“Ditabranda”: ato foi um sucesso

No sábado pela manhã, foi realizado a partir da iniciativa do Movimento dos Sem-Mídia (MSM) um ato em protesto contra o editorial do jornal Folha de São Paulo do último dia 17 de fevereiro, que chamou a ditadura militar brasileira de “ditabranda”. A manifestação também foi em desagravo aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato, chamados de “cínicos e mentirosos” pelo jornal.

Pelo menos 345 pessoas (de acordo com a lista de presenças do MSM) se reuniram em frente à sede da Folha, no Centro de São Paulo. O próprio jornal cobriu o ato, mas estimou em 300 o número de participantes. Pior foi o número divulgado pela Polícia Militar de São Paulo: 65 (pelo visto eles nem sabem da existência da lista de presenças). Como muitos não assinaram a lista (visto que apenas duas pessoas coletaram assinaturas), provavelmente o número de manifestante superou os 400.

Pode parecer pouco, mas foi um sinal para a “grande” mídia: ela não pode achar que vai dizer o que quiser, posar de “imparcial” e ficar por isso mesmo. Se as empresas de mídia largarem de mão essa balela da “imparcialidade” e assumirem seu lado, merecerão todo o meu aplauso, mesmo que eu discorde de suas opiniões: serão honestos com o leitor.

Quanto a fotos e vídeos, se pode encontrá-los nos blogs Cidadania.com (do Eduardo Guimarães, presidente do MSM) e Dialógico (onde também se encontra diversos links sobre o ato).

Fica aqui registrado o parabéns ao Eduardo Guimarães e ao MSM pelo sucesso do ato!

“Ditabranda”?

Como a maioria dos leitores já deve saber, no dia 17 de fevereiro um editorial do jornal Folha de São Paulo, escrito para atacar Hugo Chávez, chamou a ditadura militar de 1964-1985 de “ditabranda”.

A ditadura brasileira pode ter feito menos gente desaparecer do que a argentina ou a chilena, mas chamá-la de “ditabranda” é ofender qualquer um que conheça História. É de uma covardia tremenda. Ainda mais que o meu pai era jovem durante o período mais repressivo, e sentiu na pele a “brandeza” do regime. Como ele me contou, diversas vezes o colégio que ele estudava, o Júlio de Castilhos, foi cercado pela Brigada e pelo Exército durante atos estudantis, e sem chances de não apanharem, os colegas e ele “escolhiam” de quem iriam levar porrada: se não me engano, a Brigada tinha cassetetes com borracha, que “chupavam” a pele, enquanto o Exército usava de madeira, que doía menos.

E quando os professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides escreveram cartas ao jornal criticando o uso do termo, foram xingados de “cínicos e mentirosos” pelo mesmo.

ditabrandaDiante de tal absurdo, o Eduardo Guimarães, que é presidente do Movimento dos Sem-Mídia (MSM) convocou um protesto diante da sede da Folha para o próximo sábado, 7 de março, às 10 da manhã. Se eu pudesse, iria a São Paulo só para participar do ato, mas não será possível. De qualquer jeito, junto com outros blogueiros procurarei repercutir o máximo possível a manifestação.