Um dilema que me afligia…

Torcer ou não pelo Santos amanhã, na decisão do Mundial Interclubes?

O adversário é o melhor time que já vi jogar: o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e o lesionado Villa. Joga tão bonito, que não consigo deixar de pensar que será uma injustiça ele perder. O Mundial Interclubes seria o fecho com “chave de ouro” para um ano histórico dos blaugranas.

Porém, torço sempre contra os clubes europeus (não apenas pela América do Sul), exceto quando o adversário deles é o Inter. Em 2009, quando o Barcelona também tinha um timaço (embora não melhor que este de 2011), torci pelo Estudiantes na decisão. Ano passado, fui “Mazembe desde criancinha” contra o Inter e a Inter. Na final de 2005, torci pelo São Paulo contra o Liverpool – e a vitória são-paulina, se por um lado parece ter sido injusta (afinal, o Liverpool amassou o São Paulo no segundo tempo), por outro foi consagradora para Rogério Ceni, que naquele 18 de dezembro teve uma das maiores atuações de um goleiro que já pude assistir.

Não bastasse minha tradição de secar os europeus, o meu irmão disse que vai torcer pelo Barcelona para que o Inter siga como último clube sul-americano campeão mundial. Depois dessa, simplesmente não dá para não torcer pelo Santos…

Então, torço para que amanhã tenhamos um grande jogo em Yokohama, e que o Barcelona jogue tudo o que sabe. Mas quero que Neymar faça chover (ou nevar, já que no Japão o inverno está começando), e traga a taça para a América do Sul. Pra cima deles, Santos!

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14 de dezembro

Faixa levada por torcedores ao jogo Seleção "Gaúcha" x Seleção Brasileira, realizado no Beira-Rio em 17/06/1972

Dia mais do que especial.

Há exatos dois anos, defendi minha monografia de conclusão do curso de História da UFRGS, trabalho que recebeu conceito “A” da banca. Um dia glorioso: embora oficialmente eu só tenha me tornado bacharel em História após o ato burocrático acontecido em 18 de fevereiro de 2010, a data que festejo é o 14 de dezembro de 2009.

Já um ano atrás… O 14 de dezembro foi o dia não só do primeiro aniversário da defesa do TCC, mas também de risada. De muita risada! Foi o melhor presente que eu poderia ter ganho.

1960 e 2010: Os Anos da África

Foi ainda no tempo do colégio que li a expressão “1960: O Ano da África” em um livro didático. O motivo, é que só naquele ano 16 países do continente obtiveram sua independência política. Livravam-se de um colonialismo que fora por demais cruel, e do qual sofrem até hoje as consequências.

Meio século passou, e novamente temos um Ano da África. Desta vez, no futebol. 2010 foi o ano da primeira Copa do Mundo no continente africano (embora não haja apenas coisas boas nisso). Por muito pouco, uma seleção africana (Gana) não chegou à semifinal desta Copa.

E agora, no Mundial de Clubes, pela primeira vez a decisão não será entre América do Sul e Europa. Quem está lá? A África. Representada pelo Mazembe, da República Democrática do Congo (antigo Zaire), que foi até 1908 propriedade privada do rei Leopoldo II da Bélgica com o no mínimo irônico nome de “Estado Livre do Congo” – que mascarava a mais brutal colonização europeia na África.

O “reino privado” de Leopoldo II tornou-se colônia em 1908 com o nome de “Congo Belga”, subetendo-se assim ao parlamento da Bélgica, e não mais às decisões pessoais do rei, embora isso não mudasse muita coisa – afinal, a população local continuava sob domínio europeu, que duraria até o Ano da África, ou seja, 1960.

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E o Mazembe ganhou do Inter com todos os méritos. Certa imprensa quer fazer acreditar que os vermelhinhos “perderam para si mesmos”, contra um adversário “muito inferior, frágil” (que, de tão frágil, foi muito mais competente para marcar não um, mas dois gols).

Provavelmente se tenha lido opiniões semelhantes nos jornais de Barcelona, em dezembro de 2006… Só mudando as cores dos que “perderam para si mesmos”, e dos “frágeis” vencedores.

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O Grêmio também participou desta grande vitória do Mazembe sobre o co-irmão. Afinal, nós gremistas temos um colega de torcida na República Democrática do Congo. E não é qualquer um: trata-se do médico Denis Mukwege, indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2009, que é especialista no tratamento de mulheres vítimas de violência e tortura sexual durante a guerra civil que por vários anos assolou seu país.

E, não bastasse um tão ilustre gremista no país do Mazembe, a gloriosa camisa Tricolor se misturou à torcida dos “Corvos” (apelido do clube) em Abu Dhabi.

Chico Buarque sabe das coisas

Nos últimos dias, essa excelente música do Chico Buarque me vinha muito à cabeça. “Apesar de você” foi composta com inspiração no general Emílio Garrastazu Médici, ditador do Brasil de 1969 a 1974.

Mas, para além de “homenagear” ditadores, ela serve também para outras pessoas que nos incomodam demais. Um cara muito chato, alguém que amamos mas nos despreza… E também, certos torcedores de um certo clube*, que por quatro anos se acharam a última bolachinha do pacote, numa arrogância que parecia infinita.

Neste último caso (os certos torcedores de um certo clube), quando o Chico fala em “hoje”, pense em “antes dos 7 do 2º tempo”. Pois agora já é amanhã. Já é outro dia.

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* Ressalto o “certos torcedores”, pois não podemos cometer injustiças. Os malas se tratam de uma minoria, mas muito barulhenta.

Um ano de historiador

Hoje completa-se um ano da defesa da minha monstrografia.

E, de presente por este aniversário, quero rever (mas em transmissão ao vivo) a comemoração de Robert Muteba Kidiaba, goleiro do Mazembe.