O risco da “grande mídia”

Como já disse várias vezes aqui, voto em Plínio de Arruda Sampaio para presidente. O que não quer dizer que não preste atenção em como a “grande mídia” faz campanha contra a candidata petista, Dilma Rousseff. Pintam-na como se fosse “uma ameaça à democracia” – quando vejo justamente a “grande mídia” como o maior perigo às instituições democráticas. E não é paranoia minha: Bourdieu disse isso sobre a televisão (até acho que podemos estender à “grande mídia” em geral).

De fato, penso que a televisão, através dos diferentes mecanismos que me esforço por descrever de maneira rápida – uma análise aprofundada e sistemática teria exigido muito mais tempo -, expõe a um grande perigo as diferentes esferas da produção cultural, arte, literatura, ciência, filosofia, direito; creio mesmo que, ao contrário do que pensam e dizem, sem dúvida com toda a boa-fé, os jornalistas mais conscientes de suas responsabilidades, ela expõe a um perigo não menor a vida política e a democracia. (BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 9-10.)

Na sequência, Bourdieu lembra um episódio acontecido em 1995-1996, quando Grécia e Turquia quase entraram em guerra por duas pequenas ilhas, com rádios e televisões privadas de ambos os países “pondo mais lenha na fogueira” com suas incitações nacionalistas.

No caso do Brasil, a “grande mídia”, embora se diga “imparcial” (e obviamente eu acredito, assim como em Papai Noel, Coelho da Páscoa etc.), tenta de tudo que é jeito dar uma levantada em seu candidato, José Serra (PSDB), que anda por baixo nas pesquisas. Claro que pesquisa não é igual ao voto na urna, mas é difícil imaginar que, com Lula explicitamente apoiando Dilma, a popularidade do presidente não resulte na vitória da petista – no Chile, a ex-presidente Michelle Bachelet praticamente não participou da campanha de Eduardo Frei, e assim o oposicionista Sebastián Piñera venceu.

Assim, agora vemos a “grande mídia” martelando o caso da violação de sigilo bancário da filha de Serra; aqui no Rio Grande do Sul aconteceu algo parecido, mas nem a Zero Hora fala muito – afinal, aqui a acusação recai sobre um tucano, e não sobre um petista. E também batendo em Dilma, nas entrelinhas ou abertamente.

Isso vai dar certo? Só as urnas dirão. Mas é certo que a “grande mídia” sofrerá uma das maiores humilhações de sua história se Dilma vencer no primeiro turno, como indicam as pesquisas.