Toma, direitosca!

O relatório anual da Anistia Internacional 2009 denunciou o Estado do Rio Grande do Sul, seus promotores do MPE e policiais, pela criminalização do MST.

Apesar da minha satisfação expressa no título, acho que pouco mudarão as opiniões dos direitoscos no Rio Grande do Sul. Mais: é capaz deles dizerem que a Anistia Internacional é “petista, comunista e baderneira”!

Mas a direitosquice nem é exclusividade riograndense. Ontem, em São Paulo, uma manifestação de alunos, funcionários e professores da USP contra a presença da PM na universidade – que resultou em violenta repressão no último dia 9 – foi alvo de ovos e garrafas atiradas por um imbecil, morador do 12º andar de um edifício: ou seja, nem sequer tinha o argumento de que a passeata o deixou “preso no trânsito”.

Aliás, como se fosse preciso fazer manifestação para o trânsito trancar em São Paulo – e o mesmo vale para Porto Alegre.

ZH em “cruzada” contra o MST

Tive a mesma impressão do Marco Weissheimer ao ler rapidamente a Zero Hora da quinta-feira.

Em conjunto com o (des)governo Yeda, o procurador Gilberto Thums, do MP-RS, determinou em fevereiro o fechamento das escolas itinerantes do MST, responsáveis pela educação dos filhos dos sem-terra independentemente de onde se localizem. Porém, recuou da decisão, alegando “pressões”. Não seria constrangimento por ter ficado frente a frente com crianças sem aula devido à sua ordem?

A Zero Hora, claro, não perdeu mais uma oportunidade de criminalizar o MST. O que fica claro com os títulos das matérias: “Procurador denuncia pressões e abandona ações contra o MST” (capa), “A desistência do homem que enfrentava o MST”, “Como o MST tramou a reação” e “Gilberto Thums jogou a toalha em sua cruzada contra o MST”.

Se isso não tem o objetivo de “santificar” Thums e criminalizar o MST, eu sou o Coelhinho da Páscoa (e não levarei nenhum ovinho aos direitosos).

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O episódio Yeda/MP x MST mostra muito bem a prioridade que esse (des)governo dá à educação. Enquanto fecha escolas – tanto itinerantes do MST como fixas – e aloja crianças em contêineres para terem aulas, vê como solução para a superlotação de presídios a transformação de escolas fechadas em cadeias!

Bem típico de políticos que tratam a questão social como caso de polícia: se investissem mais em educação, não seriam necessárias mais cadeias.