Crise alimentar: muito mais importante que a Isabella

Para quem não sabe: o mundo passa por uma crise alimentar, definida pela ONU como “tsunami silencioso”. A alta dos preços dos alimentos é um problema sério, que afeta diretamente muitos milhões de pessoas em todo o planeta. E deve-se tanto a problemas climáticos como ao fato de parte da produção de alimentos estar sendo destinada à produção de biocombustíveis, e não ao consumo humano.

Nos Estados Unidos – onde parte da produção de milho vira etanol ao invés de alimentar as pessoas – o fantasma da fome ronda a população mais pobre, como mostra a postagem do Wladimir Ungaretti em seu ótimo blog Ponto de Vista.

Porém, o que se vê na nossa “grande” mídia? Só a Isabella! Tudo bem que foi um crime chocante, etc. e tal, mas isto é, com todo o respeito, problema da família Nardoni. Faz um mês que somos diariamente bombardeados com notícias que se contradizem – e por isso atraem público, que anseia por “novidades” -, e o pior é que toda essa gente, ao dar audiência para o “caso Isabella”, faz com que a mídia insista ainda mais no assunto, já que o objetivo dela não é informar, e sim, lucrar.

Como disse Bourdieu em “Sobre a Televisão”, a lógica dela – e da mídia em geral – é a de “ocultar mostrando”. Neste caso, mostra-se repetidas vezes a Isabella, e pouco espaço é dado a um problema seríssimo a nível mundial.

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O Valter também escreveu sobre o assunto no Moldura Digital, vale a pena ler.

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Resumo das notícias da semana


(charge do Kayser)

Por falar em padre voador, tem um post sensacional lá no Cataclisma 14 com uma série de considerações a respeito do caso.

Só faltou o tal terremoto em São Paulo: o Valter, do Moldura Digital, mora lá e não viu nem sentiu nada. Mas a mídia…

Para entender melhor a invasão ao Iraque

Trecho do excelente artigo do professor de História Said Barbosa Dib, que li no Moldura Digital:

Segundo W. Clark, do jornal “Indy Time”, o temor do Federal Reserve (Banco Central americano) é de que a Organização dos Países exportadores de Petróleo (Opep), nas suas transações internacionais, abandone o padrão dólar e adote definitivamente o euro. O Iraque fez esta mudança em novembro de 2000 – quando o euro valia cerca de US$ 0,80 – e escapou ileso da depreciação do dólar frente à moeda européia (o dólar caiu 15% em relação ao euro em 2002).

Leia o texto na íntegra lá no Moldura Digital.

Manipulação da IstoÉ e dificuldades da mídia de esquerda

“Roubei” a imagem abaixo do Moldura Digital – o Valter, por sua vez, a “roubou” do Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha. A revista IstoÉ publicou uma foto alterada no Photoshop, sem o “Fora Serra” que aparecia na original. Ficou apenas a manifestação do MST e uma placa rodoviária de “pare” que, com a inscrição “MST” abaixo dá a clara idéia do que a reportagem quer dizer: defende a repressão ao MST.

Como disse o Valter, “não é só a Veja que faz merda no mundo editorial brasileiro”. Evidente. Faz tempo que outras revistas semanais brigam com a notícia para atender a seus interesses políticos e, principalmente, comerciais.

Abaixo, o Valter lembra que nenhum meio de comunicação que se pretenda “sério e isento” deveria agir de tal forma, ou que pelo menos deveria assumir seu lado. E este é um grande problema.

No final do século XIX e início do século XX, a imprensa no Brasil era, em geral, totalmente parcial. Aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, o jornal de maior circulação era A Federação, propriedade de Julio de Castilhos, e que era um verdadeiro panfleto do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), que dominou a política gaúcha até a década de 1930. O jornal concorrente era do partido de oposição. Foi neste contexto que surgiu o Correio do Povo, em 1895: com a pretensão de ser “imparcial” e manter distância dos principais partidos do Estado, era impresso em papel rosa, para simbolizar sua independência frente ao branco republicano e o vermelho federalista, que recém haviam ensangüentado o Rio Grande do Sul na chamada Revolução Federalista (1893-1895).

Com o tempo, os jornais partidários entraram em decadência, pois houve um aumento do público leitor dos jornais ditos “imparciais”, que tinham por objetivo “informar” e não defender interesses político-partidários. Bom, pelo menos não de forma aberta como era feito nos jornais partidários.

Mas os jornais ditos “imparciais” tinham outra vantagem em relação aos partidários: eram empresas que visavam ao lucro. Logo, tinham a obrigação de precisarem “informar” seus leitores para que, além de vender mais exemplares, fosse mais fácil obter anunciantes – a verdadeira maior fonte de renda de um jornal. Pois não pegaria bem anunciar em um jornal sem credibilidade – isto poderia afastar consumidores em potencial dos produtos anunciados.

Com o tempo, estes jornais “imparciais” passaram a, literalmente, ser uma “autoridade”, influenciando as decisões políticas e as discussões cotidianas na sociedade. Dá para traçar um paralelo com o que diz Pierre Bourdieu¹ a respeito do jornal francês Le Monde:

Pode-se dizer que, no universo do jornalismo escrito, Le Monde ditava a lei. Havia já um campo, com a oposição, estabelecida por todos os historiadores do jornalismo, entre os jornais que dão news, notícias, variedades, e os jornais que dão views, pontos de vista, análises etc.; entre os jornais de grande tiragem, como o France Soir, e os jornais de tiragem relativamente mais restrita mas dotados de uma autoridade semi-oficial. Le Monde estava bem situado sob os dois aspectos: era suficientemente grande por sua tiragem para ser um poder do ponto de vista dos anunciantes e suficientemente dotado de capital simbólico para ser uma autoridade. Acumulava os dois fatores do poder nesse campo.

Aqui no Rio Grande do Sul, era esta a situação do Correio do Povo até a década de 1970: tinha grande tiragem e era uma “autoridade”. Meu pai lembra que a Zero Hora era um jornal sensacionalista tal qual o Diário Gaúcho, e inventava tantas notícias que era chamada de “mentirosa” – e ainda é assim que um tio meu se refere à ZH. Com a crise do grupo Caldas Júnior, no início da década de 1980, a Zero Hora contratou os principais jornalistas do Correio do Povo, em busca do capital simbólico que lhe faltava para poder “ditar a lei”. Se hoje está muito longe de ser um jornal imparcial, pelo menos a Zero Hora é menos ruim que seu “filhote”, o Diário Gaúcho.

Bom, mas onde quero chegar com tudo isto que escrevi? O que tem a ver com “as dificuldades da mídia de esquerda”? Tem tudo a ver.

Segunda-feira à noite, em conversa com colegas no intervalo da aula, falamos sobre a mídia em geral, com destaque para as revistas semanais: uma colega assinante da CartaCapital chamou atenção para o fato de que a tiragem da revista é de aproximadamente 75 mil exemplares (se não me falha a memória), enquanto a da Veja é de mais de um milhão.

Pois bem: a CartaCapital tem uma clara linha editorial de esquerda, enquanto a Veja é ultra-reacionária. Porém, a Veja sempre faz questão de lembrar “a sua primeira capa”, que mostravam uma foice e um martelo (símbolo do comunismo) em plena ditadura militar, como exemplo de “jornalismo corajoso”, para induzir o leitor a pensar que trata-se uma revista que jamais será “chapa branca”. Some-se isto ao fato de ter grande tiragem, que se entende a razão da Veja ter tornado-se uma “autoridade”, e quem não faz uma leitura crítica acaba acreditando que as palavras ali escritas são “a verdade”. Mesmo que hoje em dia as críticas a ela sejam muitas, elas estão restritas à esquerda. E a CartaCapital, que oferece um contraponto ao que diz a Veja, tem muito menos circulação.

Como superar este problema? Pois uma publicação de esquerda com tom panfletário não só afasta os leitores que não sejam de esquerda, como também não atrai anunciantes por não ser lucrativa. Uma revista isenta de influências partidárias tem o problema da publicidade: determinadas matérias poderão ir de encontro aos interesses dos anunciantes, e deixar de publicá-las para não perder o patrocínio faz com que a publicação deixe de ser realmente livre.

Restam os blogs: muitos oferecem uma visão crítica sem serem panfletários e ao mesmo tempo são livres, as postagens não sofrem influência de interesses comerciais. Porém, não são tão lidos como poderiam, oferecem um contraponto à mídia comercial apenas aos que têm acesso à internet e têm interesse em buscar uma outra opinião.

P. S.: Mal eu ia terminando de escrever, decidi procurar por uma postagem do Palanque do Blackão que falava sobre o fato dos blogs não atingirem um público além da esquerda. E coincidentemente, hoje mesmo o Hélio postou sobre o assunto, lembrando que o discurso de esquerda muitas vezes é extremamente partidário, “panfletário”, não produzindo diferença na sociedade, e que é preciso defender não partidos, e sim, causas. Leia mais lá no Palanque do Blackão.

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¹ BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, pp. 60-61.

Mais da “Enganuska”

O Valter também teve de ter muita paciência com o péssimo atendimento ao cliente da NET. Leia o relato dele no Moldura Digital.

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Não tenho “relato pessoal” dos problemas com a NET por uma razão simples: não tenho paciência para ficar 20 minutos ouvindo propagandas deles enquanto aguardo, daí deixo para minha mãe e meu irmão, mais pacientes, ligarem. Mas os dois já chegaram a perder a paciência.

Em abril de 2007 assinamos o pacote que incluía além da NET digital, o telefone e a internet de 2 Mbps. Minha mãe pediu a adição de mais um ponto da TV a cabo, no quarto dela. Porém, feita a instalação, ela não tinha no quarto dela todos os canais disponíveis na sala.

Lembro que ela ligou para a NET em um sábado, pois quando eu chegava da casa da minha avó depois do almoço, ela estava ao telefone. Não cheguei a contar o tempo, mas ela ficou cerca de uma hora ao telefone para conseguir agendar a visita de um técnico, que aconteceria em um dia de semana por volta das sete da noite – e logo depois de desligar o telefone ela lembrou que naquele horário meu irmão e eu estaríamos na faculdade, e que ela provavelmente não teria saído do trabalho ainda. No fim ela deu um jeito de sair mais cedo do serviço: seria mais fácil do que mudar o horário da visita…

Já o meu irmão ficou visivelmente furioso em fevereiro passado, quando entrou em contato com a NET para tentar resolver o problema da velocidade da conexão à internet. Pois a promessa era de 2 Mbps, mas em alguns momentos a conexão ficava tão lenta como se fosse discada.

Ele ligou para o 0800, e a ligação sempre caía. Decidiu então usar o número pago, ficou cerca de 40 minutos ao telefone e não conseguiu resolver o problema. Foi aquele velho esquema “desliga tudo e liga de novo”, que obviamente não fazia a internet ficar mais rápida. Além disso, o cara chegou ao cúmulo de comentar que o problema poderia ser o navegador: quando meu irmão disse que utilizamos o Mozilla Firefox, o inteligentíssimo atendente disse que este não era o mais recomendável, que deveríamos usar o Internet Explorer – pior navegador que existe.

A velocidade voltou ao normal – percebemos isto pelo tempo que leva para se carregar os vídeos do YouTube, que em fevereiro carregavam muito lentamente e agora não demoram tanto. Mas deu para perceber que a conexão do Vírtua é instável: aumenta e diminui a velocidade sem prévio aviso, e não adianta reclamar para a NET, eles não resolvem seu problema. Enganuska!

Uma lição para a humanidade aprender logo

Vale a pena ler o ótimo texto lá no Moldura Digital sobre o acontecido com a civilização de Rapa Nui (conhecida pelo nome ocidental “Ilha de Páscoa”), que ergueu os famosos Moai e quando foi “descoberta” pelos europeus, estava em vias de desaparecer devido à superexploração dos recursos naturais da ilha.

Ainda temos chance de evitar que a história se repita, desta vez em escala global. Mas não podemos esperar muito tempo.

Cópias de Hollywood

Quinta passada, o Valter postou no Moldura Digital um trecho de um filme que é conhecido como “Rambo turco”. Meu irmão assistiu ao vídeo e, entre uma risada e outra, disse: “isso não é filme B, é C!”. “Tosco” chega a ser elogio!

Meu irmão e eu procuramos mais trechos do “Rambo turco” no YouTube e acabamos encontrando coisas ainda mais toscas. Como duas versões do “Super-Homem”: uma turca e outra indiana (simplesmente hilária, é um musical estrelado pelo casal “Super-Homem” e “Mulher-Aranha”). E também uma versão turca de “Guerra nas Estrelas”.

“Super-Homem” turco:

“Super-Homem” indiano:

“Guerra nas estrelas” turco:

E um dos trechos da versão turca de “Rambo” (o outro, confira no Moldura Digital):

Postagem especial 2

Há duas semanas atrás, foi a Flavia, minha amiga botafoguense.

Agora, são várias pessoas para dedicar o post. Meu pai, meu irmão Vinicius (colorado mais chato da face da Terra), o Antonio (amigo que é colorado fanático, mas não é chato), o Valter (do Moldura Digital)…

Mas eu prefiro que a principal pessoa homenageada seja o meu irmão, afinal, nove meses atrás ele se sentiu o máximo e subiu no salto, e agora fica com o rabo entre as pernas…

DÁ-LHE TRICOLOR!

Leitura recomendada

A tecnologia é algo realmente incrível. Encurta distâncias, nos permite fazer coisas jamais sonhadas pelos nosso antepassados, nos libera de várias tarefas chatas e ingratas. Porém, como sempre tem um ser humano por trás dela, isso pode ser também ruim. Tecnologia bélica é um exemplo óbvio para o caso, mas prefiro me ater a um outro: o efeito do Photoshop na sociedade ocidental.

Trecho de “Photoshop, que beleza!”, do blog Moldura Digital (clique no link para ler o texto na íntegra).