O triste destino que nos aguarda

Mês passado, falei que deixaria de ser sócio do Grêmio no final de 2012 por conta dos valores absurdos cobrados pelas mensalidades na Arena. Achei muito caro os R$ 92 para sentar atrás do gol, e longe do campo (a não ser que quisesse ficar na Geral).

No fim, não resisti. O coração falou mais alto, e o desejo de poder continuar vendo o Grêmio ao vivo venceu. Fiz a migração, para as cadeiras altas laterais, ala norte (ao custo de R$ 92 mensais). Caso falte grana, deixo de pagar.

Mas isso não muda minha visão sobre o que está acontecendo com o futebol brasileiro – e, indo um pouco além, que se passa com nossas cidades. A especulação imobiliária corre solta no país, acabando com lugares importantes para muitas pessoas. Estádios com muita história, como o Olímpico e o Florestal (antiga casa do Lajeadense) vão deixando de existir para dar lugar a supermercados e edifícios de apartamentos. Escolas viram estacionamentos. E mesmo as casas onde muitos nasceram e cresceram não existem mais, pois eram consideradas “velhas”.

Quando falo a alguém mais novo que em um certo lugar onde hoje se encontra um prédio “moderno” ou um estacionamento havia um estádio ou uma escola que funcionava numa casa antiga, para mim não é problemático lembrar. Porém, quem não viveu aquela época tem mais dificuldade de imaginar o lugar antes da “modernidade” toda vez que passa por ali.

Tem vezes que passo por algumas ruas das quais guardo lembranças da infância, e percebo que tudo mudou, se “modernizou”. Não resta mais nada, a não ser na minha memória que, com o passar do tempo, irá falhar ainda mais que na atualidade.

Ou seja, a cidade “progride”, fica mais “moderna”, “cosmpolita”. Mas com menos “alma própria”, e menos memória. E isso, ninguém jamais conseguirá me convencer de que é algo bom.