Desligue o anti-BBB e abra um livro

Pedro Bial deveria ser lembrado não como o apresentador do Big Brother, e sim como o jornalista da Globo que estava em Moscou no histórico 25 de dezembro de 1991, dia em que a União Soviética deixou de existir.

Sim, sou desses que detestam BBB. Quando chega essa época do ano, lembro de várias vezes em que fiquei sem assunto em rodas de amigos, por não assisti-lo. Tanto que já falei mal dele aos montes.

Pois bem: o programa começou. Abri o Facebook e vi um monte de postagens falando do BBB. Falando mal. Pedindo que não se poste nada sobre ele.

Tem mais comentários depreciativos ao programa e a quem o assiste, do que tratando do que acontece nele. Houve quem postasse uma imagem acreditando, ingenuamente, que com um milhão de compartilhamentos a Globo tiraria o BBB do ar.

Pois bem: a Globo certamente não o tirará do ar enquanto ele der audiência. E não será falando mal do BBB e de seus fãs no Facebook que alguém fará com que menos gente o assista. Aliás, quem tentar me convencer a deixar de achar alguma coisa bacana com o “argumento” de que é “isso é burrice”, pode ter certeza de que não atingirá seu objetivo.

É comum recomendar aos fãs do programa que o troquem por um livro. Acho ótima ideia. Mas então, é bom dar o exemplo e realmente ler, ao invés de só ficar reclamando nas redes sociais. Até porque assim poderemos trocar ideias sobre nossas leituras, o que é bem melhor do que só falar do BBB. Seja pró ou contra.

E, enfim, lembro o que falei quando tinha gente reclamando de quem fazia campanha eleitoral pelo Facebook: se só tem (o que você considera) “lixo” no seu feed, é melhor fazer uma “faxina” nos seus contatos ao invés de ficar “cagando regra”, dizendo o que os outros podem ou não postar.

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O canto do cisne da União Soviética

Em 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev renunciou à presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, fato que decretou a dissolução do país do qual ele era Chefe de Estado. O ato de Gorbachev apenas antecipou o fim, que estava marcado para a virada do ano.

A URSS, de qualquer forma, já estava mortalmente ferida desde agosto daquele ano, quando a “linha-dura” do Partido Comunista tentou derrubar Gorbachev, cuja popularidade estava em níveis baixíssimos devido aos graves problemas econômicos que o país enfrentava desde a adoção do programa de reformas (glasnost e perestroika). Porém, o golpe fracassou graças ao principal adversário político do presidente soviético, Boris Yeltsin, que conclamou a população a resistir e foi para a frente do parlamento em Moscou, onde chegou a discursar em cima de um tanque.

Gorbachev voltou a seu cargo, mas na prática o poder passou às mãos de Yeltsin, que acelerou a desagregação da URSS: reconheceu a independência de Estônia, Letônia e Lituânia, abrindo o caminho para as demais repúblicas soviéticas fazerem o mesmo; o líder russo também determinou a suspensão das atividades do Partido Comunista e o confisco de seus bens.

Yeltsin chegou a apoiar a proposta de Gorbachev para a assinatura de um novo Tratado da União, em substituição ao que vigorava desde 1922 e estabelecera a URSS. Porém, no dia 1º de dezembro a Ucrânia proclamou sua independência, após 90% da população aprová-la em um plebiscito. Com a segunda república em importância declarando-se independente, ficou claro que não seria possível manter o que restava da URSS como um só país.

Assim, no dia 8 de dezembro os presidentes de Bielo-Rússia, Rússia e Ucrânia firmaram um tratado que extinguia a União Soviética e estabelecia a CEI (Comunidade de Estados Independentes), e marcaram a data da “morte” da URSS: 31 de dezembro de 1991. Gorbachev antecipou o fim, e após sua renúncia a bandeira soviética foi arriada do mastro no alto do Kremlin e substituída pelo pavilhão da Rússia.

Porém, entre o golpe fracassado de agosto e a renúncia de Gorbachev, havia um 7 de novembro. Tal data era a mais importante da URSS, por marcar o aniversário da Revolução de Outubro.

Obviamente a situação política não era favorável à comemoração do 74º aniversário da Revolução. Além da proibição das atividades do Partido Comunista por Yeltsin, também era claro que a URSS estava se desagregando. E justamente naquele 7 de novembro, a cidade de Leningrado passava a se chamar São Petersburgo, nome que lembra o anterior a 1917 (Petrogrado).

Porém, os 74 anos da Revolução foram lembrados. Pela primeira vez desde 1917, sem celebrações oficiais – apenas com manifestações populares, que tinham também caráter de protesto contra os rumos da URSS.

1º de maio

“Descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”.

A frase acima é de John Reed (1887-1920), jornalista, ativista e revolucionário socialista estadunidense. Em 1914 foi enviado como correspondente ao México, e ajudou a espalhar as notícias referentes à Revolução Mexicana. Reed também acompanhou in loco a Revolução de Outubro na Rússia, e baseado em suas anotações escreveu um dos maiores clássicos sobre a Revolução Russa: “Os dez dias que abalaram o mundo”.

Reed morreu em Moscou, e foi enterrado com honras de herói junto ao Kremlin, na Praça Vermelha, ao lado de outros nomes da Revolução.