O estuprador não é um monstro

“Como assim não? É UM MONSTRO SIM E MERECE APANHAR ATÉ MORRER!!!!111”, escreve, ensandecido, o comentarista de portal.

Mas, de fato, não é. Assim como nenhum criminoso, por mais cruel que seja, também não é monstro. Da mesma forma que Adolf Hitler não foi. Temos algo em comum com os citados: somos humanos.

Dizer que estupradores e outros criminosos são “monstros” é uma fuga da responsabilidade de refletirmos sobre nossa culpa pela existência de pessoas assim. Afinal, não esqueçamos que nem todo criminoso é um psicopata – ou seja, alguém acometido de um transtorno de personalidade.

Logo, também cabe a nós, homens, denunciar e combater a violência de gênero. Não podemos achar que isso “é problema delas” ou dizer que homens violentos são “monstros”: da mesma forma que nós, eles são… Homens. Ou seja: enquanto gênero, todos somos responsáveis por isso. Todos somos parte do problema.

É exatamente isso que nos lembra o poeta canadense Jeremy Loveday no vídeo abaixo. Assistam:

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Troque o app por um chope

Até o final da década de 1990, telefone celular era quase “artigo de luxo”. Quem tinha, era por questões profissionais ou por exibicionismo. Sem contar que era coisa de adulto: ver adolescente ou criança com um aparelho era sinal de que os pais queriam encontrá-lo em qualquer lugar, a qualquer hora – lembro do dia em que um colega foi à aula com um celular na pasta e sofreu tanto escárnio que nunca mais levou o aparelho ao colégio.

Isso começou a mudar com o surgimento dos celulares pré-pagos. A partir dali, não era mais necessário ganhar bem: bastava adquirir o aparelho junto à operadora, pôr créditos e “sair falando”, sem precisar pagar conta todo mês. Os principais alvos da publicidade eram os jovens, ansiosos por um telefone “exclusivo” para si; o aparelho deixou de ser motivo de chacota, o que também foi ótimo para os pais: o mecanismo de vigilância (“onde tu anda, que horas vem?”) não só deixou de ser rejeitado como também se tornou desejado pelos filhos, que não se sentiam controlados.

Os celulares deixaram de ser simplesmente telefones. Começou com o fato de eles marcarem as horas: meu relógio de pulso estragou há anos e sequer cogitei a possibilidade de consertá-lo, pois para ver o horário confiro o celular. Depois vieram as mensagens SMS, mais baratas que ligações e, portanto, vantajosas para quem quer apenas perguntar algo do tipo “vai demorar muito?”. Mais adiante surgiram os aparelhos com câmera fotográfica: a qualidade das fotos era péssima, mas como bem sabemos tudo que é novidade vende, e muitas pessoas correram para trocar seus celulares mesmo que os anteriores cumprissem bem sua função de fazer e receber chamadas e mensagens de texto.

Os toques dos celulares, um pouco diferentes, mas que eram claramente “telefônicos”, também mudaram. Tornou-se possível trocar o som de campainha por música (o que, convenhamos, é bem mais agradável). A qualidade das câmeras também melhorou, com as fotos tendo maior definição.

As novidades tecnológicas não pararam. Tornou-se possível navegar pela internet com o celular, com o uso do 3G; mais adiante, surgiram aparelhos que se conectam a redes wi-fi, permitindo a navegação gratuita em espaços onde o sinal é liberado ao público.

Os aparelhos mais sofisticados nem são mais chamados de “telefones celulares”: agora são “smartphones”, nos quais fazer e receber chamadas é apenas uma função dentre várias possíveis. Baixando aplicativos, é possível navegar na internet, tirar fotos e publicá-las na mesma hora, acessar as redes sociais e saber coisas nem tão importantes assim, alugar bicicletas, chamar táxis etc. E agora, inclusive, saber se aquela pessoa da qual se está a fim realmente vale a pena ou não: o assunto do momento é o aplicativo através do qual as mulheres avaliam os homens, mas logo surgirá um app no qual elas é que serão avaliadas, não tenham dúvida disso.

Sinceramente, será que não estamos nos tornando extremamente dependentes da tecnologia? Pois não precisamos estar na internet o tempo inteiro, tirar uma foto e postá-la na mesma hora, olhar o Facebook na cama… É verdade que alugar bicicleta e chamar táxi são funções úteis, mas é possível fazer o mesmo telefonando, sem necessidade de aplicativos no celular.

E agora, para saber se a pessoa é legal, ao invés de bater um papo com ela preferimos acessar um aplicativo para ver qual é sua “nota”. Baseamo-nos na avaliação dos outros para saber se alguém é bacana para nós, esquecendo que gosto varia de pessoa para pessoa, que características agradáveis a uns não são a outros etc. Para saber se ele ou ela é realmente bacana, é melhor esquecer o app e convidar para ir tomar um chope.

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Porém, tudo tem seu lado positivo. A polêmica sobre esse tal aplicativo “Lulu” também serviu para termos uma ideia do que é ser tratado como objeto, se sentir vulnerável… Resumindo: do que é ser mulher em uma sociedade machista.

Afinal, as queixas não recaem sobre o fato de elas estarem nos avaliando – é óbvio que fazem isso, assim como também as avaliamos – e sim quanto a isso ser “público”, de forma que uma ex-namorada com raiva nos pode “detonar” por vingança e suas observações serem vistas por outras pelas quais temos interesse. Nada muito diferente do que fazem muitos homens com mulheres que não querem (mais) nada com eles… Mas ainda assim, tem uma grande diferença: mulheres têm sido não apenas rotuladas, mas também vítimas da cruel “pornografia da revanche”, com duas jovens cometendo suicídio por não suportarem a repercussão da divulgação na internet de vídeos íntimos nos quais aparecem.

Assim, talvez essa polêmica tenha vindo em boa hora, e quem sabe sirva para gerar uma boa discussão sobre as desigualdades de gênero em nossa sociedade. O “Lulu” pode ser uma modinha como tantas que vemos nas redes sociais, já o debate não pode ser passageiro, de forma alguma.

Especial para os “machões” de plantão

– Elas reclamam, mas no fundo gostam.

– Mas também, vestindo essa roupa, ela pediu.

– Fica se insinuando e depois reclama de assédio.

Quantas vezes não ouvimos pessoas – inclusive mulheres – falando tais frases? É tão frequente, que nos leva ao questionamento: será que a luta feminista é sem sentido? Que as queixas relativas a assédio sexual são apenas “da boca pra fora”? Enfim: será que realmente as mulheres gostam disso?

Pois bem: uma pesquisa mostra que 83% delas não gostam de ouvir cantadas. Ou seja, uma maioria esmagadora. E tem mais: 81% das mulheres já deixaram de fazer coisas por medo de assédio, 90% trocaram de roupa pensando no lugar que iam por temerem abordagens desrespeitosas por parte dos homens, e 73% não respondem aos assédios que ouvem na rua, principalmente por medo de serem vítimas de violência sexual.

Os homens que insistem em afirmar que “elas reclamam, mas gostam” estufam o peito para bradar seu “orgulho hétero”. Afinal, não basta “ser homem”: é preciso deixar isso bem explícito, para que ninguém pense o contrário. Demonstrações de afeto? Isso não é coisa de “macho”, pois “homem que é homem” é insensível, é “caçador”, tem de “pegar todas” e, principalmente, mostrar, pois como já foi dito, não se pode dar margem a dúvidas.

Isso não tem nada de natural. É fruto de uma cultura machista, que cria padrões a serem seguidos por homens e mulheres – e que, por ser ensinada desde a infância, no dia-a-dia, parece ser natural. Mas não é.

Nós, homens, aprendemos a tratar as mulheres não apenas como objetos, mas também como números, “estatísticas”: quanto mais “pegamos”, mais “pontos” ganhamos como “machos”. Já com elas acontece o contrário: se “pegam muitos” são taxadas de “vadias”, vão para aquela “relação” das que “não servem para casar”; se bem que isso também não faz lá muita diferença, pois por mais “donzela” que a mulher seja, basta dizer um “não” para ser igualmente chamada de “vadia”. Ou seja, sempre serão rotuladas, independentemente de suas atitudes… Desigualdade de gênero, na qual o homem leva vantagem sobre a mulher; resumindo em uma palavra só: machismo.

Como foi dito, aprendemos a ver isso com naturalidade. Aceitamos que o homem assedie mulheres na rua, pois é “macho”, e que elas “reclamam, mas gostam”. Porém, a maioria esmagadora delas não gosta. Não podia haver recado mais claro a nós, homens: fomos ensinados que somos “fodões” e podemos desrespeitar as mulheres; já passa da hora de aprendermos o contrário.

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Atualização (10/09/2013, 19:56). Depois de reler o texto, percebi algo: da maneira que escrevi, parece que só devemos respeitar as mulheres por conta do resultado da pesquisa. Reparem só como o machismo age: afinal, não devemos respeitá-las sempre? Mesmo que a proporção fosse inversa (ou seja, que a maioria esmagadora delas não visse problema em ouvir cantadas), ainda assim deveríamos tratá-las com respeito. E falo de todas, pois mesmo dentre as que gostam de cantadas (sejam minoria ou maioria), duvido que alguma se sinta confortável diante de um tarado que lhe mostra o pênis na rua (leiam os depoimentos).

O “crime” de sofrer um crime

Era uma vez um lugar onde ser vítima de um crime era crime. Lá, quando o sujeito estava na rua e era roubado, não ia à polícia nem contava nada a ninguém. Quando as autoridades sabiam do acontecido, o assaltado era detido, e levava umas porradas para “aprender a não ficar andando em lugar perigoso”.

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Surreal, né? Mas engana-se quem pensa que algo desse tipo não existe de verdade. A diferença é que não acontece com todo mundo que é vítima. Só integrantes de certos grupos sociais (que obviamente não são os dominantes, ou seja, homens brancos heterossexuais) cometem o “crime” de sofrerem certos crimes.

É o que se passa, por exemplo, com as mulheres que são assediadas na rua ou no ambiente de trabalho, sofrem abusos sexuais etc. A “culpa” é sempre delas: andam com roupa muito curta, se insinuam etc. É capaz de muitos chegarem a sentir pena dos homens que as violentam: afinal, essas “vadias” ficam “provocando”.

(Então acontece de um programa de televisão, que dizem ser de humor, mandar uma equipe que conta com uma moça vestindo uma saia curta ao lançamento de um livro, com o objetivo de entrevistar o autor. O entrevistado enfia a mão entre as pernas dela, por baixo da roupa.  E todo mundo acha normal. Afinal, “a culpa é dela”: foi de vestido muito curto, a calcinha aparecia, ela provocou… Sempre o mesmo papo furado.)

Responsabilizar a mulher pelo abuso sexual sofrido é igual a dizer que num caso de roubo a culpa é da vítima. Rigorosamente igual.

Carro pra quê?

Terça-feira era dia de aula na especialização. Assim, ao invés de sair do trabalho e voltar a pé para casa, embarquei em um ônibus da linha T1.

Na hora de descer, me deparei com o par de olhos mais lindo que já vi. Até agora me pergunto se o rosto dela era tão belo assim, ou se era só reflexo daqueles olhos verdes…

Isso também me faz perguntar: comprar um carro, pra quê? Quando saio com os amigos, também me acompanha a cerveja – o que me deixa inapto a voltar dirigindo. Assim, melhor pegar carona com quem não bebe, ou um táxi, ou até ônibus no caso deles ainda passarem.

Usar carro durante a semana, para ir e voltar do trabalho? Nem pensar. Se andando a pé (ou de ônibus, como na última terça) já sou estressado ao extremo, imaginem dirigindo no “fantástico” trânsito de Porto Alegre? Isso não iria acabar bem.

De qualquer forma, adoro andar de ônibus, apesar dos pesares (como os constantes aumentos na passagem que não correspondem a uma melhoria no serviço – o que motiva mais gente a usar o carro no dia-a-dia). Ao contrário do Milton Ribeiro, não consigo ler durante o trajeto (embora eu siga insistindo em levar um livro toda vez que viajo de ônibus), então procuro observar as pessoas, as paisagens. Olho tanto para fora como para dentro do ônibus, e vejo tanto coisas ruins como boas.

Quando se está dirigindo, por sua vez, é impossível fazer tais observações sem correr sérios riscos. A única coisa que interessa é saber a distância do carro da frente, cuidar a velocidade, a sinalização etc. E a coisa piora quando o trânsito está caótico. Enfim, acho um saco dirigir na realidade, esse negócio que acontece fora das propagandas de automóveis.

Sem contar que dirigindo não há a possibilidade de poder observar um belo par de olhos verdes: se olhar demais, o sinal é que fica verde e preciso acelerar para não ser xingado até a quinta geração.

Por que elas não têm destaque?

Neste domingo, às 12h30min, tem Brasil x Estados Unidos, pela Copa do Mundo. Marta repetirá a fantástica atuação que teve diante das mesmas adversárias em 2007 (com direito a um gol mais que antológico)? A torcida brasileira e, principalmente, os amantes do bom futebol, torcem para que sim.

Mas a pergunta fundamental é: o Brasil vai parar por causa deste jogaço?

Não, pois isso só acontece quando são os homens em campo. Mesmo que a seleção feminina do Brasil jogue um futebol mais bonito que a masculina, o destaque é sempre deles. Nunca delas.

Os brasileiros em geral foram ensinados a torcer apenas por homens no futebol. Mesmo as mulheres, hoje mais presentes nos estádios, assistem majoritariamente ao futebol masculino. Este segue sendo a principal referência esportiva de torcedores e torcedoras. Repare que textos sobre o esporte aqui mesmo no Cão são quase em sua totalidade sobre o masculino. Superar o machismo é tarefa das mais difíceis, ainda mais em um jogo que por tanto tempo foi considerado “coisa de homem”.

E se depender da mídia corporativa, isso não mudará. Pois o destaque é dado ao futebol masculino: como mais gente se interessa, quer dizer que dá mais audiência, logo, mais lucro por atrair mais anunciantes. Só que, ao mesmo tempo, como a “grande mídia” fala mais sobre futebol masculino, influencia mais gente a acompanhá-lo, mas sem ter maior conhecimento (ou até interesse) em relação ao feminino.

Agora, pense bem: se determinados assuntos não recebem atenção da “grande mídia” por não serem financeiramente interessantes, podemos falar que ela é democrática, livre?

Portanto, democratizar a comunicação é fundamental para que o Brasil possa ser um país realmente democrático.

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Esta postagem é uma contribuição à blogagem coletiva pela democratização da comunicação, convocada pelo Eblog (Blogueiros de Esquerda).

Não existe ditadura das minorias, e sim, DE UMA minoria

Já fazia algum tempo que queria escrever sobre isso. Pois é algo que vem me incomodando muito.

Na atual onda de “politicamente incorreto” (eufemismo para “fascismo envergonhado”), uma das queixas destes “incorretos” é que hoje em dia vivemos uma “ditadura das minorias”. Que não se pode contar uma piada sem que se corra risco de ofensa contra alguma minoria. Que não se tem mais liberdade de expressão, e blá blá blá. Logo, é ditadura. Das minorias, é claro.

Interessante essa visão deles. Pois começo a pensar nas diversas minorias “opressoras” na ótica dessa gente. Só a primeira delas, as mulheres, já corresponde a pouco mais da metade da população brasileira. Ou seja, falamos é de uma maioria. Nem precisei ir longe para derrubar os “argumentos” deles.

Só que não são apenas as mulheres os alvos do “humor” deles. As “piadas” também atingem negros, índios, mestiços, homossexuais etc. Se fizermos a soma, já temos uma maioria esmagadora.

Logo, “minoria” é justamente quem não se encaixa em nenhuma das ditas “minorias” que, dizem, são “opressoras”. Só os homens já formam uma minoria; se quisermos para a “amostra” os que sejam também brancos e heterossexuais, sobra menos ainda.

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Agora, vamos falar de ditadura. Primeiro, vejamos o que diz o minidicionário Aurélio:

ditadura sf 1. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, grupo, partido ou classe. 2. Tirania.

Nas mãos dum indivíduo, grupo, partido ou classe. Reparemos que o dicionário não fala no plural. Pois na ditadura não há pluralidade. Nem de opiniões, nem de pessoas (ou grupos de) no poder.

Voltemos, então, às minorias e à suposta “ditadura” delas. No caso, seria uma ditadura da maioria, que é a soma de todas elas. E “ditadura da maioria” se aproxima de… Democracia! (Sim, se aproxima, já que democracia real seria o governo de todos.)

Porém, sequer é esta a realidade. Pois o poder não se encontra nas mãos destas minorias (que unidas formam a maioria). Elas não oprimem – pelo contrário, são oprimidas por uma minoria, formada por homens brancos e heterossexuais (embora obviamente não se trate de todos eles – afinal, eu sou homem branco heterossexual e não concordo com a opressão, mas reconheço que sou parte do problema).

Esta minoria sempre se sentiu no direito de humilhar os diferentes. Só que agora os seus alvos não parecem mais muito dispostos a aceitarem isso calados. Daí toda a reclamação quanto à suposta “ditadura das minorias”: os “politicamente incorretos” querem liberdade para oprimir.

A origem do Dia Internacional da Mulher

Por muito tempo, ouvi a história de que o 8 de março era o Dia Internacional da Mulher devido a um acontecimento de 1857. Naquele dia, mulheres que trabalhavam numa fábrica teriam sido queimadas vivas por ordens do dono da empresa, em punição ao fato de estarem em greve. Inicialmente eu acreditava, mas depois de um certo tempo pensei que se o cara realmente fez isso, ele queimou não só sua mão-de-obra, como também as máquinas. E sabemos que, para um capitalista, nada pode ser mais importante que a produção: ele caga e anda para a mão-de-obra; agora, as máquinas…

E de fato, é possível que esta greve não tenha acontecido – ou não com um final tão trágico. De acordo com o blog Quem mandou nascer mulher?, não há registros históricos sobre tal acontecimento de 8 de março de 1857.

Já tinha lido que a escolha do 8 de março se devia a um acontecimento da Revolução Russa de 1917: sua primeira etapa, a “Revolução de Fevereiro”, começou nesse dia (23 de fevereiro pelo calendário juliano, utilizado pela Rússia naquela época), quando teve início uma greve de operárias têxteis, que saíram às ruas protestando contra a fome e a participação na Primeira Guerra Mundial (cujas trincheiras ceifavam muitas vidas). Só que, de acordo com o link que citei no parágrafo anterior, a escolha da data se deveu justamente ao fato de já ser, na época, considerada como Dia Internacional da Mulher.

Assim, a razão pela qual se considera o dia de hoje como Dia Internacional da Mulher permanece desconhecida. Agora, o que se sabe é o motivo de existir um dia dedicado às mulheres: a luta contra a exploração. Não é uma data comercial, para se dar rosas, como muitos fazem.

Seja pela tal greve de 1857 da qual falta documentação, seja pelas operárias russas de 1917, o que se percebe é que o Dia Internacional da Mulher está diretamente relacionado à luta contra o capitalismo – sistema que gera toda a exploração que elas enfrentaram, e ainda enfrentam*.

Logo, engana-se quem pensa que a luta das mulheres “é problema delas”. Nós, homens que defendemos um mundo mais justo, não podemos deixar de apoiá-las, e também devemos combater o machismo que ainda está enraizado em nossa sociedade (dentro de nós mesmos, muitas vezes). Até porque isso é prejudicial não só às mulheres, como até mesmo aos homens que não se encaixam no padrão de “masculinidade” que é socialmente imposto.

Ou seja, sem a superação do machismo, será impossível que se tenha uma sociedade mais justa.

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* Alguém pode lembrar que nos países ditos “socialistas reais” uma mulher jamais chegou ao poder, e é verdade. Porém, é bastante questionável a ideia de que aquilo era, realmente, socialismo: afinal, o regime que pregava a igualdade apenas criava uma nova elite dirigente, a burocracia do Partido Comunista (os “mais iguais” dos quais falava George Orwell em seu excelente “A Revolução dos Bichos”). E, como qualquer elite, ela era predominantemente masculina.

Um baita Boteco

botecotv

Desde o início de abril, toda segunda-feira o Alma da Geral põe no ar o programa “Boteco Tricolor”, feito por torcedores para torcedores – assim como o Almômetro.

Nas últimas duas semanas não tive tempo de parar e ouvir. Ainda mais o programa do último dia 8 (gravado um dia após o jogo contra o Náutico), anunciado como tendo mais de uma hora de duração, e que prometia ser excelente.

Já foram ao ar mais dois Botecos depois do citado, nos dias 15 e 22, mas esse do dia 8 é realmente excelente, vale a pena ouvir: uma hora e vinte minutos de ótima qualidade! Futebol (é claro!), mas também um ótimo debate sobre preconceito (contra negros, homossexuais e mulheres) e violência nos estádios, críticas à elitização do futebol (fenômeno crescente no Brasil), dentre diversos assuntos, que não são discutidos na “grande mídia”.

Além dos titulares Guga Türck (editor do Alma da Geral), Jefferson Pinheiro e Sérgio Valentim, participaram também os gremistas Cláudio Silva, Bolívar de Almeida e Célio Golin.

Não deixe de ouvir!