Reflexos do futebol-negócio

Quinta-feira, fui ao jogo do Grêmio contra o León de Huánuco, pela Libertadores. Vitória de 2 a 0, sem jogar bem.

Mas não é sobre o desempenho do Grêmio que quero falar. O que chamou muito a atenção (como já ocorrera em jogos anteriores) foram alguns guris assistindo à partida na Social. Eram jogadores das categorias de base.

Eles enquadravam-se naquele estereótipo de jogador de futebol, que quando começa a ganhar algum dinheiro, corre para se “emperiquitar” com correntinhas e tênis de marca. Tudo bem, é direito deles (e quem sou eu para condená-los?). O que incomoda, é a maneira com que eles assistem ao jogo: de fato, apenas “assistem”, não torcem, não vibram nos gols, nem mesmo veem o jogo vestindo a camisa do Grêmio!

É isso mesmo: o Grêmio está formando jogadores que não são gremistas…

Antigamente, os jogadores formados em um clube costumavam também torcer por ele, a ponto de ficarem identificados com sua origem, mesmo quando jogavam por outros times. Claro que também havia exceções: às vezes o guri não dava certo na base do time do coração, mas sonhava em ser jogador profissional, e procurava outro clube onde tivesse mais chance (até para, no futuro, poder jogar onde o coração mandava).

Hoje, a maior parte da gurizada está jogando só por dinheiro, “sucesso”, fama etc. Muitas vezes não têm idade nem para votar, e já têm um “procurador” para negociar – e aí vão para onde pagarem melhor. E então eu percebo que fico surpreso quando um Ronaldinho vai embora do Grêmio quase de graça, depois de enganar a torcida com inúmeras juras de amor.

É hora da direção gremista tomar alguma atitude para “doutrinar” (por favor, patrulheiros direitosos de plantão, isso é só futebol!) essa gurizada. Se não for para transformá-los em gremistas fanáticos, que ao menos faça eles entenderem que estão num clube de muita história, e que valoriza os jogadores que “dão o sangue” pelo time. Já “mascarados” como Ronaldinho, todos sabem qual o lugar dele nos mais de cem anos de história do Grêmio…

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Outro reflexo do “futebol-negócio” é o que está acontecendo com as obras da Arena do Grêmio. Apesar de nem ser culpa do clube (eles são contratados da OAS, que gerenciará o estádio por 20 anos), me envergonha ver o nome do meu time associado a coisas assim.