Brasil, potência mundial

Semana passada, foi anunciado que o PIB do Brasil superou o do Reino Unido, e com isso nosso país se tornou a 6ª economia do mundo. E pelo visto caminhamos a passos largos para ocuparmos o lugar dos Estados Unidos: já exportamos lixo cultural

Há quem diga quem diga que isso é representativo da cultura brasileira. Se pensarmos em “cultura massificada”, leia-se “midiática”, até concordo (e em outros países nem é muito diferente). Mas a verdadeira cultura do Brasil é muito rica e diversificada, resumi-la a uma letra tosca como essa é uma estupidez sem tamanho.

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Não esqueci do outro assunto que a charge do Kayser fala, a matéria da Veja. Lembram de eu ter falado sobre não acreditar que o mundo acaba esse ano?

Já estou repensando isso… Pois me parece mais fácil o mundo acabar do que a velha mídia falar sobre o livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr.

É tosco, mas tá na moda

Há pouco mais de um mês, fiz um breve comentário sobre a atual praga moda da classe média motorizada: os “adesivos família”. O sujeito compra os adesivinhos e cola na traseira do automóvel, cada um deles simbolizando um membro da família – tem até cachorro e gato. E está cada vez mais comum ver carros com esses adesivos toscos colados na traseira.

Quando comentei com o meu pai sobre essa tosqueira, ele contou que muitos anos atrás a “moda” era umas mãozinhas abertas, que eram presas na lateral dos carros através de uma espécie de mola, e que com o movimento do carro ela se mexia, “abanando” para os demais motoristas.

Mas, como não falar de idiotices também em outros aspectos, principalmente no vestuário? Lembram dos anos 80, as famosas “ombreiras”? Hoje achamos ridículo, mas naquela época era moda!!!

Na música, também vemos muito lixo virar moda. Principalmente no verão: as músicas mais tocadas nessa época dificilmente chegam à primavera seguinte fazendo o mesmo “sucesso”. Mas a boiada galera, claro, vai atrás, e ouve o que a rádio toca. Afinal, é o que “todo mundo ouve”.

Segue por aí: frequentam o restaurante “ao qual todo mundo vai”; vão sempre para o mesmo lugar (ou seja, alguma praia “da moda”) em todos os verões, “porque todo mundo vai”… Essa última me faz pensar que, se um dia eu convencer esse pessoal que a moda é “ir à merda”, eles certamente irão!

E qual é a lógica dessas modas passageiras? É aquilo do que falei semana passada: a obsolescência programada.

Algo que eu não imaginaria um dia ouvir novamente

Foi há bastante tempo, pelos padrões de quem tem “só” 27 anos.

Em 2000, eu costumava ir aos jogos do Grêmio com o meu amigo Marcel, que era de uma torcida organizada, a Super Raça Gremista – ele me convidou umas trinta vezes para entrar, e recusei as trinta. Certo dia, foi junto conosco um amigo dele, de nome Vinícius. O mesmo que o do meu irmão (que é colorado fanático).

O Vinícius era também integrante da Raça. Porém, não tinha aquele perfil típico de integrante de torcida organizada. Era meio quieto, bem calmo.

Certo dia, o Marcel me contou que em um jogo que ele tinha ido, a torcida havia cantado uma música que era assim:

Sooou do Grêmio,
Sooou do Grêmio,
Do Grêmio eu sooou!

Tempos depois, descobriria que era inspirada em uma música cantada pela torcida do Uruguai em homenagem à Celeste Olímpica.

Me disse o Marcel que o Vinícius (o amigo dele) detestava essa música. Em todos os jogos que eu ia com o Marcel, junto com a Raça (que naquela época ficava na Social), a música não era cantada.

Eis que um dia, em que o Vinícius estava junto… A música foi cantada!

Não há palavras para descrever o quão engraçada era a cena: o cara cantava e batia palmas com uma empolgação…

Com o tempo, para diferenciar o Vinícius (meu irmão) do Vinícius (amigo do Marcel), comecei a chamar o segundo de… SOU DO GRÊMIO! Foi uma opção conservadora: dei prioridade ao meu irmão, que eu conhecia desde 1985, em detrimento do já meu amigo, mas apenas desde 2000.

O bizarro apelido começou a ser difundido por minha culpa – e do Marcel, que também começou a chamar o cara de “Sou do Grêmio”. Com o passar do tempo, a grafia mudou para “Sô do Grêmio”.

Em uma madrugada de 2001, encontrei o Sô do Grêmio no ICQ (velhos tempos, do ICQ…) pela primeira vez desde que eu tinha feito minha conta lá, e obviamente “cantei a música”, deixando-o “p da vida”. Fazia muito tempo que ele não ia ao jogo – e coincidentemente, a música não era cantada no Olímpico desde a última vez que ele fora ao estádio.

Os anos se passaram, o Marcel deixou a Raça, e nunca mais quis saber de torcida organizada. O Sô do Grêmio nunca mais foi ao Olímpico conosco. E as próprias organizadas do Grêmio minguaram, com o advento da “desorganizada” Geral.

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Domingo, 16 de novembro de 2008. Me dirijo à parada de ônibus para pegar minha condução de volta para casa após a vitória gremista por 2 a 1 contra o Coritiba. Não percebo nenhum sinal de violência – só vou saber da grave briga entre torcidas do próprio Grêmio dois dias depois, pelos jornais. Caminhando, percebo que alguém canta uma música conhecida, mas que há muito tempo eu não ouvia.

Demoro um pouco para identificar a letra da música cujo ritmo já conhecia. E então percebo que se trata da mesma de oito anos atrás:

Sooou do Grêmio,
Sooou do Grêmio,
Do Grêmio eu sooou!

Nova versão da famosa música do Fogaça

Nosso atual prefeito compôs a música “Porto Alegre é demais“. Bonita, por sinal. Aliás, José Fogaça já provou que, como prefeito (assim como quando era senador) é um bom compositor.

Os servidores municipais estão em greve desde a semana passada. Um deles compôs uma paródia da música do Fogaça. Chama-se “Porto Alegre é jamais“.

Quem quiser mais informações (verdadeiras) sobre a greve dos municipários pode clicar aqui.