14 de dezembro

Faixa levada por torcedores ao jogo Seleção "Gaúcha" x Seleção Brasileira, realizado no Beira-Rio em 17/06/1972

Dia mais do que especial.

Há exatos dois anos, defendi minha monografia de conclusão do curso de História da UFRGS, trabalho que recebeu conceito “A” da banca. Um dia glorioso: embora oficialmente eu só tenha me tornado bacharel em História após o ato burocrático acontecido em 18 de fevereiro de 2010, a data que festejo é o 14 de dezembro de 2009.

Já um ano atrás… O 14 de dezembro foi o dia não só do primeiro aniversário da defesa do TCC, mas também de risada. De muita risada! Foi o melhor presente que eu poderia ter ganho.

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Blog em recesso

Anuncio que a partir de hoje o blog entrará em recesso, retornando à ativa em 21 de agosto (ou até mais posteriormente). Estou me preparando para um concurso público (que é para minha área de formação), e com isso sobra pouco tempo para postar.

Como a prova pode até ser adiada, talvez o recesso seja maior, mas avisarei.

Antes que alguém me questione quanto a paralisar o blog agora, quando não o fiz para a monografia de conclusão na faculdade, dois anos atrás: para defender o trabalho na banca é recomendável ter uma “colinha”, não é preciso decorar porra nenhuma…

Um ano de historiador

Hoje completa-se um ano da defesa da minha monstrografia.

E, de presente por este aniversário, quero rever (mas em transmissão ao vivo) a comemoração de Robert Muteba Kidiaba, goleiro do Mazembe.

Véspera de um dia histórico para mim

Faixa levada por torcedores ao jogo "Seleção Gaúcha" x Seleção Brasileira, em 17/06/1972 (foto publicada na Folha da Manhã de 19/06/1972)

Amanhã, eu vou defender minha monstrografia. Será ao final da tarde, assim como a Batalha dos Aflitos em 2005, mas não quero que a banca seja algo tão sofrido. Apesar do trabalho ser justamente sobre futebol.

Eu poderia muito bem divulgar aqui o local em que defenderei o trabalho de título “Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”: Futebol e identidade “gaúcha” nas páginas da Folha Esportiva (1967-1972), aproveitando o efeito do calmante que tomo desde a quarta-feira. Mas prefiro não contar com o ovo no cu da galinha, sei que minha calma é “fabricada”.

De qualquer forma, é natural algum nervosismo, mesmo que meu orientador tenha dito que meu trabalho está “muito bom”. Afinal, trata-se de um verdadeiro rito de passagem: 50 minutos que me tornarão historiador. Não dou a mínima para a formatura, cerimônia que a meu ver não serve para nada, já que o diploma só é entregue depois. Não vou esperar a formatura, prefiro já me sentir historiador depois da banca.

Brabo é que não vou poder sair da banca direto para o bar, beber aquela cerveja gelada. Justamente por causa do calmante, que ainda estará atuando…

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Amanhã, também defendem seus trabalhos o Alexandre Haubrich e a Cris Rodrigues, do Jornalismo B. BOA SORTE! E para o nervosismo pré-banca, como não sou médico, “receito” um bom e geladinho suco de maracujá! Melhor do que tomar um remédio que transforma em proibição a cervejinha pós-banca…

Promessa para o pós-faculdade

Na véspera do dia em que entreguei a “monstrografia”, senti dores no peito. Fracas, mas incomuns. Primeira coisa que pensei: coração. Mas, antes de começar a me preocupar mais, decidi pesquisar na internet as possíveis causas de dores torácicas e descobri que elas são sinais de muitas coisas, não só de problemas cardíacos. Azia, por exemplo. De fato, as dores se originavam mais perto do estômago do que do coração.

Em comum entre azia e infarto, uma de suas motivações: estresse. Aliás, coisa mais natural para quem está terminando o (até então) mais importante trabalho de sua vida. De qualquer forma, fui ao cardiologista, e fiz um eletrocardiograma que não acusou problemas – mesmo assim farei mais exames, como o do vilão colesterol.

Mas há uma coisa boa nisso tudo: me sinto na obrigação de dar adeus ao sedentarismo e de mudar alguns hábitos alimentares. Semana que vem, defendo o TCC para a banca, não terei mais desculpas.

Já tive o costume de caminhar na Redenção nos finais de tarde, mas geralmente só nas férias de verão. O fazia mesmo com o calor, porque aí chegava em casa e ia direto pro banho. É hora de pelo menos retomar tal hábito, e em definitivo.

Fica registrada a promessa para o pós-faculdade. Como essa “nova fase” da minha vida começa ainda em 2009, não trata-se de uma “resolução de ano novo”: logo, não há desculpa para ser descumprida.

Já a alimentação não precisa esperar a banca. Posso começar antes, até mesmo no próximo almoço.

O ano em que não fui à Feira do Livro

Fiz minha primeira visita à Feira do Livro em 1992, acompanhado do meu pai e do meu irmão. Lembro do meu fascínio no meio de todos aqueles livros. Mas a opção minha e do meu irmão foi “conservadora”: compramos um grande gibi, de faroeste… E olha que eu já tinha lido livros inteiros, histórias fascinantes como Robinson Crusoe, Moby Dick, Vinte Mil Léguas Submarinas, Cinco Semanas num Balão, etc.

Não lembro de ter ido à Feira em 1993, e tenho a impressão de que fui em 1994. Mas de 1995 em diante, aí sim, posso dizer que fui a todas. Jamais passara um ano sem passear pelas bancas.

Bom, fui a todas, menos à de 2009, que acabou domingo. Pode parecer uma contradição, já que terça-feira passada, comprei um livro na… Feira! Mas porque simplesmente passei por lá e decidi dar uma olhada na banca da Editora da UFRGS. E só. Comprei um livrinho sobre o nazi-fascismo na América Latina, do Hélgio Trindade. Paguei, guardei na mochila e segui meu caminho, sem sequer parar nas outras bancas.

Dizer que não fui por causa do TCC não explicaria tudo. Claro que tendo um trabalhão desses, não me sentia muito disposto a passar horas na Feira do Livro, que eu poderia usar para tocar em frente o trabalho. Mas, eu pensava seriamente em algumas pausas para ir à Feira.

Porém, razões climáticas impediram minha ida à Feira. Não foram as chuvas que têm caído constantemente – tempo que considero ideal para ir à Feira, pois assim vai menos gente e fica melhor de se caminhar pelos corredores. O problema é o calor insuportável que anda fazendo em Porto Alegre, que me desestimulou a inclusive fazer tais pausas no trabalho. Preferia me estressar na frente do computador a ter de sair para a rua por qualquer motivo, de modo a suar o mínimo possível.

Sem contar que certamente eu não encontraria o livro que pensava em comprar, do Bourdieu, na Feira. Melhor ir a uma livraria, onde há menos atrolho e o calor é expulso pelos poluidores aparelhos de ar condicionado (mais um motivo para preferir o inverno: não gosto de ar condicionado ligado no quente).

Lembranças do “meu tempo”

Parece “coisa de velho”, mas… Bons tempos aqueles. As crianças brincavam na rua. Apostávamos corridas de bicicleta – eu disputava a hegemonia com o Leonardo, enquanto o Vinicius (meu irmão) e o Diego, os mais novos da turma, brigavam para não ficar em último. Também fingíamos que as calçadas eram as ruas de uma cidade inventada: o Leonardo e eu éramos os patrulheiros, e o Vini e o Diego, para variar, se davam mal.

O trecho acima é do texto “A rua onde eu cresci”, publicado em 7 de julho de 2008. De tantos comentários elogiosos que recebeu, estou convencido de que foi um dos melhores que escrevi… (Espero então que agora receba uma enxurrada de críticas para que eu aprenda a ser humilde.)

Um ano e três meses depois, a Rua Pelotas, da qual falei, está menos verde: dois jacarandás, que estavam doentes, foram removidos em julho e setembro. E ainda há mais árvores doentes na rua, que correm risco de queda – aumentado com ventanias como as registradas na segunda-feira passada e ontem.

Essas horas, começo a de fato me sentir velho: “no meu tempo as coisas não eram assim”. As crianças brincavam na rua, e as árvores não estavam em mau estado.

Mas deixando um pouco de lado a “amargura de velho” e os prazos acadêmicos (afinal, a monstrografia está pronta na minha cabeça, mas boa parte dela ainda precisa ser traduzida ao papel), não custa nada lembrar algumas coisas boas da infância (dentre elas, não ter de escrever uma monstrografia).

  • No Natal de 1986 (sim, eu gostava de Natal!), chegou-se à solução de um sério problema: o que fazer para que eu comesse alguma coisa na ceia? Como eu sempre gostei muito de sopa (aprende, Mafalda!), a ideia foi de fazer um creme de ervilha. O “lance decisivo” foi a travessura do Papai Noel, que tomou um prato de creme de ervilha. Meu pai “ouviu um barulho”, foi verificar o que era e “expulsou o bom velhinho” (velhinho aos 35 anos???) a pontapés, por comer nossa ceia. Seguindo o exemplo do Papai Noel, eu quis creme de ervilha e assim, utilizando as palavras de Eric Hobsbawm (a academia me persegue, mesmo no passado), foi inventada uma tradição na nossa família, a do creme de ervilha no Natal, seguida à risca até hoje. Exceto a parte do Papai Noel: embora o “bom velhinho” ainda retornasse por mais alguns Natais (apesar dos pontapés de 1986), hoje ele foi deixado de lado, é claro;
  • Em novembro de 1989, a televisão começou a falar da queda de um muro em Berlim e de como aquilo era importante. Na hora eu não entendia o real motivo para tanta falação: achei que derrubar muros era algo digno de aparecer na televisão, então imaginei que se derrubasse um muro na Rua Pelotas, seria notícia no mundo inteiro. Ainda bem que eu não tinha uma picareta a meu alcance;
  • Na mesma época, tinha eleição para presidente. Eu já entendera mais ou menos o que era o negócio: os candidatos são eleitos mas não ficam o resto da vida “lá”, então periodicamente se realizavam eleições para determinar quem entrava no lugar. Então ouvi o noticiário dizer “os brasileiros votam para presidente pela primeira vez em 29 anos” e não entendi mais nada. Vale lembrar também que fizemos uma simulação daquela eleição na minha turma do colégio (eu estava na 1ª série) e o Brizola ganhou disparado, com direito ao meu voto. Depois eu aprendi a fazer o “L do Lula” para o segundo turno, mas infelizmente deu Collor;
  • Também na mesma época, durante uma ida ao Iguatemi com minha mãe, vi uma equipe da RBS, que acabara de gravar uma reportagem sobre… O Natal! Os caras se preparavam para levarem as fitas à emissora, mas de tanto eu encher o saco, aceitaram me gravar. E eu apareci na televisão! Ou seja: “meu passado me condena”;
  • Ainda em 1989, desta vez no dia de Natal, ganhei um “Pense Bem” de presente. Feliz da vida, quis chamar meus amiguinhos para conhecerem a novidade, mas todo mundo tinha ganho um “Pense Bem”;
  • No inverno de 1993, a Rua Pelotas sediou a inesquecível Copa América de futebol de botão, com a participação de quatro seleções: Argentina (Diego), Brasil (Leonardo), Equador (eu) e Uruguai (Vinicius). A Celeste foi campeã, mas não de forma invicta: na primeira rodada, perdeu por 2 a 1 para o Equador (que acabou em 4º lugar, ou seja, último). De qualquer forma, chora Vini!

Monstrografia

“Monografia” lembra mais uma palavra amputada do que um tipo de trabalho acadêmico. Parece faltar o “str”, que a deixam mais, digamos… Ameaçadora.

Ainda mais se tratando de uma que define os rumos do cara na vida – ou seja, meu caso. Gera angústia olhar para o editor de texto, que hoje em dia é uma autêntica representação eletrônica das folhas de papel, e ver aquela porcaria em branco. Faço as contas, e constato ter cerca de dois meses e meio para transformar aquela “folha em branco” em no mínimo 35 páginas de um texto consistente e com embasamento teórico. Parece impossível. Desanimador.

Mas aí começo a pensar nos formandos dos tempos em que computador caseiro era coisa rara – tanto que não se exigia trabalho digitado, e sim datilografado. (Aliás, incrível pensar que os nascidos de 1990 em diante tiveram pouco ou nenhum contato com LP, ficha telefônica e datilografia. Assim como dificilmente viram um telefone no qual realmente se discava – ou seja, que tinha um disco no painel, e não teclas.)

Fazer uma monografia à máquina de escrever devia uma tarefa realmente monstruosa. Considerando que é um trabalho acadêmico, certamente uma letra errada inviabilizaria uma página inteira – afinal, é muito importante para ficar cheia de borrões. E provavelmente, era preciso pensar muito bem antes de escrever: não havia “delete” nem “recorta e cola” para reorganizar o texto. Hoje, pode-se errar à vontade – desde que os erros sejam suprimidos da versão final do trabalho, é claro. Assim, fica mais fácil começar a escrever.

Mas a relativa facilidade de se escrever uma monografia de conclusão em 2009 não lhe tira o caráter de “rito de passagem”. De certa forma, todos precisamos deles, para nos sentirmos “em uma nova etapa da vida”. Provavelmente o leitor não imagine o que significou o 15 de outubro de 1997 para mim: eu completava 16 anos de idade, podia, enfim, votar! Embora a eleição fosse ocorrer somente em 1998, já tinha o título em mãos quase um ano antes, pois fui fazê-lo ainda em outubro de 1997. Mais do que ter os tão sonhados 16 anos, eu precisava do símbolo deste “poder”.

Já o trabalho de conclusão de curso é o rito de passagem acadêmico. Eu até poderia saber tudo de História (algo impossível), mas de nada adiantaria sem ter uma boa monografia. Pois não basta saber, é preciso produzir conhecimento. E isso é ótimo para o Brasil – pois quanto mais pesquisas forem desenvolvidas nas universidades, melhor – e também para mim: percebo que terei superado uma etapa na vida no momento em que a banca disser que meu trabalho está aprovado. Passarei a me ver não mais como um graduando, e sim graduado. Me sentirei realmente historiador (hoje digo que sou um “quase”).

Menos mal que a “angústia da folha em branco” já é passado. Agora, minha preocupação é não ultrapassar o número máximo de páginas permitido para o trabalho.

Previsão de “estiagem” no Cão

Ontem à noite, no Twitter, o Idelber Avelar comentou sobre o fim do blog do Pedro Doria e perguntou “o que está acontecendo com os blogs?” – afinal, é mais um a anunciar o encerramento. No dia 6 de agosto, A Nova Corja teve seu último post. E o próprio Idelber anunciou que  seu ótimo blog O Biscoito Fino e a Massa entrou em “hibernação” por tempo indeterminado, já que nos próximos meses ele se dedicará a um trabalho acadêmico, que impossibilitará a atualização do blog e a resposta a comentários.

Aqui no Cão, os próximos meses deverão ter uma significativa redução das postagens – assim como no caso do Idelber, os motivos são acadêmicos: minha monografia de conclusão do curso de História na UFRGS. Não coloco o blog em “hibernação” por temer não cumprir a “promessa”. Ainda mais que há assuntos interessantes a serem tratados de hoje até janeiro – como os 20 anos da queda do Muro de Berlim, em novembro, fato que merece uma reflexão.

Mas a prioridade, será o meu trabalho de conclusão. Tem de ser prioridade. Até porque o ganho será não apenas meu, mas também dos próprios leitores do Cão, já que a monografia – depois de pronta, claro – certamente será tema de vários posts. É sobre futebol, mas não será simplesmente sobre o esporte, mas sim, sobre como ele pode refletir outros aspectos sociais. Ainda mais num país como o Brasil.

(A propósito, dois anos atrás cursei um seminário sobre História Social do Futebol no Brasil ministrado pelo professor Cesar Guazzelli, meu orientador no TCC. O trabalho final – que rendeu um post – tratou sobre a “trégua” na rivalidade Gre-Nal no primeiro semestre de 1967. Sinceramente, acho que consegui ser imparcial, apesar de não acreditar na existência dela.)

Talvez eu poste novamente alguns textos antigos que sejam interessantes de serem relidos – afinal, é só “copiar e colar” – para que o blog não fique muito parado, principalmente de novembro ao início de janeiro, quando finalizarei e revisarei a monografia, além de preparar a apresentação para a banca. E se for o caso de “congelar” o blog, farei “anúncio oficial”.

Não se preocupem, “vai piorar”…

Maio de 2009 foi o mês mais “improdutivo” desde o “nascimento” do Cão Uivador. Teve 19 posts, menos que maio de 2007 (que teve 21, mas com a ressalva de que o blog começou no dia 14). Novembro de 2007 teve  20 atualizações (até maio de 2009, era o mês com menos posts).

Se a estiagem no Rio Grande do Sul tinha (ou ainda tem?) como causadora o fenômeno “La Niña” – o mesmo que deixou o Norte e o Nordeste do Brasil debaixo d’água – a “seca de posts” no Cão se deve ao último ano de faculdade. À medida que dezembro se aproximar, a tendência é que o blog seja menos atualizado.

Mas esses últimos dias de maio também foram de poucas atualizações porque eu estava envolvido não só com o projeto de monografia (que será escrita no 2º semestre), mas também com um artigo para uma revista acadêmica. O prazo para o envio terminava ontem, e revisei o máximo possível. Menos mal que, mesmo que o artigo seja aprovado para publicação, provavelmente me será enviado de volta para corrigir alguns erros que devem ter passado e na hora não percebi.

Enfim: não abandonarei o blog, de jeito nenhum. Até porque ele poderá me ajudar a “arejar a cabeça” nos momentos de maior estresse ao longo dos próximos meses – e que certamente não serão poucos. Apenas diminuirá a frequência de posts.

Mas, após 11 de dezembro – último dia do 2º semestre na UFRGS, logo o último dia para a defesa do meu TCC (e que será o escolhido por mim, caso eu possa escolher…) – a chance de uma “enchente” no Cão, para compensar a “seca”, aumenta.