Nota dos blogueiros de esquerda (Eblog) em apoio aos estudantes da PUCRS

O grupo dos Eblog – Blogueiros de Esquerda – apoia os estudantes combativos da PUCRS e repudia veementemente as agressões desferidas pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) dessa universidade há mais de 20 anos. As agressões – físicas ou não – se repetem ano após ano, a cada eleição fraudada, ameaça ou via de fato, e a Reitoria da PUCRS, vergonhosamente, se omite, assim como o Ministério Público, deixando à própria sorte milhares de estudantes de uma das universidades mais importantes do país, mas que não consegue sequer garantir aos próprios alunos a segurança e o direito à democracia interna. Dessa forma, repudiamos não apenas as ações do DCE, mas as omissões dos diversos órgãos que deveriam proteger a liberdade dos estudantes contra uma máfia instalada desde a década de 1990. Ao mesmo tempo, manifestamos nosso apoio e solidariedade não apenas aos estudantes da PUCRS envolvidos nos recentes protestos, mas a todos os agentes e entidades sociais presentes nessa importante luta democrática, e os convidamos a usar nossos espaços da mídia independente e popular para publicizar e defender suas demandas.

Eblog – Blogueiros de Esquerda

Alexandre Haubrich – http://www.jornalismob.wordpress.com
Lucas Morais – http://www.diarioliberdade.org
Thiago Miranda dos Santos Moreira – http://www.ruminantia.wordpress.com
Luka – http://www.bdbrasil.org
Renata Lins – http://www.chopinhofeminino.blogspot.com
Gilson Moura Henrique Junior – http://www.tranversaldotempo.blogspot.com
André Raboni – http://www.acertodecontas.blog.br
Rodrigo Cardia – http://www.caouivador.wordpress.com
Niara de Oliveira – http://www.pimentacomlimao.wordpress.com
Mayara Melo – http://www.mayroses.wordpress.com

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Recomendo também a leitura do texto de hoje no Jornalismo B, que trata sobre o mesmo assunto.

Atualização (14/06/2011, 22:50). Tem também o texto do Guga Türck sobre a questão do DCE da PUCRS.

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Bovinóides, a vergonha do Rio Grande do Sul

O blog A Nova Corja refere-se ao Rio Grande do Sul como “Bovinão”, e aos gaúchos como “bovinóides”. O uso de tais termos é claramente para satirizar a apatia política de boa parte da população, e eu não me sinto nada ofendido. Como diz o ditado, “não me serve o chapéu”. Agora, para os legítimos bovinóides (cuja maioria é formada por pessoas da classe mérdia), ele serve perfeitamente – e são eles que virão me xingar, mandar eu ir embora, dentre outros impropérios.

Passeata saiu do Colégio Julio de Castilhos e foi até a frente do Palácio Piratini

Passeata saiu do Colégio Julio de Castilhos e foi até a frente do Palácio Piratini

Pode até parecer contraditório eu falar em “apatia política” no dia em que tivemos a volta dos caras-pintadas, desta vez com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, que protestaram contra o (des)governo Yeda. Mas não é, se levarmos em conta os comentários feitos na matéria publicada na página da Zero Hora.

Muitos comentaristas declaram apoio aos estudantes. Mas também há vários comentários de bovinóides, que falam idiotices do tipo “estudante tem que estudar”, “bando de alienados”, “sustentados pelos pais”, e a maior de todas: “massa de manobra dos petralhas”.

Ora, é justamente por estudarem que eles entendem que as coisas não podem continuar do jeito que estão, PORRA! Ver bovinóides – os mais legítimos alienados – chamarem assim os estudantes por protestarem contra o (des)governo Yeda chega a ser surreal. E o mais estranho, é quando eles dizem que só “quem trabalha” tem direito a protestar (típico argumento de gente de classe mérdia): pois são justamente eles, “trabalhadores”, que elegeram a Yeda e agora, por não terem argumentos para defendê-la, atacam de tudo que é jeito quem protesta contra ela.

Mas a mais surreal de todas, sem dúvida alguma, é chamarem os estudantes de “massa de manobra dos petralhas”. É uma velha tática da direita: quem se mobiliza sempre é “massa de manobra” (estranho que os bovinóides acreditem e repitam quase ipsis litteris o que diz a “grande” mídia e não se achem “massa de manobra” dela). E ainda mais tosco é falar em “petralhas”, já que o partido que deixou bem clara sua posição contra a Yeda é o PSOL, totalmente crítico ao PT e ao governo Lula. Como eu já havia escrito em novembro passado, isso é um sintoma da “burrice anti-petista”, em que o acometido vê “PT” até onde ele não está.

Só agora?

Capa da IstoÉ desta semana: A VOLTA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL. Referência à ocupação da reitoria da UnB pelos estudantes.

Pois é… Mas, e ano passado, quando houve a ocupação da reitoria da USP? Por que a IstoÉ não fez capa sobre “a volta do movimento estudantil”? Só porque o alvo dos protestos era José Serra?

Que representação é essa?

Começou ontem – e vai até amanhã – a eleição para o Centro dos Estudantes de História da UFRGS, o CHIST. A mesma coisa de sempre: duas chapas, uma representando a atual gestão e a outra os que são contra. A que vencer torna-se “representante” dos estudantes de História.

Semana que vem, nos dias 20, 21 e 22, é a vez do DCE fazer sua eleição. Quatro chapas: uma situacionista e pró-cotas, duas oposicionistas (mas também a favor das cotas) e uma que se opõe a tudo – inclusive às cotas. A que vencer – mesmo que com apenas 26% dos votos – torna-se “representante” de todos os estudantes da UFRGS.

Nem sei em quem votar, e nem vou defender voto em uma ou outra chapa – até porque não é só estudante da UFRGS que lê este blog. Quero mais é contestar a forma como se dão essas eleições dos “representantes”. Uma chapa pode obter 26% dos votos e tornar-se representante de todos os estudantes. Os 74% que votarem em outras chapas que se danem. Parece piada, mas não é.

Se tais entidades estudantis fossem realmente representativas, o processo eleitoral seria diferente: a representação se daria proporcionalmente ao número de votos de cada chapa. Simplíssimo. Ano passado, a eleição do CHIST acabou praticamente empatada, mas a chapa que fez pouco mais da metade dos votos (e teve inclusive o meu) tornou-se “representante” de todos os estudantes de História. Os quase 50% de votos contrários foram ignorados. Não que eu seja fã do pessoal da oposição, mas eles deveriam ter direito à representação também: estudantes divididos, CHIST dividido – para daí se tentar chegar a um acordo. Do mesmo modo que uma chapa que receber 57% dos votos para o DCE deve representar 57% dos estudantes no DCE, com as outras chapas também tendo direito à representação.

O sistema atual, no qual a chapa vencedora “se apossa” do centro acadêmico ou do DCE, serve unicamente para manter divididos os estudantes. Para se ter uma idéia, no curso de História – como descreveu o Luciano, do Adubo de Rosas – chega a haver rixas pessoais.