Adoramos ler mas não temos tempo… Será?

Sensacional a matéria de Alan Bisset no The Guardian, e que o Milton Ribeiro traduziu para o Sul 21. Começa com o autor falando sobre sua decisão de reler Guerra e Paz, de León Tolstói, e pegá-lo na estante, com o marcador na página 55. Depois, notou que havia outros livros com marcadores, sinais de várias leituras iniciadas e não acabadas.

Na sequência, Bisset fala na grande quantidade de opções que temos hoje em dia para distração. Incrivelmente posso citar minha própria experiência: durante a maior parte da década de 1990 não tinha computador em casa, então me distraía basicamente lendo e escrevendo (na máquina de escrever). Tinha a televisão também, mas à medida que o tempo passava eu tinha menos saco de ficar parado na frente dela.

Hoje, temos a internet, que é um extraordinário meio de comunicação (e é graças a ela que o leitor chega a este texto e à matéria que indiquei). Podemos não só receber informação, como também difundi-la, sendo ativos e não só passivos como defronte à televisão. Também nos oferece a possibilidade de escolher o que queremos ver, enquanto a TV nos empurra aquilo “goela abaixo”. Porém, ainda não aprendemos bem a fazer isso: somos sufocados por um monte de informações nem um pouco relevantes (e não necessariamente em páginas de fofoca: o próprio Facebook colabora muito com isso), e assim levamos mais tempo para realmente ficarmos sabendo do que é importante.

E o pior de tudo é que depois reclamamos da falta de tempo para ler. Quando na verdade ele nunca nos faltou: apenas o desperdiçamos com outras coisas.

A vida é uma soma de insignificâncias

O avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Mas ao mesmo tempo é também o mais apavorante para muitas pessoas. Afinal de contas, por mais que as estatísticas nos mostrem que morrer em um acidente de carro a caminho do aeroporto é mais fácil do que na aeronave, também sabemos que um erro do piloto pode ser fatal – ou seja, sentimos que nossas vidas está nas mãos de outra pessoa. Quando viajamos de carro, temos a ilusão de que está tudo sob controle: sim, uma ilusão, pois mesmo tomando todos os cuidados necessários quando se dirige, um outro motorista pode estar bêbado ao volante e na próxima curva nos acertar em cheio, de frente, sem que tenhamos tempo suficiente para desviar.

Acredito que tenha sido mais ou menos assim que o papo com o Alexandre Haubrich, do Jornalismo B, tenha tomado a direção que tomou quinta-feira passada, no Parangolé. Resumindo: somos resultados de escolhas que nós mesmos e outras pessoas fazemos. E que, por mais insignificantes que sejam aparentemente, definem o que será de nossas vidas a curto, médio, ou longo prazo. Continuar lendo

Feliz Nascimento da Noite Invencível

Hoje, nem dou bola para o Natal, mas acho que está na hora dos movimentos ateus serem menos mal humorados. A data é nossa. Simples assim. Por exemplo, o presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, da qual sou sócio), Daniel Sottomaior, comemora tranquilamente e não se incomoda com a data. Ele tem uma filha de 8 anos que adora o 25 de dezembro. Diz ele: “Nossa árvore é uma árvore de referência a Isaac Newton, que nasceu nesta data e que descobriu a Lei da Gravidade. Ela tem maçãs e luzes. Os outros simbolismos – perus, renas, presentes, árvores, Roberto Carlos – , nada disso nasceu com o Natal”. E completa: “Estamos apenas retomando uma data pagã que nos foi roubada pela igreja e que foi comemorada por sete mil anos antes do século III”.

O trecho acima é de um texto do Milton Ribeiro, ateu que nem este que vos escreve. O que ele falou me fez pensar: afinal, por que torcer tanto o nariz para o Natal? Sim, sou daqueles que ficam mal humorados com a data. Afinal, não sigo nenhuma das religiões celebradas (cristianismo e consumismo), e ainda assim preciso participar da festa? Que saco!

Mas, por um outro ponto de vista, há sim um bom motivo para comemorar.

A origem do Natal não tem nada de cristã: a festa original é pagã, e tinha a ver com o solstício de inverno no hemisfério norte. Em 22 de dezembro o sol chega a seu ponto mais baixo nos céus setentrionais – ao mesmo tempo, é quando ele mais brilha no hemisfério sul. Ele passaria algo em torno de três dias assim, para depois voltar a “subir”.

Três dias, renascimento, isso lembra algo, né? Não é por acaso também que se diz que Jesus morreu na cruz: a “morte” do sol também se dava nela – no caso, se trata da constelação do Cruzeiro do Sul. Ele “morre” para, ao terceiro dia, “ressuscitar”. O terceiro dia é justamente quando se celebra o Natal: daí a festa na noite de 24 para 25 de dezembro, pois dali em diante as noites irão ficando mais curtas e os dias mais longos até 21 de junho, solstício de verão setentrional.

(Aí o leitor pesquisa um pouco mais e descobre como se define a data da Páscoa: é o primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera setentrional – ou seja, época também associada com “renascimento”. Coincidência, né? Sem contar que o nome original da festa, pessach em hebraico, significa “passagem”: é nessa época que o sol “passa” do hemisfério sul para o norte.)

A festa pagã era chamada de Natalis Solis Invictus, ou seja, “Nascimento do Sol Invencível”. Por isso era um símbolo de esperança, de renovação (que lembra bem mais o Ano Novo): o sol sempre vencia a noite, e em uma região onde o inverno é longo e com muita neve, a “vitória do sol” significava algo como “a vida vencer a morte”. O cristianismo, sem conseguir eliminar as celebrações pagãs, não teve outra alternativa que não a de adaptar seus mitos.

Bom, e nós aqui no hemisfério sul, fazemos o quê? Afinal, aqui é ao contrário: o sol “morre” em junho e em dezembro está no auge. O certo seria celebrar o Natal (no sentido do Natalis Solis Invictus) em junho, época das festas juninas que também têm origem pagã: comemoração pelo solstício de verão no hemisfério norte. Mas, o difícil seria convencer todo mundo a mudar a data da festa natalina…

Então, notei que tenho algo sim a celebrar em dezembro. Se as noites começam a ficar mais curtas no hemisfério norte, isso quer dizer que aqui no sul acontece o contrário. Quem me conhece sabe que não costumo me dar muito bem com o sol, e que o interminável e tórrido verão de Forno Alegre para mim é uma agonia e não uma “época de vitalidade” – ou seja, ideia associada ao inverno naqueles países onde ele é longo e gelado. Logo, o “nascimento da noite” é algo a ser comemorado, sim! (Já para os que gostam do verão, a dica é celebrarem justamente a estação, até porque sabemos que o calor infernal está recém começando.)

Mas, é claro, a melhor maneira não é com essa correria de se comprar um monte de presentes e comidas para a reunião dos familiares. Festa pagã tem de ser anárquica, sem religião e, principalmente, sem estresse. O Milton (que também odeia o verão) até já deixou no texto dele uma sugestão bem mais condizente com nosso clima, que complemento: podia todo mundo sair correndo nu pelas ruas, numa farra que nada deveria ao Carnaval.

Então, meus amigos, meu desejo é que vocês tenham um ótimo Nascimento da Noite Invencível – vamos fazer nossa parte para que o paganismo retome a data, embora sem divinizar o que é simplesmente natural, como o sol, numa comemoração adaptada às condições locais (e pessoais). O nome vai ficar assim mesmo em português até que apareça alguém que entenda bem de latim, pois a tradução que o Google me forneceu não me pareceu muito confiável*.

E em 20 de março, equinócio de outono no hemisfério sul, celebraremos a passagem do sol para o hemisfério norte. Mais uma espécie de “renascimento” para quem sempre atravessa a rua em busca da sombra.

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* “Noite” em latim se escreve nocte (pelo menos é o que o Google me diz). Mas e a festa, como ficaria? Natalis Noctis Invictas? Na falta de certeza, mantenhamos o nome oficial em português.

Baixaria não me surpreende nem um pouco

O editorial de ontem do jornal eletrônico Sul 21 tratou sobre a baixaria que tomou conta da campanha eleitoral para a presidência. Logo na primeira frase, uma constatação de que “os mais conceituados analistas políticos” estão precisando de mais contato com a o dia-a-dia da política brasileira.

A campanha eleitoral à Presidência da República, contrariando as previsões iniciais dos mais conceituados analistas políticos, descambou para a baixaria.

Eu não estou nem um pouco surpreso com o baixo nível da campanha. Ainda no final do ano passado, o Milton Ribeiro cantou a pedra: 2010 “seria uma coisa”. Tecendo comentários sobre o texto dele, eu disse que esta campanha que, aparentemente, terminará daqui a duas semanas (ao menos para a presidência) seria a mais suja que o Brasil já havia visto. Aliás, previsão feita também pelo Luiz Carlos Azenha.

Já o editorial de hoje do Sul 21 diz que o Brasil merece mais do que se vê na campanha. Concordo totalmente.

Em quem não votar

O Milton Ribeiro escreveu um excelente texto sobre o que seria sua hipotética candidatura a deputado federal, no qual também nos apresenta uma lista sobre as características que deve ter um candidato para garantir que não receberá o voto dele – aliás, o meu também. (Só discordo de quando ele fala do Grêmio, por motivos óbvios.)

Ou seja, “subscrevo” a lista e recomendo que não votemos em:

  • quem mistura religião com política;
  • quem parece ou é pastor;
  • quem é conservador ou de direita (não me digam que direita e esquerda não existem mais, por favor);
  • quem criminaliza sistematicamente os movimentos sociais (MST, povos indígenas, etc.);
  • quem é criacionista;
  • quem é homofóbico;
  • quem é sexista;
  • quem, gratuitamente, fala mal da América Latina;
  • quem usa a frase “meu antecessor ou quem está lá não fez nada”, pois certamente fez e pode ter sido péssimo.

Em comentário, sugeri um item a mais na lista (não é “misturar futebol e política”, porque os que fazem isso veem futebol como religião, já citada). Trata-se de não votar em quem está (mesmo que indiretamente – no que sinceramente eu não acredito) sufocando um jornal independente por conta de uma reportagem publicada em 2001 e que não dizia nada que não tenha sido comprovado.

O jornal ao qual me refiro é daqui de Porto Alegre, o Jornal Já (que inclusive foi premiado por conta da reportagem citada, sobre uma fraude milionária na CEEE). O político se chama Germano Rigotto (PMDB), candidato ao Senado. E o processo é movido por Julieta Rigotto, mãe do ex-governador, por conta das referências feitas pela reportagem a seu outro filho, Lindomar, falecido em 1999. Germano Rigotto chegou a dizer ao jornalista Luiz Cláudio Cunha que nem sabia da existência do (detalhe: ele disse isso em novembro de 2009, oito anos após o início da ação judicial).

Como sou de esquerda, obviamente eu não votaria em Rigotto mesmo que não existisse o processo, cujo mais recente capítulo resultou no bloqueio das contas dos jornalistas Elmar Bones (editor do ) e Kenny Braga (sócio minoritário de Bones). Mas como sei que, de vez em quando, alguns conservadores (favor distinguir de direitosos) aparecem por aqui, peço a eles que reflitam sobre isso, e pensem bem antes de digitarem seu voto para Rigotto (caso o tenham como seu candidato), sob pena de favorecerem a continuação de uma grande injustiça.

Afinal, Bones já havia sido absolvido na ação penal por injúria, calúnia e difamação; mas inexplicavelmente, acabou condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil por “danos morais”, valor que hoje já supera os R$ 55 mil – valor “tranquilo” para uma Zero Hora ou um Correio do Povo, mas impagável para o , que sobrevive com dificuldades.

Já que Rigotto continua a usar um coração como sua marca de campanha (igual a 2002 e 2006), deveria fazer jus a ele e pedir a sua mãe que retire o processo.

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Claro que se Rigotto perder votos, há o risco maior de Ana Amélia Lemos (PP) ser eleita (óbvio que não será com meu voto). O ideal seria não votar em nenhum deles – afinal, Ana Amélia se enquadra no item “quem é conservador ou de direita”, lá da lista. O problema é que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”

Mais dois contra o Natal

Ontem, fez um calor desgraçado. Não tanto pela temperatura, e sim pela alta umidade, que causava uma horrível sensação de abafamento. À noite, parou a chuva, mas graças à umidade havia muitos insetos a encherem o saco próximo à churrasqueira, onde preparamos um aperitivo.

Ao ar livre, era ótimo ficar (desde que com as luzes apagadas, devido aos “bichos de luz”). Mas a “troca de presentes” foi feita dentro de casa, e havia muita gente. Resultado: calor horrível e mau humor da minha parte, que não fiz questão alguma de disfarçar. Nunca fui competente como farsante. Menos mal que há mais de 10 anos abolimos o amigo secreto.

Eu adoro minha família, e me divirto bastante quando, mais de uma vez durante o ano, nos reunimos para comer um bom churrasco, tomar cerveja e botar conversa fora – como fizemos ontem enquanto estávamos ao ar livre, falando sobre futebol, minha monstrografia (ou seja, mais futebol!) e lembrando alguns fatos da história familiar. Quando não há essa besteira de “troca de presentes” (como eu sabia que não ia receber nada, pois já tinha ganho os meus presentes antes, preferia ficar na área da churrasqueira, que mesmo com o calor do fogo estava mais agradável). E melhor ainda quando não é verão, o que faz o “calor humano” não ser um incômodo.

Eu me perguntava se realmente o Natal é um saco, ou se eu sou chato. Bom, talvez as duas opções estejam corretas, mas antes ser chato do que fingir ser o que não sou. E felizmente não sou o único a não gostar dessas comemorações, como mostra o texto abaixo, do Milton Ribeiro, com o título “Abaixo o Natal!!!” (não costumo copiar na íntegra, só que o texto dele é curto, sem contar que concordo integralmente com o que ele escreveu – mas não deixe de ir “ao original” para dar sua opinião):

O Natal devia ser como a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos. O que há de bom nestes dias? Estar com a família? Sou alguém bastante sociável, gosto de minha familia e já os vejo frequentemente. Então, prefiro estar com eles sem as besteiras mesquinhas e os milagres da época. Mais do que o primado do consumo, detesto as promoções de bons sentimentos, a hipocrisia, a religião, a obrigação de felicidade. Pior, hoje serão servidas iguarias irresistíveis, vai se comer muito e não quero engordar. Por mim, dormia cedo. E amanhã todos voltarão porque haverá comida demais…

É uma festa legal quando temos crianças pequenas, mas agora, qual é o sentido? Há a necessidade de estarmos alegres após passar o dia arrumando a casa e lembrando de detalhes… Pois é, já viram, vai ser aqui em casa. Se a gente fica sério, as pessoas se preocupam. Então, o negócio é beber. Haja saco. Ainda bem que chove. Podia vir uma tempestade e faltar luz no meio da festa! Seria uma novidade!

Festa por festa prefiro a virada do ano. Ao menos é sem presentes e com menos religião. E, associada à data, há uma simbologia de renovação, de planos e mudanças quase sempre falsas, mas ao menos pensadas. Já o Natal… é pura merda. Na minha infância, era comemorado na manhã do dia 25. A gente acordava e havia presentes sob a árvore. Fim. Hoje é um happening, vão tomar no cu.

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Também merece registro a postagem do Guga Türck no Alma da Geral: o vídeo com a música “Papai Noel Filho da Puta”, dos Garotos Podres.

2010: um tenso ano novo

Em menos de duas semanas estaremos oficialmente em 2010. Um “ano novo” que terá uma “novidade”: a campanha política mais suja da História do Brasil.

Isso pode parecer que já aconteceu em 2006. Mas em nada se compara ao que veremos no próximo ano. Na última eleição presidencial, a direita contava que, com a ajudinha da “grande mídia”, impediria a reeleição de Lula e voltaria ao governo. Mas a tática não deu certo, e o presidente obteve mais quatro anos dando uma verdadeira surra eleitoral em seu adversário no segundo turno.

A direita raivosa já percebeu que não basta ter uma ajudinha da “grande mídia”, nem pode contar que as pesquisas convençam os eleitores de que “tal candidato vai ganhar e não adianta nada fazer alguma coisa contra”. Como disse o Eugênio Neves em postagem no início de 2009, trava-se uma “batalha da informação”: os direitosos sabem que muita gente lê opiniões críticas escritas por diversos blogueiros de esquerda. Daí o aparecimento de diversos trolls, com o único objetivo de tumultuarem o debate feito nos comentários: muitas vezes financiadas pela direita, não interessa a tais figuras a troca de ideias, e sim a baixaria.

Como disse o Milton Ribeiro, realmente, 2010 “será uma coisa”. Nos preparemos para uma enxurrada de comentários toscos, ofensivos. Para os quais só vejo uma solução: a “tesoura”. Isso não é “censura”: cada blog publica os comentários que julgar convenientes; até porque a “grande mídia” se diz “imparcial” mas não publica muita coisa…

Cortar o barato dos trolls só beneficia o debate (que se realizado em alto nível incentiva também a participação de quem discorda mas não xinga, o que é excelente). Sem contar que as provocações têm muitas vezes o objetivo de gerar resposta que resulte em algum processo – principal arma dos direitosos para tentar calar a blogosfera, pois sabem que os blogueiros independentes não têm como enfrentar o poder econômico. Que o digam o Carlinhos Medeiros e o Antônio Arles, os mais recentes “notificados judicialmente”.

Epidemia de mau humor no RS

Ainda sobre o processo Leticia Wierzchowski x Milton Ribeiro: li no blog dele os motivos que levaram a autora a decidir entrar com uma ação. O que me faz lembrar dos meus comentários a respeito da dispensa dos chargistas Kayser, Moa e Santiago do Jornal do Comércio, em 2007.

Provavelmente ninguém gosta de ser alvo de brincadeiras. Ainda mais quando “é famoso”. Deve ser horrível “ser conhecido” e ver que há gente nos criticando e fazendo piada. Pelo jeito, quem é “celebridade” não pode ter um pouco de bom humor.

O meu sobrenome já me rendeu apelidos. Não vou dizer quais eram: prefiro que os leitores façam seus chutes nos comentários. E, claro, processarei todos: se não sou famoso, ficarei – e o que vale mesmo é dinheiro acima de tudo, amigos! Vamos ver quanto consigo ganhar desse jeito…

Solidariedade a Milton Ribeiro

Mais um processo contra blogueiro. Prova de que essa mídia sem credibilidade realmente incomoda.

Li no blog do Milton Ribeiro que ele está sendo processado por Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres (que virou minissérie na Globo, e não por acaso a mais adorada pelos bovinóides, já que fala sobre a “Revolução” Farroupilha). A ação por “danos morais” deve-se a um post no blog dele, publicado em 11 de fevereiro deste ano.

Não é o primeiro caso de processo movido a partir de posts em um blog. O pessoal d’A Nova Corja que o diga, com três: Banrisul, Políbio Braga e Felipe Vieira. Ainda no Rio Grande do Sul, temos também o caso do professor Wladimir Ungaretti, proibido por ordem judicial de se manifestar a respeito do “fotojornalismo” da Zero Hora.

E é impressionante qualquer coisinha acaba em processo. Afinal, tudo se resume a intimidar com base no poder econômico. Mesmo que por motivos ridículos.

Processar alguém por besteira, a meu ver serve para dar ainda mais razão ao processado, e o efeito pode ser o inverso ao desejado – ou seja, a exigência de reparação ao “dano moral” apenas serve para deixar o processante realmente “mal na foto”.

Pois, no caso da Leticia Wierzchowski, nunca li um livro dela – e por isso me abstenho de criticá-los. Mas com este ridículo processo contra o Milton Ribeiro, a autora ganhou tanta antipatia de minha parte que jamais pretendo ler qualquer coisa escrita por ela. Nem sequer para fazer críticas. E ainda recomendo o mesmo a todos os meus amigos, leitores e amigos-leitores.