou o líder da extrema-direita Jean-Marie Le Pen para o segundo turno, quando a esquerda teve de “se unir” em torno do (apenas) direitista presidente Jacques Chirac e ajudar a reelegê-lo para evitar um mal maior.

E eu faço uma pergunta aos concretoscos que tentam deslegitimar a vitória do NÃO: se tantos porto-alegrenses queriam o “progresso”, onde eles estavam?

Afinal, mesmo que tenham sido poucos os que participaram, 80% dos que não quiseram se omitir se mostraram contrários ao descalabro. Não acredito que uma maior participação popular resultaria em vitória do “sim”.

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VITÓRIA!

E foi ao estilo “Grêmio no Olímpico”: de lavada!

80% dos votos para o NÃO!

Chorem, concretoscos!

ONDE VOTAR NÃO

Recebi a informação de que a prefeitura não teria cumprido o que havia prometido.

Disseram que o número 156 estaria disponível 24 horas por dia, para informar aos cidadãos onde eles votam na consulta pública sobre o Pontal do Estaleiro. Porém, no sábado o serviço teria funcionado só até as 16 horas, e no domingo, o cidadão não teria como ver por telefone onde votar. Só restaria assim a internet, que infelizmente não é acessível por todos.

Mas, quem de última hora acessar este blog e quiser ir votar, é só clicar aqui e conferir seu local de votação.

NÃO SE OMITA! VOTE NÃO!

A fé cega no “progresso”

No dia 14 de janeiro de 1993 o seriado Os Simpsons, do qual sou fã, exibiu pela primeira vez (nos Estados Unidos) o episódio “Marge x Monotrilho”, que é considerado um dos melhores da série.

Nele, o Sr. Burns é flagrado escondendo lixo nuclear em um parque de Springfield e é multado em 3 milhões de dólares. Em uma reunião para os cidadãos decidirem o que fazer com o dinheiro, Marge Simpson propõe o conserto da rua central da cidade, extremamente esburacada. A questão estava praticamente decidida: a população em geral percebia que era uma obra realmente necessária.

Então apareceu o esperto Lyle Lanley, dono de uma desconhecida empresa que construía monotrilhos, com a proposta de fazer um em Springfield. Utilizando-se de uma musiquinha contagiante, convenceu a todos. Bom, a quase todos: Marge continuou a preferir o conserto da rua central, desconfiando de Lanley.

Springfield não era tão grande assim de modo a precisar de um monotrilho, e as cidades onde o esperto já havia feito as obras não eram conhecidas. Mas, e daí? O importante era o “progresso”! O povo estava entusiasmado.

O resto da história? Eu achei o episódio inteiro, mas só dublado em russo. E Mas não era em nenhum dos serviços de vídeo compatíveis com o WordPress (YouTube, Google Video, Dailymotion etc.), então apenas passo o link. Mesmo sem ter conhecimento de russo, é possível entender o que acontece. (Com agradecimento ao meu amigo Paulo pelo link do vídeo em português.)

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Porto Alegre é bem maior que Springfield, mas não falta gente por aqui que pensa igual aos da cidade dos Simpsons. É essa a lógica de Pontais do Estaleiro e outras concretosquices: “progresso” acima de tudo! Pouco importando se são ou não coisas realmente boas e necessárias.

Menos mal que, por aqui, o que não falta são “Marges Simpsons”, que não acreditam de cara nessa história de “progresso” regado a concreto.

Domingo, vote NÃO!

Para saber onde votar NÃO, clique aqui.

Dia 23, diga NÃO à concretosquice!

O voto na consulta popular sobre o Pontal do Estaleiro, dia 23 de agosto, é facultativo. Ou seja, vota quem quiser. Logo, será muito tentador para os acomodados: se não estiverem a fim de votar, podem ficar em casa…

Ou seja, é mais um motivo para quem realmente é contra o absurdo do Pontal ir votar NÃO no dia 23. A consulta popular só acontecerá graças à mobilização dos cidadãos, que não se resignaram com a aprovação do projeto em novembro passado pela Câmara. Por isso, Fogaça o vetou e enviou à Câmara o novo projeto, prevendo um referendo – substituído pela consulta do dia 23, já que o referendo era considerado “caro” (Democracia sai caro?). Se os cidadãos não tivessem se mobilizado, a construção daquelas porcarias de prédios já teria começado.

Deixar de ir votar por ser contra a consulta (pois nem sequer deveria ser cogitada a construção de espigões na orla do Guaíba!) é burrice. Afinal, se apenas uma pessoa for votar, e ela optar pelo “sim”… Mesmo que a consulta não tenha um caráter decisivo – afinal, se ela não sair o Pontal estará aprovado – é importantíssimo participar dela: se a Prefeitura não respeitar a vontade popular em caso de vitória do “não”, ela ficará desmoralizada.

Dia 23, é dia de dizer NÃO à concretosquice! Vá votar NÃO ao Pontal do Estaleiro!

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E por falar em “não”, NÃO caia na conversa furada do “incentivo ao turismo”. É por isso que eu chamo os defensores do Pontal do Estaleiro de “concretoscos”: querem nos fazer acreditar que, como num passe de mágica, o concreto na Ponta do Melo fará com que um cara que queira ver espigões troque Nova Iorque por Porto Alegre; ou que turistas originados de países da Europa e da América do Norte são apaixonados pela enorme quantidade de neve que cai na “Serra” – na verdade, é uma escarpa – e não ficam em Porto Alegre por falta de espigão.

Ora, conforme já foi dito em abril pelo Cão, os porto-alegrenses não conhecem a cidade em que vivem. Aí saem a repetir bobagens, como “Porto Alegre não é atrativa”, ao invés de procurarem conhecer o que só existe aqui e mostrar a quem é de fora.