É para isto que Dilma foi eleita?

Segunda-feira, aconteceu a festa de 90 anos do jornal Folha de São Paulo. A comemoração contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, que em discurso chegou a elogiar o jornal!

Sim, parece piada. Ainda mais depois de tudo o que já se viu nas páginas da Folha: “ditabranda”, ficha falsa, campanha pró-Serra disfarçada de “imparcialidade”, censura… Dilma perdeu uma excelente oportunidade de ficar em Brasília.

Por que motivos Dilma foi bajular o jornal? Esperança de que ele não lhe faça oposição, como fez ao governo Lula? Pfff…

Dilma Rousseff, que tem domicílio eleitoral em Porto Alegre, deveria aprender com o exemplo do Rio Grande do Sul. Em 2007, durante homenagem aos 50 anos da RBS na Câmara de Deputados, vários parlamentares bajularam a empresa, dentre eles Maria do Rosário (PT), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Luciana Genro (PSOL) – que no ano seguinte foram candidatas à prefeitura de Porto Alegre.

Adiantou alguma coisa? Não! O então prefeito José Fogaça (PMDB), ex-funcionário da RBS, foi reeleito mesmo sem ter feito nada que prestasse. Não bastasse isso, Luciana Genro – que em 2003 teve a dignidade de se recusar a prestar um minuto de silêncio pela morte de Roberto Marinho – não conseguiu se reeleger, mesmo tendo recebido cerca de 129 mil votos (foi a deputada não eleita mais votada do Brasil), pois o PSOL não alcançou o quociente eleitoral no Rio Grande do Sul. E Luciana ainda tornou-se inelegível no Estado, já que seu pai Tarso Genro é o governador.

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Amor à venda

No desespero de demonstrar que existe gente com coragem de apoiar o (des)governo Yeda – não esqueçamos que no Rio Grande do Sul tem gente que votaria no diabo (se ele existisse) contra o PT – o PSDB acabou marcando “gol contra”.

Durante o ato contra o (des)governo – e também contra uma eventual posse do vice Paulo Afonso Feijó, que é o previsto pela Constituição em caso de impeachment – algumas pessoas, no acesso à Assembleia Legislativa do Estado, balançavam bandeiras de plástico do PSDB e exibiam faixas em apoio à Yeda. Porém, o entusiasmo era tanto…

Fez lembrar a campanha eleitoral de 1998, quando não poucos “militantes” do Britto sacudiam as bandeiras apenas porque eram pagos para aquilo. Na urna, digitaram o 13 do Olívio. A militância petista, na época, era feita apenas no amor.

Foi na eleição municipal de 2004, se não me engano, que a coisa começou a mudar – pelo menos aqui em Porto Alegre. Naquela campanha, não bastasse a aliança do PT com o PL – que vinha desde 2002 em nível nacional – ainda tive de digerir o fato de pessoas receberem dinheiro para sacudirem bandeiras do PT pelas ruas da cidade. Algo que eu sempre fazia “de graça”.

A campanha de 2004, a última antes de vir a público o escândalo do mensalão, foi a última na qual saí para a rua com bandeira do PT, em apoio ao Raul Pont. Não estava satisfeito com os rumos tomados pelo partido, mas fiz um esforço para tentar impedir que Porto Alegre caísse nas mãos da velha direita. Não adiantou nada, e o Fogaça ganhou.

Cheguei a usar adesivos do Olívio em 2006, e foi só. Não me senti mais empolgado a sair para a rua com a bandeira. Isso foi tarefa para os “militantes pagos” cumprirem com todo aquele entusiasmo.

Em 2008, nem sequer adesivo usei, na campanha política mais chata da história recente de Porto Alegre. Votei na Maria do Rosário, por falta de opção: no 1º turno para não correr riscos de deixar a Manuela (com o Britto Berfran) passar ao 2º, e depois porque entre Fogaça e Maria do Rosário, eu não tinha dúvidas do que seria melhor (ou menos pior?) para a cidade. Assim como em 2004, não adiantou nada: o Fogaça ganhou de novo.

Eu não acredito!

Lembram do meu amigo “realista”?

Pois é, insisti um monte, e ele fez o teste, me mandando o resultado pelo MSN. E eis o resultado que me deixou boquiaberto:

  • Economic Left/Right: -0.88
  • Social Libertarian/Authoritarian: -0.46

Certamente, o fato dele ser contra o Bush pesou um pouco. Mas não dá para esquecer que ele é pró-pena de morte e a favor de que “os vagabundos se ferrem”, conforme escrevi naquele post. Bandeiras da direita. Sem contar que votou no Fogaça nos dois turnos, por odiar o PT: como eu falei em outubro, se ele dizia não ser de direita podia votar na Vera Guasso ou na Luciana Genro (ou ainda anular o voto). Mas votou no Fogaça.

Considerando que eu insisti um monte que ele fizesse o teste, é capaz dele ter respondido de qualquer jeito só para eu parar de encher o saco, tendo como conseqüência este bizarro resultado de “centro” (“realista”?). Ou talvez ele tivesse opiniões libertárias e socialistas que eu não conhecesse (e que obviamente entram em contradição com a defesa da pena de morte e do individualismo). Ou procurou “equilibrar” as respostas para o resultado ser o “realismo”.

Ou, o que seria pior, que esse teste fosse uma fraude. Mas não é: cheguei a fazê-lo com respostas típicas da direita autoritária (para ver se realmente era confiável), e o resultado foi pró-direita e autoritarismo.

De qualquer forma, eu continuo a não acreditar no que meus olhos me mostraram…

Ainda acho que ele é um direitoso. Até porque o perfil do direitoso, foi baseado nele. E vão dizer que não está certo?

A justificativa deles

(do Blog do Kayser)

Juro que se ouvir alguém repetir aquela idiotice de que o Rio Grande do Sul “é o Estado mais politizado do Brasil”, terei de me segurar para não partir para a ignorância. E não é (só) pela reeleição de um prefeito que não fez nada de realmente importante pelo povo de Porto Alegre – tanto que NINGUÉM respondeu à pergunta que fiz há mais de duas semanas.

Apenas 82,22% dos eleitores porto-alegrenses compareceram às urnas neste domingo. Se o Rio Grande do Sul fosse tão politizado assim, sua capital não poderia ter 17,78% de abstenção.

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Aos que votaram em Fogaça: nem precisam mais responder minha pergunta. Já vi que vocês votam em qualquer um que “não seja do PT”.

Não esqueçam de reeleger a Yeda em 2010. Pois esta bosta de governo não é do PT, então para vocês, é ótimo.

Por que ainda tenho esperança?

Embora todos os candidatos tenham sido tão parecidos ao longo desta campanha (maldita onda de “paz e amor”, negação da política, que pressupõe discussão, debate), dizer que eram todos iguais não dava.

Por isso, mesmo que fossem todos tão parecidos, tive que fazer uma escolha. E escolhi, como os leitores do blog já sabem e por motivos que já apresentei, Maria do Rosário já no 1º turno.

As perspectivas não são nada animadoras. Amanhã é 25 de outubro, dia em que se completam 10 anos da inesquecível vitória de Olívio Dutra na eleição para o Governo do Estado, e parecemos estar às vésperas de mais uma derrota do PT para um adversário fraco. Porque conheço pessoas que votam em qualquer um que “não seja do PT”. Não é nem conservadorismo: é burrice mesmo.

São tão burros que na última eleição para o Governo do Estado eles iriam votar no Rigotto, e decidiram votar na Yeda para “tirar o Olívio do 2º turno”. Quem ficou de fora foi o Rigotto (que se não era grande coisa, era bem menos pior do que a Yeda). E claro, votaram todos na Yeda depois. Deu no que deu. É uma pena que todos os gaúchos, tenham ou não votado nela, estejam pagando o pato. Mas é bem feito para todos os que votaram nela e que votariam até no demônio contra o PT.

Enfim, acho que está tudo perdido. Melhor, quase acho. Pois numa tarde de sábado em 2005, deixei de acreditar na validade da palavra “impossível”.

E, como aquele amigo que citei em postagem um dia depois do 1º turno é gremista, sabe que não pode cantar vitória antes da hora.

A guerra civil esquecida

Sensacional artigo do Cristóvão Feil no Diário Gauche:

Tivemos uma guerra civil e não sabíamos

Ontem à noite, não pude ver o confronto bíblico – digno do Novo Testamento – José versus Maria.

Me contaram, que José começa a apelar, talvez ainda não na linha de Sarah Palin ou Marta Suplicy, mas apela. Começa a fazer um discursinho que roça o anticomunismo – imaginem, contra Maria, que mal sabe do quê se está falando mesmo.

O bom José se proclama “pacificador” (alô!, historiadores, onde vocês estavam quando houve uma guerra civil em Porto Alegre, recentemente, como isso passou batido e não ficaram registros?).

O anticomunismo do bom José mora nas dobras da queixa de que há um setor que é contra tudo e todos, que busca o confronto, que não entende a política de mão estendida e o espírito desarmado da “nossa coligação”. Já escutei esse papo antes, com Rigottinho e dona Yeda.

Só falta Maria responder que tanto não é comunista que se chama Maria do Rosário, ama Porto Alegre e sempre que pode pede a benção da RBS.

Brincadeiras à parte: Maria está como o Grêmio, pode vencer (a prefeitura de Porto Alegre e o campeonato brasileiro, respectivamente) com as próprias forças, só depende do seu único e exclusivo desempenho – apesar da saliente mediocridade dos dois.

Conspira a favor deles – Maria e Grêmio – o fato de disputarem com adversários muito ruins, péssimos.

Repetindo meu comentário lá deixado:

Mas o Grêmio tem o Celso Roth.
Se isso é diferença “pra melhor” ou “pra pior”, ou se não é diferença nenhuma, só em dezembro saberemos…

Como o Feil perguntou pelos historiadores, atenderei seu chamado. Procurarei por registros da tal “guerra civil”, a qual vivi e não percebi. Mas buscarei “fontes primárias”, ou seja, que sejam contemporâneas ao “conflito” (1989-2004). “Fonte secundária” ou “terciária” não vale.

Pergunta para os reacionários

A postagem de hoje é voltada para os direitosos. Para os reacionários que estão se tornando uma praga em Porto Alegre.

Ao invés de fazer “propaganda eleitoral” pelo voto na Maria do Rosário, faço uma pergunta aos que votarão em Fogaça: no que Porto Alegre ficou melhor nos últimos quatro anos?

Quem souber, cite pelo menos uma melhoria, pois eu não vi nenhuma.

Cada um usa as armas que tem

Enquanto Maria do Rosário procurará ligar seu nome ao do presidente Lula, que tem altos índices de popularidade, veja no RS Urgente o que Fogaça quer fazer com Yeda…

Os melhores parlamentares, segundo o “Congresso em Foco”

A página Congresso em Foco, que divulga notícias relacionadas com o parlamento brasileiro, publicou a lista dos melhores parlamentares de acordo com o voto dos jornalistas que trabalham no Congresso. A classificação final será decidida pelo voto do internauta.

Considerando que quatro dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre estão na Câmara de Deputados, não custa nada verificar em que posição cada um deles se encontra:

  • Maria do Rosário (PT) – 5º lugar (38 votos)
  • Luciana Genro (PSOL) – 6º lugar (33 votos)
  • Manuela D’Ávila (PCdoB) – 35º lugar (11 votos)
  • Onyx Lorenzoni (DEM) – 158º lugar (1 voto)